Há aqui um engano qualquer. Aquilo é o Ministério da Defesa e não o Ministério da Guerrilha.
Outubro 22, 2009
Composição do novo governo socialista
Contrariamente a algumas expectativas que foram sendo alimentadas nos últimos dias é, no essencial, um governo de continuidade: José Sócrates já anunciou nomes do novo Governo
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Luís Amado
Ministro de Estado e das Finanças – Fernando Teixeira dos Santos
Ministro da Presidência – Pedro Silva Pereira
Ministro da Defesa Nacional – Augusto Santos Silva
Ministro da Administração Interna – Rui Pereira
Ministro da Justiça – Alberto Martins
Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento – Vieira da Silva
Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas – António Manuel Soares Serrano
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações – António Augusto da Ascensão Mendonça
Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território – Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro
Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social – Maria Helena dos Santos André
Ministra da Saúde – Ana Maria Teodoro Jorge
Ministra da Educação – Isabel Alçada
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Mariano Gago
Ministra da Cultura – Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas
Ministro dos Assuntos Parlamentares – Jorge Lacão
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros – João Tiago Silveira
Nem um telefonemazinho a avisar o Marcelino
O boletim oficioso socialista tem de recorrer à concorrência para saber uns boatos sobre a composição do próximo governo.
Olhem aí a próxima “bolha”
China is risking property-market “bubbles” to encourage growth in the world’s third-largest economy, according to former Morgan Stanley Asian economist Andy Xie. “People are looking at the bubbles as a way to gain economic growth in the short term,” Xie said in a Bloomberg Television interview in Hong Kong today. “They are not sure of long-term damages that they may suffer.”
Property sales and values have surged as the government implemented a $585 billion stimulus package and banks extended a record $1.27 trillion of credit. China’s economy expanded 8.9 percent in the third quarter from a year earlier, the statistics bureau said today, while home prices rose at the quickest pace in a year in September, government reports showed last week.
Soho China Ltd., the biggest property developer in Beijing’s central business district, said Oct. 20 that pre-sales will surpass 10 billion yuan ($1.5 billion) for the first time this year “largely” because of the government’s stimulus plan.
“Land prices have become so elevated,” said Xie, who correctly predicted in April 2007 that China’s equities would tumble. “The economy has become so dependent on property and the prices are so high and it carries a lot of risk for the country going forward.”
The country’s cabinet said it will continue with monetary and fiscal stimulus measures even after the economy exceeded officials’ expectations for the first nine months of the year.
O duche socialista
Chávez propone duchas comunistas: “Tres minutos es suficiente”
El presidente venezolano, Hugo Chávez, se ha puesto un disfraz casero de Al Gore por un rato y ha salido en defensa del consumo responsable de agua.
“Hay gente que se pone a cantar en el baño media hora”, ha criticado Chávez, quien cree que “tres minutos es más que suficiente”.
How To Win An Internet Flame War
So it’s your first posting to an internet forum. You were on some band fanlist or something for a long time, reading and laughing and disagreeing, but never posting; until now. And you’ve written what you think is an intelligent, clear-minded opinion on a subject. Twenty minutes later, and you’re tearing out chunks of hair as a dozen people tear you a new net-hole.
Well, here are some tips so you can:
a) Recognize and refute these nefarious tactics.
b) Use them to your own nefarious advantage.
O (desacreditado) relatório Goldstone
Declarações do Coronel Richard Kemp, ex-comandante britânico das tropas da NATO no Afeganistão, perante o Conselho Especial dos Direitos Humanos da ONU, durante a sessão especial de debate do Relatório Goldstone.
