Há alguns anos, após a eleição de Cavaco para a Presidência, eu disse, em conversa com o André Abrantes Amaral, que em 2011, José Sócrates seria o candidato presidencial do PS. Já este ano, a propósito dos planos presidenciais de Alegre para esse ano, mudei ligeiramente a minha “previsão”: se Sócrates ganhasse as eleições de hoje, seria o candidato. Inicialmente, não acreditava muito no que estava a dizer: apenas fiz uma previsão com poucas probabilidades de acertar, para caso ela se viesse a confirmar, eu parecesse genial. Mas o resultado de hoje, e a atmosfera de cortar à faca da política portuguesa nos últimos tempos, fazem-me ganhar mais convicção nessa previsão: sem maioria absoluta, Sócrates ou governa em minoria (como sou contra qualquer coligação pós-eleitoral, o cenário que preferiria) ou com uma coligação com um qualquer partido que lhe será pouco menos que hostil (CDS ou BE). Descanso, é coisa que não terá. Eleições antes do tempo serão praticamente inevitáveis. O potencial de conflito com o presidente é enorme, e a melhor desculpa que o PS poderá usar para se vitimizar, estratégia indispensável em eventuais eleições antecipadas. E nada melhor para radicalizar esse conflito com o Presidente, e assim recorrer à única estratégia que poderá salvar o PS na difícil conjunutra que o espera, será Sócrates candidatar-se ele próprio à Presidência, para remover a “força de bloqueio” (aposto mesmo que este será o termo usado) que “impedirá o PS” de “dar futuro a Portugal”. Se a política portuguesa chafurdou na lama nos últimos anos, agora será muito pior.
Setembro 27, 2009
2 Comentários »
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[...] discordando da análise do Luciano, falta-lhe uma outra hipótese, sobre a qual em tempos já escrevi: Sócrates avançar ele próprio contra Cavaco Silva. O resultado das últimas eleições, e a atmosfera de cortar à faca da política portuguesa nos [...]
Pingback por À falta de coisas importantes para discutir, o país político dedica-se às presidenciais « O Insurgente — Janeiro 13, 2010 @ 19:17
Bem,que Portugal parecia um paíz de loucos,já á muito que se suspeitava.
Mas pelo que se vê e lê,isto está a tornar-se num autentico manicómio.
se o Julio de Matos já fechou,melhor seria começar a arranjar substituto, um não vai chegar.
Comentário por O fantasma — Janeiro 14, 2010 @ 21:32