Percebe-se e compreende-se muito bem que Cavaco Silva não vá fazer o habitual discurso do 5 de Outubro. Afinal, foram demasiadas semanas a entregar munições ao campo do adversário.
Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: festejado sem intervenção do seu próprio presidente da república, sem intervenção do edil do município onde têm lugar as comemorações oficiais, remetido ao cerimonial soporífero e oco da cangalhada republicana que ainda sobrevive, ano após ano entrando no ritual dos feriados que se sabe que existem porque dão umas folgas.
São afinal augúrios para o ano que vem. Quando se contempla o estado que perpassa a nossa república da base até ao seu cume, tão bem retratado e concluído na sua plenitude com a queda do Anjo Cavaco de ontem, vê-se bem para que vão ser gastos os obscenos recursos que se prometem para o ano que vem. Com a crise que atravessamos, económica, institucional e de estado, só pode ser mesmo para bem da república. Se calhar não será é bem na perspectiva que se suporia.

Que bonita é esta bandeira!…
Comentário por jtcb — Setembro 30, 2009 @ 21:33
Também acho…
Comentário por cristina ribeiro — Setembro 30, 2009 @ 22:12
Por que não comemorarmos o verdadeiro e fundamental 5 de Outubro?
Uma comemoração em honra a Independência de Portugal o 5 de Outubro de 1143! São tão poucos os portugueses que disso sabem! Entretanto já lá vão 866 anos. Sejam democratas monarquistas ou não, o fundamental é o amor por nossa Terra.
Sim a bandeira é linda!
Comentário por célia gomes — Setembro 30, 2009 @ 22:38
azul e branca, azul e branca…
Comentário por Helder — Setembro 30, 2009 @ 22:50
Soares, Sampaio e Cavaco devem estar mesmo a asneirar para que até se pondere a monarquia com a amostra de rei que temos como candidato.:)
Comentário por José Barros — Setembro 30, 2009 @ 22:52
Azul e branca, pode ser. A branca também era bonita. Em qualquer caso, invicta!
Comentário por jtcb — Setembro 30, 2009 @ 23:34
“Que bonita é esta bandeira!…”
É verdade…
Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 1, 2009 @ 00:00
Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: O meu aniversario!!!
Onde aparece 1910 é favor substituir por 1975.
Podem agradecer aos meus pais, dispenso discursos e comunicados mas estão a vontade para me pedir o NIB e exercerem o direito de contribuírem para as minhas próximas ferias.
Obrigado:D
Comentário por Rita — Outubro 1, 2009 @ 01:58
Concordo com o post.
Está na hora de acabar com um conjunto grande de feriados oficiais, em particular o 5 de Outubro e a maioria dos feriados religiosos (15 de Agosto, Sexta-Feira Santa, Corpo de Deus, Nossa Senhora da Conceição), substituindo-os por dias de feriado pessoal livres e individuais para cada trabalhador. O que teria amplas vantagens económicas (deixaria de ser necessário pagar a dobrar e a triplicar àqueles que trabalham nesses feriados oficiais).
Comentário por Luís Lavoura — Outubro 1, 2009 @ 10:16
Nunca entendi o equívoco que há na cabeça de alguns monárquicos de que a figura do presidente da República é para abater à primeira oportunidade. O presidente é um chefe de Estado imperfeito pelos condicionalismos constitucionais (electivos) da sua função; mas, no desempenho dessa função, deve ser respeitado como chefe de Estado. O programa monárquico diz respeito essencialmente à chefia do Estado e ao seu lugar numa Constituição. Como pode um monárquico fomentar e praticar o ataque fácil à chefia de Estado?
Comentário por Luís Aguiar Santos — Outubro 2, 2009 @ 14:15
Caro Luís Aguiar Santos,
Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.
Há um dizer em engenharia que diz que, por mais complexo e sofisticado que seja um determinado modelo, se não for realista em termos dos seus parâmetros, em termos de disponibilidade e qualidade, redunda sempre num cenário em que se lhe fornecermos lixo, retornará também lixo.
Essa perspectiva é a contrária: é a de se considerar um modelo que transforma sistematicamente em lixo as suas entradas, mas que o lixo na saída é bom e deve ser reconhecido como tal porque as entradas também são boas.
Um mau rei será sempre um mau chefe de estado, assim como um mau presidente também o é. Devem ser expostos como tal, e não poupados por uma suposta aura do cargo que exercem. Deve-se criticar sim, também e principalmente, o mecanismo que conduziu a que este fosse mau, e nos termos concretos em que o é. Sem endeusamentos.
O actual presidente, à semelhança dos anteriores, demonstra ser um mau chefe de estado e sintetiza a falência do modelo que sustenta a sua figura como tendo esse papel e ser o topo da hierarquia republicana. Merece-me o respeito de quem ascendeu por um sistema corrupto e permeável a toda a forma de distorções e influências a um cargo que vai demonstrando exercer mal. Não me parece que mereça qualquer particular simpatia e respeito por isso.
Comentário por João Luís Pinto — Outubro 2, 2009 @ 14:34
“Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.”
Acrescente-se que esse é um ponto de vista muito republicano: a antiga Roma preferia venerar e aceitar organicamente ditadores do que aceitar a monarquia.
Comentário por João Luís Pinto — Outubro 2, 2009 @ 14:39
«Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.»
O João Luís Pinto sabe que eu estou a falar de um chefe de Estado num regime constitucional. Um ditador é outra história…
Comentário por Luís Aguiar Santos — Outubro 3, 2009 @ 20:33