O Insurgente

Novembro 4, 2009

Ursos

Filed under: Ambiente,Internacional,Nanny State Watch,Política,Portugal,Religião — Miguel Noronha @ 09:22

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

Aproxima-se a cimeira de Copenhaga e o derradeiro esforço de propaganda do gigantesco ‘lobby’ ambientalista está em marcha. O objectivo é forçar os governantes ocidentais a comprometerem-se com um conjunto de medidas cujos efeitos previsíveis são uma catástrofe económica auto-infligida sem precedente histórico. Para cooperarem com a demência ambientalista, países como a China e a Índia exigem cerca de 300 mil milhões de dólares por ano, um montante equivalente a 1% do PIB das economias mais desenvolvidas. Em cima deste suborno de proporções épicas ainda há que pagar o “preço” da cooperação africana -267 mil milhões de dólares ano, e das economias sul-americanas -mais umas modestas centenas de milhares de milhões. Um estudo do instituto Open Society calculou que as políticas ambientais da UE implicariam um custo total anual de 102 mil milhões de dólares até 2020. O custo do programa americano de direitos de emissão de poluição em apreciação no Senado equivale a um imposto anual mínimo de 1600 dólares por família americana e mesmo que obtivesse a redução prevista nas emissões americanas de CO2 teria um impacte nas emissões globais inferior a 4% e portanto um efeito negligenciável.

Imperturbáveis pelo abismo económico à frente dos pés, os puritanos ecológicos seguem firmes na convicção de que o martírio é o caminho para a salvação -a reconversão “sustentável” da economia ocidental, que trará consigo mel, morangos e milhões de novos empregos. Obama já prometeu 5 milhões de empregos “verdes”, mas em matéria de delírio ambientalista, Zapatero há muito que saiu disparado das ‘boxes’ e o exemplo espanhol é elucidativo: desde 2000, cada emprego subsidiado nos sectores ditos ambientais implicou a perda de 2,2 empregos nos restantes sectores da economia.

O novo livro de Christopher Booker, The Real Global Warming Disaster (Londres, 2009) faz a crónica da longa caminhada que trouxe o ocidente até este ponto de suicídio económico. É uma história de receios apocalípticos, com origem no Clube de Roma, onde a ideia de utilização do “ambientalismo” como um instrumento para a criação de um governo mundial começou a ganhar forma. É uma história de abastardamento e politização da ciência através de um sistema de incentivos financeiros tragicamente errado; de manipulações, mentiras, e silenciamentos em nome de um “consenso” falso e falsificado, que é e será mantido porque gerou uma enorme massa crítica de interesses financeiros, intelectuais e políticos que dele dependem. A imposição desta teleologia milenarista não é só indesejável: é imoral e necessita de ser contrariada por todos os meios.

9 Comentários

  1. [...] Miguel @ 09:53 Em Inglaterra, uma decisão judicial equiparou o ambientalismo a uma religião. Nada que já não suspeitassemos. Green beliefs are as worthy of protection in the workplace as religious ones, a judge ruled [...]

    Pingback por É oficial « O Insurgente — Novembro 4, 2009 @ 09:53

  2. A farsa continua infelizmente. E os custos já são enormes.

    Investigação ao que tem acontecido com os termometros:
    http://chiefio.wordpress.com/
    Muitas coisas curiosas:
    http://chiefio.wordpress.com/2009/10/29/ghcn-pacific-basin-lies-statistics-and-australia/

    Comentário por lucklucky — Novembro 4, 2009 @ 11:10

  3. “O custo do programa americano de direitos de emissão de poluição em apreciação no Senado equivale a um imposto anual mínimo de 1600 dólares por família americana”

    Esse valor refere-se ao quê?

    Porque é que que pergunto – o que um programa de cap-and-trade faz é aumentar os preços pagos pelos consumidores (vamos chamar a esse valor “X”) e transferir parte desse valor para as empresas/individuos a quem são atribuidos originalmente os direitos de emissão (vamos chamar a esse valor “Y”).

    A minha questão é se esses 1600 dólares se referem a X/(número de familias) ou a (X-Y)/(número de famílias).

    Comentário por Miguel Madeira — Novembro 4, 2009 @ 12:52

  4. “Esse valor refere-se ao quê?”

    A estimativa é do Congressional Budget Office. Leia: M. Feldstein, “Cap-and-Trade: All Cost, No Benefit,” Washington Post, June 1, 2009, se quiser perceber os rudimentos dos cálculos relativos ao impacte de bem estar da proposta americana de “cap-and-trade”. Há estimativas francamente mais desfavoráveis aos defensores da proposta. E as “entorses” introduzidas na Câmara dos Representantes não estão reflectidas nestas estimativas –nem, aliás, as que serão previsivelmente introduzidas no Senado. E deixe-se de “X’s” e “Y’s” que isso não interessa para nada.

