O Insurgente

Setembro 30, 2009

Revisitemos 2004 (II)

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 23:45

Poucos meses depois de empossar o governo de Santana Lopes, Jorge Sampaio decide dissolver a assembleia da república por ‘trapalhadas’ não especificadas do governo, desde logo uma justificação leviana para uma acção tão grave. Não se limitou a demitir o governo das tais trapalhadas, o que, a existirem (e o PR a mim não mas comunicou), até se justificaria, uma vez que isso garantiria a continuidade da coligação PSD-CDS. Numa decisão com objectivo único de ajudar o PS, Sampaio dissolveu uma maioria absoluta na AR.

Ainda bem que só agora com Cavaco Silva temos um presidente que atacou o partido político do governo.

Revisitemos 2004

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 23:03

Durão Barroso foi para Bruxelas e deixou-nos com um governo liderado por Santana Lopes. Jorge Sampaio deu posse ao novo executivo, depois de tentar que o PSD lhe fornecesse outro líder, frisando bem que o governo estava sob vigilância e dependente da benevolência presidencial: teria de seguir o programa e as políticas, concretamente de finanças públicas, do governo anterior.

Pois é, nunca tivemos uma situação em que o PR deixa tomar posse um governo de que desconfia e ao qual tem pessoalmente aversão.

Ver de bancada (3)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 19:31

bandeira_monarquica

Percebe-se e compreende-se muito bem que Cavaco Silva não vá fazer o habitual discurso do 5 de Outubro. Afinal, foram demasiadas semanas a entregar munições ao campo do adversário.

Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: festejado sem intervenção do seu próprio presidente da república, sem intervenção do edil do município onde têm lugar as comemorações oficiais, remetido ao cerimonial soporífero e oco da cangalhada republicana que ainda sobrevive, ano após ano entrando no ritual dos feriados que se sabe que existem porque dão umas folgas.

São afinal augúrios para o ano que vem. Quando se contempla o estado que perpassa a nossa república da base até ao seu cume, tão bem retratado e concluído na sua plenitude com a queda do Anjo Cavaco de ontem, vê-se bem para que vão ser gastos os obscenos recursos que se prometem para o ano que vem. Com a crise que atravessamos, económica, institucional e de estado, só pode ser mesmo para bem da república. Se calhar não será é bem na perspectiva que se suporia.

Ron Paul on The Daily Show

Filed under: Economia,Internacional,Media,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 17:21

Ron Paul on Daily Show : End the Fed

Não sejamos ingénuos

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:10

Não acho que “institucionalistas” seja a palavra mais feliz para o que o João pretende descrever, mas recomendo a leitura do post: É um país cheio de institucionalistas II. Por João Miranda.

Não sejamos portanto ingénuos. 80% dos críticos de Cavaco não estão preocupados com as instituições, que desprezam sempre que elas os contrariam. Estão preocupados com a conquista do poder por parte da sua facção. E contra isso, Cavaco ainda é o melhor contra-poder.

Golpe de Estado (2)

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:10

“O pronunciamento de Cavaco, e o fim do regime” de Henrique Raposo

Cavaco ontem fez aquilo que, no passado, se chamava “um pronunciamento”. No passado, quando o país ainda não tinha bases constitucionais maduras, no passado, quando o país se divertia a fazer golpes de estado, um tipo chegava e dizia aquilo que Cavaco disse ontem: “aqueles tipos não são de confiança”. Depois, esse tipo ficava à espera dos seus generais. Nunca chegava a haver guerra civil. Contavam-se apenas as armas. Se tivesse mais armas do que o outro, o tipo ganhava sem disparar um tiro. Cavaco abriu fogo. Deve ir à guerra sozinho. Até porque, estou desconfiado, já não tem generais no coldre.

São mesmo necessários os exegetas

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 16:06

Ó meus amigos, mas que interpretações e extrapolações tão melodramáticas têm sido feitas das palavras do PR. Pela minha parte – e continuo a achar que Cavaco geriu muito mal o silêncio sobre o caso das escutas e tem que se queixar tanto de si próprio como do governo - acho que ontem Cavaco Silva nos tratou como adultos e não como crianças que precisam que lhes seja dita uma mentira, embora saibam a verdade, por necessidade de auto-ilusão. Vejamos:

1. O PR desligou-se das notícias sobre desconfianças de escutas (e aqui acredita-se ou não; eu acredito), afirmou que desconfiava da veracidade dessas notícias, incluindo os e-mails do DN. Sobre a existência de desconfianças (e não das notícias de) nada disse, como nada tinha que dizer em público (o que até ontem também era a opinião de todos).

