O Insurgente

Setembro 19, 2009

A extrema-esquerda caviar não se mistura com peixeiras

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:20

Simplesmente vergonhosas as declarações de Francisco Louçã: Louçã evitou cumprimentar as peixeiras porque quer “um contacto sério” com as pessoas

Dentro do mercado, perseguido por um pequeno grupo de apoiantes, Louçã cumprimentou os vendedores de frutas, legumes, animais de criação e pão. A poucos metros da peixaria, e num tom de voz mais baixo, disse a Adelino Granja, candidato bloquista à câmara de Alcobaça, que não queria ir àquele espaço. Por isso, quando passou pela entrada que dá acesso à zona do peixe nem sequer olhou para trás, apesar dos acenos das vendedoras.

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de ter evitado a peixaria, Francisco Louçã foi rápido na resposta; “Nunca vou.” Porquê? “Por uma questão de princípio”, respondeu. E sustentou: “Porque cria uma dinâmica de espectáculo. Eu quero um contacto com as pessoas, não quero favorecer nenhuma forma de populismo, nenhuma forma de simplicidade na campanha eleitoral.”

A publicação de um email privado no DN e o caso das possíveis escutas na Presidência da República

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:27

Um dia é da deontologia, outro do interesse público. Por João Miranda.

3. Ontem o DN publicou um email privado, de um jornalista do Público para outro jornalista do Público, onde se revela que a fonte foi de facto Fernando Lima. Tirando esta informação, tudo resto já tinha sido noticiado pelo Público em Agosto.

4. Uma das regras deontológicas do jornalismo é que não se revelam as fontes que desejam permanecer anónimas. Por isso o Público fez bem em não revelar a sua fonte, que de qualquer das formas estava bem caracterizada (assessor do Presidente).

5. A opção do DN de revelar as fontes de um jornal concorrente é no mínimo eticamente incorrecta, sobretudo porque essa informação nada revela de fundamental.

(…)

8. A alegação, por parte do DN, de que está em causa o interesse público é ridícula. Aquilo que a notícia tem de interesse público já tinha sido revelado pelo Público. E mesmo que houvesse interesse público, nada justificaria a divulgação de pormenores do email como o nome do destinatário ou o nome da fonte.

9. Qualquer teoria da reputação dirá que isto é normal. A reputação só tem valor se puder ser usada em momentos cruciais. O DN decidiu queimar parte da sua a uma semana das eleições.

Leitura complementar: Já posso voltar a comprar o Expresso; Mais escutas.

A utilidade do voto útil

Filed under: Política,Portugal — filipeabrantes @ 16:06

Pela primeira vez, vou votar em Lisboa. E pela primeira vez não votarei “útil”. Até aqui tinha votado sempre em Faro, e votei sempre num dos dois grandes partidos pois as hipóteses de eleger deputados pelo pequeno partido que apoiava eram nulas nesse distrito.

A questão do voto útil é prática e não moral*. A sociologia num dado distrito à data da eleição define a priori os resultados, não são as atitudes das pessoas politizadas (uma minoria) que fazem um pequeno partido eleger deputados.

* Se formos pela moral, o simples acto de votar é imoral. Votando, estamos a : a) dar argumentos ao poder para se auto-legitimar, b) determinar o destino dos outros cidadãos c) determinar o destino de quem se abstém (por boas e más razões).

Onde está a demagogia?

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 15:05

O CDS quer atribuir parte do rendimento mínimo em géneros. É uma boa ideia: o subsídio é dado aos mais carenciados e não faz sentido que o mesmo não seja gasto em bens de primeira necessidade. O argumento segundo o qual esta opção retira liberdade ao subsidiado é certeiro, mas recorde-se que o fundamento para o rendimento mínimo não é dar liberdade mas sim impedir que a pessoa que o recebe fique na miséria. Só assim, dizem, pode manter-se à procura de emprego em condições.

Claro que a mera ideia do rendimento mínimo devia ser rejeitada tout court pelo CDS (como era o caso há uns anos atrás), mas, a existir, tem de cingir-se aos seus verdadeiros objectivos e não dar azo a abusos e imoralidades numa sociedade pobre como é a portuguesa. Por isso, a proposta do CDS é sensata.

