O Insurgente

Novembro 30, 2009

Portugal visto a partir do planeta Kleptócyclos

Filed under: Blogosfera,Economia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 19:42

Se pudesse, o Ladrão de Bicicletas João Rodrigues, subtrairia muito mais que simples velocípedes. Em artigo no i, ao qual cheguei via João Galamba (o que mostra o quanto as ideias mirambolantes da extrema-esquerda fazem inroads dentro da bancada do PS), escreve:

«As reformas deverão diminuir a desigualdade económica excessiva, que está cada vez mais associada a problemas sociais, incluindo a prevalência de doenças mentais (consulte-se www.equalitytrust.org.uk). Aumente-se a progressividade do sistema fiscal; taxe-se o consumo ostentatório, que só promove as importações e a degradação ambiental; taxem-se as mais-valias fundiárias, que só promovem a corrupção no urbanismo; reintroduza-se um imposto sucessório bem desenhado para promover a ideia de que o futuro está aberto para todos.

As reformas necessárias requerem imaginação institucional e alianças políticas, orientadas por princípios socialistas.»

Aumente-se. Taxe-se. É tão fácil ignorar como o actual sistema fiscal já é enormemente progressivo; esquecer os efeitos depressivos que impostos altíssimos tiveram nas economias que os adoptaram no final dos anos 60 e durante os anos 70. É preciso muita “imaginação institucional”, de facto, para pensar, primeiro, que tais medidas são justas e, segundo, que terão resultados diferentes do que tiveram no passado. Cada vez mais o socialismo se define como a teimosia de repetir experiências desastrosas na expectativa de resultados diferentes.

12 Comentários »

  1. Eu acho que se devia criminalizar a riqueza.

    Comentário por Miguel — Novembro 30, 2009 @ 19:47

  2. A do consumo ostentatório é um mimo. Vamos já formar um grupo de sábios para definir o que é consumo ostentatório. (Já agora, um detalhe: não sei se os critérios de revisão de texto do i têm em conta estas coisas, mas penso que “ostentatório” é português “brasileiro”.)

    Comentário por Carlos M. Fernandes — Novembro 30, 2009 @ 20:02

  3. Miguel
    Onde é que eu já ouvi isto? Aí vem o PREC de novo…

    Comentário por Ana Silva Fernandes — Novembro 30, 2009 @ 20:19

  4. Tenho muitas dúvidas sobre a afirmação de que o nosso “sistema fiscal já é enormemente progressivo”, porque ao contrário do que se pensa, os principais rendimentos auferidos por quem possui mais rendimentos, ou seja, os “verdadeiros ricos” são tributados a taxas proporcionais (ie., juros e dividendos a 20% e mais-valias a uma taxa de 10% ou mesmo, no caso de mais-valias com acções detidas há mais de 12 meses, isentas). Logo, o sistema é forte e injustamente extremamente progressivo (agravado pelos escalões definidos com valores muitos baixos que rapidamente conduzem a que seja aplicavel a taxa maxima de 42%) para quem apenas aufere rendimentos do trabalho. Todavia, estas considerações em nada retiram razão ao juízo negativo sobre a proposta mirabolante defendida no artigo citado da autoria de João Rodrigues…

    Comentário por Morgadinho — Novembro 30, 2009 @ 21:21

  5. O louco não percebe que a bolha especulativa Social~Estatista com a obrigatória escravatura Socialista nos Impostos está para rebentar.

    Comentário por lucklucky — Novembro 30, 2009 @ 22:02

  6. Cada vez mais o socialismo se define como a teimosia de repetir experiências desastrosas na expectativa de resultados diferentes.

    Priceless.

    Comentário por zé luís — Novembro 30, 2009 @ 22:11

  7. João Rodrigues mostra uma certa patologia de desejo criminal de roubar o que é dos outros. Não pode existir contemplação com estes tipos que usam o poder do Estado para efeitos criminais latentes.

    Que raio é aquela coisa de incentivar as importações? Que raio tem ele com o que as pessoas querem importar ou não? E depois taxar os ricos é taxar a própria poupança (já que poupam muito mais que os outros) necessária para sustentar o investimento durante uma crise.

    Tem-se de inventar um nome para este tipo de patologia. Ah, já existe, chama-se “socialismo crónico”.

    Comentário por CN — Novembro 30, 2009 @ 23:00

  8. “É preciso muita “imaginação institucional”, de facto, para pensar, primeiro, que tais medidas são justas e, segundo, que terão resultados diferentes do que tiveram no passado. Cada vez mais o socialismo se define como a teimosia de repetir experiências desastrosas na expectativa de resultados diferentes.”

    Precisamente.

    Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 30, 2009 @ 23:41

  9. A propósito deste ressurgimento de velhos tiques – o mini-texto brilhante de Henry Hazlitt:

    http://blog.mises.org/archives/011113.asp

    Marxism in One Minute
    By Henry Hazlitt

    The whole gospel of Karl Marx can be summed up in a single sentence: Hate the man who is better off than you are. Never under any circumstances admit that his success may be due to his own efforts, to the productive contribution he has made to the whole community. Always attribute his success to the exploitation, the cheating, the more or less open robbery of others.

    Never under any circumstances admit that your own failure may be owing to your own weaknesses, or that the failure of anyone else may be due to his own defects — his laziness, incompetence, improvidence, or stupidity. Never believe in the honesty or disinterestedness of anyone who disagrees with you.

    This basic hatred is the heart of Marxism. This is its animating force. You can throw away the dialectical materialism, the Hegelian framework, the technical jargon, the “scientific” analysis, and millions of pretentious words, and you still have the core: the implacable hatred and envy that are the raison d’être for all the rest.

    Comentário por CN — Novembro 30, 2009 @ 23:54

  10. Esse texto de Henry Hazlitt é basicamente um apelo à estupidez, não é?!
    “esquece a análise.. é isto assim. Agora engole”. Magnífico.

    O vosso problema é que nem sequer conseguem começar o debate, quanto mais terminá-lo. Comecem por tentar responder à questão: de quem é o quê? como é que se mede, de forma justa, aquilo que cada um acrescentou ao produto? E basta para começar…

    Comentário por Miguel Lopes — Dezembro 2, 2009 @ 00:09

  11. Miguel Lopes,

    e o que é a forma justa, o que é o quê, e o produto o que é?

    Se concordassemos nas definições destes termos (o que duvido) podia dar-lhe respostas. Infelizmente newspeak e doublethinking não são a minha especialidade.

    Comentário por Helder — Dezembro 2, 2009 @ 00:24

  12. [...] de André Azevedo Alves “Cara de pau demagógica” de Miguel Botelho Moniz “Portugal visto a partir do planeta Kleptócyclos” de Miguel Botelho [...]

    Pingback por Seja bem-vindo « O Insurgente — Fevereiro 24, 2010 @ 10:48


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