2. A comunicação foi defensiva, diz-se. Pois claro que foi. Toda a gente, claro, exigia que Cavaco se explicasse. Cavaco assumiu que foi “forçado” e fez muito bem. Foi autêntico e não nos tomou por parvos fingindo que tudo estava no melhor dos mundos.

3. Cavaco disse claramente que não confia neste PS e que este agiu de forma desonesta, inventando mentiras para colar o PR ao PSD e distrair os eleitores dos problemas do país. E depois?! Estamos nos inícios do parlamentarismo inglês em que, no fundo, tudo dependia dos humores do Rei? Desde quando o nosso sistema é tão frágil que seja necessário um PR gostar, confiar ou respeitar num PM? Se Cavaco não confia em Sócrates e o acha desonesto, so what? Desde quando questões institucionais se devem reger por sentimentos pessoais?  O que tem a declaração do PR com a indigitação do novo PM? Os resultados eleitorais são o que são e o PR deve agir lealmente para com os eleitores qualquer que sejam a opinião ou os sentimentos. As dificuldades entre Cavaco e Sócrates seriam as mesmas se Cavaco não nos tivesse confiado a sua opinião sobre o PS, nós saberíamos dessas dificuldades, mas parece que elas só existiram a partir do momento em que Cavaco dá publicamente a sua ‘interpretação pessoal’ do que aconteceu. Ora sejamos crescidinhos, sim?

4. Cavaco conseguiu, com a sua declaração, avisar o PS que, se continuar a abusar, o PR poderá comunicar, em declarações ou, menos solenemente, em entrevistas a sua ‘interpretação pessoal’  dos objectivos deste PS e que isso não será lisonjeiro para o PS.

Acredito

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:31

F117Stealth

Sócrates diz que não quer alimentar “mais polémicas” no caso das escutas

Virgens ofendidas

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:11

Joâo Cândido da Silva

“Nunca imaginei que um Presidente da República fosse capaz de fazer uma comunicação ao País tão ridícula e lamentável”, disse Alfredo Barroso, antigo assessor de Mário Soares na Presidência da República, sobre a intervenção de Cavaco Silva acerca do “caso das escutas”. Sem dúvida que, no tempo de Soares, o talento para intrigar e manipular era muito mais apurado. Era feito às escondidas mas, também, à luz do dia, através das “Presidências abertas”.

(des)arrumação

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:13

Vale a pena ler o artigo de Gonçalo Reis no Jornal de Negócios, que ajuda a desmontar a tentadora ideia de que António Costa nada fez na Câmara Municipal de Lisboa porque andava ocupado a arrumar a casa e a tratar das contas. Pelos vistos, entre 2007 e 2008, a dívida total da Câmara aumentou 151 milhões de euros, as despesas correntes da cresceram 5,6% e as receitas correntes baixaram 0,6%.

Golpe de Estado

Filed under: Diversos — Luciano @ 11:51

Cavaco fez ontem um arremedo de golpe de Estado. Dois dias depois de um partido ter sido o mais votado, Cavaco veio dizer que, no fundo, ele não é bem legítimo, porque usa o poder indevidamente. Ao dar este semi-golpe de Estado, Cavaco naturalmente deve estar à espera de parceiros para embarcar com ele. Quer contar armas. Na minha opinião, é uma estrada que deve seguir sozinho. Que eu saiba (mas, claro, eu sei muito pouco), ninguém lhe encomendou esta guerra. Mais: não foi para isto que ele foi eleito. Ele foi eleito para ser o garante do regular funcionamento das instituições. Agora transformou-se no garante do seu irregular funcionamento. Até domingo, era o PS que queria lançar o regime numa espécie de guerra civil larvar. No domingo, graças aos resultados do BE e do CDS, deixou de o poder fazer. Ontem, Cavaco tinha a oportunidade de acabar com essa guerra civil e tinha todas as condições para isso. Graças ao resultado de domingo, ele voltara a ser o centro essencial do sistema político, aquele sem o qual nenhum partido (incluído o do governo) podia ter uma legislatura descansada. Em vez disso relançou o caos nesse sistema. Boa sorte.

