O André Abrantes Amaral apresenta, um pouco mais abaixo, uma interessante análise política sobre as negociações entre o Governo e o CDS para efeitos de viabilização do Orçamento de Estado, na qual, em síntese, aponta ao CDS não só a responsabilidade por fazer perdurar a política orçamental deste Governo como igualmente a de não dar o devido retorno aos votos alcançados.
Discordo desta análise por um conjunto vasto de razões a que só valerá a pena voltar quando forem conhecidos os resultados dessas negociações. Por agora destaco apenas aquele que me parece ser o vício original da análise do André, que é o de partir de uma realidade ficcional.
O PSD não só não se apresentou distinto do PS na campanha e nas eleições como, igualmente, nesta discussão orçamental, não conseguiu ainda alinhar uma política de verdadeira ruptura com a política orçamental que tem vindo a ser seguida em Portugal. Se isso estivesse a acontecer, as negociações entre o CDS e o Governo, fossem elas quais fossem, seriam um entrave a essa ruptura. Com razão, Aguiar Branco estaria a dizer aos portugueses que o CDS estava a impedir a mudança de paradigma e a reforma das políticas e a investir no reforço do socialismo. No entanto, como sabemos, Aguiar Branco apenas se veio queixar de ser com o CDS e não com o PSD que o Governo estava a negociar, não se lhe conhecendo (em coerência aliás com o que foi feito em camPanha) uma palavra que seja sobre uma alternativa liberal à política orçamental de esquerda (apesar de o PSD ser também, porque sim e porque quer, de centro-esquerda).
Desta forma, e perante a ausência de uma alternativa orçamental de ruptura, a opção que o CDS tem neste momento (e logo veremos se dela fez bom uso ou não) está entre rentabilizar o seu caderno de encargos (é que, ao contrário do que sucedeu com o PSD, o eleitorado sabe muito bem quais as bandeiras pelas quais o CDS se bateu nas últimas eleições e pode ficar facilmente destrunfado se o PS o acusar de ter rejeitado as várias ofertas de satisfação do mesmo pelo Governo) ou recusar-se a negociar o Orçamento, deixando que outros partidos, como seja o PSD, apareçam a salvar a possibilidade de eleições antecipadas.
Esta opção de avançar com as negociações é claramente discutível politicamente, embora eu concorde com ela. Mas não assume, na minha opinião, os contornos traçados pelo André.
[...] Arquivado em: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:38 Discordo do Adolfo, neste post, quando afirma que o PSD não se distingiu do PS na campanha eleitora…. Admito que essa diferença não tenha ficado clara para o eleitorado, mas que havia linhas claras [...]
Pingback por Casamento PS-PP « O Insurgente — Janeiro 21, 2010 @ 15:39
[...] Arquivado em: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:00 O Adolfo Mesquita Nunes criticou a minha análise às negociações orçamentais que juntaram PS e CDS à mesma mesa. Se concordo [...]
Pingback por Acordo PS-CDS e breves notas sobre o PSD « O Insurgente — Janeiro 22, 2010 @ 11:01