Bonecos Desanimados
“Bonecos Desanimados” de Fernando Gabriel (Diário Económico)
A sra. Jytte Klausen é dinamarquesa, vive nos EUA e cometeu um livro intitulado The Cartoons that Shook the World (New Haven: Yale University Press, 2009) que tem como objecto os acontecimentos subsequentes à publicação em 2006 de uma dúzia de caricaturas contendo representações de Maomé pelo jornal Jyllands-Posten.(…)
O motivo primordial de interesse é a decisão tomada pelo presidente de Yale e pela editora de retirar do livro não só as reproduções das caricaturas mas também todas as representações de Maomé em manuscritos e miniaturas de arte islâmica. Trata-se de uma decisão extraordinária no carácter censório, mais apropriada a organizações doutrinárias do que a uma universidade, onde supostamente se estimula o livre inquérito. O reitor de Yale viu-se confrontado com um dilema semelhante ao do burro de Buridan, incapaz de escolher entre dois montes de feno que lhe parecem idênticos. Incapaz de distinguir as representações blasfemas das hagiográficas, mandou retirar todas, imaginando que ao eliminar a causa do dilema deixaria de passar por burro. A aquiescência da autora é ainda mais estranha, porque invalida implicitamente a ideia central do seu argumento, contrária à suposta impossibilidade absoluta de representação de Maomé. Supondo que o terá feito em nome da protecção das epidérmicas “sensibilidades” islâmicas e politicamente correctas, não lhe ocorreu que são actos como esse que reforçam o radicalismo.
Outubro 21, 2009
Incentivos ao investimento no estrangeiro
Um “case study” de como afugentar investidores… Por Miguel Frasquilho.
Uma dispendiosa inutilidade
É para fantochadas destas que andamos a custear a gamela dos eurodeputados.
Os Tennessee Titans e o welfare state

Titans a serem deitados ao chão pelos Patriots
No próximo domingo, o Estádio de Wembley irá ser palco de um futebol diferente daquele a que está habituado com os jogos da selecção inglesa e a Final da FA Cup (os pombos que, desde a reinuaguração, “acampam” perto da baliza do lado direito, esses, devem continuar lá): na tentativa de promover o futebol americano na Europa, a NFL realizará o seu jogo anual no estrangeiro em Londres, com um jogo entre os Tampa Bay Buccaneers e os New England Patriots. A propósito do jogo, o blog do New York Times dedicado à NFL comenta o facto de os Bucanneers, uma das poucas equipas que esta época contam todos os seus jogos por derrotas, ser propriedade de Malcolm Glazer, o dono do Manchester United, o clube de futebol mais bem sucedido da última década no futebol inglês (e, apesar do Barcelona, a nível europeu). O autor do texto, Jeffrey Marcus, pergunta se há uma grande diferença entre ser bem sucedido num campeontao como o inglês de futebol “europeu”, e na NFL. A resposta, diz Marcus, é sim, existe uma grande diferença. Ele cita, Simon Kuper, co-autor do livro Soccernomics, para explicar como a diferença na organização dos dois campeonatos favorece equipas bem sucedidas no futebol europeu (em que é difícil a um “grande” deixar de ser grande), enquanto que a da NFL faz com que uma equipa campeã possa, uns anos depois, estar nas ruas da amargura.
O argumento do livro de Kuper é criticável, mas é indesmentível que essa diferença existe. Os Buccaneers são eles próprios um exemplo vivo da maior dificuldade de manter a supremacia na NFL: na época de 2002, foram campeões, hoje não conseguem ganhar um jogo. Outro exemplo pode ser encontrado nos Tennessee Titans, que na época passada tiveram o melhor registo na temporada regular (sendo depois eliminados nos playoffs), e que este ano ainda não ganharam um único jogo, tendo neste domingo sofrido uma humilhante derrota por 59-0 contra os Patriots.
Segundo Kuper, “domingo a domingo”, “jogo a jogo” (como gostam de dizer os nossos “misters”), a Liga Inglesa é mais competitiva. A probabilidade de uma equipa “pequena” ganhar um jogo a uma “grande” é maior na Liga Inglesa do que na NFL (o que facilmente se explica pela natureza do jogo: o carácter atlético do futebol americano, e a própria forma como o jogo decorre, faz com que seja pouco provável que uma equipa com jogadores inferiores aos do adversário o consiga vencer. No “nosso” futebol, já não é bem assim). Mas a realidade é que o lote de campeões (de equipas, que, no fim de toda a temporada, ganham os títulos) tem sido, nos últimos anos, bastante menos amplo do que na NFL: desde os finais dos anos 90 que o título inglês não escapa a uma de três equipas (Chelsea, Arsenal, e Man. Utd.) enquanto que o Superbowl já foi ganho (só nesta década) pelos St. Louis Rams, Patriots (várias vezes), Baltimore Ravens, Bucanneers, Pittsburgh Steelers, New York Giants e Indianapolis Colts.