(interlúdio benfiquista)

Filed under: Desporto — Miguel Noronha @ 11:43

slb

(via Red Pass)

Idiotas úteis

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 11:31

É impressionante a proliferação de idiotas úteis à direita, apresentados como “comentadores”, que só existem no mundo mediático na medida em que lancem ataques aos seus supostos “pares”. Convencidos que são valorizados pela sua “voz independente”, e carentes de aceitação nos meios sociais da esquerda, estes “opinion makers” representam o que de mais desprezível a direita produziu nos últimos anos: no fundo, gente traumatizada com complexo de esquerda. Eles que experimentem algum dia defender decentemente a direita, e vão ver o que lhes acontece: anonimato e “olho da rua”.

Enfim, além da esquerda, ainda temos de gramar estes cromos, a rebolarem-se de canal em canal, de jornal em jornal, em todas as rádios, verdadeiros “meninos guerreiros” à procura de colo, com as suas “análises” e banalidades, sempre parciais. Se repararem, são sempre os mesmos, como se em Portugal não houvesse mais ninguém que não estes artistas para emitir opinião à direita.

“Skloka”

Filed under: Política,Teoria — Miguel Noronha @ 10:17

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

Na marcha forçada a caminho da utopia electiva, a política ideológica destrói a condição civil [*]. A legislação ideológica é por definição instrumental: tem um propósito e afirma um modo de “progresso” incompatível com o genuíno pluralismo. Cada um é forçado a escolher: ou colabora na corrupção da vida comum implicada no projecto político, ou vive sob o cerco das patrulhas ideológicas, nos abrigos privados que restam. A vida nas sociedades ideológicas foi exemplarmente descrita pela linguista Olga Friedenberg, numa carta escrita nos anos 30: “para onde quer que olhe, nas nossas instituições, nas nossas casas, fermenta a ‘skloka’. ‘Skloka’ é (…) um termo e um conceito inteiramente novo, intraduzível para qualquer língua do mundo civilizado. (…) Significa hostilidade baixa, trivial, um ódio inconsciente que alimenta pequenas intrigas e a maldosa luta de cliques. Alimenta-se da calúnia, da delação, da conspiração tortuosa, da difamação, da inflamação das paixões. Nervos esfrangalhados e uma moral enfraquecida criam as condições para o ódio violento entre indivíduos ou bandos. ‘Skloka’ é o modo natural para aqueles que foram incitados a atacar outros, que foram transformados em bestas pelo desespero, que foram encostados à parede”.

Não se chega a este país das últimas coisas por acaso ou má sorte: em democracias representativas é o resultado das escolhas do homem falhado, que tem necessidades mas não tem vontade própria, que desconfia da excelência e encara a sua autonomia como um fardo entediante, até perigoso. Na ânsia da salvação política, prefere sempre um chefe que o alivie das responsabilidades

[*] ver, no artigo, a citação de John Stuart Mill

Pede-se algum decoro

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 10:01

Sou só eu ou há mais quem ria quando se vai buscar Luís Filipe Menezes para dar opinião sobre Manuela Ferreira Leite e a sua continuidade como líder do PSD? (Enfim, eu rio-me quando vão buscar LFM para opinar sobre qualquer coisa). Ou essa maravilha da popularidade que é Azevedo Soares? Sou só eu ou há mais quem ache indecoroso colocar em Manuela Ferreira Leite toda a culpa do resultado de domingo? Sou só eu ou há mais quem se recorde dos mimos passoscoelhistas do último ano? Da crítica ao PSD por ter votado contra o casamento dos homossexuais, esquecendo-se de criticar o PS por ter votado contra apoiando a medida? Da exigência de vitória nas europeias quando se pensava que o PSD ia perder? Do “momento difícil” de MFL em que o tão querido PPC entendeu ‘ajudar’ a líder nesta campanha? Da constante verborreia de desgaste de MFL por PPC e seus apoiantes?

