O Insurgente

Novembro 17, 2009

Consequências totalmente inesperadas das políticas assistencialistas

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Portugal — LA @ 14:45

Via CM:

“O Rendimento Social de Inserção faz concorrência desleal ao nosso sector. E é cada vez mais difícil contratar pessoas, porque muitas preferem viver do subsídio a ter de trabalhar numa padaria. Acham mais vantajoso”, disse ao CM Carlos Alberto dos Santos, líder da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação. A crítica do presidente da ACIP à Segurança Social consubstancia-se na falta de 20 a 30 por cento de mão-de-obra no sector.

Via DE:

(…)relatório do INE que mostra um agravamento da taxa de desemprego portuguesa para 9,8% no terceiro trimestre. (…)
Segundo o relatório do INE, entre Julho e Setembro o número de desempregados aumentou para 547,7 mil indivíduos, um acréscimo de 26,3% face a igual período de 2008 e uma subida de 7,9% na comparação com o trimestre anterior.

Isto no mesmo país onde os recursos estatais e privados se mostram escassos para prover às situações de verdadeira necessidade, no suporte de uma “safety net”.

18 Comentários »

  1. E agora, existem mais pessoas a viver à custa do orçamento e menos a contribuir para o orçamento.

    E todo o conjunto de pessoas que vive (ainda que produza um trabalho público) do orçamento tem igual direito democrático de voto no seu próprio interesse e escolhendo quem (os outros) é que vai ter que contribuir para esse orçamento. Isso será democrático?

    Comentário por CN — Novembro 17, 2009 @ 14:55

  2. “Isso será democrático?”

    É. Os que contribuiem para o orçamento só podiam ser protegidos de uma forma: Constituição forte e protectora dos direitos individuais.

    Como não a temos vamos a caminho da 4ª republica (ou pior).

    Comentário por Nuno Branco — Novembro 17, 2009 @ 15:08

  3. Os meus pais têm uma panificadora. O salário de um padeiro é de 700 euros mensais, e de um ajudante de padaria 650 euros; a este valor devem ser acrescentadas outras despesas do patrão (segurança social, seguros, medicina no trabalho, etc). No Verão recebem um extra de 100 euros. Existem dois turnos, o da noite e o da manhã. O da noite tem início às 22h00 e termina cerca das 5h00. O do da manhã, no caso dos distribuidores, tem início às 5h00 e às 4h00 no Verãoe termina às 12h00. Ora é quase impossível arranjar trabalhadores para este sector. Os jovens não querem trabalhar no sector porque implica trabalho nocturno, logo isso impossibilita-os de sair à noite. Depois, muitos argumentam que «são alérgicos à farinha» e que «não gostam do calor dos fornos». Preferem ir para um centro comercial onde os salários bem inferiores, ou ficar no fundo de desemprego. A solução tem passado por contratar trabalhadores de Leste. Acrescento que nos centros de emprego não se encontram jovens com formação profissional na área da panificação e pastelaria. Sublinho ainda que a solução para outros trabalhos, onde antes a mão-de-obra era nacional, como a agricultura, as pescas ou limpezas também está a passar por trabalhadores de Leste.

    Comentário por Luís — Novembro 18, 2009 @ 02:00

  4. Não confundir Democracia com Liberdade CN. Esse é a grande confusão que existe. O sistema que temos desde os EUA à europa são Republicas Sociais e não Liberais como alguns erradamente gostam de as chamar.

    Comentário por lucklucky — Novembro 18, 2009 @ 02:12

  5. Luís se ninguém quer trabalhar no pão aumenta-se os salários e o preço do dito. É assim o mercado. A tendència do mercado é que quem limpe casas de banho – e outras profissões pouco confortáveis onde há naturalmente escassez – passe a ganhar muito mais.

    Comentário por lucklucky — Novembro 18, 2009 @ 02:16

  6. Caro lucklucky,

    quanto aos salários, há que ter em conta que se um trabalhador receber 700 euros por mês, a despesa do patrão poderá ascender na realidade a perto de 900 euros: há a segurança social, subsídio de férias, seguros, medicina no trabalho, gorjetas em épocas de maior trabalho, mais outras pequenas despesas.

    Quanto à subida do preço, é quase impossível visto ser um sector onde existe uma grande concorrência. Há as grandes superfícies, as cadeias de supermercados e muitos «cafés» e «snack-bares» que compram o pão e os bolos já congelados, importados do Brasil ou de Espanha, e que conseguem praticar preços inferiores; há também muitas micro padarias que surgiram nos anos 90 graças a ajudas estatais e de autarquias, as quais com uma série de malabarismos exercem uma concorrência desleal sobre as panificadoras de pequena, média e grande dimensão.

    Pessoalmente penso que o sector da panificação e da pastelaria terá tendência a definhar, e que cada vez mais aumentará o consumo destes produtos importados, de qualidade nutricional inferior mas de preço mais reduzido. O verdadeiro pão português e os bons bolos ficarão para quem aprecia boa comida e tem dinheiro para a pagar!

    Comentário por Luís — Novembro 18, 2009 @ 02:35

  7. Luís,
    Obrigado pelo exemplo que deu.
    O seu relato é exactamente o mesmo que me foi feito por outra pessoa (até no pormenor de contratação de imigrantes e na questão das margens geradas pelo negócio).

    Comentário por LA — Novembro 18, 2009 @ 10:06

  8. Bem, mas o setor da panificação pode então aumentar os salários que paga aos seus funcionários, não? E aumentar concomitantemente o preço do pão. Nada os proíbe disso (suponho).

