O Insurgente

Setembro 23, 2009

Portugal, Hoje – O Medo de Existir

Filed under: Diversos — Helder Ferreira @ 22:55

portugal-hoje-o_medo_de_existir

A não-inscrição é um conceito criado por José Gil: não-inscrição é o acontecimento que não acontece, que não fica inscrito na vida das pessoas e/ou da Sociedade. Ou seja, tudo o que acontece é espuma, não marca, não muda nada. Salta-se de não-acontecimento em não-acontecimento a um ritmo estonteante e nada fica. Nada acontece e vive-se como habitualmente. É em Salazar que o autor encontra a origem do conceito.

Lembrei-me* disto a propósito destas eleições e embora, na política, José Gil dê o Governo de Santana Lopes como exemplo da não-inscrição, diria que ele próprio concordaria que, após o PREC, nunca vivemos o conceito de forma tão intensa como agora.

Quando Sócrates venceu as eleições, houve muita gente que apostou noutra coisa, em algo que acontecesse de diferente. Apostaram em reformas na Justiça, na Educação, no aliviar da promiscuidade Política-Empresas, etc. Como se o leopardo mudasse de pintas e O Eleito não tivesse uma história. Como nada ficara inscrito, o leopardo nem pintas tinha e O Eleito era um reformador.
Houve um momento que simboliza a não-inscrição desta legislatura levada ao limite do absurdo: quando o Primeiro Ministro fingiu accionar o detonador na demolição das torres em Tróia. A relação entre os dois actos não existiu sequer. Daí para cá foi uma sucessão de não-acontecimentos, alguns com consequências desastrosas como demonstra a nossa situação actual (sempre a piorar para contribuintes, profissões, empresas,etc desde 2005) mas…não aconteceram, não marcaram, não mudaram nada.

Só no contexto de não-inscrição imaginado pelo José Gil se pode perceber como é possível que os governantes actuais tenham a possibilidade de ser reeleitos. Num país em que os acontecimentos acontecessem, as consequências visíveis dos actos levar-nos-iam a encher O Eleito e respectivo séquito de alcatrão e penas. Mas ficaremos a viver como habitualmente: mal a tender para pior.

*Na realidade ocorreu-me a propósito da questão da vigilância ou não da Presidência da República por parte do Governo/PS. O que foi ficando (não ficará) foram as questões laterais, o DN, o Público,os “recados”, o Fernando Lima, etc. O que é verdadeiramente crítico – se há/houve ou não vigilância – e que podia rebentar (marcar, ficar inscrito) com o Regime e respectivas Instituições, foi-se, desapareceu.

É proibido não ter dívidas de gratidão

Filed under: Legislativas 2009,Portugal — Maria João Marques @ 22:41

Era previsível. Escrevi no Jamais – a propósito da vergonha da campanha socialista que não pára de associar Salazar ao PSD (enquanto se queixa da meledicência alheia, pois claro) – um post onde dizia não ter “qualquer sentimento de gratidão pelos políticos e militares que terminaram ou pressionaram a ditadura; sinceramente, não fizeram mais do que a sua obrigação” e que ”Mário Soares é, para mim, uma figura patética, desagradável e apreciador de tiranetes sul-americanos”. Isto, como já se sabe, em Portugal não é permitido. Como é óbvio também não me empenho em desenvolver qualquer agradecimento a Cavaco Silva por ter privatizado a comunicação social, ter posto fim ao disparate da reforma agrária pós-abrilista ou ter privatizado empresas que haviam sido nacionalizadas depois do 25 de Abril e que escaqueiraram para décadas a nossa economia. Também não perco tempo a sentir-me agradecida por Dom Afonso Henriques, por Dom João II ou pelo português que encomendou a capela de São João Baptista para a Igreja de São Roque (bem, neste caso talvez esteja um bocadinho agradecida). Tenho esta mania muito parábola dos talentos de que as pessoas têm a obrigação de contribuir para o bem comum (segundo as convicções de cada um) e, no caso concreto, quem considerou que se devia opor ao Estado Novo e agiu de acordo, não fez mais do que a sua obrigação.

Mas, claro, isto não é permitido no que toca aos primeiros mencionados, e eu fui logo repreendida por pessoas devidamente escandalizadas. Devia glorificar e sentir-me muito grata por aqueles que lutaram contra a ditadura corporativista e, de seguida, permitiram e apoiaram o PREC, as nacionalizações, as prisões e exílio dos ‘reaccionários’, descolonizaram de forma criminosa, perdoaram terroristas domésticos e um largo etc. Não posso apenas simpatizar com o sofrimento causado aos que foram perseguidos pelo Estado Novo (tal como simpatizo com o sofrimento de todos os que lutam pelas suas convicções, desde que pacíficas, mesmo quando as convicções não coincidem com as minhas); não: é necessário estar muuuuuuito grata.

Ora vão plantar umas batatas, se faz favor.

Na realidade este condicionamento imbecil é filho da sobranceria moral da esquerda, que no fundo se considera proprietária da nossa democracia e apenas permite à direita (mesmo quando é muito pouco de direita) marcar presença desde que não ambicione o poder. Sucede que enquanto eu tiver que pagar (muitos) impostos, bem podem pensar-se  donos da democracia que me pode impor gratidões e condicionar-me com o Estado Novo e o 25 de Abril, que não têm qualquer sorte. Como disse, dediquem-se às batatas, sff. Eu, neste caso, vou continuar ingrata.

