O Insurgente

Janeiro 6, 2010

Take Another Plane

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 00:40

Um português que queira visitar familiares em Newark ou Elizabeth, ou simplesmente visitar Nova Iorque, na primeira quinzena de Julho, terá de desembolsar cerca de 850 euros para voar na TAP. (Um emigrante que viva em Newark ou Elizabeth e queira vir a Portugal durante a mesma altura terá de desembolsar cerca de mil euros para voar nos vôos complementares). Quem viver em Madrid, no entanto, poderá voar TAP para Lisboa e ligar-se aos mesmo vôos Lisboa-Newark-Lisboa, pagando pela totalidade do percurso cerca de 550 euros.

Desta forma, a TAP pode vangloriar-se de ser competitiva em rotas internacionais, fazendo de Lisboa um “hub”, conseguindo que clientes “cativos” (tugas emigrantes e tugas residentes) subsidiem a sua actividade noutros mercados. Isto de ter uma companhia de bandeira é porreiro, pá.

13 Comentários »

  1. Elucidativo.

    Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 6, 2010 @ 01:15

  2. Os clientes da TAP não são cativos. Podem voar para Nova Iorque com a Iberia por Madrid. Ou com outras companhias aéreas. Eu qando vivia nos EUA e prendi vir a Portugal, jamais vim com a TAP.

    A TAP tem a política comercial que quiser e bem entenda. E certamente que Fernando Pinto percebe mais do assunto do que o Miguel Botelho Moniz.

    Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 6, 2010 @ 10:42

  3. Fantástico
    Infelizmente os “accionistas” da TAP não têm outra hipótese senão continuar a pagar estes desvarios. Se fossem uma companhia privada a TAP já tinha sido forçada a fechar ou a redimensionar-se ou a alterar o seu modelo de negócio.

    Vamos ver o caso pela positiva. Os 300 euros a mais (e os milhões que lá enterramos)são “a bem da Nação” e dos boys que se não fossem estes tachos seriam obrigados a arranjar empregos a sério.

    Comentário por Miguel — Janeiro 6, 2010 @ 10:49

  4. “Se fossem uma companhia privada a TAP já tinha sido forçada a fechar ou a redimensionar-se ou a alterar o seu modelo de negócio.”

    A TAP está constantemente a redimensionar-se e a alterar o seu modelo de negócio. Tem estado continuamente a fechar rotas e a abrir outras rotas. E o facto de ser uma companhia pública em nada altera este facto, dado que por norma da União Europeia os Estados estão impedidos de subsidiar as suas companhias de bandeira, pelo que elas são de facto forçadas a viver pelos seus próprios meios. Aliás, outras companhias aéreas (Iberia, British) estão com problemas similares aos da TAP.

    Eu também sou favorável à privatização da TAP, mas daí a criticar tudo aquilo que a sua gestão faça, vai um grande passo.

    Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 6, 2010 @ 10:57

  5. E os aumentos de capital acha que vêm de onde?
    A TAP necessita urgentemente de um reforço de capital de cerca de 200 milhões de euros.
    Há três hipóteses:
    1. Venda de activos
    2. Privatizar (pelo menos parte) – hipótese já descartada pelo menos para 2010
    3. Aumento de capital por parte do estado (leia-se “contribuintes”)

    Comentário por Miguel — Janeiro 6, 2010 @ 11:02

  6. «Os clientes da TAP não são cativos. Podem voar para Nova Iorque com a Iberia por Madrid. Ou com outras companhias aéreas.»

    Pois. Na verdade, a melhor opção é voar para Madrid pela Vueling ou Easyjet para apanhar o vôo da TAP de volta para Lisboa e fazer ligação a Newark…

    O Luis menospreza a vontade que muita gente tem de minimizar escalas. Isso não faz clientes cativos no sentido estrito, mas a limitação de escolhas torna-os de facto quase-cativos. Terão de colocar um preço na redução de escalas e tomar uma decisão. (note que isto é uma descrição factual e não um juízo de valor)

    «Eu qando vivia nos EUA e prendi vir a Portugal, jamais vim com a TAP.»

    Perante esta realidade, que julgo comum a muitas outras pessoas, que sentido faz usar o argumento “bandeira” para justificar a permanência da empresa na esfera pública?

    «A TAP tem a política comercial que quiser e bem entenda. E certamente que Fernando Pinto percebe mais do assunto do que o Miguel Botelho Moniz.»

    Se não fosse o crónico défice do Luis na compreensão escrita, talvez percebesse que de modo algum este post é uma crítica à política comercial da TAP. Fernando Pinto é pago para maximizar os resultados da empresa. O único problema aqui é o facto dos “accionistas” da empresa pagarem duas vezes pelo privilégio de ter uma “companhia de bandeira”: Enquanto accionistas à força, via impostos, e enquanto potenciais passageiros, com tarifas mais elevadas.

