a saúde é diferente. Por Joaquim Sá Couto.
Uma das fantasias mais prevalecentes na saúde é a de que o mercado deste sector é diferente dos outros. Não é diferente dos outros apenas pela qualidade dos produtos e serviços transaccionados, mas, como pretendem os defensores desta tese, é diferente dos outros porque as leis genéricas que o governam são diferentes.
Se me permitem a comparação, é como se a lei da gravidade não se aplicasse universalmente. Existiriam nichos recônditos do planeta onde as balas de canhão, quando as deixamos cair, não se precipitam para o chão, mas levantam voo e partem a cornadura do incauto que as atira. Mais ou menos, é esta a tese de alguns gurus.
Por amor de Deus ó André, que raio de citação é esta?
Obviamente que o mercado da saúde é diferente dos outros, pelo menos por dois motivos:
1 – Informação muito mais assimétrica do que na maioria dos outros mercados, o que, como sabes, é das principais falhas de mercado.
2 – A questão ética. Enquanto a nenhum de nós choca a ideia de alguém ficar excluído do consumo de espectáculos de rock por falta de dinheiro, já choca a muita gente a ideia de que alguém pode não ter os cuidados de saúde necessários por falta de dinheiro para os pagar.
Comentário por LA-C — Setembro 16, 2009 @ 14:00
“Obviamente que o mercado da saúde é diferente dos outros”
LA-C,
Em sentido estrito, todos os mercados são diferentes uns dos outros.
O post do Joaquim Sá Couto, que percebe bastante tanto de medicina como de economia, salienta muito bem que muitas vezes a acentuação dessas diferenças serve para fingir que as mesmas leis económicas que se aplicam a todos os outros sectores se aplicam também à saúde.
O resultado final é que o sector da saúde estatizado é um paraíso para rent-seekers e um monumento ao desperdício, com gravíssimos prejuízos para a saúde pública e elevados custos em vidas e sofrimento humano.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 16, 2009 @ 14:30
“já choca a muita gente a ideia de que alguém pode não ter os cuidados de saúde necessários por falta de dinheiro para os pagar”
De acordo, mas isso por si só em nada justifica a estatização do sector tal como ela existe na maior parte dos países ocidentais. Pensa na importância da comida e na produção, distribuição e venda de géneros alimentares…
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 16, 2009 @ 14:32
“Informação muito mais assimétrica do que na maioria dos outros mercados, o que, como sabes, é das principais falhas de mercado”
Concordo que a informação assimétrica é um problema grave na saúde, mas creio que se reflecte muito mais nas falhas de um sector estatizado do que no funcionamento do mercado. Aliás, parece-me que a informação assimétrica é neste caso um forte argumento a favor – e não contra – um maior papel para os mecanismos de mercado na saúde.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 16, 2009 @ 14:34