Um artigo muito interessante de Jorge Nascimento Rodrigues publicado no Expresso: Uma nova proposta de casamento para Keynes – um desafio teórico
Depois de o Keynesianismo ter sido submerso na síntese dos modelos de equilíbrio geral que a Grande Recessão mandou para o caixote do lixo, William White, da OCDE, propõe a aproximação aos pontos fortes da corrente de pensamento económico designada por escola austríaca que condena os excessos na gestão das finanças públicas por parte dos governos e na política monetária por parte dos bancos centrais ou governos.
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William White, presidente do Comité de Economia e Desenvolvimento da OCDE e ex-economista-chefe do Banco de Pagamentos Internacionais, fala – numa entrevista (que pode ser lida em inglês aqui) que nos concedeu – de regressar ao Keynes original e de procurar “pontes” com os pontos fortes de uma outra velha corrente com que o mestre de Cambridge esgrimiu argumentos durante os anos 1930 e 1940, a chamada “escola austríaca”.
Nessa corrente foram proeminentes, no século XX, economistas de origem austríaca como o Nobel Friedrich von Hayek (1899-1992) e Ludwig von Mises (1881-1973), mas também o americano Murray Rothbard (1926-1995), que tem um livro reeditado pelo Mises Institute sobre a Grande Depressão americana (America’s Great Depression) que contrasta, por exemplo, com a visão keynesiana de John Kenneth Galbraith sobre as causas de 1929 (Crash 1929, traduzido em Portugal pela Gestão Plus).
Em vez das “pontes” entre o keynesianismo e as metodologias de modelação dos neoclássicos, em que se investiu no passado, White insiste que é preciso “uma mudança de paradigma” em que podem desaguar as ideias originais de Keynes e alguns pontos de vista nucleares dos “austríacos”.