Sou só eu ou há mais quem se recorde do imbróglio que Marques Mendes (cuja liderança produziu algumas muito boas propostas, por exemplo para a fiscalidade ou para a segurança social, e que ajudou a que se inviabilizasse a construção do novo aeroporto na Ota) criou na câmara de Lisboa, não conseguindo sequer oferecer um melhor candidato do que Fernando Negrão e causando a perda da câmara para o PS? Ou que, para o país, com MM e apesar das boas ideias, parecia não existir oposição do PSD (exceptuando-se o caso da Ota)?

Sou só eu ou há mais quem se recorde da piada de mau gosto que era um PSD liderado por Menezes, Ribau e Marco António Costa?

Manuela Ferreira Leite cometeu erros, sem dúvida, o maior dos quais terá sido a escolha dos candidatos a deputados à AR. Não só boicotou a sua imagem de ‘verdade’ com a escolha de Lopes da Costa e António Preto, como reforçou a imagem de regresso ao cavaquismo com nomes como Maria José Nogueira Pinto, Couto dos Santos, Deus Pinheiro, esbanjando a oportunidade de renovar apostando em Paulo Marcelo, Sofia Rocha, Sofia Galvão, Pedro Picoito, Manuel Pinheiro, Luciano Amaral ou Miguel Morgado. (A exclusão de PPC foi uma boa medida para afirmar a autoridade, logo de seguida desdita pela continuidade do apoio a Moita Flores). Contudo está numerosamente acompanhada na sala dos culpados pelo resultado do PSD. Também é conveniente ter um bocadinho de memória: os 29% são tão amargos porque se pensou que se poderia ganhar – impensável antes de MFL e que não se pode agradecer, ai pois não, a nenhum antecessor ou a PPC.

Não vejo porque MFL deverá deixar de liderar o PSD até ao fim do seu mandato em Maio. Fez melhor trabalho do que todos os restantes aqui mencionados. Depois disso, logo se escolhe quem melhor pode substituir, preferencialmente mais cedo do que tarde, o senhor Zézito. Chá de tília pode fazer bem a egos mais apressados.

Mais duas notas

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:27

A juntar a estas duas.

1. Depois das suspeições que ontem lançou sobre o PS, Cavaco Silva não poderia empossar um governo socialista. Porém, perante o resultado das eleições de Domingo não existe outra opção senão mandatar José Sócrates para formar novo governo. O Presidente colocou-se numa posição impossível.

2. Concordo em absoluto com o Luciano e o André. Para além do mais, o PSD tem amplas razões de queixa de Cavaco Silva.

Virar a página

Filed under: Comentário,Legislativas 2009,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 09:17

O PSD tem de esquecer Cavaco Silva. Esta guerra, de que as escutas são mais um episódio, é entre o governo e o Presidente da República. Nela o PSD não é tido nem achado. Os socialistas venceram as eleições e o PSD não pode cair no erro da vitimização política, número para o qual já nos bastou o episódio Sampaio/Santana Lopes.

O PSD tem de virar a página e seguir em frente. Preparar-se para ser uma oposição dura, assertiva e eficaz a este governo, enquanto prepara um novo projecto, estuda um novo programa de governo, verdadeiramente ambicioso e reformador.

A IIIª República faleceu ontem pelas 20h00

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:59

Rui Albuquerque

[Acabou] o semipresidencialismo em Portugal. A partir de hoje, com as declarações do Presidente da República, qualquer hipótese de cooperação institucional, que é, no sistema em causa, a condição necessária e imprescindível para assegurar a dupla legitimidade do governo (presidente e parlamento), é absolutamente impensável. Nem nos tempos idos de Ramalho Eanes e Sá Carneiro, quando a agressividade institucional também pairou alto, se atingiu nada que se compare com isto. O sistema semipresidencialista – que é a essência de todo o nosso ordenamento constitucional e da III República – acabou hoje. O regime provavelmente também. É urgente que venha outro, embora duvide, como há dias escrevi, que ele possa nascer de parto natural.

Nota ao post do Rui. Se bem me recordo, as relações entre Sá Carneiro e Ramalho Eanes (e mesmo as deste com Mário Soares) nunca foram famosas. Na altura, o PR fez amplo uso dos seus poderes discricionários (que eram bem maiores) para fazer a “vida negra” ao(s) governo(s). A diferença é que o regime ainda estava a nascer e, convém lembrar, as alterações produzidas pela revisão constitucional de 82 equilibrarar o “jogo”. O novo status quo durou menos de 20 anos e como diz o Rui, “É urgente que venha outro“. O mais rapidamente possívelm, enquanto é possível efectuar um “parto natural“.