As poupanças de Louçã

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 15:01

“As pessoas ficaram a saber que as minhas poupanças de uma vida inteira são 30 mil euros”, disse hoje Francisco Louçã, naquela sua pose habitual de pregador indignado.

Vamos lá ver. Tem 52 anos, é deputado desde 1999 e professor universitário no ISEG. A questão que agora se impõe é: onde andou o Louçã a gastar o dinheiro estes anos para não ter mais do que 30 mil euros em poupanças? Imagino que não tenha sido gasto em putas, casinos, Mercedes ou em viagens à Índia. Em quê, então? No híbrido que possui? Em caridade? Não sei. Em financiamento do BE? Em parte, mas duvido que isso explique o caso. A hipótese mais plausível é ter mentido sobre o valor das suas poupanças.

Prison Break

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 14:44

Ver aqui alguns exemplos de evasões espectaculares de prisões francesas.

Mais escutas

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 14:09

Já que falamos de escutas, quem se recorda daquele documento do processo Casa Pia que continha os contactos de meio mundo político, para efeitos de escutas, originário da PGR e revelado pelo 24 Horas? E da exigência de Jorge Sampaio a Souto de Moura (que, logo em início de legislatura, este governo tentou arredar do cargo) de que se fizesse um inquérito urgente para apurar responsabilidades na saída daqueles contactos da PGR? Sou eu que sou muito distraída ou esse inquérito urgente ainda não teve conclusões? Somos ou não uma república sul-americana?

E não é mau relembrar também o escândalo com que foi recebida a possibilidade de Jorge Sampaio poder ser escutado – sem que houvesse algum indício de que tal tivesse acontecido – ou mesmo o conselheiro de estado Ferro Rodrigues, e comparar a falta do mesmo escândalo com a revelação das desconfianças de Cavaco Silva de estar a ser vigiado e escutado. Mas esta diferente reacção tem uma boa explicação: Jorge Sampaio e Ferro Rodrigues são socialistas e nenhuma república sul-americana que se preze trata com o mesmo critério um nobre socialista (que se preocupa com os pobres e oprimidos e etc.) e um membro da direita malévola (que quer apenas o bem próprio, explorar os demais e etc.).

Imposto sobre manifestações culturais

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 13:51

Na Holanda, o deputado Geert Wilders decidiu inovar na parvoíce. Tem a sua piada, mas é sintomático sobre uma forma de actuação do poder cada vez mais em voga: taxando actividades/comportamentos que desconsidera ou que acha prejudiciais para a ordem social.

Já posso voltar a comprar o Expresso

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 13:18

Porque teve um comportamento decente neste caso das notícias do Público sobre as desconfianças de escutas à Presidência da República, recusando envolver-se nesta guerrilha entre Belém e São Bento. E porque fez entender muito bem quem foi a fonte do DN para os e-mails transviados.

Só mais uma nota, que a hipocrisia irrita-me. Não estou fã da forma como aparentemente Cavaco Silva lidou com esta desconfiança – que, também aparentemente, preocupa mesmo o PR - de que está a ser vigiado ou escutado (algo, que, a verificar-se, é muito grave). Quando a história estiver toda contada, veremos. Contudo poupem-me às carpideiras que estão muito escandalizadas com uma fuga intencional da presidência da república. Como se não fosse, infelizmente, normal haver fugas da presidência (e do primeiro-ministro e dos ministros), geralmente para embaraçar os governos (ou o PR), e se os anteriores PRs não houvessem também abusado do expediente, sendo por isso considerados – pelas mesmas carpideiras – políticos hábeis. Como se estas fugas de fontes anónimas não fossem correntes, e incentivadas, no tempo da política mediática. Não nos disfarcemos de vestais impolutas, se faz favor.

Setembro 18, 2009

Sondagem Expresso/SIC/Renascença

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 20:16

Resultados aqui, com projecção do número de deputados na Assembleia da República:

PS: 34,9% (88 a 96 deputados)
PSD: 31,6% (80 a 87 deputados)
BE: 9,6% (18 a 20 deputados)
CDU: 8,4%(15 deputados)
CDS: 8,4% (15 a 17 deputados)
Outros/Brancos/Nulos: 7,1%: (0 a 1 deputado – MEP?)

O marxismo na Europa

Filed under: Economia,Educação,Media,Política,Portugal,Teoria,União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:00

Marxism’s Last (and First) Stronghold. Por Samuel Gregg.