A diferença, argumenta Kuper, está na forma como os “perdedores” são tratados na organização da liga americana. Na Liga inglesa, como em todas as ligas europeias, os últimos classificados do campeonato descem de divisão. A descida de divisão, por sua vez, implica perda de contratos de transmissão televisiva, ou seja, implica perda de dinheiro, que por sua vez implica perda de capacidade de contratação de jogadores. As maiores equipas, por sua vez, qualificam-se para as competições da UEFA, que lhes trazem mais dinheiro ainda, o que lhes permite contratar ainda mais jogadores de maior qualidade, que lhes permitem (ou, no mínimo, facilitam) a consolidação do seu estatuto de superioridade.
Na NFL (como nas ligas dos outros desportos americanos), nada disto acontece. Uma equipa pode perder todos os jogos da época regular (como os Detroit Lions na época passada), que nada lhe acontece: mantém-se na liga, mantém os contratos televisivos, e, mais importante ainda, tem direito à primeira escolha do draft do ano seguinte: a pior equipa da liga tem acesso aos melhores jogadores saídos do campeonato universitário (que pode trocar por outros jogadores que fortaleçam a equipa). Os maus resultados de uma equipa não prejudicam necessariamente a sua condição financeira, e a qualquer altura podem estar de novo no topo. Na pior das hipóteses, os fracos resultados de uma equipa podem conduzir a uma descida nas vendas de bilhetes e camisolas, mas nada que não se resolva com uma mudança de cidade (fala-se por exemplo, de uma mudança dos Rams para Los Angeles).
Na NFL, os “perdedores” são compensados e “protegidos”. Na Liga inglesa, perder é uma tragédia. Pode-se argumentar que este tratamento mais favorável dos perdedores na NFL produz uma maior competitividade: uma equipa tradicionalmente medíocre como os Arizona Cardinals pode, num ano, chegar ao Superbowl (como aconteceu o ano passado). Mas tem também efeitos preversos, como se viu este domingo em New England. Os Titans, com cinco derrotas em cinco jogos, e apenas onze por jogar, dificilmente chegarão aos playoffs. Para todos os efeitos práticos, a época está perdida. Na Liga Inglesa do ano passado, uma equipa que (como os Titans) tinha grandes ambições e (como os Titans) começou mal a época, o Tottenham, não tinha a época perdida: dificilmente chegaria às competições europeias, é certo, mas convinha que continuasse a jogar a sério, para não descer de divisão. Equipas do fundo da tabela, como o Newcastle ou o Hull, lutaram até à última jornada com o objectivo de permanecerem na Premier League.
Os Titans (ou os Lions, ou os Rams, todas equipas com péssimo registo este ano) não têm necessidade de lutar para sobreviver. Mais: como explicavam os comentadores do programa Monday Night Countdown da ESPN, a propósito dos Titans, o mau começo de época leva a que os jogadores, pura e simplesmente, desistam de se esforçar. O risco de se lesionarem é grande, e uma lesão pode pôr em risco a próxima temporada. Para quê pôr em risco uma temporada em que se começa do zero, por uma em que já nada pode ser conquistado? Pelo contrário, no campeonato inglês, não lutar até ao fim significa precisamente perder a temporada seguinte.
O problema identificado pelos comentadores do Monday Night é um clássico problema de incentivos: num campeonato como a Premier League, a mediocridade é fortemente penalizada com a “expulsão” da liga (através da descida de divisão). Na NFL, ela não só não é penalizada, como, através da atribuição das primeiras escolhas no draft às piores equipas, se procura atenuar a diferença entre os mais medíocres e os melhores. Como Kuper bem diz, a NFL é um welfare state desportivo. Tal como qualquer welfare state, tem óbvias vantagens. Equipas como os Lions não deixam de poder jogar contra os Patriots ou os Steelers só porque perdem todos os jogos, tal como um pobre não deixa de ter (ou não deveria deixar de ter) comida para comer. Mas tem também efeitos preversos, pois ao proteger o fracasso, retira o incentivo para a ele escapar. A NFL é um excelente exemplo de como um “welfare state” traz enormes vantagens a quem dele beneficia. Mas basta ter visto a deprimente exibição dos Titans no jogo de domingo passado para perceber como um “welfare state”, apesar de todas essas vantagens, contribui para a aceitação da mediocridade e da passividade.