    Comentário por Luís Lavoura — Novembro 18, 2009 @ 10:45

  9. Luís,

    pois se o setor da panificação definhar por os portugueses não quererem trabalhar nele, que definhe. Que é que se há-de fazer?

    O mercado é livre. Se os jovens preferem ir para as discotecas e alimentar-se de pão congelado importado do Brasil, são livres de fazer essa opção.

    Ninguém tem nada de que se queixar.

    Comentário por Luís Lavoura — Novembro 18, 2009 @ 10:49

  10. “O mercado é livre.”

    Leste a noticia? É que diz logo no inicio que o mercado não é livre. O Estado está deliberadamente a intervir no mercado de trabalho.

    Comentário por Nuno Branco — Novembro 18, 2009 @ 10:52

  11. «O mercado é livre. Se os jovens preferem ir para as discotecas e alimentar-se de pão congelado importado do Brasil, são livres de fazer essa opção.»

    Sim, se o jovens portugueses não querem trabalhar nas padarias ou na agricultura, não trabalhem, imigrantes para fazer o serviço não faltarão, mas também não vivam à custa do dinheiro dos contribuintes via RSI, fundo de desemprego, cursos profisionais e outras ajudas.

    Comentário por Luís — Novembro 18, 2009 @ 14:50

  12. “Se os jovens preferem ir para as discotecas e alimentar-se de pão congelado importado do Brasil, são livres de fazer essa opção.”

    Eu também prefiro ir para a praia de manhã, sair à noite, dormir após a almoço, fazer corridas de automóveis em bólides de competição… mas até agora não consegui descobrir a que Direcção-Geral do Estado me dirigir para obter o respectivo subsídio ao “dolce far niente”.

    Se o Luís Lavoura souber como eu posso arranjar maneira de prover ao sustento da minha família sem que isso me ocupe demasiado o tempo ou exija um grande esforço (físico e mental), não esqueça de me explicar qual o impresso a preencher e onde o entregar.
    Até lá, terei de continuar a levantar-me a horas impróprias para qualquer ser humano civilizado (antes das 10:00, portanto…) para poder ajudar a pagar os subsídios alheios.

    Comentário por LA — Novembro 18, 2009 @ 14:56

  13. «Bem, mas o setor da panificação pode então aumentar os salários que paga aos seus funcionários, não? E aumentar concomitantemente o preço do pão. Nada os proíbe disso (suponho).»

    Nada proíbe, mas o tipo de concorrência que existe no sector impede.

    Em primeiro lugar, o preço que uma panificadora define para os produtos não corresponde depois ao preço médio de venda aos clientes. O preço tabelado é o preço de venda nos balcões, mas os outros clientes (restauração, hotelaria e afins) têm descontos de 20 a 40%. Assim, se uma panificadora definir um preço de venda do pão de 400 gramas de 70 cêntimos, pode siginificar que está a vender a maior parte das unidades que produz a menos de 50 cêntimos.

    Outro ponto: a concorrência que existe no sector. Nos anos 90, graças a ajudas e subsídios, muitas famílias da província começaram a produzir pão. Aproveitaram garagens e anexos, antigos fornos familiares, compraram carrinhas de distribuição. Trabalha com frequência o casal e os filhos. Numa panificadora com 3 funcionários, isso implicaria 1800 euros de despesa só com mão-de-obra. Mas numa unidade destas familiares, 750 euros poderão ser suficientes para as despesas do quotidiano da família. Assim, praticam-se preços muito inferiores em relação às panificadoras de pequena, média e grande dimensão. Uma panificadora «a sério» para além das despesas de mão-de-obra, tem despesas elevadas de segurança e higiene alimentar, manutenção de fornos e equipamentos, mais impostos. Pelo contrário, as micro padarias familiares, que nalgumas zonas do país são às centenas, funcionam um pouco à margem da lei: ali não se compram detergentes de 300 euros para limpar o chão, não se pagam análises laboratoriais à qualidade microbiológica do produto, não se declara grande parte do que se vende, ou seja, ali não se cumpre as leis que existem para o sector! Tudo começou com umas ajudas que as autarquias do interior davam a artesãos e com ajudas do Estado para novas empresas.

    Assim, cercado por todos os lados, é normal que o sector definhe. Bem, se já importamos carne, peixe e legumes, por que não importar também o pão?

    Comentário por Luís — Novembro 18, 2009 @ 15:11

  14. “por que não importar também o pão?”
    Só se for do Brasil

    Comentário por Miguel — Novembro 18, 2009 @ 15:14

  15. «“por que não importar também o pão?”
    Só se for do Brasil.»

    Sim, neste momento parte dos bolos e do pão que são consumidos em Portugal são importados do Brasil. Obviamente que o sabor e a qualidade nutricional são inferiores aos produtos «tradicionais», mas pelos vistos os portugueses não se importam!

    Comentário por Luís — Novembro 18, 2009 @ 15:18

  16. Não só não se importam como ainda vão dançar para as discotecas.

    Comentário por Miguel — Novembro 18, 2009 @ 15:26

  17. «Não só não se importam como ainda vão dançar para as discotecas.»

    Em períodos de maior produção, ou seja, no Verão e na Páscoa, o meu pai costumava empregar jovens portugueses em part-time. O número de faltas ao trabalho, em especial às sextas e sábados à noite era considerável. Neste momento empregam-se imigrantes… problema resolvido!

    Comentário por Luís — Novembro 18, 2009 @ 15:30

  18. Aqui na “repartição” temos um problema algo similar. Não é tanto o Verão e as discotecas mas as vindimas (propriamente ditas) e as respectivas festas. As baixas aumentam significativamente nesse periodo.

    Comentário por Miguel — Novembro 18, 2009 @ 15:35


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