Tem sido anunciada uma descida gradual dos preços a que se junta a queda das prestações a pagar aos bancos. Ao mesmo tempo, os salários (dos que não perdem os empregos) mantêm-se. Desde há um ano a esta parte que se fala do regresso de Marx e de que, provavelmente, ele teria razão. No entanto, esta realidade, da melhoria de vida de muitos empregados, apesar e em resultado da crise económica, refuta a teoria dos ciclos marxista. E ao fazê-lo, reduz Marx à sua dimensão verdadeira: Um homem que teve a decência de chamar a atenção para miséria de milhões de pessoas. Marx foi isso: Um bom homem, mas sem razão. A nossa vivência diária mostra-nos que o entusiasmo marxista de há um ano foi fogo de vista.
Outubro 16, 2009
A factura…
A redução do consumo, o aumento dos custos com as energias renováveis e a amortização do défice tarifário são os principais factores que justificam a proposta de aumento de 2,9% da tarifa da energia eléctrica em Portugal Continental em 2010.
O engenheiro sonha, o monopólio implementa, o consumidor paga!
Continuar a percorrer o caminho rumo ao abismo
Se este post de Rui Pena Pires é sinal do que aí vem em matéria de agravamento do IRS (e provavelmente, dado o autor, é mesmo), há razões para estar francamente pessimista.
Independentemente da profunda discordância com o que Rui Pena Pires defende, ele tem pelo menos o mérito de, no mesmo post, não deixar de assinalar a peculiaridade do rumo da da política fiscal portuguesa nos últimos anos:
Sublinhe-se, no entanto, que Portugal foi o único, repito, o único país da UE que, entre 1995 e 2008, subiu a taxa máxima de IRS. Em média, na UE, aquela taxa baixou 9,5 pontos percentuais no período em causa, enquanto em Portugal subiu 2 pontos. Não é pois preciso inventar a roda, basta continuar a percorrer o caminho iniciado durante o primeiro governo de José Sócrates.
Mais dramática do que a opção da esquerda portuguesa pelo contínuo agravamento fiscal, só mesmo a falta de oposição consistente ao socialismo em Portugal. Os resultados estão à vista de todos.
A República Velha
É sempre bom reler “A República Velha” (Gradiva), de Vasco Pulido Valente, um livro que eu estava proibido de ler na faculdade. Ali, naquele livro maldito, podemos constatar o carácter terrorista da I República. Ali, naquele livro que Mário Soares deve ter queimado num auto-de-fé privado, podemos ver como o “bom povo republicano” era a PIDE informal de Afonso Costa; o bom povo bufava e batia com primor. Ali, podemos verificar que a repressão dos direitos sindicais começou com Afonso Costa, e não com Salazar. Ali, podemos ver como a esquerda indígena não evoluiu muito: os nossos esquerdistas passaram do “morte ao talassa” para o “morte ao fascista”. Em 100 anos, conseguiram mudar uma palavra.
Declaração
Embora não interesse a ninguém, venho por este meio informar V.Exas que se Luis Filipe Menezes ou Pedro Passos Coelho forem eleitos para a liderança do PSD o autor deste post passa à clandestinidade.
Uma “Honorable Mention” no Templeton Fellowships Essay Contest para um insurgente
O insurgente Bruno Alves foi distinguido com uma menção honrosa no Sir John M. Templeton Fellowships Essay Contest, contribuindo dessa forma para reforçar as credenciais fásssistas-reptilianas-ultraneoliberais do Colectivo Insurgente.
Parabéns ao Bruno Alves e, já agora, também ao Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, que graças ao texto do Bruno figura na lista de instituições com alunos distinguidos.
Outubro 15, 2009
Já sabem, é persistir na mesma receita: crescimento do peso do estado, impostos altos, intervenção estatal
“A economia nacional deverá ser das últimas na zona euro a recuperar da crise, consideram as três principais agências de rating, baseando a previsão no fraco potencial de crescimento, na subida do desemprego e na falta de competitividade da economia portuguesa.”
Público
(Atenção: no último parágrafo confundem a variação trimestral homóloga do PIB com a variação trimestral em cadeia.)