Eu fiquei espantado ao saber que existiu até à passada 6ª feira
Em tempos idos (há vários séculos) fui leitor fiel.
A tua sorte é estares enganadinho, Joselito.
Se Saramago tiver razão, tenho cá para mim que gajo o está lixado (isto para não usar uma expressão mais tipicamente portuense). A sorte do laureado nobel é, tanto quanto me tenho apercebido, estar enganado.
É melhor consultar primeiro o camarada Bernardino
A deputada comunista Rita Rato nunca ouviu falar dos gulags soviéticos.
[A] deputada Rita Rato, do PCP, em entrevista à revista ‘Domingo’, do CM, publicada na última edição[:] O que pensa a deputada dos campos de trabalho forçados na URSS, vulgo ‘Gulag’, em que morreram milhares de pessoas? “Não sou capaz de responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.” Bom, mas a coisa foi bem documentada pela História, pergunta–se. “Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência… Aqui chegados, é melhor parar o baile. Falar de “experiência” quando se fala do ‘Gulag’ é a mais recente versão de negação histórica. A versão mais benévola seria pôr os ‘Gato Fedorento’ a perguntar ‘Gulag? Qual Gulag?’. A deputada, porém, não faz parte do elenco dos ‘Gato’ mas de um partido pouco dado a humor e em que este ‘desconhecimento’ da História seguramente a levará longe…
(Via Nuno Gouveia)
O PSD
Na linha deste artigo do Pedro Picoito no i, gostaria de acrescentar que o PSD, além de mudar de discurso, defender a liberdade de escolha no ensino (escolha de escolas e de programas), pugnar por uma flexibilização da lei laboral (que convide ao investimento), da lei do arrendamento (que não dificulte a mobilidade), por uma Justiça que funcione (com a entrega a privados de algumas competências e uma diferente estruturação interna dos tribunais), uma descentralização do poder político através do fortalecimento do municipal (implicando a municipalização de alguns impostos), da criação de poderes locais (desenhados não em Lisboa, mas por iniciativa dos municípios), do livre planeamento, por parte dos cidadãos, das suas reformas, precisa de agir politicamente de forma diferente.
Cometeram-se muitos erros durante liderança de Manuela Ferreira Leite, que me fizeram pensar se a direcção do PSD não era composta por amadores. Fazer política pressupõe não ser parvo e subentende alguma preparação estratégica. Assim, da próxima vez, não vale a pena culpar a comunicação social por distorcer a mensagem do PSD. Há, pelo contrário, que procurar ter parte da comunicação social do seu lado. Ter parte dela a simpatizar com as políticas defendidas pelo PSD. Apenas em Portugal dizer isto pode ser escandaloso, pois não há mal em ter jornais próximos de certos partidos. Neste caso, próximos do PSD. Trata-se apenas de um exemplo. Há mais, muito mais, no que toca a fazer política, quanto mais não seja na forma como se passam as mensagens e se escrevem os discursos. Quer se refira à mais imediata e puramente táctica, quer quando sobe ao nível das ideias e dos programas, como os referidos no primeiro parágrafo deste texto, a política do PSD precisa de um novo rumo.
Ainda os PPR’s de Louçã
Para além da a inconsistência demonstrada (que foi o objecto principal da notícia) acho estranho que nenhum jornalista tenha procurado inquirir em que condições terá Louçã liquidado os PPR’s. Estas são bastante limitadas e o seu não cumprimento implica a devolução dos benefícios fiscais (a que acresce uma forte penalização).
Quia in inferno nulla est redemptio
“Quia in inferno nulla est redemptio”, um livro com fotografias de Carlos M Fernandes à venda no lulu.com.
The photographs in this book aim at portraying that distressed Europe, not literally, not figuratively, but instead in an evocative approach. Colour is now recurrently used to show the grief of the modern middle classes or the monotony of the suburbs, but only black-and-white can properly suggest the misfortune of a fading Europe.
