O Insurgente

Dezembro 29, 2009

Não tardará, não

Filed under: Internacional,Política — Maria João Marques @ 16:48

Se bem estão recordados, durante a campanha para as presidênciais americanas o único elogio que se ouvia de todas as partes para com ‘o’ Bush era o da ter conseguido manter os Estados Unidos seguros (i.e., livres de atentados terroristas) durante os anos seguintes a 2001. Agora com o atentado falhado na Delta e a costumeira falta de competência da administração Obama (e com a ideia desfeita dos terroristas serem assim uns inadaptados que se lhes dessem umas pancadinhas nas costas se endireitavam, que apenas reagiam ao mauzão do Bush e à invasão do Afeganistão e do Iraque, e que com o compreensivo Obama tinham um ombro onde desabafar as mágoas em vez de matarem civis inocentes), depois das taxas de aprovação periclitantes de Obama que o levaram a fazer, finalmente, um discurso decente na cerimónia de entrega do seu Nobel, ainda vamos ouvir este presidente retomar o discurso da war on terror. Talvez com outra forma, mas será a mesma coisa.

8 Comentários »

  1. Só queria chamar a atenção que um atentado falhado com meios relativamente artesanais não parece lá grande justificação para ocupar (e escalar) duas não-nações, fomentando uma previsível reacção por não fundamentalistas ao que podemos juntar possíveis unintended consequences adicionais lá para o futuro próximo.

    Comentário por CN — Dezembro 29, 2009 @ 17:46

  2. Bem, eu só estava a prever o regresso da fórmula ‘war on terror’, não que Obama se envolvesse em mais conflitos armados. (Ainda que ache engraçado que não seja justificação para a guerra no Afeganistão um atentado muito mortífero preparado no Afeganistão e com o apoio do governo afegão.) Mas é possível. O encontro com Ahmadinejad sem pré-condições que Obama tanto almejava ficou (ainda) mais longe.

    Comentário por Maria João Marques — Dezembro 29, 2009 @ 17:54

  3. Meus caros, julgo,modestamente, que o “entertainer” , paradoxalmente, já não ocupa o centro do palco.
    Esse papel, desempenhado com “understatement” milenar, pertence agora ao Grande Credor.
    Quanto a nós, “europeus”, conviria prestarmos atenção aos sinais que começam a vir da(eternamente…) “Santa” Rússia”.

    Comentário por JJ Pereira — Dezembro 29, 2009 @ 18:27

  4. «Se bem estão recordados, durante a campanha para as presidênciais americanas o único elogio que se ouvia de todas as partes para com ‘o’ Bush era o da ter conseguido manter os Estados Unidos seguros»

    Eu não estou (durante a campanha não sei o que se disse a esse respeito, mas nos 7 anos pós-2001, havia montes de gente a escrever artigos dizendo “a defesa anti-terrorista dos EUA continua muito fraca e enquanto isso Bush anda a perder tempo e recursos no Iraque”)

    “ainda vamos ouvir este presidente retomar o discurso da war on terror. Talvez com outra forma, mas será a mesma coisa.”

    Já não andaremos a ouvir há muito tempo?

    Comentário por Miguel Madeira — Dezembro 29, 2009 @ 19:12

  5. “não parece lá grande justificação para ocupar…”

    POnto de vista relativo. Provavelmente se o CN fosse o decisor, não acharia tal justificação e agiria como tal, assumindo os custos e os premios do futuro.
    Mas, a menos que se considere superlativamente iluminado, tem de aceitar que os decisores in loco e in tempore, deidiram com base nas suas próprias avaliações.
    Mal?
    Bem?

    Who knows?

    Os generais argentinos decidiram invadir as Falkland.
    Na altura pareceu-lhes uma boa jogada. No final não foi.
    A Tatcher decidiu responder. Correu bem. Podia ter corrido mal, mas o problema das decisões é que têm de ser tomadas antes de se saber o futuro.

    Comentário por Lidador — Dezembro 29, 2009 @ 20:14

  6. Não esquecer que este atentado frustrado foi antecedido por um atentado bem sucedido, perpetrado por um major do exército americano, muçulmano, nas pessoas de diversos camaradas de armas, “infiéis”, tendo morto 13, ferindo cerca de 40.
    Cumprimentos,

    Comentário por Luís Cardoso — Dezembro 29, 2009 @ 23:39

  7. Lidador

    A sua tese é tipo: o que quer que alguém decida ou faça, a mais ou a menos, está bem porque qualquer alternativa pode estar bem ou mal. Isso é uma espécie de recusa total em efectuar julgamentos sobre a realidade.

    Os EUA são a nação mais bem protegida geograficamente além de ter a população bem mais armada do planeta. O paradoxo é que são os mais histéricos em relação à segurança, se vivessem no contexto de Israel ou como os pequenos países da Europa na sua longa história…queria ver como era.

    A Europa viveu com o terrorismo marxista durante muitos anos, os Ingleses com o IRA, etc. Exactamente que espécie de perigo convencional existe no terrorismo islâmico?

    O uso de operações especiais e vigilância é o que se adequa. O uso de força militares para operações de ocupação e “nation bulding” (de sonhos construtivistas à melhor maneira Napoleónica, agradecer a inspiração aos neocons) é completamente desproporcional e gerador de alargamento de desestabilização.

    Hoje é o Afeganistão, depois o Iraque, depois Somália, depois o Yémen…exactamente quando pára por causa de atentados que a segurança civil conseguem prevenir ou pelo menos minimizar?

    Comentário por CN — Dezembro 30, 2009 @ 09:08

  8. Miguel, o certo e reconhecido, é que não houve nenhum outro atentado durante os anos de Bush em solo americano. Havia quem se queixasse da falta de segurança e havia quem se indignasse por se terem vendido os ideiais americanos à paranoia securitária.

    Comentário por Maria João Marques — Dezembro 30, 2009 @ 13:58


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