Sarah Palin vs. The Fed

Filed under: Economia,Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 21:00

Palin, Sounding Like Ron Paul, Takes on the Fed

Former Alaska Gov. Sarah Palin fired a shot at the Federal Reserve in her coming-out speech in Hong Kong today, blaming the central bank for the current crisis and disagreeing with the idea that the Fed should have a greater role in preventing the next crisis. It was an echo of fellow Republican and Texas congressman Ron Paul, who has led the charge in Congress to perform an audit of the Federal Reserve with an eye to eventually eliminating it.

“How can we discuss reform without addressing the government policies at the root of the problems? The root of the collapse? And how can we think that setting up the Fed as the monitor of systemic risk in the financial sector will result in meaningful reform?” she said. “The words ‘fox’ and ‘henhouse’ come to mind. The Fed’s decisions helped create the bubble. Look at the root cause of most asset bubbles, and you’ll see the Fed somewhere in the background.”

More generally, Mrs. Palin took the tack that the financial crisis occurred because government got in the way of free enterprise.

Sarah Palin as a “libertarian or a small-c conservative”

Filed under: Economia,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 20:00

Há muito caminho a percorrer até que Sarah Palin possa ser uma candidata presidencial viável mas aparentemente estão a ser dados os primeiros passos: Palin Speaks to Investors in Hong Kong

Sarah Palin, in what was billed as her first speech overseas, spoke on Wednesday to Asian bankers, investors and fund managers.

A number of people who heard the speech in a packed hotel ballroom, which was closed to the media, said Mrs. Palin spoke from notes for 90 minutes and that she was articulate, well-prepared and even compelling.

“The speech was wide-ranging, very balanced, and she beat all expectations,” said Doug A. Coulter, head of private equity in the Asia-Pacific region for LGT Capital Partners.

“She didn’t sound at all like a far-right-wing conservative. She seemed to be positioning herself as a libertarian or a small-c conservative,” he said, adding that she mentioned both Ronald Reagan and Margaret Thatcher. “She brought up both those names.”

(…)

Mr. Goodé, a New Yorker who said he would never vote for Mrs. Palin, said she acquitted herself well.

“They really prepared her well,” he said. “She was articulate and she held her own. I give her credit. They’ve tried to categorize her as not being bright. She’s bright.”

Grandioso Passatempo Insurgente – Legislativas 2009

Filed under: Legislativas 2009,Sondagens — Carlos Guimarães Pinto @ 18:40

Inicia-se hoje o Grandioso Passatempo Insurgente – Legislativas 2009.
Os leitores são convidados a adivinhar o resultado dos cinco partidos mais votados nas eleições legislativas de 27 de Setembro. Aquele que se aproximar mais do resultado final será o vencedor. Em caso de empate, o critério para decidir o vencedor será aquele que mais se aproximar no resultado final do MEP. Para dar o exemplo fica aqui a minha aposta pessoal:

PPD-PSD – 33%
PS – 30%
BE – 15%
PP – 9%
CDU – 9%
MEP – 1.47%

Conhecimentos valiosos

Filed under: Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 17:36

A FP-Passport acaba de descobrir o passado revolucionário de Durão Barroso

Barroso has clearly come a long way since those days, though I would imagine that the mastery of bullshit jargon and obfuscation that he apparently acquired as a young Maoist must serve him well in Brussels.

Auguro-lhe o mesmo sucesso que a “Agenda de Lisboa”

Filed under: Ambiente,Economia,Nanny State Watch,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 16:03

Para o seu segundo mandato Durão Barroso propõe-se conseguir a quadratura do círculo:

As the global community prepares to meet in Copenhagen in December to hammer out a new international climate treaty, the next Commission will have to translate tougher climate commitments into policies while resuscitating Europe’s ailing economy.

A general consensus has emerged that the answer is to deliver a ‘Green New Deal’ to help Europe meet the climate challenge, create new employment and boost low-carbon industries.

Nota: Para quem não se recorda em que consistia Agenda de Lisboa leiam aqui.

Não há crise internacional que explique isto

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:00

Pódio do nosso empobrecimento. Por Manuel Pinheiro.

Segundo o Forum Económico Mundial, os três factores portugueses que recebem as indesejadas medalhas são as restrições da regulamentação laboral, a ineficiência da burocracia administrativa e as regulamentações fiscais. Tudo factores internos nossos. Juntos correspondem a mais de metade do bolo dos problemas, bem longe de outros com presença mais mediática e partidária como a infindável questão das infraestruturas (transporte e outras).

Mobilidade reduzida no “dia da mobilidade”

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:53

Dizer que a iniciativa teve “demasiado sucesso” é um eufemismo para descrever uma situação em que os utilizadores regulares pagantes do Metro do Porto (muitos deles com títulos de assinatura) foram sujeitos a incómodos e atrasos significativos num dia de trabalho devido a uma iniciativa mal planeada e cujos efeitos foram mal estimados.

Depois dos problemas que já tinham ocorrido no dia 16, é incompreensível que os responsáveis da Metro do Porto tenham insistido no erro.