Esperteza artifical
Artigo de Fernando Gabriel na Autohoje
Quando vejo os produtos dotados de ‘inteligência artificial’, tendo a reparar mais na sua esperteza do que na inteligência. Em geral, são economizadores de tempo e de esforço, mas o preço não é a única contrapartida: a simplificação vem normalmente associada à cedência de informação na utilização, informação cujo acesso por terceiros diminui a privacidade e autonomia individuais. Essa é a componente de esperteza. O Estado já percebeu o potencial de controlo proporcionado pelas tecnologias ‘inteligentes’ e a concomitante facilidade com que elas são aceites por consumidores deslumbrados, ou simplesmente inconscientes do valor político da privacidade. O mais recente esforço legislativo nesta matéria pretende tornar os carros dos portugueses ‘inteligentes’, incorporando-lhes um dispositivo electrónico na matrícula: o ‘chip’. (mais…)
Roteiro da crise
A dimensão ideológica da crise. Por José Maria Brandão de Brito.
Nos dias que correm são múltiplas as vozes que imputam a génese da crise em curso à prevalência de um putativo sistema neoliberal. Segundo esta linha, o mercado, deixado à mercê dos seus ofícios, permitiu que os gestores das instituições financeiras ignorassem as mais básicas regras de prudência e abraçassem estratégias de elevado risco que visavam maximizar os lucros de curto prazo através da criação de produtos financeiros opacos e altamente alavancados. O resultado foi a criação de uma formidável bolha de crédito e o seu inevitável esvaziamento posterior, com impacto dramático nos mercados financeiros e na economia global.
(…)
A interpretação que atribui a crise à falência do mercado livre padece de uma inconsistência empírica que resulta do facto de o sector financeiro ser dos mais intensamente regulados e escrutinados nas economias desenvolvidas.
(…)
O modelo de regulação financeira que se tem vindo a desenvolver desde o início do século xx estabelece uma série de garantias – umas explícitas e outras tácitas – que visam salvaguardar a solvabilidade do sistema financeiro. Isto porque, como a história já nos mostrou amiúde, as crises resultantes de colapsos no sector financeiro são em regra mais graves e prolongadas do que as recessões originadas noutros domínios da economia. Porém, esta “segurança” tem um preço que se traduz na complacência dos actores financeiros na gestão do risco, já que as garantias de solvabilidade oferecidas pelo Estado limitam o potencial de perda dos investimentos financeiros sem afectar o seu potencial de ganho. O resultado da regulação equivale a uma subsidiação do risco, que leva cada agente a escolher níveis de risco que, apesar de adequados numa perspectiva individual, se revelam excessivos do ponto de vista social.
O anticapitalismo do BE e do PCP
Há coisas que embora pareçam óbvias, convém relembrar: Ainda há taxistas que não se deixam enganar. Por Gabriel Silva.
Na Moção aprovada na última convenção daquele partido indica-se que «O Bloco abriu novos debates sobre o socialismo como anticapitalismo». Acresce que BE foi fundador da rede partidos europeus designada por «European Anticapitalist Left». Alguma dúvida?
Sobre o PCP (explicando o bê-á-bá…!), este «tem como objectivos supremos a construção em Portugal do socialismo e do comunismo». E como não podia deixar de ser, defende a «superação revolucionária do capitalismo e pela construção do socialismo como única, real e necessária resposta à profunda crise do sistema».
O que está a “avançar” em Portugal…
Há pelo menos algumas coisas em Portugal que estão realmente a avançar: Défice do subsector Estado mais do que duplicou
O défice do subsector Estado mais do que duplicou nos primeiros nove meses do ano para os 9.087,7 milhões de euros, comparativamente a igual período de 2008, indicou hoje a Direcção-Geral do Orçamento (DGO). As receitas fiscais caíram 13,4 por cento.
Na síntese de execução orçamental de Setembro, a DGO explica que o agravamento do défice (que se situava nos 3.572,1 milhões de euros no mesmo período de 2008) se deve à redução de 69,4 por cento da receita e ao aumento de 30,6 por cento da despesa entre Janeiro e Setembro deste ano.
Outubro 20, 2009
(novamente) À atenção dos randianos
Beyond personal inspiration, however, the Indian excitement for Rand today is linked to a larger enthusiasm for the country’s inchoate but powerful drive for development and wealth. Since the 1984 assassination of Prime Minister Indira Gandhi, India has seen a gradual shift away from socialism, much appreciated by Rand’s fans. Vikram Bajaj, a 45-year-old entrepreneur who considers himself an objectivist, has lived through Rand’s evolution from an ignored outsider to a popular prophet of capitalism. When he discovered Rand, taxation rates for high earners were hovering at 85 percent of income; now, with her books widely available, that upper rate is only 30 percent.
