A Víbora. Por Rui Ramos.
O Estado que temos em Portugal – centralizado, autoritário, pesado, omnipresente – é próprio de uma ditadura, não de uma democracia. Tal como ninguém sabe ao certo quantos funcionários públicos existem, também ninguém sabe ao certo onde começa e acaba o Estado: há empresas aparentemente privadas que, segundo percebemos agora, são tentáculos do Estado. O Estado rodeia-nos, controla-nos, espreita-nos, mete-se em tudo, isola-nos uns dos outros – e, através dele, os Governos recompensam quem os serve e punem quem os incomoda. Com este Estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura.
Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora sobre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e formos bem comportados.
No Estado português nem os maus hábitos nem os cargos se perdem. Por Helena Matos.
Aliás, ó suprema ironia dos tempos desta habitualidade do ‘estado-omnipresente em nome do social’ , o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, um cargo criado pelo governo de Sócrates e que concentra numa figura que reporta ao primeiro-ministro vários poderes e informações muito sensíveis, ia-se matando porque viajava a alta velocidade e sem cinto de segurança.
André
- Aqui, a lucidez de Rui Ramos. Mas como é historiador está numa posição privilegiada para ver o que se passa actualmente no país.
- Magnífica metáfora aqui sintetizada por Helena Matos. Como adoro metáforas, fiquei encantada, claro está.
Comentário por Ana Silva Fernandes — Novembro 28, 2009 @ 14:00
Duas visões sobre a decadência reluzente
Muitos anos a fingir
ao direito e pluralismo,
o regime está a atingir
um infeliz miserabilismo.
Neste Estado omnipresente,
próprio de uma ditadura,
a decadência é reluzente
com tão viscosa gordura.
Comentário por Amêijoa Fresca — Novembro 28, 2009 @ 18:16
[...] complementar: O Estado e os seus tentáculos. Deixe um [...]
Pingback por Governantes acima da lei « O Insurgente — Novembro 29, 2009 @ 12:59