Com vitória do PSD não há brinquedos para as crianças

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 11:39

Independentemente do que acontecerá ao extremamente lucrativo (para alguns) projecto “Magalhães”, a mensagem que o PS pretende passar é clara. Com Sócrates na capa de várias publicações da imprensa cor-de-rosa e a exploração do caso Fernando Lima, não há dúvida que a campanha socialista está a funcionar a todo o vapor. Faltam poucos dias para verificar os resultados…

Obama e o Afeganistão

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 09:26

“A Mala ou o Caixão” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Se Obama quiser compreender as atribulações afegãs terá de começar por se livrar da obsessão que toma o Vietname como a medida de todos os conflitos: não só a sua situação é mais parecida com o dilema de de Gaulle na década de 50 na Argélia, como a estratégia dos talibãs se assemelha à dos terroristas da FLN. De Gaulle tinha uma visão geopolítica da França como uma “potência muçulmana” e necessitava de se livrar do conflito argelino. A FLN seguiu à risca a doutrina do comunista brasileiro Carlos Marighela: massacrou os que colaboravam com as autoridades, com o objectivo de instalar o terror e forçar uma resposta militar francesa susceptível de alienar o apoio geral da população. Nos primeiros anos de conflito a FLN matou seis muçulmanos por cada francês, enquanto na Europa, hipócritas terminais como Sartre, Beauvoir e Fanon desculpabilizavam o terror com o colonialismo, de uma forma tão nauseante que Camus, um ‘pied-noir’ por nascimento, se interrogou sobre “a obscura secção de opinião que julga que os árabes adquiriram o direito de cortar gargantas”. De Gaulle conseguiu a ansiada retirada; depois da independência cerca de 150000 harkis -auxiliares muçulmanos dos franceses – foram massacrados pela FLN, juntamente com as suas famílias.

Camus encontraria os descendentes intelectuais de Sartre convencidos que os talibãs adquiriram o direito a impregnar de sangue o chão milenarista donde nascerá o sultanato perfeito e reconheceria em Obama o filo-islamismo gaullista. Quanto aos afegãos que confiaram na NATO para os livrar de uma seita terrorista, a menos que Obama descubra inesperadamente o senso comum que se aproxima da perspicácia, aguarda-os a mesma escolha que aos infelizes argelinos na década de 50: a mala de fuga ou o caixão.

Obama’s tire tariffs

Filed under: Economia,Internacional,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 00:55

Deflating Tire Tariffs

“Trade Wars” are Trade Suicide…. Recently President Obama hiked taxes on Chinese imported tires an extra 35%. This harms low income Americans who would ordinarily buy the less expensive tires for their vehicles.

Setembro 22, 2009

The National – Fake Empire

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:43

Um vídeo que bem podia ser sobre a realidade nacional (seguindo a recomendação do Afonso Arnaldo no Facebook).

União de facto entre PS e BE ?

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:31

Em sintonia de discurso com as declarações de Sócrates a esse respeito, o líder do Bloco de Esquerda continua a negar o entendimento com o PS, mas a verdade é que a actuação de Louçã dá cada vez mais sinais de uma efectiva união de facto

Leitura complementar: Confusão na Presidência…; Um governo PS/BE ? (2); Um governo PS/BE ? (3).

Investidores apostam que PS irá ganhar as eleições

Filed under: Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 15:14

Melhor e mais actualizado do que qualquer sondagem, a reacção da Bolsa de Valores dá boas indicações sobre os resultados eleitorais esperados após a demissão do assessor de Cavaco Silva: a Mota Engil é a empresa do PSI20 que mais sobe durante o dia de hoje e atinge máximos de 12 meses.

Ar Condicionado

Filed under: Media,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 15:11

«O secretário nacional do PS Augusto Santos Silva considerou hoje que o afastamento de Fernando Lima da Presidência da República demonstra “serem falsas as alegações” do PSD de “um clima de condicionamento dos órgãos de comunicação social”

Ah, o pérfido Fernando Lima! Claramente responsável pela campanha negra da asfixia democrática. Estava-se mesmo a ver. Torna-se claro tudo o que se passou nos últimos tempos:

  • Foi seguramente Fernando Lima que desviou uma comunicação interna do jornal Público e forneceu cópia às redacções de outros jornais;
  • Foi ele também o responsável pela insistência na passagem à instrução de um processo movido pelo primeiro-ministro contra João Miguel Tavares, por um artigo de opinião, depois do Ministério Público ter determinado que o referido artigo não havia ultrapassado os limites na crítica a uma figura pública, sendo “insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante”;
  • Terá sido também a Casa Civil da Presidência da República, mais uma vez através de Fernando Lima, a instigar os nove processos iniciados pelo primeiro-ministro contra jornalistas;
  • O episódio da PT e da Media Capital, a saída de José Eduardo Moniz, e o fim do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes, também devem ter sido “encomendas” de Fernando Lima;
  • A não publicação do livro de António Balbino Caldeira, bem como o adiamento da publicação da biografia não autorizada do primeiro-ministro para depois das eleições, também serão maquinações do mesmo;
  • As célebres declarações do primeiro-ministro, no congresso socialista e na entrevista na RTP, em que vilipendiou a TVI, o Público e em particular MMG, foram o resultado de uma sessão de hipnotismo encomendada por Fernando Lima.

Aos pontos acima referidos, juntam-se também as nefastas influências de Fernando Lima nos episódios:

  • Do afastamento e/ou instauração de processos disciplinares a funcionários públicos que contaram anedotas sobre o primeiro-ministro, ou que referiram-se ao mesmo em termos “jocosos”;
  • Das visitas das forças de segurança a sindicatos por forma a identificar os participantes em manifestações críticas do governo;
  • Da recusa de muitas empresas em figurar na lista de credores do estado, por receio de retaliações.

