Aquando das eleições legislativas, escrevi este artigo no Diário Económico, onde tentava explicar, em traços muito gerais, por que razão o investimento público, principalmente quando excessivo, encarecendo o custo do dinheiro, dificultava o acesso das empresas ao crédito, criava desemprego e era negativo para país. Chamei-lhe armadilha pública. Mas além de pública é também diabólica. Hoje, o jornal i noticia que o crédito às empresas é dos mais caros na zona euro, asfixiando as empresas, principalmente as pequenas. Aquelas onde a maioria de nós trabalha.
O desemprego ultrapassa já os 10%: seiscentos mil desempregados. Se pensarmos que a maioria não vive sozinha, não é difícil aceitar que mais de um milhão de portugueses é afectada pela destruição do trabalho. Como a grande maioria dos desempregados vem do sector privado, aquele que sustenta a economia, não é complicado imaginar a grave situação em que nos encontramos.
É muito importante que no ano de 2010 deixemos de brincar com a vida das pessoas. Deixemos de acreditar em fantasias ideológicas que nos convencem que o emprego se cria com TGV’s, estradas, auto-estradas, aeroportos, tudo obras que terão de ser pagas com os impostos retirados às empresas (que dessa forma não se expandem), com créditos concedidos pelos bancos ávidos em satisfazer os interesses do governo e entrar em novos negócios, encarecendo o custo do dinheiro e dificultando o acesso ao crédito. Voltámos ao princípio deste texto. Andamos, aliás, às voltas há muito tempo. Em 2010 seria tempo para respirar fundo, repensar bem o que pretendemos da via, acabar com esta espiral e acertas as agulhas. Há década e meia que estamos parados.