Marxism, we’re often told, is dead. While Communism as a system of authoritarian power still exists in countries like China, Marxism’s contemporary hold over people’s minds, many claim, is nothing compared to its glory days between the Bolshevik seizure of power in Russia in October 1917 and the Berlin Wall’s fall twenty years ago.

In many respects, such observations are true. But in other senses, they are not. We need only look at Western Europe—the place where Marxist thought first emerged and took root. One trivial, albeit disturbing sign is many young West Europeans’ willingness to wear t-shirts emblazoned with the Communist hammer and sickle or Che Guevara images. If you want confirmation of this, just take a stroll through downtown Amsterdam, Stockholm, or Rome.

No doubt, in many cases the t-shirt images are simply reflections of youthful rebelliousness. But it’s difficult to refrain from asking wearers of such clothing whether they also possess a t-shirt inscribed with the Nazi swastika. They would surely be deeply offended at such a suggestion. But their willingness to parade the hammer and sickle reflects either historical ignorance or a failure to accept that it is as much a symbol of terroristic criminal regimes as the swastika: just ask any survivors of Stalin’s Gulag, Vietnam’s “re-education” camps, or the Khmer Rouge’s killing fields.

Then there is the persistent grip of Marxist-inspired mythology on Western Europe’s historical imagination. A good example is Karl Marx’s presentation of nineteenth-century capitalism as a period in which a small group became wealthy and millions were impoverished. This remains an article of faith for the European left and some on the European right.

A free market in money

Filed under: Economia,Internacional,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 16:56

Don’t regulate banking – liberalise it. Por Anthony Evans.

The notion that the present financial system is “laissez-faire” is, of course, ludicrous. At present, we have a nationalised organisation that holds a state-granted monopoly on the issuance of currency. If this were any industry other than finance, the Bank of England would be seen as the Soviet-style planning board that it is.

Defending laissez-faire is therefore not a defence of the status quo; it is a positive prescription for a totally new regime.

Hoje às 18 horas, Pedro Picoito e Manuel Pinheiro

Filed under: Comentário,Internacional,Política,Portugal,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 15:35

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Esta semana estou com a Antonieta Lopes da Costa em debate com Manuel Pinheiro e Pedro Picoito. Em cima da mesa estão os seguintes temas da actualidade:

- Um ano depois – Com a falência do Lehman Brothers há um ano atrás, o Keynesianismo económico voltou e os governos estão mais interventivos. A crise foi só um susto, ou veio para ficar?

- Saúde americana – Barack Obama quer reformar o sistema de saúde norte-americano. Entre críticas à estatização do sistema, a Casa Branca aposta tudo numa reforma de fundo. Será desta?

- Barroso reeleito – Com a abstenção da grande maioria dos socialistas europeus, Durão Barroso foi reeleito presidente da Comissão Europeia. Acusado de liberal e pouco ambicioso pelos seus críticos, o que se espera do segundo mandato de Barroso?

- Política cultural - Neste mês de Setembro os restos mortais de Jorge de Sena foram trasladados para Portugal, enquanto até 11 de Outubro, a exposição ‘Encompassing the Globe’ estará no Museu de Arte Antiga, naquelas que são as principais manifestações culturais deste fim de Verão.

O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Sobre a natureza do capitalismo e do liberalismo

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:14

Texto interessante, este onde o João Galamba assume que, no marxismo, e cito, “(…) a relação de produção entre trabalho e capital, no capitalismo, favorece o capital à custa do empobrecimento do trabalho (…)”. Para reforçar, depois, que o “(…) [c]apital, na sua relação com o trabalho (…) permite (…) o desenvolvimento da consciência de classe, isto é, sem expropriação o proletariado não se reconheceria enquanto tal, nem poderia desempenhar o papel revolucionário que o Marxismo entende ser a sua vocação histórica (…) desenvolver as condições que permitem a superação do capitalismo (…)”.

