O Insurgente

Agosto 21, 2009

A entrevista de Ferreira Leite

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 23:00

(também publicado aqui)

Vi ontem a entrevista de Ferreira Leite a Judite de Sousa, e muito rapidamente me arrependi. Não por causa de Ferreira Leite, que disse o que eu esperava (e queria) que ela dissesse, mas por causa de Judite de Sousa, uma péssima entrevistadora que, vá-se lá saber como, chegou onde chegou. Sempre que vejo uma entrevista conduzida pela jornalista da RTP, perco a cabeça, irrito-me, grito insultos em direcção à televisão. Judite de Sousa até já conseguiu pôr-me a simpatizar com Sócrates, de tal maneira as suas entrevistas me põem fora de mim.

Ontem, por exemplo, disse em tom indiginado que o programa do PSD “não pode ser só uma folha A4″. Manuela Ferreira leite disse que não seria, mas e se fosse? mais vale uma folha A4 de compromissos que as pessoas compreendam e sejam para cumprir, do que 200 páginas de propaganda que ninguém lê e não são para levar a sério. Um pouco mais à frente, mostrou a sua surpresa por Ferreira Leite dizer que o programa a ser apresentado daqui a uns dias não seria diferente do que ela tem vindo a dizer. Judite de Sousa logo se mostrou surpresa por o programa não ter “uma novidade”. Não lhe ocorre, claro, que os programas não servem (ou não devem servir) para ter “novidades”, mas para submeter aos eleitores a visão que um determinado partido ou candidato tem do país: se um programa tem muitas “novidades”, o candidato ou está a mentir ou nem tem visão nenhuma (ou, no caso de Sócrates, ambas as coisas).

Só mesmo a obsessão dos jornalistas portugueses com as “novidades”, as “caras novas”, as “ideias novas” (há uns dias, no DN, até a parvoíce da bandeira do 31 da Armada passava por uma demonstração de que “há uma direita com ideias”), que passam por “boas” independentemente da qualidade só porque são “novas” (às vezes nem isso, como se vê pelo caso de Passos Coelho, que não só é uma nulidade, como já o é há muitos anos), explica o choque com que Judite de Sousa olhou para a ausência de “novidades” no programa do PSD.

Já mais perto do final da entrevista, Judite de Sousa perguntou a Ferreira Leite qual era o compromisso da líder do PSD em relação ao crescimento económico. Aqui, só mesmo a ignorância explica a pergunta de Judite de Sousa, que não compreende (e Ferreira Leite, coitada, bem tentou explicar-lhe) que nennhum político se pode comprometer com o que quer seja em relação ao crescimento económico, porque o Governo não é o responsável pelo crescimento económico, que depende de muitos factores que nenhum Governo pode controlar. Pedir a Manuela Ferreira Leite que se comprometa com um qualquer valor para o crescimento económico seria o mesmo que pedir-lhe que diga se promete a qualificação da selecção nacional de futebol para o Mundial de 2010: em ambos os casos, ela nada tem a ver com isso. Aliás, com tantos assuntos acerca dos quais Judite de Sousa queria saber a opinião de Ferreira Leite, não me espantaria nada que a dada altura lhe tivesse perguntado o que é que ela pensava acerca do trabalho de Jorge Jesus no Benfica, dos méritos ou deméritos do losango de Paulo Bento, ou se é ou não “fácil expulsar o Hulk”. São questões tão apropriadas para alguém que pretende exercer o cargo de Primeiro-Ministro como algumas das que Judite de Sousa lhe colocou.

