O Insurgente

Dezembro 31, 2009

Religião e política

Filed under: Internacional,Política,Portugal,Religião,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:57

O retorno da religião à arena política (I). Por André Freire.

Por um lado, apesar da secularização e da individualização, a religião continua a ser em muitos países um significativo preditor do voto. Por outro lado, a crescente saliência dada a certos “novos temas” (liberalização do aborto, casamento homossexual, células estaminais, eutanásia, etc.) veio não só despoletar o regresso das mundivisões religiosas para o centro da competição política, mas também reactivar o peso das identidades religiosas no voto. Isso foi já visível em Portugal nas eleições de 2005, em torno da questão do aborto, e poderá ter sido também em 2009, em redor do casamento homossexual. Algo de semelhante tem ocorrido também em Espanha, pelo menos desde o consulado de Aznar.

5 Comentários »

  1. Acho que o membro do PSD que se afirmou a favor de um referendo para os portugueses dizerem se estão ou não de acordo com a legalizaçao dessa união foi pouco feliz porque os referendos devem ocorrer quando se trata de debater questões de âmbito nacional e não é o caso do casamento entre homossexuais. Parece-me que há a tentativa por parte do PSD de cativar o eleitorado mais conservador, mas este conservadorismo não interessa ao país, já de si tão pouco flexível a nível mental e muito permeável a preconceitos que foram, aliás, desde sempre ajudados a difundir pela Igreja Católica, instituição que em nada favorece o povo português devido à estreiteza mental e posições dogmáticas que normalmente apresenta. Já com a questão da eutanásia se verifica o mesmo cenário e com o aborto a hipocrisia tradicional lá conseguiu ser derrotada depois de bastante luta. Voltando à questão que tem sido mais falada: o casamento entre homossexuais – felizmente já os podem realizar e embora eu não goste do desempenho político de José Sócrates, neste assunto em particular estou de acordo com ele.

    Comentário por Isabel Pizarro — Dezembro 31, 2009 @ 01:17

  2. Pelo menos a Igreja bate-se por princípios, algo que hoje parece ultrapassado na social-democracia.

    Comentário por Filipe Abrantes — Dezembro 31, 2009 @ 02:30

  3. A Isabel Pizarro tem toda a razão. Por exemplo, o referendo do aborto, que se realizou por duas vezes, era uma questão nacional, enquanto que a questão dos “casamentos” gay já não é uma questão nacional. Acho que o comentário dela foi inteligente, pertinente e oportuno.

    Comentário por O. Braga — Dezembro 31, 2009 @ 03:49

  4. Paira no ar a ideia que um Estado para ser democrático, livre e garantístico, deve ser republicano e laico. Ora essa.
    Não são poucas as vezes que se vêem pessoas cheias de orgulho a dizer que são republicanas e laicas, como se isso fosse sinónimo de democracia (e o contrário de ditadura).

    Realmente nascer e viver num Estado republicano e laico – que padroniza e define os programas escolares desde a pré-primária até ao secundário (!) – e defender os valores desse Estado, é algo que vem de dentro de nós; é uma opção pura do nosso raciocínio e das nossas preferências, sem qualquer influência externa.

    Mas ainda bem que vivemos num Estado republicano e laico. Não vivemos num Estado monárquico, como o Reino Unido ou a Suécia, nem num Estado religioso, como Israel ou Finlândia. Curiosamente, tudo países com PIB per capita e Índice de Desenvolvimento Humano superiores a esta república laica.

    Já eu dou mais valor a um Estado que respeite os mais elementares direitos da dignidade da pessoa humana e que garanta as necessidades mais básicas da sociedade, independentemente de ser uma república ou uma monarquia, independentemente de ser um Estado laico ou um Estado religioso.
    Prefiro uma monarquia religiosa como a Dinamarca que uma república laica como a Albânia. São gostos. Digamos que dou mais valor ao conteúdo e menos à forma.

    Comentário por Pinto — Dezembro 31, 2009 @ 11:44

  5. Mas hoje parece que se confunde um Estado laico com um Estado ateu (este sim, anti-democrático). Num Estado laico a Igreja, embora separada do Estado e sem poder interferir directamente nos assuntos deste, pode assumir-se como uma associação e, como qualquer associação, emitir opiniões, fazer declarações e exercer pressão no poder político. Num Estado ateu, a Igreja deve desaparecer, pura e simplesmente.

    Vejo muita gente indignada pela indignação manifestada pela Igreja relativamente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. vejo muita gente escandalizada pelo simples facto da Igreja vir a público pedir para que a sociedade se mova contra o desmoronamento do casamento. Mas não é isso – em sentido inverso – que a ILGA tem feito? Mas agora a ILGA tem mais direitos que a Igreja?
    Isto sim é um sintoma de um Estado ateu.

    Comentário por Pinto — Dezembro 31, 2009 @ 11:54


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