Não é minha intenção debater estas ideias na grelha analítica marxista, de base dialéctica, assente na luta de classes e num historicismo que anseia pelo momento da “superação do capitalismo

No liberalismo, as relações entre capital e trabalho assentam numa base de cooperação, e não na “luta de classes”; aliás, podem estabelecer-se relações bem longe desta lógica dualista e fechada - basta pensar como nas empresas mais evoluídas há um alinhamento entre os factores “capital” e “trabalho”, com a atribuição, v.g. de acções. No quadro liberal, mais do que eliminar o capital, numa tomada de poder pelo proletariado, o que se procura é a qualificação individual que possibilite a mobilidade social e a autonomia do cidadão, assente na liberdade individual.  No marxismo, anseia-se por um “fim da história” bem concreto, em que se promove uma sociedade sem classes, forçosamente igualitária. Em qualquer caso, agrada-me mais a ideia liberal que, mais do que uma “superação”, anseia por uma ”qualificação” do capitalismo, só possível com a “qualificação individual”, pela melhoria das relações de cooperação.

Num mundo cada vez mais aberto e interdependente, em construção e destruição conceptual constante, faz-me confusão que haja quem ainda seja capaz de analisar a realidade a partir das grelhas fechadas e das categorias normativas da filosofia marxista, e decrete a “falência do neoliberalismo”, que continua a ser a tradição de pensamento que melhor ajuda a perceber o mundo em que vivemos.

Telhados de vidro (2)

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 14:42

sol

Espero que o PS também considere estes emails como prova suficiente da corrupção no Freeport.

Políticas energéticas simplex

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:00

Energias renováveis simplexicadas

23 de Setembro em Lisboa: lançamento do livro “As Farpas da Quarta”

Filed under: Agenda,Blogosfera,Livros,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 13:00

As Farpas da Quarta
Uma colectânea de textos do blogue Quarta República, em boa hora publicada pela Deplano.

As legislativas e o futuro do PSD

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 11:37

pedra sobre pedra. Por Rui A.

Não imagino se o PSD vai ou não ganhar as legislativas. As sondagens, como temos visto pelos últimos actos eleitorais, não garantem nada nem coisa nenhuma. Nesta altura do campeonato, em que a campanha está a atingir, de ambos os lados, níveis lamacentos sofisticados, o resultado não pode ser assegurado por ninguém.

De todo em todo, é bom termos ciente que se o PS as ganhar, o PSD não poderá deixar de pagar por isso.

(…)

Manuela Ferreira Leite está a fazer um esforço notável para remover o PS do governo e para dar alguma dignidade ao PSD. Já lhe deu, pelo menos, uma inesperada vitória eleitoral, e a esperança de repetir o feito, numa eleição que todos julgavam antecipadamente perdida, até há bem pouco tempo. Se Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições era bom que constituísse governo sem pensar neste PSD: terá legitimidade e autoridade para isso. Mas, se as perder, será o partido quem a derrotou. Nessas circunstâncias, espera-se que não fique pedra sobre pedra.

Finalmente!

Filed under: Política,Portugal,Videos — Miguel Noronha @ 09:38

O “fabuloso” tempo de antena do Partido Trabalhista Português.

[via Jugular]

Os “abrantes” contra-atacam

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:22

empire-strikes-back

Assessor de Cavaco Silva encomendou caso de escutas

Telhados de vidro

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:49

Sol, 07/0/2009

O presidente da Federação Socialista da Guarda, Fernando Cabral, confirmou hoje, à agência Lusa, ter recorrido ao secretário-geral do partido, no sentido de obter indicações sobre o que fazer numa situação relacionada com dezenas de novas inscrições suspeitas.

“Escrevi uma carta ao secretário-geral [do PS, José Sócrates] a relatar o que se passa e estou à espera de resposta”, referiu o dirigente socialista.

O semanário SOL noticiou na edição de sábado que entre os 400 novos militantes do Distrito da Guarda inscritos no PS desde Janeiro, contam-se “trinta dadores de sangue” e apareceram 18 “a morar na mesma casa”.

Acrescenta que outros 40 deram como “residência” o mesmo apartado postal, referindo que os apartados mais vezes repetidos estão registados como pertencentes à Associação de Dadores de Sangue da Guarda e ao PS de Celorico da Beira.(…)

Segundo o SOL, na carta enviada ao secretário-geral do PS, Fernando Cabral – que hoje escusou adiantar pormenores sobre o seu teor – questiona a responsabilidade “de um funcionário da sede nacional do PS, no Largo do Rato, que recebeu as fichas de inscrição e é militante em Seia, Distrito da Guarda”.

