As imagens mostram uma relação de identidade entre a passagem de um avião e a morte de ursos. O texto no final do vídeo informa que a identidade entre ambos é quantitativa: a emissão de gases do efeito estufa por cada passageiro num avião e o urso polar pesam ambos 400kg.
Fiz a experiência de visionamento do vídeo com um auditório, e a mensagem que maioria retirou é de relação de causalidade entre emissão de gases e morte dos ursos, e de correlação directa entre cada passageiro que viaja num avião e a morte de um urso polar. Mostrar que não existe, no próprio vídeo, nenhuma explicação que suporte essa conclusão, e pedir ao próprio auditório que tentasse explicitar o processo de inferência que o levou a extrair aquela mensagem foi uma verdadeira experiência de tortura lógica.
Acho que o vídeo diz tudo: Stupid.
Comentário por Nuno Branco — Dezembro 3, 2009 @ 21:51
Pois é, a «retórica moderna» assenta no poder «retórico» das imagens captadas por espectadores muitas vezes embrutecidos pelo excesso de imagens, em 1º lugar, pela rapidez e profusão das mesmas (facto que impede uma leitura crítica da realidade observada) e, ainda, pelo facto de (é o que tenho constatado) as pessoas querem, elas próprias, deixar vincada (ainda que de modo algo “tosco”) a sua posição relativamente a assuntos que têm sido alvo dos midia (a produção de CO2 e respectivas consequências nos diversos habitats). Estes factos levam, na minha opinião, a que grande parte das pessoas acabe por fazer o que vê fazer, aja mecanicamente e, logo, acriticamente face àquilo que observa e que o faça com a melhor das intenções, acho eu. O que é realmente perigoso é que se deixe de pensar, de reflectir porque, diminuída a capacidade de pôr em causa aquilo que se se vê, tudo pode “passar” como estando “certo”, a questão é que alguém tenha engenho suficiente para adormecer as massas, dando-lhes a impressão de que estão a colaborar para “melhorar as coisas”. E. é claro, há gente muito “engenhosa”… o mesmo é dizer, muito perigosa.
Comentário por Isabel Pizarro — Dezembro 3, 2009 @ 21:53
à primeira li: “experiência de tortura da lógica”
Faz sentido.
Comentário por Helder — Dezembro 3, 2009 @ 23:02
A narrativa já está implantada na cabeça logo não é surpreendente. Depois funciona um pouco como o cão de pavlov e os estímulos.
Ninguém fala de ursos brancos a não ser para falar do supoosto aquecimento global logo é fácil ligar qualquer coisa (desde que não seja contraditória a essa mensagem). Bastava ao realizador ter arranjado um pouco de fumo a simular poluição, ter posto a imagem do Bush ou um carro, avião, fábrica…
No caso a morte dos ursos não deixa dúvidas que algo de mal está a acontecer logo as pessoas só podiam fazer essa ligação.
Comentário por lucklucky — Dezembro 4, 2009 @ 02:23
” narrativa já está implantada na cabeça logo não é surpreendente. Depois funciona um pouco como o cão de pavlov e os estímulos”
Pois.
Comentário por Miguel — Dezembro 4, 2009 @ 09:30
Isabel Pizarro e lucklucky,
De facto a premissa escondida não está no vídeo mas recorre a outra que é constantemente vinculada pelos media: a causa directa entre acção humana e aquecimento global, tese da qual os ursos polares são representativos. Bastou relacionar visualmente morte de ursos com aviões (os ursos caem do céu à medida que o som do avião passa) e “confirmar” uma qualquer relação entre ambos (que nem sequer é relevante para a conclusão que “legitima” a identificação entre ambos) no texto escrito do final para levar o auditório a conclusões infundamentadas. Mas o interessante da experiência foi ver que mesmo não conseguindo explicar o processo pelo qual inferem algo, as pessoas estão inclinadas para “sentir” que há verdade nas conclusões que tiraram do vídeo.
Comentário por Elisabete Joaquim — Dezembro 4, 2009 @ 09:43
este vídeo é um exemplo de algo classificável como “pleonasmo propagandico hiperbólico”.
dentro do tópico da lavagem cerebral colectiva, ou diremos, da engenharização social:
Comentário por venceslaico — Dezembro 4, 2009 @ 20:12
Eu gostaria de dizer, a propósito da «lavagem cerebral colectiva» (e até quando estaremos ou imaginaremos estar imunes a ela?) que fiquei estupefacta quano li no jornal britânico The Independent que agora não se pode ou não é fácil tirar fotos em Londres! Tudo em nome da segurança face a eventuais ataques muçulmanos. Para além disto, e se percebi bem, a partir de agora o material arquivado nos Pc’s também pode ser alvo de investigação no caso de haver «supeitas». Agora, as pessoas visadas interrogam-se sobre a validade destas decisões policiais e discutem o assunto, mas será que se esta obsessão de segurança em nome de ataques terroristas perdurar, não nos irá contaminar a todos, em breve? As redes sociais também ajudam a controlar as massas já que todos podem investigar a vizinhança (vídeos, conversas, etc.) e por isso cada vez tenho mais a impressão de que caminhamos a passos largos para uma realidade do tipo «Minority Report». Se não fizemos «aquilo» poderíamos tê-lo feito e portanto vai ser terrível provar que não tínhamos essa intenção, ou seja, já somos à partida todos suspeitos de «alguma coisa» e só se conseguirmos provar que as autoridades estão enganadas é que nos deixam em liberdade… ora, como as massas estão cada vez mais submissas, caladas e desinteressadas de qualquer luta séria no terreno social, suponho que num futuro breve quase todos correremos sérios riscos de nos tornarmos acéfalos, seres humanos que escondem o que têm de diferente porque será perigoso ser «diferente». Não acham que este cenário é aterrador?
Comentário por Isabel Pizarro — Dezembro 5, 2009 @ 01:44
O controlo de informação pessoal sempre foi exercido.
Os ataques as torres gémeas serviram como pretexto para legalizarem aquilo que já era feito as escondidas.
Comentário por venceslaico — Dezembro 5, 2009 @ 18:08