Falta consistência no combate ao centralismo. Por LR.
A gestão autónoma e local do Aeroporto Sá Carneiro (ASC) é uma causa que vale a pena. Porque localmente se consegue, de uma forma mais eficaz, rendibilizar um equipamento sub-utilizado; porque um crescimento sustentado do tráfego no aeroporto tem um impacto económico recorrente em toda a região; porque a gestão autónoma implicará investimentos reduzidos, ou nulos, se concessionada a privados; porque a autonomização do ASC iria institucionalizar a concorrência interna entre aeroportos e destruir o instrumento do centralismo, neste caso a ANA; last, but not the least, o sucesso de uma gestão autónoma, pelos benefícios públicos que daí adviriam, constituiria um factor de credibilização dos agentes políticos locais e faria baixar o cepticismo quanto às virtudes da Autonomia Regional.
Os benefícios de uma “boa causa” como a referida são efectivos e perenes, mas pouco perceptíveis, dado ocorrerem de forma contínua ao longo do tempo; os benefícios do Red Bull são em grande medida ilusórios, instantâneos, mas facilmente perceptíveis como gigantescos face ao enorme “estardalhaço” (mediático e não só) do evento. Ou seja, era fundamental um esforço de comunicação por parte dos líderes políticos das “boas causas” e do seu impacto continuado em toda a economia regional. No caso do ASC, não seria tarefa de grande envergadura e seria relativamente fácil convencer a opinião pública dos benefícios perenes da causa.
Leitura complementar: Posts sobre a Red Bull Air Race n’O Insurgente.