P. Por Gabriel Silva.
O editorial de apresentação da nova direcção do Público (que só agora li) é assaz estranho:
1) Se é natural que uma nova direcção pretenda efectuar mudanças, profundas ou não, estranha-se o espírito de «reborn» adoptado, como se o mundo, em especial o da imprensa, não tivesse mudado nos últimos 20 anos ao mesmo tempo que se mitifica um tempo particular, o do seu início, atribuindo-lhe um cariz purista.
2) Fazer tal retorno ao pretenso purismo invocando um texto publicado em outro jornal, da autoria de ex-director que já nem sequer faz parte do jornal, é caso para perguntar «então porque não o convidaram para director?»;
3) o ressabiamento contra o director que agora saiu é notório e fica mal a quem lhe sucede;
4) criticar desde logo os jornalistas que se mantêm no quadro do jornal e com quem vão trabalhar por terem, alegadamente, levado a uma situação de «credibilidade ameaçada» não é começo que se recomende para quem vai dirigir uma equipe.
5) «Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos.»Ah, afinal continua a haver ideologia. E acaso pode-se conhecer desde já a mesma?
Leitura complementar: O legado de José Manuel Fernandes e o futuro do Público; O “novo” Público.
Como diria o sr.Heidegger uma vez, quando lhe perguntaram (não me lembro agora quem foi) se tinha lido O Ser e o Nada, “Como é que eu posso começar sequer a ler essa porcaria?”. Mas há alguém que ainda se dê ao trabalho de ler o Público? Tirando meia-dúzia de intelectualóides semi-analfabetos que vêem o Ípsilon como uma referência e outros tantos tristes niguém lê aquela porcaria. Quando muito folheia-se, nos dias em que nos vem calhar á mão. E dez, quinze minutos, são mais que suficientes para avaliar aquilo.
Comentário por harms — Novembro 3, 2009 @ 16:19