A “educação sexual” progressista como um perigo para a saúde pública
People need to understand that the primary goal of sex education is not eradication of disease, it’s social change. Groups like Planned Parenthood and SIECUS inculcate students to value openness and acceptance of nearly any consensual sexual encounter. A visit to some of the websites to which kids are sent by these organizations demonstrates that their fight is against repression and intolerance, not herpes and warts. The latter are bothersome but manageable; the former are unacceptable and must be eliminated.
His master’s voice
Para quem tivesse dúvidas acerca de quem manda na Rússia, aqui fica o esclarecimento:
Bota-abaixismo
SAFETY WARNING: Se não querem ficar deprimidos não leiam este post (mais…)
O mau resultado do BE nas autárquicas
Miguel Madeira (Vento Sueste)
{T]udo isto não deixa de ser um triste e irónica evolução: afinal, há uns anos atrás, a UDP e o PSR andavam a defender o “poder popular de base” contra a “democracia parlamentar”; agora o BE tem muitos parlamentares, mas as bases estão fraquinhas…
LEITURA COMPLEMENTAR: O desastre do Bloco em Lisboa
Mais sobre o Nobel (7)
“Williamson and the Austrians” de Peter Klein
Oliver Williamson’s Nobel Prize, shared with Elinor Ostrom, is great news for Austrians. Williamson’s pathbreaking analysis of how alternative organizational forms — markets, hierarchies, and hybrids, as he calls them — emerge, perform, and adapt has defined the modern field of organizational economics.
Williamson is no Austrian, but he is sympathetic to Austrian themes (particularly the Hayekian understanding of tacit knowledge and market competition). His concept of asset specificity enhances and extends the Austrian theory of capital and his theory of firm boundaries has almost single-handedly displaced the benchmark model of perfect competition from important parts of industrial organization and antitrust economics.
He is also a pragmatic, careful, and practical economist who is concerned, first and foremost, with real-world economic phenomena, choosing clarity and relevance over formal mathematical elegance. For these and many other reasons, his work deserves careful study by Austrians.
O artigo continua aqui.
A “ética institucional”
Escreve no i de hoje o João Cardoso Rosas (o “bold” é meu):
Podemos definir uma ética para lá dos indivíduos? Julgo que sim, mas ela será sempre residual, e limitada à própria natureza das organizações, pois choca com um conjunto de impossibilidades próprias associadas ao “corpo institucional”: é que não faz sentido consagrar uma ética para lá da vontade, do arbítrio, e da possibilidade de responsabilizar um agente pelas suas acções voluntárias, aspectos claramente limitados fora da esfera individual. A questão que coloco é a seguinte: serão as instituições corpos próprios, dotadas de um arbítrio que lhes permita discernir ao ponto de serem eticamente responsabilizadas? Sim. Mas até onde? Faz sentido, como defende JCR, e cito, que o “enfoque deve ser na ética das instituições, e não na ética individual“? Diria que não. Para lá da só aparente bondade que JCR projecta em relação aos indivíduos, há todo um erro, o do paternalismo de que cada um de nós não é totalmente responsável pelos riscos que assume, e que não pode estar entregue a si próprio, nas suas decisões. Transferir o juízo ético para fora dos indivíduos, colocando o epicentro nas instituições, é o primeiro passo para diluir a responsabilidade; a tentativa de limitar os indivíduos – porque se desconfia deles – acaba por criar todo um caldo de irresponsabilidade individual, de repartição dos riscos entre mercado e sociedade, que abre as portas a novas crises. Ou, alguém com experiência nos mercados acredita que é possível monitorar riscos, colocando o centro da decisão, inclusive no plano ético, transferindo o arbítrio para instituições burocráticas? O risco principal – e, portanto, o centro dos juizos éticos - deve ser assumido por quem o corre, no caso, pelos agentes do mercado. Colocar o enfoque na ética das instituições, e não na ética individual, como defende JCR, diluir a responsabilidade em instituições burocráticas só serve, precisamente, para aumentar os riscos sistémicos.
Qual verdade?
“Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder.”
José Saramago, reproduzido no Público.
Mais sobre o Nobel da Economia (6)
David Boaz (Cato Institute) acerca da interpretação errada que o NYT faz das posiçoes das posições de Ostrom e Williamson sobre a regulação.
The New York Times tries to spin the work of Nobel laureates Elinor Ostrom and Oliver Williamson as not anti-regulation (..). But none of us “anti-regulation” folks are against “rules of behavior that people in business adopt for themselves independently of government.” The world is full of rules, from wearing clothes in the office to customary trade practices to the rules for managing common-pool resources that Ostrom studied. Anyone who opposed such “forms of regulation” wouldn’t be a libertarian or even an anarchist — he’d be a nihilist. (…) The work of Ostrom and Williamson supports the idea of spontaneous order, an order that emerges as result of the voluntary activities of individuals and not through the commands of government. Spontaneous order can be hard to grasp, though it is the background of our entire world — language, common law, money, and the economy are all spontaneous orders (though government has intruded into some of those orders). It’s misleading to say that work of Ostrom and Williamson is somehow supportive of “regulation,” given the way that word is commonly used.
A “democracia” bolivariana no seu melhor
Hugo Chavez ficou bastante chateado por ter tido de pedir permissão aos donos do Margarita Hilton para aí poder realizar a cimeira Afro-Sulamericana pelo que decidiu expropriá-lo. Isto, segundo declaraçôes do próprio.
Ron Paul vs. Lindsey Graham
Ron Paul on CNN
Ron Paul on the situation room CNN Part 2
Ron Paul on the Ed Show MSNBC
Outubro 14, 2009
Maitê Proença para Prémio Nobel da Paz 2010
Concordo com a sugestão para Nobel da Paz. Já para líder do PSD acho uma maldade: Calma lá. Por Luciano Amaral.
Maitê Proença: da ofensa ao arrependimento
Dado o arrependimento manifestado por Maitê Proença relativamente a graves ofensas ao orgulho nacional português, junto-me à campanha lançada pelo João Miranda.

Coincidências (2)
Camilo Lourenço no Jornal de Negócios
É verdade que a Qimonda não é uma empresa de capitais públicos. Mas a influência do Estado neste dossiê, nomeadamente pelo peso da AIECEP no processo, chegou para que os despedimentos fossem adiados para lá do período de “reflexão eleitoral” (“whatever that means”).
Segunda pergunta: por que é que, poucas horas depois do anúncio dos 590 despedimentos, a Qimonda admitiu que as rescisões podiam ser inferiores? Foi cedência à pressão política (Mário de Almeida, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde e ex-presidente da Associação Nacional de Municípios é um dos pesos pesados do Partido Socialista) ou fazia parte do processo negocial?
E ainda há por aí quem, a coberto da crise financeira, ande a defender o aumento do peso do Estado na economia e na sociedade. Vade retro!
Urinar antes de viajar, para salvar o planeta…
Por favor, urine antes de viajar
Uma companhia aérea japonesa está este mês a pedir aos seus passageiros que urinem antes de embarcar para reduzir o peso do avião na descolagem e, em consequência, as emissões de CO2 para a atmosfera.
Change
Conselheiros do secretário do Tesouro dos EUA receberam milhões no sector financeiro
Vários dos membros da equipa do secretário do Tesouro dos EUA (posto equivalente a ministro das Finanças em Portugal), Timothy Geithner, receberam milhões de dólares por ano a trabalhar para grandes empresas do sector financeiro, noticiou hoje a agência Bloomberg, especializada em informação económica e financeira.
(…)
Como conselheiros do secretário do Tesouro, tanto Sperling como Sachs estão em posição de influenciar sem escrutínio o Departamento do Tesouro, onde ajudam a supervisionar o pacote de 700 mil milhões de dólares de ajuda ao sector financeiro, num momento em que estão em elaboração novas regras sobre os pagamentos no sector financeiro.
De certeza que o dito estudo não é uma piada? Daquelas de mau gosto?