    «por norma da União Europeia os Estados estão impedidos de subsidiar as suas companhias de bandeira, pelo que elas são de facto forçadas a viver pelos seus próprios meios.»

    O estado português não subsidia a TAP, de facto. São os portugueses que o fazem, via tarifas discriminadas nas rotas onde a TAP funciona em oligopólio. Como refere o Miguel, a forma de apoio do estado à TAP leva a forma de aumentos de capital, o que para o bolso dos contribuintes acaba por ser igual.

    «Eu também sou favorável à privatização da TAP, mas daí a criticar tudo aquilo que a sua gestão faça, vai um grande passo.»

    Este comentário é mirambolante. Onde é que eu critico “tudo aquilo” que a gestão da TAP faz?

    Comentário por Migas — Janeiro 6, 2010 @ 11:39

  7. “O Luis menospreza a vontade que muita gente tem de minimizar escalas.”

    De forma nenhuma minimizo, eu próprio evito o mais possível vôos com escalas, até porque já uma vez perdi uma ligação e tive por isso que passar um dia num aeroporto

    Mas a gestão da TAP toma em conta esse facto, muito corretamente. Ela diz aos espanhóis: “Coitados, têm que voar com escala em Lisboa, por isso fazemo-vos o preço mais barato” e aos portugueses “Este belo vôo direto de que vocês dispõem custa, naturalmente, um poucochinho mais caro”. Trata-se, como vê o Migas, de uma política comercial correta: vende-se o mais cómodo a preço mais alto…

    “que sentido faz usar o argumento “bandeira” para justificar a permanência da empresa na esfera pública?”

    Não faz de facto sentido nenhuma, por isso, tal como já disse, sou favorável à privatização da TAP.

    “tarifas discriminadas nas rotas onde a TAP funciona em oligopólio”

    Todas as companhias aéreas operam, mais ou menos, em regime de oligopólio, na medida em que a oferta de vôos não é nem pode ser infinita. E naturalmente que elas usam esse facto para forçar tarifas mais elevadas. É natural que a TAP, oferecendo-lhe um vôo direto para Nova Iorque, lhe peça um preço mais elevado do que se o vôo fosse com escala. Trata-se de uma política comercial correta. Se a TAP fosse privada seguiria, muito provavelmente, a mesmíssima política.

    “a forma de apoio do estado à TAP leva a forma de aumentos de capital”

    Hmmm. Esse apoio tem existido? E a Comissão Europeia tem-no tolerado? É que, segundo julgo, a Comissão tem sido muito dura em impedir os Estados-membros de apoiar as suas companhias aéreas. Não acredito que a Comissão se deixe enganar tão facilmente.

    Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 6, 2010 @ 12:31

  8. “Não acredito que a Comissão se deixe enganar tão facilmente”

    Sugiro que faça uma pesquisa no google por “Tap” e “aumento de capital”

    Comentário por Miguel — Janeiro 6, 2010 @ 12:44

  9. “Sugiro que faça uma pesquisa no google por “Tap” e “aumento de capital””

    Assim fiz, e descobri que o anterior governo estava a estudar um possível aumento de capital da TAP, mas que nada chegou a decidir.

    Repito que, se eventualmente o governo vier a tomar tal opção (aumentar o capital da TAP), duvido que a Comissão Europeia o deixe fazê-lo. O governo não poderá injetar capital na TAP sem pedir autorização à Comissão, creio.

    Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 6, 2010 @ 12:57

  10. Pronto. Ficamos por aqui.

    Comentário por Miguel — Janeiro 6, 2010 @ 13:02

  11. 1. Privatizar a TAP seria o melhor para os contribuintes.

    2. O melhor para os passageiros portugueses seria a implementação de uma política de open skies e a privatização (separada) da gestão dos aeroportos portugueses.

    Comentário por BZ — Janeiro 6, 2010 @ 15:17

  12. É como a campanha dos voos para Espanha, os preços sao apenas e só para voos a partir de Lisboa, ah pois!

    Comentário por Kowalski — Janeiro 7, 2010 @ 02:56

  13. Tudo no(s) comentário(s) de Luís Lavoura leva a pensar que, nesta instância, Luís Lavoura comentou por comentar. E infelizmente o tom do seu primeiro comentário é ligeiramente agressivo … para afinal, em subsequentes comentários, sem dar-se conta, acabar por invalidar a crítica/oposição expressas no primeiro comentário.
    … que quando morava nos EUA nunca jamais viajou com a TAP para ir a Portugal … vai-se a ver, precisamente pelas razões que o Miguel apontava no seu post!! … e vai de invectivar que FP percebe mais de gestão do que MBM … quando o post de MBM não tinha nada de nada a ver com isso …
    Miguel, o post, como já comentado por AAA, é elucidativo.
    Assina: mais uma cliente cativa

    Comentário por Cardinale — Janeiro 8, 2010 @ 15:34


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