Progressividade fiscal (7)

Filed under: Economia,Justiça,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 14:19

Referi aqui que a progressividade galopante do IRS é normalmente justificada com a desigualdade de rendimentos. Já vimos que essa desigualdade dificilmente justifica o peso punitivo que incide sobre os 15% de pagantes que carregam 85% do fardo do IRS. É, contudo, interessante levar esta análise mais longe e comparar as distribuições de rendimentos e respectivos impostos directos de Portugal com outros países. Arranjei dados sobre a Dinamarca (um país reconhecidamente igualitário), a França (supostamente igualitária, ou pelo menos grande defensora do “modelo social”) e o Reino Unido (perverso antro neoliberal que segue o temível “modelo anglo-saxónico”). Segundo a Wikipedia, Portugal tem o pior coeficiente gini dos quatro (38), tendo o Reino Unido 34, a França 28 e a Dinamarca 24.

rendimento-irs

Podemos confirmar que a distribuição do IRS em Portugal é mais concentrada nos segmentos mais elevados do que em qualquer dos restantes países. Curiosamente, os dois com menores coeficientes de gini têm distribuições fiscais radicalmente diferentes, com a França mais próxima da progressividade galopante portuguesa (com a feature original de ter um imposto negativo para a população com menores rendimentos), enquanto a Dinamarca tem o seu imposto sobre o rendimento mais amplamente distribuido.

Até aqui tudo mais ou menos com seria de esperar. No entanto, olhando para a distribuição dos rendimentos é que se percebe que a correspondência com a carga de IRS já não bate certo. Como visto anteriormente, o problema principal português é a quase inexistência de uma classe média. É esta a causa do elevado coeficiente de gini do país. Os ricos não são mais ricos (em termos relativos) que os ricos de outros países (ver quadro abaixo); e os mais pobres até têm mais rendimento (em termos relativos) que os mais pobres dinamarqueses. O problema está no nível absoluto do rendimento. Somos claramente o parente pobre da UE-15 (e se não temos cuidado, qualquer dia da UE-27 também). Mas este nível não agrava o coeficiente de gini, que é relativo à distância do meio da curva relativamente à recta de 45 graus.

top1

A conclusão é que Portugal tem um estado com preço de país rico, sendo pobre (tal como acaba por ser o nível de serviço do mesmo). Como é pobre, tem de cobrar muito mais impostos aos poucos que ganham mais para compensar os que não consegue cobrar à grande maioria da população. Este peso fiscal tem dois grandes inconvenientes e um risco: A carga sobre quem ganha mais diminui a acumulação de capital privado, deprimindo a capacidade de investir; a progressividade galopante reduz o incentivo natural para “subir na vida”; o risco é que como os que ganham mais são poucos, não é difícil irem embora (ver este post do Vitor Jesus sobre o assunto).

Agosto 20, 2009

Daniela Major no Jamais

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:38

É com grande satisfação que leio o primeiro texto da Daniela Major no blogue “Jamais“. A Daniela Major é, desde longa data, uma das visitantes que mais apreço recolheu entre o “Colectivo Insurgente” pois, apesar da sua grande juventude, sempre apresenta uma enorme capacidade de nos falar com as palavras certas.

Em meu nome – e estou certo, em nome de todos os Insurgentes – desejamos à Daniela Major as maiores felicidades na sua participação no Jamais.

Leituras recomendadas

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:56

Escreve o José Reis dos Santos, no SIMplex:

“(…) De facto, caro Pacheco, aqui promovemos a qualidade, o bom discurso e a elevação do debate. Temos conseguido manter, é verdade, um nível bem elevado , o que é difícil de conseguir. Obrigado pela consideração (…)“.

Conceitos distorcidos

Filed under: Blogosfera,Economia,Política — Miguel Botelho Moniz @ 18:52

O André Abrantes Amaral escreveu: «Qualquer ajuda do Estado a uma empresa, pressupõe o prejuízo de outra empresa e dos cidadãos. Quer através de impostos, quer criando e incentivando concorrentes que só se podem apelidar de desleais.»

Em resposta, o Hugo Mendes afirmou: «Gostava de perceber porque é, para aqueles que dizem que a justiça social entre indivíduos é uma “miragem”, são os primeiros a invocar a princípio de justiça quando se trata de concorrência entre empresas.»

