Entrevista de António Barreto ao i
Nunca houve como hoje um governo tão praticante da propaganda?
Há 15 anos que vem aumentando, aumentando… O último governo foi o que teve mais vontade e mais meios – que hoje são fantásticos: empresas, agências, inúmeras pessoas a trabalhar com esse objectivo…
Daí à tal “asfixia” vai – ou não vai – um passo?
O problema é a dependência, não a asfixia…
Prefere chamar-lhe “dependência”?
Prefiro, acho que é mais grave. Em Portugal quase toda a gente depende do Estado, do governo, das instituições públicas oficiais, dos superiores, dos empregadores. Não há verdadeiros focos de independência. Depende-se de muita coisa: do alvará, de ter autorização, de ser aceite, da boa palavrinha do bom secretário de Estado que diz ao bom banqueiro que arranje uns bons dinheirinhos para fazer o investimento. A dependência é enorme. Não é asfixia, uma vez mais, é dependência. As pessoas têm receio pelo seu emprego, pelo seu trabalho, pelo trabalho da família. Conheço algumas que até têm receio de falar..