O militante em causa, André Figueiredo, que desempenha as funções de assessor de Sócrates e do Grupo Parlamentar do PS, contactado hoje pela Lusa escusou-se a comentar o assunto, afirmando que são “questões internas” do partido.

(via ABC do PPM)

Armas de borla

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 00:13

Não há disto por cá? Seria cá um mecenato. Valia por dezenas de think tanks liberais.

Setembro 17, 2009

As tentações de Ferreira Leite

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 18:02

Fui um dos muitos milhões de portugueses que, há dias, assistiram à participação de Manuela Ferreira Leite no programa daqueles quatro rapazes que não se cansam de mostrar a sua total falta de criatividade e humor. E devo dizer que fiquei um pouco incomodado com o que vi. Não pela prestação de Ferreira Leite, que “se saiu bem” do “confronto” com Ricardo Araújo Pereira (súbita e estranhamente elevado ao estatuto de temível entrevistador), mas pelo simples facto de Ferreira Leite ter ido àquele programa.

O programa é pura e simplesmente revoltante. Para além de ser uma cópia do Daily Show de Jon Stewart, é uma má cópia. Para além do mais, a própria natureza do programa recomendaria a recusa de Ferreira Leite em participar. Ele consiste exclusivamente de peças que procuram ridicularizar os políticos, descontextualizando frases suas de forma a mostrar como eles são rídiculos e motivo de chacota. Não conseguindo fazer rir, o programa apenas é bem sucedido a confirmar na cabeça das pessoas a ideia já bastante negativa que a generalidade deles tem dos políticos. Aqueles três quartos de hora, para além de incrivelmente entediantes, são um extraordinário contributo para a degradação de debate político em Portugal.

Só isto seria o suficiente para Manuela Ferreira Leite não aceitar dar a sua caução ao dito programa. Dirá o leitor que a líder do PSD tinha de ir ao programa, porque todos os outros líderes partidários iriam participar, e a sua ausência seria motivo de acusações e críticas. O que me conduz à outra razão, talvez até mais importante, pela qual Ferreira Leite fez mal em aceitar participar: alguém que, como a própria Ferreira Leite disse no próprio programa, quer “fazer política de forma diferente”, não deveria ter ido aos Gato Sem Piada só porque os outros também o fizeram. A juntar à escolha de Santana Lopes para as autárquicas, ou à inclusão de António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas do círculo de Lisboa, ou às declarações na Madeira elogiando o comportamento “democrático” de Alberto João Jardim, esta é apenas mais uma de uma já considerável lista de pequenas cedências de Ferreira Leite às “necessidades” do “jogo eleitoral”, ou seja, à “política feita como é costume”.

No estado em que o país está, com as reformas que precisarão de ser implementadas, Manuela Ferreira Leite, qual Cristo no deserto (ou eu junto de adolescentes bem parecidas) será muitas vezes “tentada” a não fazer o que o país precisa. O próximo Governo só poderá ser um bom Governo se resistir a todas essas tentações. Já sabia que Sócrates não seria capaz de o fazer. Começo a temer que Ferreira Leite também não o seja. E quem o diz é alguém que, enquanto alguns dos “apoiantes oficiais” de Ferreira Leite andavam loucamente apaixonados por Pedro Passos Coelho, sempre defendeu a importância de Ferreira Leite ser a líder do PSD e a próxima chefe de Governo. Espero ter acertado à primeira, e os meus receios actuais se comprovem tão infundados como há uns meses eu os acharia.

End the FED

Filed under: Economia,Livros — Nuno Branco @ 15:22

Ron Paul já tem o seu livro à venda, End the FED, e está a receber alguns comentários mais críticos da imprensa financeira:

Many of Paul’s assertions ring true. Inflation amounts to taxation, he says. Correct. Central bankers are central economic planners, he asserts. Absolutely. Wall Street likes “privatized profits and socialized losses.” No surprise there. He’s right, yet draws the wrong conclusions.

[...]

Hold on, though. Wasn’t America’s Fed-less 19th-century history punctuated with recurring booms, busts and banking panics? Paul dismisses such talk.

“Most of the tales of 19th-century banking are mythical,” he says, blaming the upheavals on government meddling.

Paul’s position is that commercial banks should again be subjected to the full blast of the free market, like any other business. Central banks, in this view, make markets inefficient.