Presumo que existam mais exemplos da nefasta influência do malévolo Fernando Lima, a.k.a Mancha Negra, com o objectivo de obrigar o primeiro-ministro a fazer má figura. Quem quiser, junte aqui em baixo na caixa de comentários.

Não nos tomem por parvos, sff (parte 1)

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 15:04

É muito divertido (num registo agri-doce) ler e ouvir jornalistas e comentadores muito escandalizados com a manipulação política a que o Público se deixou submeter, neste caso das escutas, pelo facto de ter noticiado as desconfianças de Belém. Vamos deixar de lado a discussão sobre tal manipulação – que pressupõe que não haveria nenhum interesse na notícia, independentemente da fonte, o que se torna estranho depois de todos os órgãos de comunicação social terem ecoado a notícia do Público depois desta surgir – para nos debruçarmos neste escândalo de classe por um possível jornalismo engagé do Público.

Devem querer tentar uma encenação daquela série dos Monty Python das piadas que provocam a morte por riso, não querem? É que eu, para todo o lado que olhe, só vislumbro jornalismo politicamente conotado. E não é necessário ir para extremos do género da jornalista de causas Fernanda Câncio. Alguém no seu juízo não considera que em 2005 todos os media não fizeram activamente e deliberadamente campanha por José Sócrates contra Pedro Santana Lopes? Alguém considera jornalismo isento o tom meloso que o DN usa para noticiar algo relacionado com o governo e com o PS? Alguém duvida que a RTP, com a má vontade com que noticiou os casos Freeport ou da licenciatura de Sócrates ou os seus lindos projectos de casas beirãs, com os favores de debater os temas que interessam ao governo e nos timings que interessam ao governo no Prós e Contras, por exemplo, quer proteger o actual governo? Ninguém considera estranho, outro exemplo, que António Borges não seja mais convidado para programas televisivos a partir do momento em que se torna vice-presidente do PSD? Ninguém questiona a escolha de comentadores que pululam nas televisões, maioritariamente empenhados em nos explicar porque, apesar de tudo, José Sócrates é um bom governante? Ninguém vê uma estranha consistência entre as opiniões  que os jornalistas publicam nos seus blogues ou colunas de opinião e o teor das suas notícias (supostamente isentas)? Alguém tem dúvidas que a publicação dos e-mails do Público pelo DN, em cima das eleições, foi uma encomenda (usando o léxico do próprio DN) para beneficiar o governo, manchar o Presidente da República e influenciar a campanha eleitoral?

Se quiserem, escandalizem-se com a parcialidade alheia, ignorando valentemente o próprio enviesamento, mas façam-no com recato e longe dos olhos e ouvidos dos restantes cidadãos. O espectáculo da hipocrisia é indecoroso e nós temos a obrigação de exigir que nos poupem a tais indignidades.

Equívocos

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 13:02

A propósito do afastamento de Fernando Lima, o Ministro da Propaganda proferiu as seguintes declarações:

Augusto Santos Silva [ASS] considerou hoje que o afastamento de Fernando Lima [FL] da Presidência da República demonstra “serem falsas as alegações” do PSD de “um clima de condicionamento dos órgãos de comunicação social”. Augusto Santos Silva lamentou também que a campanha eleitoral esteja a ser “feita de casos de incidentes de tentativa de aproveitamento político”.

Vamos por partes. (mais…)

Uma vez sem exemplo

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:33

Segundo o Público, Manuel Maria Carrilho terá derespeitado as ordens do governo português tendo-se recusado a votar em Farouk Hosny para Secretário-Geral da UNESCO. Para quem não sabe quem é o censor-ofical do Egipto à 25 anos aconselho a leitura deste artigo.

Por uma vez na vida, louvo a actuação de MMC. Como é seu habito o governo português parece mais interessado em apoiar ditadores e afins.

“Iniciativas Pífias”

Filed under: Media,Política,Portugal — jtcb @ 10:25

Vale a pena ler o editorial do Público de hoje. Este é um texto que, como lá se escreve, “será lido com mil lupas”.

Para além do muito que se escreverá sobre a execução sumária do assessor do PR, ou sobre as declarações de óbito de campanhas partidárias, temo que a questão que é aqui verdadeiramente importante acabe por ser asfixiada no meio da tempestade permanente em que a nossa democracia se vai tornando. E a questão é verdadeiramente importante porque envolve directamente o exercício da mais alta magistratura deste país. Se admitirmos os 3 “factos essenciais” apresentados naquele editorial como verdadeiros, então o melhor que podemos esperar é que tudo não tenha passado de uma enorme novela alimentada por um assessor. Nesse caso, a demissão é plenamente justificada, embora tardia, e carece de uma justificação plena por parte do próprio PR para que não subsistam dúvidas.

Este é o cenário feliz. O outro arrisca-se a não ter fim — ou, no pior dos cenários a arrastar a nossa democracia para o que um antigo PM já designou como um “pântano”. Não há justificação para a possibilidade de a Presidência ter estado sob escuta dos serviços de informação do Estado. Também não haverá justificação para que, existindo essa suspeita, e existindo ela há 17 meses, o PR não se tenha lembrado de nada melhor que promover uma denúncia à comunicação social. Se isso fosse verdade — possibilidade em que me recuso a acreditar — isso equivaleria à admissão por parte do PR de que as instituições do Estado não funcionam, ou que estão irremediavelmente comprometidas. Isso equivaleria à declaração de falência do Estado de Direito Democrático. Do qual, afinal, o PR é o responsável último.