Esta dúvida é muito fácil de explicar. A incompreensão parte da confusão sobre dois conceitos incompatíveis que o Hugo parece entender como um único conceito. Justiça social não é justiça. Se fosse, não precisava de ser qualificada com o adjectivo “social”. Justiça social é uma ideia derivada do igualitarismo defendido por socialistas (entre outros). Por conseguinte, é essa ideia de igualdade que é uma “miragem”. As pessoas não são iguais; e a única forma de as tornar iguais é pela força. Força que necessariamente viola o princípio de justiça.

Assim, o princípio liberal invocado pelo André relativo à concorrência desleal por parte de empresas ajudadas pelo estado é rigorosamente o mesmo princípio, de justiça, que defende que os cidadãos não devem ser instrumentalizados por forma a financiarem fins igualitários (dessa “justiça social” que não é justiça).

Kenneth Tin-Kin Hung: “In G.O.D. we trust”

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 10:50

Carísssssimo Nogueira Leite, obrigada por toda a atenção

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 00:40

Não sabe quem é António Nogueira Leite? Eu também não sabia até há muito pouco tempo, quando o seu nome foi mencionado para um projecto no qual eu pensava participar e do qual me desliguei (se ainda não chegaram aos trinta, fiquem a saber que com a idade nos tornamos muito mais peculiares com as qualidades das companhias) logo que olho alheio atento me chamou para o ecran do computador no twitter do venerável senhor, em que, além de se me referir como ghost do Ribau Esteves, demonstra a inegável elegância, boa educação, civilidade de confessar que gostava de me… dar uma tareiazinha. É certo que Nogueira Leite se distancia dos machões que batem em mulheres, mas suspeita-se que se eu já houvesse escrito algo sobre ele, a conversa seria diferente. Continuando, até então eu não fazia ideia quem era António Noguera Leite, nem sequer que havia sido Secretário de Estado de António Guterres (nunca recuperei do facto de o Prof. Pacheco, de Economia da Católica, aquele das histórias dos aquários para explicar os intergrais e da Cinderela para explicar os intervalos - no entanto, pelo menos, inegavelmente inteligente – ter também pertencido à equipa das finanças de Guterres, pelo que nunca houve muito espaço de memória para outras personagens menos exóticas). Mas António Nogueira Leite, aparentemente, interessava-se já muito por mim. Outro olho alheio amigo (eu não gosto do twitter, há que informar, até porque, como se vê neste e noutros posts, sou demasiado palavrosa) lá me mostrou que António Nogueira Leite continua extremamente interessado na minha, concordo, muito interessante pessoa – que o esclarecido autor, claro que num nível de discussão altíssimo, trata por ‘criatura’ e ‘ordinária’. Escreveu, só nos últimos dias, não uma, nem duas, nem três, mas muuuitas entradas sobre mim (desculpe, caro leitor, mas não me apeteceu contá-las). E, não duvide, caro leitor, António Nogueira Leite é um verdadeiro pândego (como Serafim Lampião poderia dizer afectuosamente do seu tio Anatole): não é que, de mim, depois de tantos twits elegantes e nada obcecados escreve ”parece impossivel alguem simultaneamente tao burro e c/tanto ódio“? (meu bold). Também (estupefacção!) parece viver na ilusão de que eu perco o meu tempo lendo-o e comentando-o – eu, que só me referi ao inimitável senhor num comentário a um post do João Gonçalves, sobre outro ataque, desta feita a Miguel Frasquilho.