(mais…)

Mais estado, mais impostos

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 12:19

José Sócrates defende um novo imposto para pagar o intervencionismo estatal

“Portugal vai defender que a União Europeia proponha na reunião do G20 a criação, a nível internacional, de uma taxa generalizada sobre operações financeiras realizadas entre operadores financeiros”, revelou ao Diário Económico, o primeiro-ministro. José Sócrates justificou a medida com o objectivo de que “o sector financeiro suporte parte dos custos que os países tiveram que incorrer com a crise financeira”.

ADENDA: Em Maio, quando questionado acerca de um eventual aumento de impostos respondia José Sócrates

«Não. Era só o que faltava! Numa altura em que país enfrenta uma crise destas, acha que proporia aumentar os impostos? Se pudesse, até desceria mais os impostos, para que as empresas pudessem ter melhores condições. Baixámos o que pudemos».

O primeiro-ministro diz mesmo que «o défice será reduzido com estabilizadores automáticos», pelo que «não é preciso pedir sacrifícios especiais a ninguém. Se a nossa economia começar a recuperar, aumentam as receitas fiscais».

Entrevista de Maria Flor Pedroso a Sócrates (2)

Filed under: Portugal,Religião,Videos — Miguel Noronha @ 09:54

Excertos da entrevista que Sócrates não quis que fosse filmada.

Setembro 16, 2009

A evolução do gelo do Árctico

Filed under: Ambiente,Internacional,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:00

Gelo do Árctico atinge mínimos de 2009

Chegou o momento do ano que todos os ambientalistas da treta anseiam. Aquele em que os níveis de extensão do gelo do Árctico atingem o seu mínimo. Mas o que é que está a acontecer este ano, em ano de reunião de todos esses tretas em Copenhaga? O desastre!

A extensão de gelo mínima deste ano é 500.000Km2 superior à do ano anterior! E quase 1.000.000Km2 superior à que se observara em 2007. O escândalo é tão grande, porque Ban Ki-Moon esteve lá há uns dias, e foi aldrabado pelos cientistas, que não lhe contaram onde o gelo estava há um ano!

A perfect day Elise

Filed under: Insurgentologia,Videos — Helder Ferreira @ 22:06

Porque há bots e bots e os Órgãos de Estaline é que eram mesmo mauzinhos.

Sócrates e “Ricardo Reis”

Filed under: Comentário,Diversos,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 21:48

O meu amigo Paulo chamou-me a atenção para este post de Ana Cristina Leonardo, que nota como o poema de Ricardo Reis citado por Sócrates na sua entrevista a Raquel Alexandra era, afinal, de Álvaro de Campos. Se fosse Santana Lopes, ou Ferreira Leite, ou Cavaco Silva, a dizer uma coisa destas, o gozo ainda não tinha parado.

Momentos agitados no Seixal… (2)

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:53

Com base nas imagens que vi, não creio que isto constitua um problema para o PS e acho as notícias iniciais um pouco empoladas.

Voos low-cost Lisboa-Madrid

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:05

Mais uma notícia claramente bota-abaixista. Não me espantava que algum “abrantes” ainda viesse a descobrir que o lançamento da rota foi decidido no âmbito da vasta conspiração anti-TGV e anti-Progresso que pretende por todos os meios fazer com que Portugal volte à Idade Média e/ou ao fásssismo da outra senhora: Air Europa lança rota Lisboa-Madrid

Sexo na mansão Playboy: “pouco e mau”

Filed under: Cultura,Internacional,Teoria — André Azevedo Alves @ 18:54

Confesso que gostava de ler uma análise de Pedro Arroja sobre isto: O livro que arrasa o mito da mansão Playboy

Sexo. Pouco e mau. A saber: “Foram os dois anos em que tive menos sexo na minha vida”, “as poucas vezes que aconteceu foi em frente a uma audiência e não durou mais de um minuto”, “durante a minha estadia na Mansão, partilhei menos de 15 minutos a sós com Hef”, “arranjávamos sempre desculpas, o período durava meses”. Para rematar, nada de muito surpreendente: “Hef era mau amante. Deitava-se como um peixe morto. Além disso, tinha dificuldades técnicas…”

Entrevista de Maria Flor Pedroso a Sócrates

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:49

Uma entrevista que correu muito mal a José Sócrates. Compreende-se perfeitamente a decisão da campanha socialista de, contrariamente ao habitual e num exercício de pura contenção de danos, não permitir que as imagens da entrevista ficassem disponíveis online: Entrevista ao homem que, se fuzilado, nunca gritaria ‘Viva estaline!’ (Don’t get him wrong!). Por Carlos Botelho.

