“As pessoas ficaram a saber que as minhas poupanças de uma vida inteira são 30 mil euros”, disse hoje Francisco Louçã, naquela sua pose habitual de pregador indignado.
Vamos lá ver. Tem 52 anos, é deputado desde 1999 e professor universitário no ISEG. A questão que agora se impõe é: onde andou o Louçã a gastar o dinheiro estes anos para não ter mais do que 30 mil euros em poupanças? Imagino que não tenha sido gasto em putas, casinos, Mercedes ou em viagens à Índia. Em quê, então? No híbrido que possui? Em caridade? Não sei. Em financiamento do BE? Em parte, mas duvido que isso explique o caso. A hipótese mais plausível é ter mentido sobre o valor das suas poupanças.
Erva?
Comentário por João Sousa — Setembro 19, 2009 @ 15:08
Convém notar que Louçã só é professor no ISEG desde 1995 ou 96 (i.e., ele só se tornou professor no ano a seguir a eu sair da faculdade), o que reduz bastante o alcance de “uma vida inteira” (acaba por ser 13 anos).
Não sei o que ele fazia antes, mas penso que durante algum tempo ele fazia traduções no Colégio da Europa (na Bélgica) durante o Verão e vivia o resto do ano em Portugal com o ordenado desses meses; se for assim, talvez possa explicar as reduzidas poupanças. E, claro, depois há o barco.
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 19, 2009 @ 15:51
“fazia traduções no Colégio da Europa (na Bélgica) durante o Verão e vivia o resto do ano em Portugal com o ordenado desses meses”
Por “Verão” entende 2 ou 3 meses, suponho. Não sabia que traduções na Bélgica durante 2 ou 3 meses davam para viver o resto do ano em Portugal (que apesar de tudo não é – ainda – um dos países mais pobres do mundo). Nesta eu não acredito.
Comentário por filipeabrantes — Setembro 19, 2009 @ 16:00
Bem, isso era anos 80.
E, de qualquer forma, conheço que conhece alemães que vão ter os filhos à Alemanha e vivem em Portugal do abono de família (não sei se pode ser uma situação similar).
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 19, 2009 @ 16:12
“A hipótese mais plausível é ter mentido…”
Não nos fica bem essa frase. Quando defendemos valores como a liberdade de acção individual e o direito à privacidade, devemos defende-los para todos, incluíndo os que não acreditam nesses mesmos valores.
Onde os líderes partidários gastam o dinheiro (seja ele o Louçã, o Jerónimo, a Manuela, o Sócrates ou o Portas, é uma questão de foro pessoal (A não que existam indicios de aplicações em bens ou serviços ilegais ou imorais).
Neste caso, e como não existem indícios de ilicitude ou imoralidade, apenas podemos concluir que o Louçã não é um cavalheiro poupado e que existem divergências entre o seu discurso e as suas acções. Quase que vale perguntar-lhe, se investe nos PPR’s apesar de não acreditar no produto, se calhar também vota na direita apesar de desdizer a mesma!
1 abraço
Comentário por Manuel LRB — Setembro 19, 2009 @ 19:01
bem…qual é o valor da reforma de um deputado? acham mesmo que é necessário um complemento de reforma ? cá para mim é mesmo pelas deduções fiscais. e se é como diz o Miguel Madeira , vida activa de 13 anos , eu tenho um nome para quem começa a trabalhar aos 39 : calão.
Comentário por mf — Setembro 19, 2009 @ 23:32
“5.“A hipótese mais plausível é ter mentido…”
Não nos fica bem essa frase. Quando defendemos valores como a liberdade de acção individual e o direito à privacidade, devemos defende-los para todos, incluíndo os que não acreditam nesses mesmos valores.
Onde os líderes partidários gastam o dinheiro (seja ele o Louçã, o Jerónimo, a Manuela, o Sócrates ou o Portas, é uma questão de foro pessoal (A não que existam indicios de aplicações em bens ou serviços ilegais ou imorais).
Neste caso, e como não existem indícios de ilicitude ou imoralidade, apenas podemos concluir que o Louçã não é um cavalheiro poupado e que existem divergências entre o seu discurso e as suas acções. Quase que vale perguntar-lhe, se investe nos PPR’s apesar de não acreditar no produto, se calhar também vota na direita apesar de desdizer a mesma!”
Caros Manuel e Filipe:
Não fica bem a frase … não. Antes pelo contrário. Não fica bem que a preocupação seja essa, porque só presta vassalagem ao código moral de Louçã.
Como também não fica bem branquear a IMORALIDADE do caso.
Ora vejam se quiserem: http://opaoearazao.blogspot.com/2009/09/o-culto-e-sancao-da-mediocridade.html
Comentário por MC — Setembro 20, 2009 @ 01:16
com franqueza, o ultimo sítio onde esperava ver este post é n’O Insurgente.
Comentário por vítor jesus — Setembro 21, 2009 @ 16:15