O Professor Carlos Santos escreve no “A Regra do Jogo“:
“(…) Os que hoje advogam que os indícios de retoma na UE devem levar o BCE a cortar as facilidades de crédito (…) não andam bem atentos às notícias económicas. Só para citar as de hoje, o crédito concedido pelo BCP está com uma exposição ao risco superior ao imaginável, já que 80% desse crédito está nas mãos de apenas seis devedores. Seis! (…)”
Atendendo ao link do post em causa, e na opinião do digníssimo senhor, serei eu, aqui o RAF, quem não anda bem atento às notícias económicas.
Ironia do destino, recomendo ao Professor Carlos Santos que leia com atenção as notícias que cita, em especial quando quer com isso justificar que ele anda atento às notícias económicas, enquanto que os outros andarão distraídos. É que o que a notícia do Público diz – e em letras garrafais, logo no título – é que “seis clientes devem ao BCP o equivalente a 80% do seu valor em bolsa”, algo bastante diferente do que aquilo que o Professor Carlos Santos escreve.
Distracção? Não. Confundir capitalização bolsista com crédito concedido não é distração, é ignorância mesmo. Se 80% do crédito concedido pelo BCP estivesse nas mãos de seis clientes, a probabilidade do BCP estar a desrespeitar as regras que impõem limites de concentração de grandes riscos era enorme, poderíamos estar perante um grave problema de supervisão, o que não é nem de longe nem de perto – lendo com atenção a notícia - o caso (a notícia inclusive apresenta detalhadamente os montantes de crédito concedido pelo Millennium bcp no mercado doméstico, usando as contas do 1.º semestre, situando-os nos 59,5b).
Mais: só quem anda a dormir na forma pode achar que 3,5b correspondem a 80% do crédito concedido pelo BCP… Na verdade, a 30 de Setembro de 2009, o crédito concedido pelo Millennium bcp (excluindo títulos reclassificados a crédito), ascendia a, aproximadamente, 74b…
É o que dá quando se quer falar de cátedra sobre tudo e sobre todos (cisnes negros, dubai, défice, monetarismos, inflacção, supervisão bancária, crédito, e por que não calhou, futebol), com tom arrogante em relação aos outros. Pode enganar-se pavalvos com semelhante exibição (que roça o patológico), mas quando não se sabe da poda, acaba-se por fazer este tipo de figuras tristes, e deixar a nu uma imensa ignorância e alienação face à realidade…
Eh! Eh!
O “Professor” Carlos Santos é uma alegria!
Comentário por João Neto — Novembro 26, 2009 @ 18:16
para não falar no pouco que demonstra saber sobre diversificação de risco de crédito
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Novembro 26, 2009 @ 18:22
alem de mostrar ignorancia e subserviencia sobre tudo o que fala, ainda tem tempo para demonstrar que tem mau caracter ao distorcer realidades tentando iludir os mais incautos.
Deviam modificar o CPP para remover estes servidores do estado do contacto com os cidadãos
Comentário por burns — Novembro 26, 2009 @ 18:35
E não foi citada a enormidade na parte final desse artigo:
“o défice (é) um problema de segunda ordem” e “pressão sobre a Alemanha para a UE financiar programas de retoma em Estados Membros deve ser incessante”
Por um lado todos os sacrifícios impostos que justificaram o “controle das contas públicas” vão para o maneta, e por outro, na lógica do sr. prof., podemos estar tranquilos porque a generosa Alemanha vai arcar com todos os défices europeus !
Comentário por Insatisfeito — Novembro 26, 2009 @ 19:25
“A Moody’s adianta que está a avaliar a promessa que o Executivo fez à Comissão Europeia de reduzir o défice orçamental para 3% do PIB até 2013. “Aparentemente, as expectativas de tal consolidação parecem irrealistas tendo em conta a evolução recente do endividamento português”, sublinha.
… a Moody’s avisa que o ‘rating’ pode baixar nos próximos 18 a 24 meses, o que, a verificar-se, vai aumentar os juros que a República terá de pagar pela dívida que emite.
Como consequência também as empresas e as famílias terão de enfrentar condições de financiamento mais negativas.”
Problema de segunda ordem, uh ?
Comentário por Insatisfeito — Novembro 26, 2009 @ 19:58
Economistas a falar sobre mercados dá sempre asneira, mas ele vem insistindo nisso. E pronto, já levou mais umas nalgadas.
Comentário por Pizarro — Novembro 26, 2009 @ 19:58
O Prof. Carlos Santos só sabe é bajular o governo. Para isso tem jeito. E digo que isso chega para chegar ao tacho. Mais cedo ou mais tarde chega lá…
O que dirá o admirador do Professor, O João Galamba, desta obra?
Comentário por Ricardo G. Francisco — Novembro 26, 2009 @ 20:27
Chamo a atenção do RAF para o post linkado, que não diz aquilo que você afirma. Diz claramente que “…Só para citar as de hoje, o crédito concedido pelo BCP está com uma exposição ao risco superior ao imaginável, já que 80% do seu valor em bolsa está nas mãos de apenas seis devedores. Seis!”.
É isto que está lá escrito e das duas uma: ou o Professor Carlos Santos é um vigarista que falsifica o que escreveu no post, só para ver se passa, ou o RAF anda a ler atravessado.
Diga lá da sua justiça.
Comentário por JP Ribeiro — Novembro 26, 2009 @ 21:38
O Professor Carlos Santos é conhecido por alterar os posts sem admitir que errou. Mas, vejamos, que raio que ele dizer quando alerta (com tanto estardalhaço) para o facto de 80% do valor da capitalização bolsista estar concedida a apenas seis entidades? Como já explicou aqui o Rodrigo, muito pouco ou nada. Com a pressa em alterar o post o Professor Carlos Santos voltou a meter o pé na poça.
