Certos economistas e certos políticos gostam de Keynes porque Keynes inventou uns truques económicos com resultados políticos. Não propriamente pela sofisticação da teoria. No essencial, a sua proposta corresponde à generalização ao nível da economia da seguinte ideia de senso comum, que todos vamos praticando nas nossas vidas: se estás em dificuldades e não queres (ou não podes) poupar, endivida-te ou fabrica dinheiro. Claro que não podemos fazer a segunda, mas o Estado pode. Depois, trata-se de rezar para que as coisas melhorem. A parte da reza não vem em Keynes, evidentemente, mas está lá implícita. É esta sofisticação que se tem visto também por aí. Basta ler os artigos do Nobel Krugman, cuja única coisa que fazem é, semana a semana, repetir: é precisa mais despesa pública, é precisa mais moeda.
(…)Eu cá preferia outra coisa e duvido seriamente da bondade disto tudo. Mas para nosso bem esperemos que esteja certo, já que foi nesse barco que embarcámos. Esperemos que esteja pelo menos mais certo do que o próprio inspirador original (…) quando, em 1931, previu um futuro radioso depois do abandono do padrão-ouro pela Grã-Bretanha. Na verdade, essa terá sido uma das mais importantes medidas a desencadear a catástrofe seguinte: crise dos anos 30 e, talvez em consequência da crise, a II Guerra Mundial.
Dezembro 31, 2009
Oremos
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