Com tanto interesse demonstrado por mim, e tanta vontade de expor os seus bons sentimentos, eu não poderia deixar de, caridosamente, ajudar a publicitar a elegância, fineza, educação de António Nogueira Leite. No entanto, qual Elizabeth Bennet recusando as propostas de Mr Collins, tenho que dizer a Nogueira Leite que o interesse não é mútuo: pessoalmente, os indícios de personalidade não me agradam, e as suas ideias políticas não conheço; no twitter, entre insultos a várias partes e músicas, não as vislumbrei. Tem de perceber que entre os filhos e o dearest husband, as novidades semanais do Net-a-Porter, a campanha eleitoral, as leituras (ando finalmente no Turgenev), a Vogue e a Vanity Fair não tem possibilidade de competir. Mas, se não tiver mais que fazer, nem outros interesses mais reconfortantes e mais próximos na sua vida não-virtual (no mínimo, que assegurem alguma reciprocidade), by all means, continue a twittar sobre mim. Cada um entretém-se com o que pode. Longe de mim querer privá-lo de alguma satisfação.

Agora espero poder continuar a passear descansada e sem perigo pelas ruas de Lisboa.

Acrescento: António Nogueira Leite em todo o seu esplendor (agora, para ter visibilidade, em local que visito diariamente), com nova ameaça velada no final, persistindo em mostrar o nobre material de que é constituído, caracterizando-me de destruidora de casamentos wannabe (e, claríssimo!, visando eu logo o seu). Não há quem proteja Nogueira Leite de si próprio?

Agosto 19, 2009

Efeito Páscoa

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 23:22

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Até que ponto o crescimento inesperado do PIB no segundo trimestre face ao primeiro será explicado pelo facto da Páscoa ter sido em Abril? No ano passado caiu no primeiro trimestre e, na altura, ficou-se a saber que os dados do INE não são normalmente ajustados para sazonalidade por causa da Páscoa. Se fossem, o efeito até poderia ser ao contrário, pois existe a percepção cá pelo burgo de que menos dias úteis deprimem a actividade económica; noutros locais, como a Alemanha ou a Áustria, acham o contrário.

Segundo o INE, a recuperação deve-se essencialmente ao consumo privado corrente. Os restantes indicadores são quase todos piores, ou quanto muito “menos negativos”. Consumo privado corrente parece ser justamente o que poderia aumentar com um fim de semana comprido na praia.

A marca que mais anda na boca dos portugueses

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 16:27

Há quem diga que o PS e o Governo puseram o Magalhães na boca dos portugueses. Andei a investigar e conclui que a marca que os socialistas mais difundiram entre os nossos conterrâneos é também ela um clone, não da Intel, mas da Apple. O iphodase é, sem dúvida, a grande inovação em Portugal, motivo de orgulho, certamente, da nossa governação, que tanto tem investido em tecnologia.

Quando os argumentos políticos não chegam

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 10:45

O Jamais é constituído por um grupo de pessoas voluntaristas, com muita vontade de deixarem de ser governadas por José Sócrates e a sua trupe e substituírem-nos por uma equipa que não faça corar de vergonha, liderada por Manuela Ferreira Leite, dando parte do seu tempo de trabalho e de férias sem qualquer outra recompensa em vista. O Simplex, segundo João Coisas, emprega art directors que nem votam no PS. Tudo muito bem. Já se sabe que a área onde o governo Sócrates foi medianamente proficiente foi precisamente no tratamento da imagem e na propaganda (não muito eficiente, no entanto, porque esta maldosa da realidade teimou em não fazer a vontade ao PS de seguir a meta-realidade socrática propagandeada) e já tínhamos entendido por certas insinuações que há quem esteja habituado aos tais amplos recursos. Melhor ainda, se o dinheiro pago nestas contratações fizer parte dos 5,5 milhões de euros que o PS pretende gastar na campanha eleitoral e não constituir um ‘lapso’ semelhante aos videos das crianças com o Magalhães que seriam para o ministério de educação e terminaram no tempo de antena do PS.

