No Público
Além da Guarda, o crucifixo continua a pontificar na sala de aulas do primeiro ciclo da Escola Básica de Carvalhal Formoso, em Belmonte, segundo a agência Lusa. “É natural que lá esteja e até é capaz de haver mais escolas onde os crucifixos foram ficando”, admitiu David Canelo, presidente do Agrupamento de Escolas Pedro Álvares Cabral. Porque “a escola é laica”, e porque e a manutenção daqueles símbolos decorre da ausência de queixas por parte dos pais, Canelo garante que, face à sentença do Tribunal Europeu, o agrupamento irá ordenar a retirada das cruzes.
Mas o pior, segundo Ricardo Alves, nem são os crucifixos. “Há casos de missas realizadas em escolas públicas e continua a haver bispos a ir às escolas perguntar aos alunos se querem ser padres”, denuncia. Para consubstanciar esta denúncia, Ricardo Alves exibe cópia de um aviso afixado em Dezembro de 2007 na Escola Secundária C/3.º CEB da Sé Guarda dando conta da realização de uma missa naquela escola e de um segundo documento convidando os professores a almoçar com o bispo. “A dispensa das aulas foi recomendada, embora não obrigatória”, sublinha Alves.
Os republicanos jacobinos reduziram-lhes drásticamente o direito de voto. Esta gentinha ainda não estava pronta para decidir por si.
O que seria dos povos do interior sem pessoas como este Ricardo Alves…
Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 5, 2009 @ 19:54
Hediondo. Eu, como albicastrense progressista fico chocado por saber que ainda há crucifixos no interior. Vou fazer uma petição online para derrubar o cruzeiro de S.João, que fica na cidade à vista de toda a gente. Lá por ser do século XVI não quer dizer nada. É mais um símbolo do obscurantismo clerical. Falando a sério: cambada de FDP, se fossem mas é cumprimentar o cavalo do Heidegger mais lhes valia, mas pronto.
Comentário por harms — Novembro 5, 2009 @ 22:47
Também vamos proibir os policias de irem à escola perguntar se os alunos querem apanhar ladrões quando forem grandes?
Comentário por Nuno Branco — Novembro 5, 2009 @ 23:18
Entretanto, o Estado Português introduziu a educação sexual obrigatória. Isso mesmo, obrigatória. Donde, os pais que, ao abrigo da sua liberdade de educação, já disseram que não deixam os seus filhos estar presentes nas salas de aulas em que sejam leccionados aqueles conteúdos, correm o risco de a estes serem aplicadas faltas injustificadas. Mais, como se encarregou de avisar um director de escola no Público, tais “conteúdos” são sujeitos a exame, pelo que, ou bem que os alunos estudam essas matérias ou correm o risco de chumbar nas respectivas disciplinas (ou, pelo menos, ter notas fracas, notas essas com as quais concorrem às faculdades). Pelo menos, sabemos: a liberdade de consciência existe em matéria de crucifixos pendurados nas paredes; não abrange a vida íntima das pessoas, que, essa sim, está sujeita a todo o tipo de indoutrinações.
Comentário por José Barros — Novembro 6, 2009 @ 01:20
A deliberação do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, contra a presença de crucifixos nas salas de aula, foi encarada pelo Vaticano e pelo clero português como uma perseguição ao cristianismo. Mais realista, o cardeal patriarca de Lisboa disse que não foi a Igreja que colocou os crucifixos nas escolas, ou seja, compete aos governantes fazer cumprir a lei expressa na Constituição da República – a separação entre credos religiosos e o Estado, no nosso caso, laico. Mais recente, a Lei da Liberdade Religiosa é taxativa: o Estado não pode propagandear ou adoptar qualquer religião. Numa sociedade cada vez mais multicultural, não tem sentido que a maioria e a tradição imponham a sua vontade, oprimindo o direito à diferença. Não serão os símbolos religiosos uma espécie de evangelização forçada em estabelecimentos públicos como escolas e hospitais e, consequentemente, uma castração da liberdade individual?
Comentário por Dylan — Novembro 20, 2009 @ 09:27