Sou só eu ou há mais quem ria quando se vai buscar Luís Filipe Menezes para dar opinião sobre Manuela Ferreira Leite e a sua continuidade como líder do PSD? (Enfim, eu rio-me quando vão buscar LFM para opinar sobre qualquer coisa). Ou essa maravilha da popularidade que é Azevedo Soares? Sou só eu ou há mais quem ache indecoroso colocar em Manuela Ferreira Leite toda a culpa do resultado de domingo? Sou só eu ou há mais quem se recorde dos mimos passoscoelhistas do último ano? Da crítica ao PSD por ter votado contra o casamento dos homossexuais, esquecendo-se de criticar o PS por ter votado contra apoiando a medida? Da exigência de vitória nas europeias quando se pensava que o PSD ia perder? Do “momento difícil” de MFL em que o tão querido PPC entendeu ‘ajudar’ a líder nesta campanha? Da constante verborreia de desgaste de MFL por PPC e seus apoiantes?
Sou só eu ou há mais quem se recorde do imbróglio que Marques Mendes (cuja liderança produziu algumas muito boas propostas, por exemplo para a fiscalidade ou para a segurança social, e que ajudou a que se inviabilizasse a construção do novo aeroporto na Ota) criou na câmara de Lisboa, não conseguindo sequer oferecer um melhor candidato do que Fernando Negrão e causando a perda da câmara para o PS? Ou que, para o país, com MM e apesar das boas ideias, parecia não existir oposição do PSD (exceptuando-se o caso da Ota)?
Sou só eu ou há mais quem se recorde da piada de mau gosto que era um PSD liderado por Menezes, Ribau e Marco António Costa?
Manuela Ferreira Leite cometeu erros, sem dúvida, o maior dos quais terá sido a escolha dos candidatos a deputados à AR. Não só boicotou a sua imagem de ‘verdade’ com a escolha de Lopes da Costa e António Preto, como reforçou a imagem de regresso ao cavaquismo com nomes como Maria José Nogueira Pinto, Couto dos Santos, Deus Pinheiro, esbanjando a oportunidade de renovar apostando em Paulo Marcelo, Sofia Rocha, Sofia Galvão, Pedro Picoito, Manuel Pinheiro, Luciano Amaral ou Miguel Morgado. (A exclusão de PPC foi uma boa medida para afirmar a autoridade, logo de seguida desdita pela continuidade do apoio a Moita Flores). Contudo está numerosamente acompanhada na sala dos culpados pelo resultado do PSD. Também é conveniente ter um bocadinho de memória: os 29% são tão amargos porque se pensou que se poderia ganhar – impensável antes de MFL e que não se pode agradecer, ai pois não, a nenhum antecessor ou a PPC.
Não vejo porque MFL deverá deixar de liderar o PSD até ao fim do seu mandato em Maio. Fez melhor trabalho do que todos os restantes aqui mencionados. Depois disso, logo se escolhe quem melhor pode substituir, preferencialmente mais cedo do que tarde, o senhor Zézito. Chá de tília pode fazer bem a egos mais apressados.