O que de modo nenhum se tolera é a ameaça judicial que prontamente surge da parte do tal art director que vota no PNR a propósito do uso de uma fotografia encontrada no google da mandatária para a juventude do PS. Espera-se que estas ameaças sejam instruções do empregador e não uma forma de intimidação inspirada em Sócrates (lembremos os processos a António Balbino Caldeira, João Miguel Tavares e a José Manuel Fernandes) que tenha feito escola na sociedade portuguesa. É que politicamente estes comportamentos não costumam ser premiados. Mas é tal o desnorte nas hostes socialistas/PNR que provavelmente ainda não perceberam.

Adenda: Dizem-me do 5 Dias que o art director do Simplex afinal não vota PNR, apesar de também não votar PS. Ficam (ainda mais) esclarecidos.

Mau demais

Filed under: Justiça,Portugal — LT @ 10:29

Parece uma notícia retirada d’O Inimigo Público ou d’O Indesmentível, mas diz que não, que é verdade.

Dois agentes da PSP foram agredidos na Amadora. Os dois agressores foram condenados em tribunal, mas como apresentaram atestado de pobreza livraram-se de pagar uma indemnização pelos danos morais e físicos causados aos polícias. Estes, embora nada tenham recebido, foram agora notificados para pagar as custas do processo: 400 euros cada um.

Agosto 18, 2009

Um sinal grave

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Bruno Alves @ 22:25

Há dias, José Junqueiro e Vitalino Canas, dois conhecidos (das respectivas mães) aguadeiros de José Sócrates, vieram mostrar-se muito escandalizados (no Rato, toda a gente se escandaliza muito facilmente) com a suposta colaboração de assessores do Presidente da República na elaboração do programa eleitoral do PSD. Em resposta a esta acusação, um membro da Casa Civil de Belém “confessou” (certamente de “coração pesado”) ao Público que “o clima psicológico” que se vive em Belém “é de consternação”, com a possibilidade de os serviços da Presidência (e os assessores de cavaco” estarem sob escuta e vigilância. A ser verdade, seria o suficiente para demitir este Governo imediatamente (e razões suficientes para este Governo ser demitido foi coisa que nunca faltou ao longo do seu triste mandato). Mas seja como for, esta notícia é grave. Seja verdade o que diz o anónimo assessor de Cavaco, seja isso uma mentira deliberada da sua parte, ou seja isso uma mera suspeição infundada.

Se o assessor de Cavaco tiver razão, e o Governo, ao bom velho estilo do saudoso Dick, estiver a escutar e a vigiar as pessoas que trabalham na presidência, a gravidade da coisa não pode ser exagerada: um governo que traísse a relação de confiança mútua, e de respeito, pela Presidência, desta maneira, seria, pura e simplesmente, um Governo criminoso, já nem sequer “sub suspeita” como dizia Aguiar Branco, mas panahado em flagrante. Se, pelo contrário, esta acusação não passa de uma notícia plantada por spin doctors ao serviço de Cavaco, uma mentira deliberada que visa descredibilizar (ainda mais) o Governo, seria também uma quebra intolerável da normal relação que a Presidência deve ter com um Governo, e portanto, um acto intolerável. E mesmo que o assessor de Cavaco pense realmente que está a ser escutado, mas tal não corresponda a verdade, o caso não é menos grave: pois o simples facto de algo assim ser concebível, o simples de alguém na Presidência poder acreditar que o Governo é capaz de fazer algo assim, atribuir credibilidade a essa hipótese, demonstra como a relação entre Belém e São Bento se degradou. Obviamente, não sei o que aconteceu. Não sei quem fala verdade, quem fez o quê, e quem é vítima de que truqes baixos. Mas não é difícil perceber que, seja qual for a verdade, todo este caso dá um sinal da grave degradação das nossas instituições políticas.