Comentário por Miguel — Novembro 26, 2009 @ 21:52
JP Ribeiro,
O Carlos Santos modificou o texto. E modificou-o de uma forma tão trapalhona que a versão actual:
“já que 80% do seu valor em bolsa está nas mãos de apenas seis devedores”
nem sequer faz sentido. O valor em bolsa do BCP está na mão dos accionistas. Não está na mão dos devedores.
A versão original do texto é a que o RAF cita.
Comentário por JoaoMiranda — Novembro 26, 2009 @ 21:57
Um vigarista portanto. Será essa “a regra do jogo”?
Pobres alunos, a quem dá este exemplo.
Comentário por JP Ribeiro — Novembro 26, 2009 @ 22:06
Estive a confirmar, e o Professor Carlos santos alterou o texto, para omitir o erro, sem indicar, como deveria, ter-se enganado. Cada um que tire as conclusões que quiser.
Aquilo que eu escrevi corresponde, ipsis verbis, ao que estava na versão original.
Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Novembro 26, 2009 @ 23:49
Quando é que o Homem vai para o governo?
Se havia dúvida, depois desta mudança do texto, sem vergonha nem pedido de desculpa, está provado que tem todas as qualificações.
Disclaimer: No PS há muita gente intelectualmente honesta, boas intenções, ética e responsabilidade. Ninguem com estes atributos andaria no meio dos que estão no governo sem se sentir enjoado…
Comentário por Ricardo G. Francisco — Novembro 27, 2009 @ 00:05
“É isto que está lá escrito e das duas uma: ou o Professor Carlos Santos é um vigarista que falsifica o que escreveu no post, só para ver se passa, ou o RAF anda a ler atravessado.”
O RAF geralmente lê muito bem. Tratando-se de quem se trata, a questão estava facilmente respondida à partida…
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 27, 2009 @ 00:09
“Um vigarista portanto. Será essa “a regra do jogo”?
Pobres alunos, a quem dá este exemplo.”
É o que está a dar…
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 27, 2009 @ 00:10
“Se havia dúvida, depois desta mudança do texto, sem vergonha nem pedido de desculpa, está provado que tem todas as qualificações.”
São velhos e enraizados hábitos…
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 27, 2009 @ 00:11
[...] A propósito das ideias do Professor Doutor Carlos Santos, ler ainda Iliteracias. [...]
Pingback por Lições do Dubai « BLASFÉMIAS — Novembro 27, 2009 @ 08:50
Confirmo que o Prof. altera posts quando lhe chamam a atenção para os erros. E fá-lo de forma disparatada. Há um exemplo clássico neste post http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/06/sondagem-das-europeias-de-que-se-fala.html: Colocou um valor “4″ não se sabe vindo de onde, alterou para “4000″ sem explicar por quê, mas nenhum desses valores se aproxima da realidade.
Quanto ao assunto da bajulação, acho que o Prof. merece este prémio!
Comentário por Beijokense — Novembro 27, 2009 @ 11:53
Começa logo bem, á agradecerem-lhe publicamente o Jeitinho/cunha que meteu:
Comentário por Pedro Esteves — Novembro 27, 2009 @ 14:58
“Começa logo bem, á agradecerem-lhe publicamente o Jeitinho/cunha que meteu:”
Enganou-se no “Carlos Santos”…
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 27, 2009 @ 16:31
13, Ricardo G. Francisco:
“No PS há muita gente intelectualmente honesta (…)”.
Já agora, dê uns dois ou três exemplos, para a gente saber.
Comentário por Moreira da Costa — Novembro 27, 2009 @ 18:40
Moreira da Costa,
O meu pai por exemplo…
Mas fora de brincadeiras tenho a Helena Roseta, por exemplo, em boa conta.
Comentário por Ricardo G. Francisco — Novembro 28, 2009 @ 00:00
Ricardo, socialismo e honestidade intelectual (não honestidade no sentido normal) são incompatíveis
Comentário por Helder — Novembro 28, 2009 @ 02:22
Helder,
Podem ser coerentes e intelectualmente honestos embora suportados por princípios morais completamente aberrantes.
Comentário por Ricardo G. Francisco — Novembro 28, 2009 @ 18:28
“Podem ser coerentes e intelectualmente honestos embora suportados por princípios morais completamente aberrantes.”
Inclino-me a concordar com o Ricardo.
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 28, 2009 @ 18:57
Sociopatas, portanto.
Comentário por Helder — Novembro 28, 2009 @ 19:04
“Sociopatas, portanto.”
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 28, 2009 @ 19:14
Além disso, acho que também há socialistas com princípios morais e intelectualmente honestos que simplesmente estão errados.
Nem uma coisa nem outra invalida, claro, que haja também socialistas intelectualmente desonestos.
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 28, 2009 @ 19:17
Ninguém tem a perfeita noção das consequências do que defende e, nesse sentido, estar errado/enganado é fácil, sem se ser intelectualmente desonesto. Isto serve para socialistas, comunistas, social democratas, liberais, fascistas, etc. O problema da desonestidade intelectual do socialismo tem que ver com os meios para atingir os fins. Não acredito que seja possível que não tenham a noção da corrupção intelectual e moral que esses meios implicam. Só é possível ou padecendo de dissonância cognitiva grave ou, o que me parece mais comum, sendo intelectualmente desonesto.
Comentário por Helder — Novembro 28, 2009 @ 23:31
Logo, podemos concluir que o Stalin era, no fundo, um tipo intelectualmente honesto mas com os ideiais errados…
Comentário por RAF — Novembro 29, 2009 @ 18:10
RAf,
E que tu és um pantomineiro….
Comentário por Ricardo G. Francisco — Novembro 30, 2009 @ 08:59