Setembro 21, 2009

O pântano

Filed under: Colunas,Comentário,Media,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 22:24

De repente, o “disparate de Verão” transformou-se naquilo que, desde o princípio, dava para perceber que se iria tornar: um sinal grave da degradação da democracia portuguesa. Depois do DN ter revelado a fonte da notícia orginal do Público, e de insinuar, sem fundamento, que o simples facto de a notícia vir de Fernando Lima implicava que tudo não passava de uma invenção, Cavaco Silva vem agora desautorizar o seu assessor, e por contágio, a investigação do Público, ao demitir Fernando Lima. Ao contrário do que se poderia pensar pela histeria agora surgida, por contraste com o silêncio absoluto quando o Público trouxe o assunto para a praça pública, os acontecimentos mais recentes nada trazem de novo: todos os não envolvidos continuam sem saber o que se passou, e tal como aqui escrevi na altura, seja qual for o cenário que corresponda à realidade dos acontecimentos, nenhum deles augura nada de bom.

Se o ex-assessor de Cavaco tiver razão, e o Governo estiver a escutar e a vigiar as pessoas que trabalham na presidência, a gravidade da coisa não pode ser exagerada: um governo que traísse a relação de confiança mútua, e de respeito, pela Presidência, desta maneira, seria, pura e simplesmente, um Governo criminoso, já nem sequer “sub suspeita” como dizia Aguiar Branco, mas apanhado em flagrante. Se, pelo contrário, esta acusação não passa de uma notícia plantada por spin doctors ao serviço de Cavaco, uma mentira deliberada que visa descredibilizar (ainda mais) o Governo, seria também uma quebra intolerável da normal relação que a Presidência deve ter com um Governo, e portanto, um acto intolerável. E mesmo que o antigo assessor de Cavaco pense realmente que está a ser escutado, mas tal não corresponda a verdade, o caso não é menos grave: pois o simples facto de algo assim ser concebível, o simples facto de alguém na Presidência poder acreditar que o Governo é capaz de fazer algo assim, atribuir credibilidade a essa hipótese, demonstra como a relação entre Belém e São Bento se degradou.

Mais do que essa relação, degradou-se a própria democracia: o tom da campanha tem sido particularmente violento, nada que já não se tivesse tornado habitual nos últimos anos. Como escrevia Vasco Pulido Valente há uns dias, vive-se um ambiente de crispação e desconforto mais parecido com o PREC do que com o que seria de esperar de uma democracia normalizada. E é um clima que tem responsáveis. A começar pelo governo, que cultiva este ambiente porque acha (provavelmente com razão) que ele o beneficia, e que, como nenhum outro, fez da mentira e manipulação o seu modo de acção, apagando a já pouca confiança que os eleitores tinham na classe política.

Mas o Presidente da República também não está isento de culpas. Já há muito que ele deveria ter demitido o Primeiro-Ministro. Em vez disso, foi tolerando o seu comportamento destruidor da confiança democrática. Cavaco Silva assistiu, impávido e sereno, à degradação da democracia portuguesa, em vez de demitir o Governo e explicar porquê. Nesse sentido, ele, o único que poderia ter feito alguma coisa para o evitar, é talvez o maior responsável pelo estado a que “isto” chegou. De Sócrates, não esperava nada de diferente. Mas no que diz respeito a Cavaco, o seu dever era precisamente evitar que as coisas chegassem a este ponto.

Sinceramente, não compreendo como o país inteiro já não está farto deste deprimente circo, e ainda há pessoas dispostas a pôr Sócrates no poder. Como já aqui disse, se Portugal conserva um mínimo de decência, Sócrates perderá as eleições. Mas se não as perder, os portugueses (e um Cavaco certamente desagradado), terão o Governo que merecem. A culpa será toda deles, Cavaco incluído.

Cenários pós-eleitorais e voto estratégico

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 22:05

Balanços (3). Por Gabriel Silva.

Os possíveis cenários pós-eleitorais parecem ser os seguintes:
1) governo minoritário do ps,
2) governo do ps com apoio do BE,
3) governo minoritário do psd;
4) governo de coligação PSD+PP;
5) governo «centrão» liderado pelo partido mais votado (ps ou psd) com apoio do segundo partido;

A média das sondagens e os resultados efectivos nas urnas

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 21:42

Um exercício interessante: Margem de erro. Por Pedro Pestana Barros.

Ao confrontar a média das sondagens com os resultados efectivos nas urnas chegamos às seguintes diferenças:

PS – Obteve menos 9,7% nas urnas do que na média das sondagens;
PSD – Menos 1,2% nas urnas do que na média das sondagens;
BE – Mais 0.4% nas urnas do que na média das sondagens;
CDU – Mais 1,6% nas urnas do que na média das sondagens;
CDS – Mais 3,1% nas urnas do que na média das sondagens.

Aplicando o mesmo desvio à média das sondagens para as eleições legislativas concluímos que os resultados das próximas eleições, segundo as sondagens e tendo em conta o seu histórico recente, poderão ser os seguintes:

PS – 26%
PSD – 30,6%
BE – 11,9%
CDU – 9,7%
CDS – 10,4%

Para isto basta que as empresas de sondagens repitam a sua performance.

Correcção técnica ou subida do CDS ?

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 21:31

Face aos resultados das sondagens, já tinha pensado no mesmo: Balanços (2). Por Gabriel Silva.