Rose Friedman 1911 – 2009

Filed under: Diversos,Economia,Educação,Internacional,Política,Teoria — Elizabete Dias @ 21:15

Faleceu Rose Friedman, economista e viúva de Milton Friedman:

The couple’s 1980 book, ‘‘Free to Choose,’’ demonstrated how the government can undermine economic prosperity and concluded inflation can be produced only by rapid growth in the money supply. In a 2003 speech, Ben S. Bernanke, now chairman of the Federal Reserve, said ‘‘one can hardly overstate’’ the couple’s influence on policy. Their efforts played a role in decisions that ranged from severing the dollar’s peg to gold in the 1970s to ending the military draft, according to economic historian and Carnegie Mellon University professor Allan H. Meltzer. They conceived or improved upon numerous ideas that remain central to public-policy debates, including using vouchers to help parents select the schools their children attend, legalizing drugs and privatizing Social Security.

Rose Friedman em Two Lucky People: Memoirs:

Our central theme in public advocacy has been the promotion of human freedom….it underlies our opposition to rent control and general wage and price controls, our support for educational choice, privatizing radio and television channels, an all-volunteer army, limitation of government spending, legalization of drugs, privatizing Social Security, free trade, and the deregulation of industry and private life to the fullest extent possible.

Ganhar o euromilhões

Filed under: Comentário,Cultura — André Abrantes Amaral @ 10:25

51l4f-UPmlL._SL500_AA240_É também regressar de férias com um livro de £7 debaixo do braço e dar de caras com a edição portuguesa, de capa dura e uma linda gravura, o ideal para a estante de qualquer biblioteca caseira, com o absurdo custo de €33. As editoras portuguesas são iguais ao metro de Lisboa: Obras muito grandes, largas, bonitas, cheias de muita coisa e de utilidade nula. Uma aparência excelente que nos leva a nada.

Agosto 17, 2009

Fica o aviso

Filed under: Desporto — Carlos Guimarães Pinto @ 21:31

Adriano foi agredido
Só escaparam as pernas após brutal abordagem
A noite já ia longa quando três homens encorpados abordaram Adriano no parque de estacionamento da discoteca do Forte, em Vila do Conde, e o deixaram muito maltratado. O avançado do FC Porto – que há largos meses se treina afastado do grupo, recusando-se a aceitar propostas de transferência do clube - foi atingido na cabeça com violência e sofreu um forte traumatismo craniano (…)
O jogador brasileiro, recorde-se, quebrou o silêncio há poucos dias para dizer o seguinte a Record: “Quando eu decidir falar, saiam da frente pois irei contar tudo.”

(Fonte: Record)

Inevitavelmente

Filed under: Economia — Maria João Marques @ 11:22

«A USA TODAY/Gallup Poll found 57% of adults say the stimulus package is having no impact on the economy or making it worse. Even more —60% — doubt that the stimulus plan will help the economy in the years ahead, and only 18% say it has done anything to help improve their personal situation.», USA Today.

Agosto 16, 2009

The Road to Mont Pèlerin

Filed under: Agenda,Comentário,Economia,Internacional,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 01:59

hayek- lse

Viajo daqui a algumas horas rumo à Suécia para participar no encontro da Mont Pelerin Society que terá lugar em Estocolmo nos próximos dias e no qual serei um dos discussants.

Com o estatismo e o socialismo a ganharem terreno em boa parte do mundo e o retorno ao primeiro plano de velhas falácias intervencionistas e keynesianas, estes não são tempos particularmente animadores para os defensores da liberdade. O ânimo tende a diminuir ainda mais de cada vez que se constata que, contrariamente às teorias conspirativas mais ou menos extragavantes sobre a influência e o poder da Mont Pelerin Society e do alegadamente associado “Neoliberal Thought Collective “, são os socialistas e os estatistas em geral quem tem ao seu dispor meios aparentemente infindáveis para promover a sua agenda de expansão do Estado e limitação das liberdades individuais.

Ainda assim, importa recordar que o contexto internacional no qual a Mont Pelerin Society foi criada era ainda mais desfavorável. Com os notáveis exemplos passados de sucesso contra a adversidade, o principal desafio que se coloca aos liberais clássicos de hoje é o de continuar o trabalho de Hayek, adaptando-o da melhor forma possível às condições contemporâneas.