    Comentário por FCG — Novembro 4, 2009 @ 13:13

  5. «E deixe-se de “X’s” e “Y’s” que isso não interessa para nada.»

    Interessa sim – se estamos a falar do custo para a economia (e é disso que me parece que o FCG está a falar) , o que interessa é o (X-Y); mas na polémica sobre os custos do cap-and-trade alguns comentadores têem-se referido apenas ao “X”.

    Assim, como imagino que o FCG tenha lido os textos em questão (e parece dominar a economia do cap-and-trade, logo percebe perfeitamente o que eu quero dizer com o “X” e com o “Y”), explique-me lá – o valor refere-se ao X ou ao X-Y?

    Comentário por Miguel Madeira — Novembro 4, 2009 @ 13:36

  6. Mas para eu explicar melhor o que eu quero dizer (talvez tenha sido pouco claro).

    quando se passa de um sistema em que se pode poluir à vontade para um sistema em que se tem que pagar um preço para poluir (no fundo, quando se passa do “comunismo libertário atmosférico” para a “economia de mercado atmosférica”), há dois efeitos:

    1) por um lado, algumas pessoas/empresas que quereriam exercer alguma actividade poluente deixam de o fazer, já que com o preço que têm que pagar deixa de ser compensatório

    2) por outro lado, outras pessoas/empresas continuam a poluir como antes (porque, mesmo assim, compensa), mas têm que pagar o preço correspondente (assim, têm uma perda correspondente ao valor que pagam)

    Portanto, temos à partida, dois prejuizo – o prejuizo 1), referente às empresas que deixam (ou reduzem) a sua actividade, e o prejuizo 2) referente ao valor que as empresas passam a pagar para continuar a poluir.

    No entanto, em termos económicos, o único prejuizo é o 1) – o valor que, no caso 2), as empresas gastam a comprar direitos de emissão é o valor que outras entidades ganham a vender direitos de emissão, tendo um efeito nulo sobre o conjunto da economia (na verdade, se – como alguns economistas republicanos propuseram – esse valor fosse apropriado pelo Estado e usado para reduzir os impostos, o efeito total sobre a economia até seria positivo).

    portanto, reformulo a minha pergunta – os tais 1600 dólares por família referem-se ao caso 1) [a poluição que deixa de ser realizada], ao caso 2) [o custo de comprar direitos de emissão] ou à soma dos dois?

    Comentário por Miguel Madeira — Novembro 4, 2009 @ 14:09

  7. “é apenas uma transferência de rendimento de umas pessoas para outras.”

    Se as pessoas que consomem os produtos têm de pagar mais 1600 Euros é evidente para um mesmo serviço que é um custo adicional. Se amanhã todos os prédios novos tivessem de resistir a um terramoto com grau 9 na escala de richter também seria um custo adicional. Está-se a por dinheiro ali quando poderia ir para outras coisas.

    “esse, quase por definição, é menor que o custo total em termos de aumento de preços”

    Isso depende se não houver quebras de produtividade e fiabilidade.

    Comentário por lucklucky — Novembro 4, 2009 @ 18:26

  8. Nota: foram removidos dois comentários nesta discussão

    Comentário por Miguel — Novembro 4, 2009 @ 18:54

  9. “Se as pessoas que consomem os produtos têm de pagar mais 1600 Euros é evidente para um mesmo serviço que é um custo adicional.”

    Para a economia no seu todo, não é.

    Vamos imaginar que o governo dos EUA implementava um sistema de cap-and-trade e dava-me a mim os direitos de emissão.

    Nesse sistema, uma empresa que quisesse emitir CO2 teria que comprar esses direitos, ou a mim, ou a quem eu os vendesse.

    Isso faria subir os preços por duas maneiras:

    - para algumas empresas seria demasiado caro comprarem esses direitos e teriam, ou que cessar a produção, ou adoptar tecnologias menos poluentes mas mais caras

    - outras empresas continuariam a produzir como dantes, mas teriam mais um custo: terem que me pagar a mim para poderem poluir (vamos imaginar que o valor da venda desses direitos de emissão seria o equivalente a 1000 dólares por família).

    Vamos assumir (como fez o Martin Feldstein) que esse aumento de preços (produzido por esses dois efeitos) iria equivaler a 1600 dólares por família. Mas eu ganhei o equivalente a 1000 dólares por família – logo, o prejuizo total para a economia foi de apenas 600 dólares/família (o resto foi uma simples transferência de umas pessoas para as outras – neste caso, para mim).

    É por isso que o custo total é sempre inferior ao aumento dos preços: porque do aumento dos preços é necessário sempre subtrair a renda recebida pelos beneficiários da distribuição dos direitos de emissão, e só o que sobra é um custo económico.

    Comentário por Miguel Madeira — Novembro 4, 2009 @ 18:56


RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 355 other followers