Estes estudos causam-me náuseas. Um grupo de peritos elaborou um relatório sobre fiscalidade e, sem surpresa (estamos em Portugal), tirando a proposta de diminuição do IVA (para 19%, nem sequer para 17%, taxa que existia até 2002) e a extinção doIMT, o que propõe é aumentar impostos (mais-valias bolsistas, alguns bens de consumo…). Isto além de pretenderem complicar mais o IRS, algo que geralmente as organizações internacionais nos sugerem que seja simplificado, para, provavelmente, se conseguir mais uns tostões para o Estado (novamente: aumentar impostos).
Estas propostas, num país em que o que Estado gasta anualmente já deverá ultrapassar metade do PIB, deveriam levar a que as autoridades receassem motins. Em vez disso, estes estudos são recebidos como se, na nossa circunstância, fossem contributos que sequer valessem a pena debater. É por esta razão que estamos estagnados há dez anos, que somos ultrapassados por quem saíu há meia dúzia de dias de regimes comunistas: porque gostamos de ser abusados por quem pode; porque somos parvos.
Há males que vêm por bem
Pode ser que no fim ainda tenhamos sorte. Por causa disto ainda se lembram de acabar com a ERC. E, mais uma vez, a decisão é revelada na altura “certa”.
Até pode ser, mas não em Portugal

Como é habitual, a Europa está sempre um pouco mais à frente.
EUR/GBP
Ontem a taxa de câmbio da libra esterlina andou pelos 0,94 euros. Para quando a paridade?
Nota: só tenho agradecimentos para as políticas fortemente inflacionistas praticadas pela Grã-Bretanha e EUA. É que em 2010 estou a pensar fazer uma visita a Londres e/ou NY ;)
Pacheco Pereira e a eleição de António Costa: a quadratura do círculo
Ponderações. Por Pedro Santana Lopes.
EXEMPLO PRÁTICO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, CULTURAL E POLÍTICA. Por João Gonçalves.
A identidade ideológica do PSD
O PSD e o futuro. Por Miguel Morgado.
Para se tranquilizar e não ter de considerar a sua “identidade ideológica”, o PSD inventou a farsa de que era um “partido de poder”. Para demonstrar a sua relevância e escusar a sua degradação, alimentou a ilusão de que tinha “forte implantação autárquica”. Mas não pensou no essencial: qual o lugar que ocupa no sistema político português, e, mais importante, que opiniões, interesses e aspirações representa? Ao PSD não resta outra possibilidade senão a de se realinhar à direita, propondo uma visão do Estado e da sociedade portuguesa diferente da do PS. Sem deixar de ser um partido popular, terá de assumir as suas concepções mais liberais na relação entre o Estado e a sociedade, e nas relações económicas em geral, e a sua orientação mais conservadora nos temas morais e de costumes, mas também em matérias como a segurança, a política externa ou a cidadania. Essa discussão é muito mais importante do que a escolha da pessoa do líder. Sem ela, a famosa “alternância democrática” não passará de um mito sem substância.
Mussolini, um espião ao serviço de Londres
Mussolini foi um espião inglês durante a I Guerra Mundial
Um historiador de Cambridge, Peter Martland, descobriu nos arquivos britânicos documentos que provam que em 1917 Benito Mussolini foi pago pelo MI5, os serviços secretos de Londres, para escrever artigos a favor da continuação da Itália na I Guerra Mundial ao lado dos aliados e atacar manifestantes pacifistas.
Mussolini, então um jornalista de 34 anos, editava o jornal “Il Popolo d’ Italia” e controlava grupos de antigos veteranos do exército, que atacavam manifestações contra a presença italiana na guerra em Milão.
“Depois da Rússia revolucionária ter saído do conflito, a Itália era o aliado mais falível dos britânicos no conflito. Mussolini recebeu uma soma de cem libras por semana a partir do Outono de 1917 durante pelo menos um ano para manter a campanha pró-guerra – uma verba equivalente a seis mil libras hoje (cerca de 6400 euros)”, disse Peter Martland ao Guardian.
Prioridade à paz e ao diálogo
Obama To Enter Diplomatic Talks With Raging Wildfire: will be able to convince the wildfire to stop incinerating large swaths of land and American homes.
