O Insurgente

Novembro 16, 2009

A ocasião faz o ladrão

Filed under: Justiça — Adolfo Mesquita Nunes @ 19:00

A corrupção não se combate com leis dedicadas a combatê-la. Estas, que devem ser gerais e abstractas, serão sempre incapazes de cobrir toda a malha por onde circula a corrupção e partirão sempre em atraso relativamente à perícia de quem vive da fuga às ditas.

Mas a corrupção está longe de ser um problema sem soluções satisfatórias. Basta que mudemos o prisma: em vez de investir tempo e meios e leis para investigar aqueles que desviam os seus poderes na prática de um acto (i)lícito para proveitos ilegais, poderíamos antes perder tempo e meios e leis para acabar com os poderes públicos desnecessários. Acabe-se com o poder desnecessário e reduz-se substancialmente a corrupção.

5 Comentários »

  1. A maior parte da corrupção é legal. Quanto maior o Estado, maior corrupção, e mais legal é.

    Comentário por lucklucky — Novembro 16, 2009 @ 20:18

  2. A corrupção é o resultado de muitas leis sem sentido, que pretendem controlar tudo. Temos leis a mais que nos asfixiam e muitos gostam mesmo dessas leis, para fazerem valer os seus préstimos, com as devidas compensações…

    Comentário por Tocoxi — Novembro 16, 2009 @ 20:27

  3. “acabar com os poderes públicos desnecessários”

    Sem dúvida. Mas corre-se o risco de, dessa forma, “deitar fora o bebé com a água do banho”. Ou seja, de eliminar-se a corrupção mas ficar-se com outros males bem piores.

    Comentário por Luís Lavoura — Novembro 17, 2009 @ 10:11

  4. Porquê falar-se hoje tanto de corrupção? Só hoje é que incomoda? Só agora é que é notada? Porque é que não se falou no tempo em que foi liberalizada? Quando o então Primeiro ministro Cavaco Silva, perante as fraudes dos ceareiros, ao ser interrogado pela C.S. sobre a corrupção, disse energicamente que em Portugal não havia corrupção, não foi o mesmo que dizer : corrompam-se à vontade que nós, governos, vamos fechar os olhos? Não foi abrir as portas d Porquê tanta preocupação? Se o país é para deitar a baixo, quanto mais depressa melhor. Seja com maus governos, com baixa produtividade ou por roubos de quem pode, a água vai ao seu moinho. Não é por acaso que desde 1980 deixei de acreditar neste país. Salve-se quem puder. O povo tem o que merece.e par em par aos corruptos? Nessa altura, ninguém se insurgiu contra isso, e ainda hoje, lhe batem as palmas, o escolhem para Presidente da República, e o louvam. Não esqueçam que hoje, a corrupção também é fruto disso.

    Comentário por Armando Cardoso — Novembro 25, 2009 @ 08:21

  5. A CORRUPÇÃO é uma mais valia para os políticos. A par dos altos salários e regalias que auferem sem tanto merecerem, ainda têm a possibilidade de sacar mais uns trocados (por vezes milhões), que tanto jeito lhes fazem.
    Não sou psicólogo, mas nisto se calhar sei mais do que eles: é que o dinheiro também é um vício. E de vício passa a doença. E é desta doença que padecem. O mal é dos outros. Dos desgraçados que pagam.
    Penso que uma das razões que motiva os políticos a concorrerem em Portugal, é precisamente a possibilidade de meterem a mão na massa alheia e não serem punidos devidamente. São sempre tidos por inocentes e depois premiados.
    Não é por acaso que não criam leis eficazes para a combater. Isso prejudicá-los ía, o que não lhes convém. Ou se ganha forte ou não vão.
    Nós povo, temos que reconhecer que temos uma classe política esperta.
    Avante Portugal, o povo é quem mais ordena. … Coitado do pobre burro.

    Comentário por Armando Cardoso — Dezembro 11, 2009 @ 07:56


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