Momentos agitados no Seixal…

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:33

Sem ver as imagens do que se passou, é difícil formar uma opinião sobre a proporcionalidade da reacção ao “factor de risco” identificado pelo corpo de segurança pessoal do primeiro-ministro mas, a fazer fé no que é descrito, o PS pode estar perante mais um problema mediático numa campanha que parece cada vez mais desorientada.

Foi “tudo abaixo” na passagem do PS no Seixal

Foram dez minutos de enorme confusão, com insultos, empurrões e pontapés. A equipa do programa “Vai Tudo Abaixo”, dos vídeos Sapo (ex-Sic Radical) – quatro homens e um megafone -, arrasou esta tarde com a passagem de José Sócrates no Seixal. Não houve arruada e quase ninguém ouviu o discurso mais curto da história desta campanha. E acabou com os humoristas Nuno (Jel) e Vasco Duarte (a dupla Neto e Falâncio) a caminho da esquadra.

(…)

Rapidamente foram reconhecidos pelos jornalistas, mas não pelo ‘staff’ e seguranças socialistas, que os sinalizaram como factor de risco. A JS recebeu instruções para cercar os dois actores com bandeiras e gritos de de ordem, o corpo de segurança pessoal do primeiro-ministro posicionou-se para os neutralizar e só largos minutos depois chegou o núcleo duro com Sócrates no centro.

(…)

A confusão era enorme. Sócrates era levado para o palco e os actores corriam no meio da massa socialista, saltando canteiros, tentando chegar à frente do palco. Mas foram empurrados, insultados e até levaram alguns pontapés.

Jel “apanha” Sócrates no Seixal

A inesperada presença dos dois actores humorísticos, que se tornaram conhecidos na “SIC Radical”, foi mal acolhida por alguns apoiantes, e entre os “slogans” gritados pelo megafone, cânticos socialistas para os abafar e alguns empurrões, Sócrates dizia para quem o conseguia ouvir que a campanha do PS é feita “com tolerância” e “sem fazer provocações” em lado nenhum.

Leitura complementar: Sinais de desespero de Sócrates ?; Sinais de desespero de Sócrates ? (2); Zapatero ajuda o PSD.

Avançar Portugal

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 17:04

A OCDE estima que no final de 2010 o desemprego em Portugal atinja 650 mil pessoas, o que significa que existirão mais 210 mil desempregados do que os contabilizados no final de 2007, segundo um relatório hoje divulgado. (…) Portugal chegará, assim, ao final de 2010, com uma taxa de desemprego na ordem dos 11,7 por cento.(…) Em Dezembro de 2007, segundo a OCDE, Portugal tinha 440 mil desempregados e uma taxa de desemprego de 7,9 por cento.

A primeira campanha da direita

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 15:52

Uma das novidades desta campanha eleitoral foi o se ter iniciado, embora de forma ligeira, a discussão sobre os descontos para um fundo privado de reforma, a par com uma eventual redução das contribuições para a segurança social pública. A discussão sobre a livre escolha da escola para os filhos, bem como do debate, também muito ligeiro, do recurso aos hospitais privados.

Está também a ser muito positiva a discussão sobre os investimentos públicos. Pela primeira vez, um grande número de portugueses questiona se as grandes obras públicas serão a melhor forma para vivermos melhor. Após tantos anos a cair no mesmo erro, podemos dizer que antes tarde que nunca. Ter um partido como o PSD a questionar o investimento público megalómano, em pleno período de crise, não para se menosprezar. Há 5 anos duvido que um partido político em Portugal tivesse este discurso.

A alternativa política constrói-se. E como tudo o que se constrói, leva tempo. A única maneira de deixarmos de falar das nacionalizações e das vantagens de termos o estado a gerir empresas é passando à ofensiva. Esta campanha tem uma agenda imposta pelo PSD. É um pequeno passo, mas foi o primeiro.