E agora, Obama?

Filed under: Internacional,Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 08:41

Os planos de Obama para a criação de um sistem público de saúde estão a ser derrotadas pelo seu próprio partido. É caso para perguntar: E agora, Obama?

A bipartisan Senate vote swept aside demands by liberal Democrats for a government-run health insurance plan, delivering a potentially lethal blow to the most controversial measure of the proposed U.S. health-care overhaul.

Dramatizing Democratic divisions on the issue, five Democrats joined with all Republicans on the Senate Finance Committee to defeat 15-8 a proposal by Sen. Jay Rockefeller for a government plan to help those who couldn’t get affordable insurance through their employers. A similar proposal fell by a 13-10 vote

Setembro 29, 2009

Alienação presidencial

Filed under: Política — Adolfo Mesquita Nunes @ 23:01

Enredado em meias palavras e meias insinuações, o Presidente da República falou como se não fosse o garante do regular funcionamento das instituições democráticas e, mais do que isso, como se não fosse ele o responsável pela indigitação do Primeiro-Ministro. Esta circunstância, que é grave porque configura uma alienação política dos poderes e deveres presidenciais, é ainda mais grave se pensarmos que Cavaco Silva foi eleito precisamente por aqueles que defendiam um Presidente completamente independente do Governo e ciente dos poderes presidenciais constitucionalmente previstos.

O cão mordeu

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 22:56

Costuma-se dizer que cão que ladra, não morde. A excepção (pelo que acabámos de ouvir pela boca do Ministro da Presidência)  acabou de confirmar a regra.

Que diabo, afinal o Dr. Alberto João Jardim tinha razão? O país endoidou?

O resumo da novela: o PR pôs-se a jeito; o Governo não perdoou.

Senhoras e Senhores, preparem-se: a procissão ainda vai no adro. E nós nunca assistimos a uma situação destas. Não há precedente. E este não é um fait-divert da política quotidiana. É a própria sobrevivência do regime que bem pode estar em causa.

“Cortar o mal pela raíz”?

Estou espantada

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 22:28

Mas não é que os senhores opinadores oficiosos do regime, que nestes dias não cessaram de nos explicar a superioridade de Sócrates face a Manuela Ferreira Leite e a inexorabilidade da reeleição socrática, se questionam se os resultados das eleições teriam sido diferentes se Cavaco tivesse falado antes. Então o maravilhoso e incandescente Sócrates não é assim tão maravilhoso e incandescente que resistisse a umas palavrinhas do PR?

No pasa nada

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 22:18

O ex-porta-voz do PS Vitalino Canas considerou hoje que a comunicação do Presidente da República “clarificou” do ponto de vista político que não há a “percepção” de que a Presidência esteja a ser vigiada pelo Governo.

Contratam-se exegetas para as declarações do Presidente da República

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 21:48

Eu queria escrever alguma coisa sobre as palavras do PR mas o André Abrantes Amaral chegou primeiro (estão a ver como as mulheres com filhos são prejudicadas?) e disse tudo.

Pareceu-me que Cavaco agiu de boa fé, mas que foi muito pouco habilidoso, lá isso foi.

(O título é para os comentadores que escalpelizaram as palavras do presidente, vendo insondáveis mensagens no que foi uma declaração muito clara.)

Adenda: Afinal tenho mais a dizer. Se Cavaco Silva é tão incómodo para este PS, que se dão ao trabalho de manipular jornais e opinião pública para fragilizar o PR, então isso significa que Cavaco é muito necessário na presidência para continuar a incomodar este PS e este primeiro-ministro.

A declaração de Cavaco

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 21:42

Cavaco Silva veio dizer, muito claramente, que dirigentes do PS e gente ligada ao Governo tinha feito circular notícias com o propósito de o fragilizar e de distrair os portugueses da campanha eleitoral. Até aqui, nada a apontar ao Presidente da República. É evidente que foi esse o objectivo da manobra, logo no início e muito claramente aquando da “notícia” do DN. Mas, ao demitir Fernando Lima (deixando assentar na cabeça das pessoas a ideia de que ele tinha feito algo de errado), e não dizendo o que hoje disse antes das eleições, Cavaco deixou que essa manobra atingisse os seus objectivos. Tal como ao longo do seu mandato, Cavaco assistiu impávido e sereno á falta de vergonha deste Governo, e às suas actividades pouco lícitas. Agora vem, com toda a razão, apontar o carácter duvidoso das pessoas que nos governam. Pena que seja tarde demais. O seu silêncio (deixando a declaração de hoje para depois das eleições) e a sua acção (demitindo Lima) permitiram a vitória dos que “ultrapassaram os limites da moral e da decência”. Falou demasiado tarde.