(mais…)

Agosto 14, 2009

Do Ultraje

Filed under: Blogosfera,Justiça,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 18:51

Se há coisa que me parece constituir um ultraje à república é a existência da figura específica de um crime de ultraje à república.

Já que hoje estou numa de queixinhas

Filed under: Justiça,Portugal — Maria João Marques @ 16:11

Há uns anos uns jovens de extrema-esquerda manifestaram-se (com presença da polícia) pelas ruas do Chiado, onde partiram vidros de montras, grafitaram as paredes, amolgaram carros estacionados. Partiram vidros e grafitaram as paredes de uma loja que, na altura, alugávamos. Alguém me sabe dizer se estes vândalos criminosos foram identificados, investigados e punidos? Ou estas coisas só são necessárias (e rapidamente) quando envolvem o pessoal da direita?

As prioridades da investigação judicial estão bem e recomendam-se, sim senhor

Filed under: Justiça,Portugal — Maria João Marques @ 15:20

No Hospital de Santa Maria seis pessoas cegaram na sequência de intervenções cirúrgicas, sem se saber se o medicamento que deveria ter sido usado foi, de facto, usado e, se não, por culpa de quem. O Instituto de Medicina Legal, semanas depois, ainda não fez os testes para verificar a substância introduzida nos olhos das pessoas que cegaram, mas já avisou que provavelmente não se conseguiria descobrir a substância substituta. Do que se lê nos jornais, as maiores ajudas à investigação têm sido umas chamadas anónimas.

Em Setembro do ano passado foi roubada, em Lisboa, uma camioneta da minha empresa devidamente recheada de mercadoria, enquanto o motorista foi entregar uma coisa qualquer. Foi feita de imediato a queixa. Menos de um mês depois foi-nos enviado o aviso de que fora arquivado o caso. Estão mesmo a ver o trabalho que houve a investigar se a camioneta andava por aí, se estava em alguma oficina que costume separar partes de carros roubados (presumindo que a polícia terá alguma ideia quais sejam), se a mercadoria roubada aparecia em alguma feira, não estão? Pois.

Também no ano passado, na parte de venda ao público da empresa, foi descoberto que a supervisora desta área se dedicava, nos últimos dois anos, através de uma manipulação informática fraudulenta, a adulterar listagens e embolsar o dinheiro respectivo num total de várias dezenas de milhares de euros. Em Março lá foi imensa gente prestar declarações na PSP, com um agente a quem tinham marcado as inquirições numa tarde de folga e, logo, ouviu a correr todas as testemunhas que havíamos apresentado. Por agora foram recebidas convocatórias para nova prestação de declarações no DIAP lá para o fim do ano, mais de um ano depois da apresentação da queixa.

Como é óbvio, a brincadeira do 31 da Armada, se ilegal, deve ser investigada e punida (sou partidária da baixa tolerância para crimes pequenos, que tão bons resultados tem dado em Nova Iorque ou Los Angeles). Há que, no entanto, ter noção das proporções. Quando crimes graves contra empresas são tratados com displicência ou com a lentidão enervante do nosso sistema de (in)justiça – para nem referir os crimes contra as pessoas – não se admite que alguém que faça uma brincadeira, mesmo que ilegal, sem consequências para o património do Estado ou para as pessoas seja tratado com a celeridade que se comprova. Lamento, mas este embaraço público de António Costa não é mais grave do que uma agressão a alguém ou, por exemplo, os roubos de que foi alvo a minha empresa. E é uma vergonha que assim seja tratado. António Costa – que já foi ministro da Justiça e MAI – deveria ele próprio insistir para que ‘o caso do 31 da Armada’ seja tratado como qualquer outro caso de idêntica gravidade ocorrido com uma instituição não-pública. E todos sabemos como essa investigação terminaria, não sabemos?