Ou existiu «correcção técnica» na forma como eram feitas as sondagens, do que não fomos informados, ou então as previsões para o PP (bastante mais elevadas que em sondagens para actos eleitorais anteriores) indicam poder estar a ganhar o voto útil à direita.

“Desconto fiscal por filho”

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:26

Uma boa proposta do CDS: Portas quer “desconto fiscal por filho” em 2010

O líder do CDS-PP estimou hoje que “a maioria das famílias baixaria de escalão de IRS” se fosse aplicada, a partir de 2010, uma proposta para que o número de filhos conte na ponderação do imposto.

“Nos países civilizados somam-se os rendimentos do casal e para dividir e apurar o imposto o número de filhos conta verdadeiramente, é o chamado desconto familiar por filho”, afirmou, estimando que “a maioria das famílias baixaria de escalão no imposto a pagar”.

Portas disse aceitar discutir “os limites, os prazos de entrada em vigor e a progressão da medida” que, disse, seria “mais favorável do que o sistema actual em que há uma “dedução ridícula de 40 por cento do Salário Mínimo Nacional”.

Investimentos estratégicos

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:11

Votar Mota-Engil é avançar Portugal

Leitura complementar: O Estado a que chegamos.

Confusão na Presidência…

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:06

18 de Setembro de 2009: Cavaco Silva vai tentar obter mais informações sobre “questões de segurança”

“Já disse várias vezes que neste período eleitoral que nós vivemos, evito fazer comentários que possam ter directa ou indirectamente algumas conexões político-partidárias. E por isso vou ficar em silêncio”, disse o chefe de Estado em declarações aos jornalistas na inauguração da Casa das Histórias, em Cascais, espaço que vai acolher a obra da pintora Paula Rego.

“O Presidente da República deve preocupar-se com questões de segurança. Deixemos passar as eleições e depois tentarei, normalmente de uma forma discreta como costumo fazer, obter informações sobre questões de segurança”, acrescentou

21 de Setembro de 2009: Cavaco Silva afasta Fernando Lima do cargo

O Presidente da República afastou Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação Social, que passará a ser desempenhado por José Carlos Vieira.

Afastamento de assessor é “contraditória” com o timing que Cavaco prometera, diz Jerónimo

O secretário-geral do PCP considera que o afastamento de Fernando Lima é uma decisão “profundamente contraditória” com aquilo que o Presidente da República disse há dias que iria fazer: deixar uma decisão para depois da eleições.

E Louçã aproveita para, mais uma vez, agir em união de facto com o PS de Sócrates…

Leituras recomendadas

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 20:12

“(…) Não pretendia obviamente que Alegre criticasse Sócrates em vésperas de eleições. Mas tem que haver um pouco de coerência. Se Alegre mostrou variadas vezes que não concordava com políticas do PS, porque razão vem ele agora apoiar entusiasticamente o homem que as implementou? Será o “medo da Direita?” ou o amor ao Partido? Ambos são repelentes, na minha opinião (…)”.

Recomendo a leitura do post “O Estado do PS”, pela Daniela Major, no Jamais.

A propósito da morte de Irving Kristol

Filed under: Política,Teoria — Miguel Noronha @ 12:03

«Irving Kristol, os neoconservadores e a “nova esquerda”» de Miguel Madeira (Vento Sueste)

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 10:29

Esta semana, em destaque The Onion.

Os PPR’S e as acções do BE

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 00:14

Considero normalíssimo que haja quem no BE tenha PPR’s, uma forma de poupança com benefícios fiscais. E isso não impede que os seus representantes sejam contra a abolição dos benefícios. Já estranho que haja no BE quem compre acções em privatizações, mas também não me parece que haja alguma incoerência grave nisso. Em qualquer caso, a forma embaraçada com que Louçã justificou o investimento em PPR’s é dos momentos altos da campanha, na lógica, “por favor, voltem a olhar só para o que eu digo, e esqueçam o que eu faço“.

Desconcertante

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 00:04

Confesso que cada vez tenho menos interesse em acompanhar as campanhas eleitorais. O debate político neste país é, em regra, relativamente pobre e, em vésperas das eleições, tende a cair abaixo de qualquer limiar mínimo de pobreza.

Quando eu era mais miudo deitava a mão a tudo o que me chegava. Chegava até a ler os programas e declarações de princípios dos partidos. Não perdia um tempo de antena na televisão e chegava mesmo a ficar acordado a ouvir os radiofónicos. Reconheço hoje a infantilidade. Mas guardo desses tempos alguma nostalgia. Gostava especialmente dos partidos mais pequenos e radicais — desde a AOC ao MIRN — que, pelo menos para mim, só apareciam nestas alturas. Os tempos de antena iam-me dando notícias de pessoas que eu não conhecia pessoalmente, mas que, como os actores ou apresentadores de televisão (quem não se lembra dos locutores de continuidade?), eram-me relativamente familiares. Uma delas, para mim talvez a mais emblemática, era a Carmelinda Pereira, recorrente candidata do POUS. Era ela e mais um camarada — um curioso sujeito de barbas um tanto ou quanto façanhudas. Apareciam os dois. Sempre os dois. Eram quase como os bons pais de uma família modelo dos anos 50.

