O Insurgente

Setembro 30, 2009

Ver de bancada (3)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 19:31

bandeira_monarquica

Percebe-se e compreende-se muito bem que Cavaco Silva não vá fazer o habitual discurso do 5 de Outubro. Afinal, foram demasiadas semanas a entregar munições ao campo do adversário.

Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: festejado sem intervenção do seu próprio presidente da república, sem intervenção do edil do município onde têm lugar as comemorações oficiais, remetido ao cerimonial soporífero e oco da cangalhada republicana que ainda sobrevive, ano após ano entrando no ritual dos feriados que se sabe que existem porque dão umas folgas.

São afinal augúrios para o ano que vem. Quando se contempla o estado que perpassa a nossa república da base até ao seu cume, tão bem retratado e concluído na sua plenitude com a queda do Anjo Cavaco de ontem, vê-se bem para que vão ser gastos os obscenos recursos que se prometem para o ano que vem. Com a crise que atravessamos, económica, institucional e de estado, só pode ser mesmo para bem da república. Se calhar não será é bem na perspectiva que se suporia.

13 Comentários »

  1. Que bonita é esta bandeira!…

    Comentário por jtcb — Setembro 30, 2009 @ 21:33

  2. Também acho…

    Comentário por cristina ribeiro — Setembro 30, 2009 @ 22:12

  3. Por que não comemorarmos o verdadeiro e fundamental 5 de Outubro?
    Uma comemoração em honra a Independência de Portugal o 5 de Outubro de 1143! São tão poucos os portugueses que disso sabem! Entretanto já lá vão 866 anos. Sejam democratas monarquistas ou não, o fundamental é o amor por nossa Terra.
    Sim a bandeira é linda!

    Comentário por célia gomes — Setembro 30, 2009 @ 22:38

  4. azul e branca, azul e branca… ;-)

    Comentário por Helder — Setembro 30, 2009 @ 22:50

  5. Soares, Sampaio e Cavaco devem estar mesmo a asneirar para que até se pondere a monarquia com a amostra de rei que temos como candidato.:)

    Comentário por José Barros — Setembro 30, 2009 @ 22:52

  6. Azul e branca, pode ser. A branca também era bonita. Em qualquer caso, invicta!

    Comentário por jtcb — Setembro 30, 2009 @ 23:34

  7. “Que bonita é esta bandeira!…”

    É verdade…

    Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 1, 2009 @ 00:00

  8. Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: O meu aniversario!!!

    Onde aparece 1910 é favor substituir por 1975.

    Podem agradecer aos meus pais, dispenso discursos e comunicados mas estão a vontade para me pedir o NIB e exercerem o direito de contribuírem para as minhas próximas ferias.

    Obrigado:D

    Comentário por Rita — Outubro 1, 2009 @ 01:58

  9. Concordo com o post.

    Está na hora de acabar com um conjunto grande de feriados oficiais, em particular o 5 de Outubro e a maioria dos feriados religiosos (15 de Agosto, Sexta-Feira Santa, Corpo de Deus, Nossa Senhora da Conceição), substituindo-os por dias de feriado pessoal livres e individuais para cada trabalhador. O que teria amplas vantagens económicas (deixaria de ser necessário pagar a dobrar e a triplicar àqueles que trabalham nesses feriados oficiais).

    Comentário por Luís Lavoura — Outubro 1, 2009 @ 10:16

  10. Nunca entendi o equívoco que há na cabeça de alguns monárquicos de que a figura do presidente da República é para abater à primeira oportunidade. O presidente é um chefe de Estado imperfeito pelos condicionalismos constitucionais (electivos) da sua função; mas, no desempenho dessa função, deve ser respeitado como chefe de Estado. O programa monárquico diz respeito essencialmente à chefia do Estado e ao seu lugar numa Constituição. Como pode um monárquico fomentar e praticar o ataque fácil à chefia de Estado?

    Comentário por Luís Aguiar Santos — Outubro 2, 2009 @ 14:15

  11. Caro Luís Aguiar Santos,

    Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.

    Há um dizer em engenharia que diz que, por mais complexo e sofisticado que seja um determinado modelo, se não for realista em termos dos seus parâmetros, em termos de disponibilidade e qualidade, redunda sempre num cenário em que se lhe fornecermos lixo, retornará também lixo.

    Essa perspectiva é a contrária: é a de se considerar um modelo que transforma sistematicamente em lixo as suas entradas, mas que o lixo na saída é bom e deve ser reconhecido como tal porque as entradas também são boas.

    Um mau rei será sempre um mau chefe de estado, assim como um mau presidente também o é. Devem ser expostos como tal, e não poupados por uma suposta aura do cargo que exercem. Deve-se criticar sim, também e principalmente, o mecanismo que conduziu a que este fosse mau, e nos termos concretos em que o é. Sem endeusamentos.

    O actual presidente, à semelhança dos anteriores, demonstra ser um mau chefe de estado e sintetiza a falência do modelo que sustenta a sua figura como tendo esse papel e ser o topo da hierarquia republicana. Merece-me o respeito de quem ascendeu por um sistema corrupto e permeável a toda a forma de distorções e influências a um cargo que vai demonstrando exercer mal. Não me parece que mereça qualquer particular simpatia e respeito por isso.

    Comentário por João Luís Pinto — Outubro 2, 2009 @ 14:34

  12. “Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.”

    Acrescente-se que esse é um ponto de vista muito republicano: a antiga Roma preferia venerar e aceitar organicamente ditadores do que aceitar a monarquia.

    Comentário por João Luís Pinto — Outubro 2, 2009 @ 14:39

  13. «Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.»

    O João Luís Pinto sabe que eu estou a falar de um chefe de Estado num regime constitucional. Um ditador é outra história…

    Comentário por Luís Aguiar Santos — Outubro 3, 2009 @ 20:33


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