A declaração (2)

Filed under: Política,Portugal,Videos — Miguel Botelho Moniz @ 21:30


Foram ultrapassados os limites da moral e da decência

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 21:20

Pois bem, esta, a meu ver, é a afirmação mais importante de todas.

Também aqui não fiquei esclarecido. Fica-me a pergunta:

POR QUEM ?

Revelação bombástica!

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 21:16

O senhor Presidente da República é um info-excluído.

Será verdade? Será verdade que o PR não sabe que os computadores com ligações externas estão todos eles potencialmente sujeitos a ameaças externas? Todos, desde este donde escrevo até aos da NASA ou da Casa Branca? Será verdade?

Eu recuso-me a acreditar.  E mais: recuso-me a aceitar que o PR acredite que eu acredito nisso.

A declaração

Filed under: Política,Portugal,Videos — Miguel Noronha @ 21:09

Podem ver aqui o video da declaração

Noa: Não consigo colocar videos do Sapo no WordPress. Assim que o video estiver disponível no Youtube faço a substituição

Duas conclusões

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 20:46

Acerca da declaração do Presidente da República, a primeira conclusão é que Manuela Ferreira Leite foi vitimada por uma guerra a que era alheia. A segunda é que essa guerra vai continuar. E agora é a doer.

A mensagem do presidente

Filed under: Comentário,Legislativas 2009,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 20:38

Cavaco Silva nunca falou de escutas, mas referiu que o sistema apresenta vulnerabilidades. Nunca falou de escutas, mas também não disse que estas não tinham existido.

Ao mencionar a manipulação política que foi feita com este caso, Cavaco disse-nos ter consciência de quem é José Sócrates.

O que aí vem (2)

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — Bruno Alves @ 16:37

O Paulo responde amavelmente ao que aqui escrevi ontem. Diz ele que a razão pela qual escreveu que “José Sócrates e o PS são reféns de um parlamento pulverizado” foi que “dialogar com as oposições contraria a verdadeira natureza de José Sócrates e deste PS”. Ora, é precisamente aqui que me parece estar o erro do raciocínio do Paulo e da maioria das pessoas que têm dito coisas semelhantes. Ao contrário do que diz Ana Sá Lopes (num artigo citado pelo Paulo), não me parece que o “verdadeiro Sócrates” tenha “acabado”. A razão é simples: não me parece que venha aí grande diálogo. A “arrogância” do Primeiro-Ministro vai continuar, e se os outros partidos não forem atrás, serão caracterizados como “maledicentes” e “obstáculos” à “modernização do país”. Sócrates não vai precisar de esconder a sua natureza e tornar-se um “animal manso”, porque a sua habitual ferocidade fará parte da estratégia de vitimização com que pretenderá fortalecer a sua posição em eleições antecipadas. A única forma de isto não suceder será se Passos Coelho (ou outra figurinha desprezível como ele) acabar mesmo por se tornar líder do PSD. Aí, Sócrates terá um PSD sempre disponível para se curvar aos seus pés. Mas não me parece que o país, nem sequer o parlamento, ganhem muito com isso.

A Chavização da direita na América Latina (2)

Filed under: Internacional,Media,Política — Miguel Noronha @ 15:51

Segundo o NYT, o Congresso hondurenho forçou a presidente interino a recuar na decisão de fechar os media que apoiavam o presidente destituido. Sinal que, ao contrário do que alguns dizem, as Honduras não caminham para uma ditadura. Sinal que não temos uma nova Venezuela.

(via Ordem Livre)

Rua Direita

Filed under: Legislativas 2009 — Adolfo Mesquita Nunes @ 15:11

A Rua Direita, blogue que me manteve afastado aqui d’O Insurgente e de que muito me orgulho, chegou ao fim, 2 dias depois destas eleições.