Rankings e o fracasso do Estado Social
Os rankings escolares têm um efeito desorientador nos defensores do Estado Social. Como as escolas privadas ocupam o topo dos rankings, os defensores do Estado Social têm que arranjar uma forma de os desvalorizar. E a solução que encontraram foi o “contexto sócio-económico”. O “contexto sócio-económico” explica porque é que aparecem escolas privadas no topo dos rankings em vez de aparecerem públicas.
O mesmo é dizer que 40 anos de transferências dos ricos para os pobres, 50% do PIB em serviços e transferências, rendimento mínimo, salário mínimo, habitação social, saúde grátis e escola grátis não mudaram o “contexto sócio-económico”. A desculpa do “contexto sócio-económico” é também um reconhecimento de que a escola pública não tem qualquer efeito relevante nos alunos. O que é determinante para o sucesso escolar é o “contexto sócio-económico”.
LEITURAS COMPLEMENTARES: Rankings e a questão do “público vs. privado; Rankings e Vouchers (ou classificações e cheques-ensino); Falácias da Escola Burocrática; Rankings escolares e liberdade de escolha na educação
Liberdade 2 – Sócrates 0
O TIC mandou arquivar o processo que José Sócrates moveu contra João Miguel Tavares
Pela segunda vez, José Sócrates não obteve junto da Justiça uma decisão favorável ao processo que apresentou contra o colunista do “Diário de Notícias” João Miguel Tavares(…)
Na primeira vez que o caso foi levado a tribunal, o Ministério Público decidiu arquivar o processo. Na segunda vez que José Sócrates insistiu na queixa, a resposta foi também o arquivamento. Para o juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa que analisou o caso, o artigo em causa pode ser crítico quanto ao político mas é também uma “manifestação legítima de uma opinião”, como cita o DN.(…)
Apesar dos argumentos apresentados por Sócrates, Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa realçou a questão da “liberdade de expressão”, que prevê a “possibilidade de poder questionar as acções e opções políticas de um político”. Para o juiz de instrução criminal, “é também neste tipo de situações que o direito à honra tem de ceder em prol da liberdade de expressão”. Assim, o tribunal considerou que o artigo em causa é um texto que “se encontra plenamente inserido no exercício da liberdade de expressão”.
Nota: post “roubado” ao Rui Carmo que por motivos técnicos se encontra impossibilidatado de “postar”.
Eanes
Politicamente, por mais que o João [1] insista, e enquanto Presidente da República, foi o mais próximo que tivemos do célebre General Alcazar[2], esse ícone da latinidade político-militar sul-americana. Eanes cedeu à tentação de impor o poder militar sobre o poder civil protelando o fim do Conselho da Revolução, encostou-se ao Partido Comunista e ao Grupo dos Nove, sabotou o governo de Francisco Sá Carneiro (esse, sim, um homem decente), inspirou uma cisão no grupo parlamentar do PSD que ficou reduzido a menos da metade (donde sairiam, mais tarde, alguns dos venturosos quadros do PRD), tentou fazer o mesmo ao PS e a Mário Soares, e, last but not least, pariu um aborto político a partir da Presidência chamado PRD.
[1] Refere-se a este post do João Gonçalves.
[2] Personagem dos livros de Tintin.
Contra o salário mínimo
Artigo de Art Caden na Forbes
In July, the federal minimum wage rose from $6.55 per hour to $7.25 per hour. (…) [T]hese laws actually eliminate opportunities for low-skill workers and waste resources. They also couldn’t have come at a worse time: The last thing people on the margins of the labor market need are laws that will make them more difficult to employ. With unemployment hovering near 10%, perhaps now is a good time to consider repealing the minimum wage.
This is a standard application of basic economic principles. Demand curves slope downward, which means that people wish to buy more of something as it gets cheaper and less of something as it gets more expensive. Supply curves slope upward, meaning people are willing to do more of something as the rewards increase and less of something as the rewards decrease. In competitive markets, minimum wages create unemployment: While they draw more people into the labor market, they reduce the amount of labor companies wish to hire.
In the complex American labor market, these effects may be difficult to identify, but a comprehensive survey research on minimum wages by David Neumark and William Wascher finds that minimum wages do, in fact, reduce employment. As Neumark argues in a Wall Street Journal article, the best estimates suggest that this past summer’s minimum wage increase will likely destroy approximately 300,000 jobs that would otherwise be filled by teenagers and young adults.
