O Insurgente

Outubro 14, 2009

“Surrealpolitik”

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 09:19

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

Ao longo deste ano, muitos descobriram que Obama era, afinal, um “realista”, seguindo uma política externa pragmática, de acordo com os preceitos usuais da ‘Realpolitik’.(…)

Ou talvez não. Desde 2006 as ligações políticas, financeiras e militares entre a Venezuela e o Irão têm sido continuamente aprofundadas. O procurador nova-iorquino Robert Morgenthau tem feito avisos repetidos sobre a extensão e gravidade da associação entre Chávez e Ahmadinejad: a Venezuela possui 50000 toneladas de urânio que podem estar a ser vendidas à hierocracia iraniana; o gabinete do procurador dispõe de informação conclusiva do envolvimento do Hezbollah no tráfico de droga sul-americana; algumas instituições financeiras venezuelanas estão na linha da frente do financiamento do terrorismo e da sabotagem de sanções internacionais. Nas Honduras, o anti-judaísmo iraniano passou a integrar a ideologia dos zelayistas. Uma fuga recente de informação no “The Times” revelou o envolvimento directo de cientistas russos no programa nuclear iraniano, algo que tem consequências geopolíticas tremendas e que coloca a Rússia no mesmo plano do Irão em termos da interferência no continente americano. Até agora, o putativo “realista” de Washington não mostrou qualquer capacidade política para desfazer o nó górdio iraniano, premiou Chávez com apertos de mão e fez uma pressão incompreensível sobre um dos raros aliados na América Latina, por se livrar duma tentativa de perversão populista do regime através de meios cuja legalidade e constitucionalidade foram atestadas pela Biblioteca Legal do Congresso dos EUA.

Nenhum “realista” assistiria passivo à ascensão de um neo-bolivarismo violento apoiado pela Rússia e por países islâmicos, ou à obtenção de armas nucleares por um regime terrorista e milenarista. A identidade política de Obama permanece um mistério, enquanto os sinais de tempestade crescem no horizonte.

14 Comentários »

  1. Até ao momento, o único país que usou armas nucleares contra outro foram os EUA…

    Comentário por Rxc — Outubro 14, 2009 @ 09:32

  2. Felizmente.

    Comentário por Miguel — Outubro 14, 2009 @ 09:41

  3. “os sinais de tempestade crescem no horizonte.”

    È isso, o Ocidente vai ser invadido por uma coligação de russos, venezuelanos e países islâmicos. Quem é que não vê isso?

    Comentário por CN — Outubro 14, 2009 @ 09:51

  4. Ainda bem que te preocupas.

    Comentário por Miguel — Outubro 14, 2009 @ 09:53

  5. Estou muito preocupado. Ali a praia do mindelo pode ser escolhida como local de desembarque.

    Comentário por CN — Outubro 14, 2009 @ 09:59

  6. Podes organizar uma comissão de recepção e um banquete de boas-vindas

    Comentário por Miguel — Outubro 14, 2009 @ 10:01

  7. Não, que tenho medo deles. Mas acho que a GNR é capaz de tomar conta do assunto. Isto é, organizar uma almoçarada com bagaços e tudo.

    Comentário por CN — Outubro 14, 2009 @ 10:07

  8. O pai do procurador tem um história engraçada na WWII (wikipedia):

    In 1944, Morgenthau proposed the Morgenthau Plan for postwar Germany, calling for Germany to be dismembered, partitioned into separate independent states, stripped of all heavy industry and forced to return to a pre-Industrial Revolution agrarian economy.

    (…) [8] The gist of the signed memorandum was “This programme for eliminating the war-making industries in the Ruhr and in the Saar is looking forward to converting Germany into a country primarily agricultural and pastoral in its character.”

    The plan faced opposition in Roosevelt’s cabinet, primarily from Henry L. Stimson (see also his memorandum), and the leakage of the plan to the press resulted in public criticism of Roosevelt.[9] The President’s response to press inquiries was to deny the press reports.[10] As a consequence of the leak, Morgenthau was in bad favor with Roosevelt for a time.

    German Propaganda Minister Joseph Goebbels used the leaked plan, with some success, to encourage the German people to persevere in their war efforts so that their country would not be turned into a “potato field”. [11]

    General George Marshall complained to Morgenthau that German resistance had strengthened.[12] Hoping to get Morgenthau to relent on his plan for Germany, Roosevelt’s son-in-law, Lt. Colonel John Boettiger, who worked in the United States War Department, explained to Morgenthau how the American troops that had had to fight for five weeks against fierce German resistance to capture Aachen and complained to him that the Morgenthau Plan was “worth thirty divisions to the Germans.”

    Roosevelt’s election opponent in late 1944, Thomas Dewey, said it was worth “ten divisions”. Morgenthau refused to relent.[13]

    PS: gosto do pormenor: The President’s [Roosevelt] response to press inquiries was to deny the press reports.

    Comentário por CN — Outubro 14, 2009 @ 10:12

  9. Já sei. O filho fica desacreditado devido a uma proposta que o pai fez há 60 anos.

    Comentário por Miguel — Outubro 14, 2009 @ 10:18

  10. Tantas informações, tantas, tantas. Será que têm tanta qualidade como as informações acerca do perigosíssimo arsenal de armas biológicas iraquiano?
    No meio disto tudo só me admiro com o facto de ainda não terem por aqui denunciado o plano de Obama de matar velhinhos com os “death pannels”…

    Comentário por Sérgio — Outubro 14, 2009 @ 10:25

  11. Bom, não é o caso obviamente, eu lembrava-me do nome de qualquer lado. Já o avô como embaixador tentou minorar a genocídio arménio na WWI.

    Comentário por CN — Outubro 14, 2009 @ 10:27

  12. Ah! Afinal é o pai e o avô. Case closed.

    Comentário por Miguel — Outubro 14, 2009 @ 10:34

  13. “Obama de matar velhinhos com os “death pannels”” Já não mata. Sarah Palin descobriu a tramoia numa das 1000 páginas para poupar os dinheiros públicos de Sto Obama e a campanha Obamascare.

    Comentário por A. R — Outubro 14, 2009 @ 14:01

  14. Para CN só existem dois graus na política internacional: Invasão e Não Invasão, sendo que se a invasão for com uma arma apontada à cabeça sem disparar um tiro já não é invasão.

    Comentário por lucklucky — Outubro 14, 2009 @ 14:19


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