Um país a caminho da extinção
Resta ainda assim a grande “conquista” progressista do aborto livre e generosamente subsidiado pelo Estado: Natalidade volta a diminuir nos primeiros nove meses deste ano
Se não houver alterações inesperadas até Dezembro, 2009 vai ser de novo um ano negro para a natalidade em Portugal. Após a ténue recuperação de 2008, nos primeiros nove meses deste ano o número de nascimentos voltou a decrescer e a um ritmo com algum significado, indicam os dados já disponíveis dos “testes do pezinho” realizados pelo Instituto de Genética Médica Jacinto Magalhães (IGMJM), Porto.
(…)
O declínio da natalidade não é um exclusivo português, recorda Rui Vaz Osório, que se confessa mesmo assim “assustado” com os números e preocupado com o futuro do país. “Só estamos a combater [este problema] com a imigração”, nota. De facto, Portugal deve em parte aos imigrantes a conjuntural inversão da tendência da quebra da taxa de natalidade em 2008 (quase 14 mil bebés nascidos no ano passado, cerca de 13 por cento do total, eram filhos de pai estrangeiro).
Fontes anónimas
RTP (com video):
O director do semanário Expresso revelou novos dados sobre o caso das escutas ao Palácio de Belém. Henrique Monteiro anunciou que também recebeu o e-mail publicado pelo Diário de Notícias e disse que esse e-mail lhe foi entregue por uma entidade política, que não nomeou.
Na altura, não publicou esta informação – que penso ser relevante – por “dever de sigilio”. O que mudou na passada segunda-feira, dia seguinte às eleições, para o director do Expresso quebrar tal “dever” no programa Prós & Contras???
A arte da desorçamentação (2)
Tavares Moreira no Quarta República
Foi hoje notícia o facto de o endividamento da Estradas de Portugal, SA (“EP”) ter atingido em Junho do corrente ano a impressionante cifra de € 15.274 milhões, equivalente a 9,7% do PIB. Curioso é o facto de esse endividamento ter subido mais de € 14.000 milhões no prazo de 18 meses, pois em final de 2007 era apenas de € 1.024 milhões. E ainda mais curioso é esse endividamento ter dado um enorme salto, de mais de € 13.100 milhões, só no 1º semestre de 2008, quando atingiu € 14.157 milhões. Quer isto dizer que nos últimos 12 meses – Junho de 2008 a Junho de 2009 – a dívida da “EP” subiu € 1.117 milhões, ou seja € 93 milhões/mês ou € 3 milhões/dia, o que sendo um montante elevado não tem comparação com o crescimento abrupto verificado no 1º semestre de 2008.(…)
Este endividamento das empresas instrumentais do processo de despesa em infra-estruturas viárias e outras – oportunamente retirado do perímetro orçamental, para não ser considerado despesa pública -deverá acentuar-se nos tempos mais próximos para permitir ao Estado, de acordo com a filosofia dominante, compensar o afrouxamento do ritmo do investimento e do consumo privados, ajudando a “animar a economia” e a “modernizar” o País. Esta simples evidência empírica constitui um interessante dado para percebermos um pouco melhor a natureza do problema económico português que habitualmente aparece rotulado como de “insuficiência de produtividade ou de “escassa competitividade”.(…)
E também é bom que não se repare na dimensão imensa dos recursos que diariamente são afectos a despesas do Estado ou de uma boa parte do seu sector empresarial, cuja produtividade ou competitividade ninguém conhece e com a qual “felizmente” ninguém se preocupa…nem mesmo os seus responsáveis que, quando se defrontam com desequilíbrios financeiros, sabem que podem sempre contar com a mão protectora de Estado. E o sector financeiro, que também sabe disso, prefere racionalmente mutuar recursos a estas entidades do que ao sector empresarial exposto à concorrência, de cujas dificuldades financeiras o Estado não cura… Mas entendamo-nos: o problema estrutural da economia do País é a “baixa produtividade”, a “escassa competitividade”…estamos pois esclarecidos