O regresso da “campanha negra”
A TVI divulgou esta noite, no Jornal Nacional, um fax trocado entre administradores do Freeport, no qual é feita uma referência explícita a um suborno de dois milhões de libras (três milhões e duzentos mil euros).(…)
“Os efeitos dos acontecimentos do fim-de-semana, com os revezes sofridos pelo PS, nomeadamente nas eleições autárquicas, incluindo Lisboa, e a demissão do Governo de Guterres significam que Sócrates deixou de ser Ministro do Ambiente e que vai haver um compasso de espera de quatro ou cinco meses até que for eleito um novo Governo e nomeado um novo Ministro”, escreve Payne a Rick Dattani, que, por sua vez, reenvia o texto para um outro administrador, Jonathan Rawnsley.
É Dattani quem acrescenta ao texto anotações manuscritas e que refere explicitamente a existência de subornos no valor total de dois milhões de libras: “Jonathan, este é o fulano [Payne] que me telefonou e sabe do suborno de 2 milhões de libras, sublinhei algumas partes interessantes a partir do ponto 4. Se o parlamento é dissolvido até às eleições, o Secretário de Estado não pode aprovar nem rejeitar nada.”
Heróis e vilões
O nome Antonio Salieri (1750-1825) transporta uma contradição: é um famoso desconhecido. A carga paradoxal da personagem nasce com o filme Amadeus, cujo argumento assenta num desgastante conflito, sem fundamentos históricos mas propagado por rumores, entre Mozart e Salieri. Foi em 1984, e os Óscares ajudaram a colocar o compositor veneziano em lugar de destaque na galeria dos “maus” do Cinema, numa caracterização rematada com traços de imerecida mediocridade. No entanto, a sua música era, e ainda é, raramente interpretada e pouco escutada — excepto por alguns melómanos — e nem os esforços de Cecilia Bartoli (The Salieri Album, 2003) foram suficientes para resgatar Salieri de um segundo plano e do equívoco urdido pelos argumentistas de Amadeus. Não vem mal ao mundo por isso. Ficção é ficção e neste caso nem sequer nos tenta enganar com uma máscara da verdade, como acontece, por exemplo, nos “documentários” histéricos de Michael Moore. Mas o episódio alerta-nos para o poder e o perigo de uma boa história. É fácil criar uma personagem totalmente desgarrada do mundo real. Basta inventar uma biografia aguerrida, sedutora, e que, se for necessário, preencha o imenso vazio da figura original. Se a isso se juntarem cirúrgicas operações de propaganda, branqueamento e distorção dos factos, então saímos do terreno dos vilões e começamos a criar heróis. E quando nos acenam com heróis toda a cautela é pouca. Vinte e cinco anos após a estreia do filme de Milos Forman muitos ainda acreditam na putativa maldade e mediocridade de Salieri. E, como é sabido, é mais difícil tirar um herói do pedestal do que dar um rosto simpático a um vilão.
Outubro 19, 2009
Estratégia Objectiva
Este rapaz mostra iniciativa a procurar a menina Eva; mas ainda lhe faltam uns livros da Ayn Rand para ser bem sucedido.
Peter Schiff Was Right
Recomendo especial atenção aos risinhos de alguns dos oponentes de Schiff. Imperdível…
Peter Schiff Was Right 2006 – 2007 (2nd Edition)
Um só prémio, tantos candidatos…
Eleição do “lambe botas” do ano 2009
O Sono Luso está a desenvolver um concurso para determinar a figura que mais se destacou em 2009 como o maior lambe-botas ou seja, quem mais se esforçou para pintar uma boa imagem do governo Sócrates 2005-2009. Consideramos que a figura escolhida deverá ter tido um papel mais ou menos determinante na reeleição do governo socialista.
São elegíveis figuras mais ou menos públicas, maiores de 18 anos, e não reconhecidas como portadores de cartão de militância PS. Esta figura deverá ter dado apoio mais ou menos directo ao governo PS e utilizado os meios ao seu dispor (jornais, internet, pombos-correio, etc.) que permitam inequivocamente entender o apoio a José Sócrates.
Mais informações aqui.