Voltei hoje a ver a Carmelinda Pereira num noticiário de campanha. E fiquei contente. Afinal a senhora continua bem e com saúde, graças a Deus. É sempre reconfortante quando vamos sabendo, ainda que de quando em quando, que aqueles que nos são queridos estão bem. Um tudo nada mais envelhecida, é certo, mas bem. Com o mesmo ar de genuína convicção que ostentava nos anos bastante mais quentes da mocidade da nossa democracia. O cabelo bem penteado e dourado era uma nota indesmentível e tranquilizadora de como aquela senhora soubera acompanhar o andar dos tempos. Mais tranquilizador ainda foi perceber que, no plano político, a senhora mantinha a mesma fé. Concluí, na minha mais pura ingenuidade conservadora, que a senhora soubera adequar-se às circunstâncias. Mais ou menos como os rivais do Bloco que lá vão tirando partido dos benefícios fiscais, investindo em produtos financeiros que servem, afinal, para subsidiar a banca, e que até concorrem às grandes ofertas da Bolsa. Mais ou menos. Mas, confesso a parcialidade, a Carmelinda Pereira sempre me pareceu mais autêntica. Mais genuína. Um pouco como o secretário-geral do PCP, que afirma nem sequer ter conta bancária. A isso sim, chamo política de verdade.

Mas, o que ouvi hoje foi absolutamente desconcertante. Foi como que o desfazer de um castelo de memórias que trazia desde a minha mais tenra infância. Ouvi-a pugnar pela “mobilização de todos os recursos para salvar as empresas”.

Desculpe, como disse? Salvar as empresas?

Ó maldito capitalismo que tudo engoles no teu abraço mortal!… Até esta já nos levaste…

Setembro 20, 2009

Sink or swim ?

Filed under: Economia,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:14

Excelente texto do Miguel Madeira: Pode um socialista ter acções? Pode um liberal frequentar a escola pública?

Sim. Sim.

Imagine-se um socialista que ache que a propriedade privada dos meios de produção leva à exploração dos trabalhadores (ou, numa versão mais soft, que a propriedade privada de “monopólios naturais” leva à exploração dos consumidores). É por ele deixar de ter acções dessas empresas que os trabalhadores (ou os consumidores) deixam de ser explorados? Não.

Ou um liberal que ache que a escola pública é financiada com dinheiro roubado aos contribuintes. É por ele deixar de andar na escola pública que os contribuintes deixam de ser “roubados” para financiar a escola pública? Não.

Ou seja, um socialista não ter acções ou um liberal não andar na escola pública em nada resolve os problemas que os socialistas vêem no capitalismo ou que os liberais vêem no ensino público.

Assim, quando se diz que um socialista não dever ter acções ou um liberal não deve andar na escola pública, isso equivale a dizer que quem não gosta do sistema actual deve suportar todos os defeitos que acham que o sistema tem (“exploração”, impostos) mas sem beneficiar das suas vantagens. No fundo, é como alguém marcar um quarto num hotel, reclamar das condições e responderem-lhe “Então vai-te embora – mas pagas à mesma!”

Um governo PS/BE ? (3)

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 10:00

Comentário do leitor José Barros:

A decisão deverá ser a mais difícil da longa carreira política de Francisco Louçã. Escolhendo a coligação renega todo o seu passado; optando pela oposição nunca mais terá oportunidade de tomar o gosto do poder.

Perde sempre, em qualquer dos cenários, votos: seja daqueles que migram do PS para a extrema-esquerda e querem que o bloco faça parte de uma esquerda “responsável”, coligando-se com o PS, seja dos outros que ainda acreditam na utopia da revolução e para quem o partido socialista é o exemplo acabado de situacionismo. Não é certo que Louçã ganhe alguma coisa: experimentando o poder, não ganha certamente em convicção, porque não poderá fazer um vigésimo do que se propôe fazer; nem ganha, mantendo-se na oposição, porque o limite de crescimento do bloco será muito provavelmente atingido nestas eleições.

Já no caso do PS, a coligação com o BE atrai e muito.

Primeiro, porque permite esvaziar o balão da extrema-esquerda que lhe custa votos e que a seu tempo, senão já nestas eleições, o ameaçará de forma decisiva com uma possível cisão no partido socialista entre a ala esquerda e o resto do partido; segundo, e, quanto a mim, mais importante, porque Sócrates não sabe governar sem maioria absoluta e tem consciência disso.

Nem existem grandes “contras”: o PM sabe que a maioria sociológica está na esquerda. Os votos que perder ao centro ou até à direita recupera-os à esquerda com a implosão do bloco, decorrente a mesma da experiência governativa, necessariamente traumática para um partido revolucionário. Mais, a participação do BE no governo também oferece uma justificação: quaisquer “excessos” esquerdistas, quaisquer opções económicas erradas, poderiam ser atribuídos à influência bloquista, às quais o PS romântico teria sucumbido, mas das quais também teria retirado valiosas lições para o futuro. Não se substime a capacidade de controlo de danos da máquina de propaganda socialista.

Em suma, para Louçã, um mau negócio; para Sócrates, a bóia de salvação.

Se fosse o líder do BE, não arriscaria apertar a mão ao PM, por muito tentador que seja.

E a resposta em comentário do leitor Cirilo Marinho:

Meu caro Zé, a tua habitual honestidade intelectual, faz-te, a meu ver, e neste caso, errar a análise.

Para um comunista, o poder é um fim em si mesmo. Renegar um determinado passado é normal e, com a imprensa certa, facilmente convertível em virtude e sentido de responsabilidade.

É mais que evidente que Louça está a capitalizar o voto “anti-direita” e “esquerda responsável” tentando poupar Socrates, naquilo que é essencial.