Os partidos não devem ser espaços monolíticos onde só cabe uma ideia, nem lugar nenhum onde cabe tudo. Nós, que não somos a voz do CDS, somos o CDS dos eleitores (dos que têm e vêm à net, mas não só). Os eleitores que aqui passaram não são apenas o futuro do CDS. Eles são o presente do CDS e foi por eles e com eles que se testemunhou o crescimento eleitoral do CDS. De resto, esta Rua mostrou como o CDS é muito mais do que aquilo que muitas vezes o fazem parecer. Coisa que os leitores da Rua perceberam e os eleitores também.

E agora, Sócrates?

Filed under: Internacional,Política,Portugal,Religião,Videos — BZ @ 14:53

Concentrar a campanha no primeiro-ministro (incluindo o site personalizado socrates2009.pt) foi essencial para a vitória nas legislativas. Agora, para “conquistar” futuras gerações de eleitores, a oferta de computadores foi um importante passo para alcançar o nível de adoração de outros líderes políticos, como

BUSH:

 

e OBAMA:

 

mas cuidado para não chegar a isto…:

Portugal com processo por défice excessivo

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 11:57

É pena que uma das mistificações – a de rigor nas contas públicas – com que o PS nos brindou na campanha não tenha sido devidamente denunciada, e só hoje apareça na imprensa. Sem prejuízo que estamos num cenário de crise, e Portugal é acompanhado por outros países no desequilíbrio das contas públicas, era importante que Sócrates explicasse qual o efectivo valor do défice com que vamos acabar este ano, e qual a estratégia a seguir – e suas consequências - para o reduzir: mais impostos? redução da despesa corrente? mais cortes no investimento público?

” (…) A Comissão Europeia irá abrir em Novembro um procedimento de “défice excessivo” contra Portugal (…) Bruxelas irá fazer recomendações, colocar Lisboa sob “vigilância orçamental” e avançar com um calendário para sair da situação de desequilíbrio das contas superior a 3% do PIB (défice excessivo). O período que será dado para corrigir o “défice excessivo” português será negociado com as autoridades nacionais (…) “.

A mistificação da excelência do SNS

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 11:44

É pena que estes números só vejam a luz do dia nesta altura, porque mostram bem o que foi a mistificação socialista ao longo da campanha:

” (…) O sistema de saúde português está entre os piores da Europa. Tempos de espera elevados e falta de acesso rápido ao médico de família atiram Portugal para o 25.º lugar entre 33 países europeus. O melhor exemplo é a Holanda (…) “.

(Ver também a notícia do Público)

Foi chato, não foi?

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:33

dor de cornoO coordenador da aliança trotskysta-estalinista demonstra aqui estar algo chateado por ter sido ultrapassado pelo CDS e não ter deputados suficientes para impor a sua agenda ao governo socialista. Ainda assim, considero positiva a confissão que a “cultura de extrema-direita europeia” e a “cultura histórica da direita portuguesa” são contraditórias. Louçã apenas abre uma excepção para o actual CDS. Percebe-se perfeitamente porquê.

Revitalização do Parlamento?

Filed under: Comentário,Legislativas 2009,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:10

Com o regresso ao tempo dos governos minoritários, volta a convicção de que o Parlamento irá ter mais poder. Pura ilusão. Conforme já referiu o Miguel Morgado, aquilo que iremos assistir é a negociações entre as lideranças dos vários partidos para obtenção de maiorias parlamentares, com vista à aprovação de leis. O Parlamento só se dignificará, só ganhará relevo e importância na vida política no dia em que os seus deputados foram eleitos em círculos uninominais. Basicamente, no dia em que forem escolhidos pelos eleitores, de forma directa, e não, como ainda sucede, pelas cúpulas dos partidos.

No dia em que cada deputado depender dos seus eleitores e não unicamente da direcção do seu partido.

Tempos difíceis

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:31

Na edição de hoje do Diário Económico, vários artigos de opinião alertam para as dificuldades economicas e financeiras que aí veem. É significativo que um deles seja de alguém próximo da “ala esquerda” do PS. Cito este pelo seu significado e o de Paulo Soares Pinho que me parece o mais acertado. Que ninguém diga que não foi avisado. (mais…)

Página Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 342 other followers