Bem escura, bem ventosa, bem fria e húmida surjas tu sempre, noite de vinte e quatro de Dezembro, que melhor então se avaliará pelo contraste a luz, o calor, o conchego dos lares, e mais íntimos se estreitarão os círculos de família em roda da ceia patriarcal.
E vós todos, a quem uma moda tola não constrangeu ainda a abandonar os hábitos que de pequenos contraístes, e festejais ainda o Natal de Cristo segundo o estilo velho, continuai a manter genuínos esses costumes nacionais, que não resultará daí desdouro para o vosso nome ou brasão. A roda da civilização, a que aplicais ombros com tanto denodo, não se cravará por isso. – Podeis, elegantes meninas, cantar loas sem escrúpulo diante do presepe armado na sala mais íntima da casa, que nem por isso cantareis pior na das visitas a árias italianas que aprendestes no colégio, não coreis de colaborar, por excepção, esta noite nos misteres da cozinha, que sobra de água de colónia e perfumes tendes no toucador para as abluções purificatórias. Homens graves, a república perdoar-vos-á uma pequena infidelidade, a política do país e da Europa não periclitará, desnorteada, se, por um pouco, lhe negardes a vossa atenção; humanizai-vos, pois, uma vez por ano, e baixai ao seio da família os olhares que poderosos empenhos vos trazem sublimados.
Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais.
Obrigada, André!
Um Santo Natal, e para todos os Insurgentes!
Gostei muito so texto da Morgadinha… e vem mesmo a propósito.
Comentário por Ana Silva Fernandes — Dezembro 25, 2009 @ 00:34
Um Santo Natal, André, para ti e para a tua este ano família alargada
RAF
Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Dezembro 25, 2009 @ 19:52
Que parolice…
Santo Natal…
O Natal já há muito que deixou de ser religioso, e ainda bem…
Comentário por Ricardo Ferreira — Dezembro 26, 2009 @ 12:58
Caro Ricardo Ferreira,
Eu e o André e a Ana somos ainda muito parolos, não chegamos ao seu estado de evolução. Admito que a si a ausência de sentido religioso seja positiva, mas deixe-nos ao menos neste cantinho cultivar o Natal à nossa maneira.
RAF
Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Dezembro 26, 2009 @ 14:33
Oh, RAF… Que carinhoso incluir-me aí no vosso cantinho natalício…
(O laicismo militante não gosta do nosso Natal, “so what?”
Eu, assumidamente parola, também não gosto nada de laicismos militantes…)
Comentário por Ana Silva Fernandes — Dezembro 26, 2009 @ 15:16
“Eu e o André e a Ana somos ainda muito parolos, não chegamos ao seu estado de evolução.”
É isso mesmo.
Comentário por André Azevedo Alves — Dezembro 26, 2009 @ 16:37
Problema o vosso….
O resto do mundo avança…
Comentário por Ricardo Ferreira — Dezembro 26, 2009 @ 20:04