Este último, consciente que está longe da maioria, luta pelo votinho a mais, massacrando MFLeite com as técnicas de combate em versão “Vale Tudo” e vitimizando-se à náusea.

Daí que, desculpa-me a sinceridade, parece-me a tua objectividade te está a impedir de ver os dois personagens de acordo com a sua natureza – control junkies.

É bom lembrar Paulo Portas. Sobreviveu a uma coligação falhada, a uma coligação sucedida, a um governo falhado, a uma travessia do deserto inexistente, a um filme de traição e ciúme em que foi o vilão, e continua a sair à rua com a cara de pau própria de quem vai salvar os deserdados da fortuna.

Por isso, para a dupla em causa, só o imediato existe. Respondendo à tua última frase, não só Louça vai apertar a mão a Socrates, como certamente já o definiu há bastatnte tempo.

Onde estás a fazer análise política séria, os senhores já só estão a pensar em sobreviver às eleições. Embora não pareça.

Braga a mais, Porto a menos

Filed under: Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:21

Está de parabéns Domingos Paciência por um brilhante início de campeonato. Quanto ao FC Porto, resta o cansaço do jogo de Londres como atenuante, ainda que um meio-campo com Fernando, Meireles e Guarin não pareça o mais adequado para defrontar uma equipa como o Braga: Braga derruba o FC Porto com um joker que nunca vingou no Dragão

Nem o tetracampeão conseguiu tirar o Sporting de Braga da liderança da Liga. Um golo de Alan, o aniversariante da noite, foi o suficiente para arrasar com a defesa portista e confirmar o melhor arranque de campeonato da história dos minhotos. O resultado premeia a pontaria dos da casa, mas também penaliza a equipa de Jesualdo Ferreira, sem arte nem ideias para surpreender Eduardo.

A exibição de Londres convenceu Jesualdo Ferreira. De tal maneira que o treinador manteve a atitude e o meio-campo com que o FC Porto jogou frente ao Chelsea, apostando de novo em Guarín.

Setembro 19, 2009

A extrema-esquerda caviar não se mistura com peixeiras (2)

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:50

Ó dr.Louçã, olhe que só lhe fica mal não querer cumprimentar as peixeiras!

Quando questionado pelos jornalistas sobre o porquê de tal atitude, o novo líder dos intelectuais e proletários terá dito que tal procedimento é uma “questão de princípio”, já que tal contacto “cria uma dinâmica de espectáculo” e parece que o líder partidário pretende um contacto com as pessoas, sem populismo, sendo que é ele que escolhe “as pessoas com quem quer(o) contactar”. Fosse outro líder qualquer e diríamos que há aqui uma forte desconsideração, talvez até discriminação em relação a um grupo profissional. Poderíamos até acrescentar, se fôssemos maldosos, que o líder bloquista mostra a verdadeira essência snobista e elitista da sua agremiação, mas certamente a explicação será outra. Quanto ao espectáculo, faz muito bem o dr. Louçã em recusá-lo, mas a ser assim será que vamos deixar de ver os cuspidores de fogo, malabaristas, contorcionistas, artistas circenses e outros tantos que tanto contribuem para enobrecer a política em geral e a campanha do Bloco, em particular?

Presidência da República sob escuta ?

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:00

três hipóteses. Por Rui A.

Neste caso das eventuais escutas ao Presidente da República existem somente três hipóteses: ou Cavaco enlouqueceu e anda com a mania das perseguições; ou Cavaco resolveu criar um caso para prejudicar o governo e José Sócrates nas próximas eleições; ou Cavaco teme mesmo estar a ser ilicitamente escutado.

(…)

A terceira hipótese, na qual ninguém parece interessado, é serem justificados os receios do Presidente. Nesse caso, nem Cavaco estaria mal da cabeça, nem teria deixado de ser um político relativamente sério (considerando, sempre, a relatividade da seriedade dos políticos…). Para situações deste tipo – escutas telefónicas ilegais a órgãos de soberania – os Estados de Direito costumam ser lestos a investigar. Cá por Portugal ainda se vai ver, após as eleições.

Um governo PS/BE ? (2)

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:30

Comentário do leitor Cirilo Marinho:

Olhando para as sondagens, para a postura no assunto “escutas” e para o target da campanha do ps, percebe-se nitidamnete que há acordo entre Socrates e Louça (e que já não será assim tão recente).

Esperemos que os portugueses minimamente atentos depreendam a tempo o ridículo do voto de “protesto” na esquerda revolucionária.

Não deixaria de ser irónico – os comunistas, quando no poder, das primeiras coisas que fazem é acabar… com os votos… e com os protestos.

Um governo PS/BE ?

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:00

Comentário do leitor Manuel LRB:

Não creio que venhamos ter uma coligação entre BE e PS.

Primeiro, as diferenças entre os dois programas são demasiado agudas para serem conciliáveis;

Segundo, o BE perderia a iniciativa política para o partido líder da coligação;

Terceiro, hipotecaria o seu crescimento político. Ao fazer parte de um governo, o BE passaria a pertencer ao “circulo dos que governaram”, perdendo esse factor diferenciador que tantos votos lhe valeu.

O MEP e as sondagens

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 18:49

Comentário do leitor MAF:

O MEP tem sido muito maltratado por estas empresas de sondagens. Tendo sido o 6º partido mais votado nas Europeias, porque é que as sondagens não o consideram como o 6º partido, em vez de o incluirem nos “outros”?

« Página anteriorPágina Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 342 other followers