Este avanço é demasiado importante para ser ignorado. A partir de agora, e a forma como a política económica do Bloco de Esquerda tem sido questionada é disso um sinal, a agenda política pode vir a ser marcada pela direita, para tal dependendo o engenho dos seus líderes políticos. Esta bem pode ser a primeira vez que a direita saiu à rua.

A extrema-esquerda e o 11 de Setembro

Filed under: Internacional,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 14:58

“11 de Setembro” de Paulo Tunhas

Não digo que a gente da extrema-esquerda tenha sido a única a rejubilar, com mais ou menos excitação, com o 11 de Setembro, ou que tenha sido unânime nisso. Boa parte da extrema-direita também, com boa lógica, o fez. E a coisa não ficou, de resto, por aí: a imoderação atingiu gente supostamente moderada.

Acontece, no entanto, que é a extrema-esquerda que se encontra em posição, se certas muito indesejáveis circunstâncias se verificarem, de ocupar uma fatiazinha do poder em Portugal. A ideia de, se ganhar, e ganhar com uma pequena margem, o PS precisar do Bloco para governar, e a isso ceder, causa arrepios.

Um cenário possível

Filed under: Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 14:53

Um partido tem mais votos, mas o outro mais deputados.

Artigo 187.º da CRP

1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.

2. Os restantes membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta do Primeiro-Ministro.

O que se entende por resultados eleitorais pode marcar a período pós-eleições.

Uma união de facto PS/BE ?

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:21

Sócrates admite alianças à esquerda: Cenário de um entendimento parlamentar com o Bloco de Esquerda em cima da mesa

qualquer palavra a mais pode prejudicar um voto no próprio partido e ninguém é suicida. Mas, esta semana, em entrevista à Antena 1, José Sócrates pela primeira disse essa palavra a mais. “Eu aprendi desde cedo que a democracia é o reino do compromisso, impõe compromissos”. O PS procurará “um compromisso” em nome de uma “solução estável para assegurar a governabilidade”. Foi isso que Maria Flor Pedroso lhe arrancou a ferros: inicialmente, o secretário-geral do PS não estava disponível para abandonar a cassete do “não antecipar cenários”, que acabam por ser “um desrespeito pelos portugueses”.

O mesmo se passa com o Bloco de Esquerda. Não pode haver uma palavra a mais e o BE tudo fará para ser dissociado daquele que entre o eleitorado mais à esquerda aparece quase “monstrificado”: José Sócrates, ele mesmo. Francisco Louçã tem repetido que o Bloco de Esquerda é “um partido responsável” e a estratégia está definida: se o PS vencer as eleições sem maioria absoluta, não será o Bloco de Esquerda a rejeitar o programa do governo. Os programas de governo, segundo a Constituição, não precisam de ser aprovados, mas podem ser rejeitados. Ora, o Bloco de Esquerda não tenciona matar um governo PS à nascença e nunca aprovará qualquer moção de rejeição do programa do governo que possa ser apresentado por outros partidos.

Este é o primeiro passo. O resto acontecerá em sequência: os dirigentes do Bloco de Esquerda sabem perfeitamente que não irão conseguir reorientar os fundamentos da política económica do país, mas estão preparados para viabilizar o governo minoritário do PS, aprovando os orçamentos se, em troca, conseguirem ver renegociadas a dimensão e a escala das políticas públicas.

Sinais…

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:51

Depois da péssima gestão do tema do TGV e da tentativa de interferência espanhola nas eleições portuguesas, o PS parece ter mais uma razão para estar preocupado: Ferreira Leite dá audiências recorde a Gato Fedorento

Mais de dois milhões de espectadores, um share de 46,5 por cento, digno de final de telenovela na TVI, foi o resultado em audiências da entrevista de Manuela Ferreira Leite a Ricardo Araújo Pereira em “Gato Fedorento esmiúça os sufrágios”, na SIC. O momento de humor, inspirado no sucesso norte-americano “Daily Show”, de John Stewart, bateu mesmo o jogo de futebol que opôs o Futebol Clube do Porto ao Chelsea (44,9 por cento de share e 1,7 milhões de espectadores), transmitido na RTP.

Leitura complementar: Sinais de desespero de Sócrates ?; Sinais de desespero de Sócrates ? (2); Zapatero ajuda o PSD.

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