Pela acção do 31 da Armada

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:31

Estou longe de ter simpatias pela Monarquia, que não no que se refere ao seu papel histórico. Pese embora haja países na Europa que evoluiram institucionalmente para manterem a tradição real, em Portugal isso não aconteceu, e há processos que não voltam atrás. Considero que o tema em si não tem qualquer interesse.

O que me agrada na acção do 31 da Armada não é, assim, aquilo que se poderia observar à partida. Em qualquer caso, gosto da ideia de abanar este Centenário da República que se aproxima, e que se prepara para ser uma canonização jacobina da Revolução de 1910. Mas, sobretudo, acho que o 31 da Armada foi capaz de provar que é possível abanar o status quo, ganhando espaço comunicacional, com humor, mas sem destruir a propriedade, ou prejudicar, em substância, os restantes mortais. Foi ilegal? Sim, certamente. Mas houve danos? Alguém foi prejudicado?

Sempre que há uma manifestação ou greve, milhares de portugueses, e o Estado, sofrem avultados prejuízos. Quando a extrema esquerda desenvolve acções de “insurreição civil”, partem-se montras, sujam-se fachadas de edifícios com “palavras de ordem”, em suma, prejudicam-se terceiros, muitas vezes que nada têm a ver com o que está em discussão.

O que enerva a esquerda trauliteira é a constatação que a direita é capaz de ser irreverente, ganhando espaço comunicacional, com humor, fair play, e sem prejudicar ninguém.

Por isso, parabéns ao 31 da Armada.

Ide ler

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — Maria João Marques @ 14:02

o Nuno Gouveia no Jamais.

«João Pedroso recebeu milhares de euros do Ministério da Educação por fazer página e meia de relatório e tudo continuou como se nada tivesse acontecido. O ministro Mário Lino fez um negócio ruinoso para o Estado com a Mota-Engil, do socialista Jorge Coelho, e tudo permaneceu igual. Ontem ficamos a saber que o assessor jurídico do Ministério da Saúde, que ajudou a elaborar a lei que permite a abertura de farmácias em hospitais, em jeito de “coincidência”, partilha o escritório com um advogado que, só por acaso, terá ajudado a vencer cinco dos seis concursos públicos já realizados nesse âmbito. Foi apenas um feliz “acaso”. Também ontem fomos informados que o Ministério da Administração Interna, num acto de “transparência politica”, vai avançar para o ajuste directo na compra de 95 novos veículos para os bombeiros.»

Agosto 13, 2009

Ontem fui eu, no Diário Económico

Filed under: Economia,Insurgentes nos media,Insurgentologia,Política,Portugal — Maria João Marques @ 15:04

Seduzir as PME, no DE

“Estas diferentes propostas do PSD e PS revelam dois entendimentos opostos da actividade empresarial e das funções do Estado. O PS pretende retirar recursos às famílias e às empresas produtivas (as que criam resultados líquidos a taxar) para apoiar as empresas que escolhe, com critérios que discricionariamente decide, sem garantia que empresas e projectos a apoiar sejam viáveis (porque isso só o mercado determina), promovendo a sujeição do sector empresarial face ao Estado e ao governo. Por explicar fica, ainda, a forma de financiamento de todas estas transferências. O PSD entende que o sucesso das PME depende da capacidade dos empresários e não da intervenção estatal; que ao Estado cabe não constrangir, mas facilitar, quem produz.”

Salário mínimo

Filed under: Economia,Política — António Costa Amaral (AA) @ 10:19

Via Thoughts on Freedom,

Agosto 12, 2009

Wild animal

Filed under: Agenda,Comentário,Cultura,Desporto,Educação,Política,Portugal — ruicarmo @ 23:14

José Sócrates, regressa à política num evento jovem e socialista. A dúvida é se o discurso será em inglês indy.

ps

Rumo ao sucesso à moda de Chávez

Filed under: Economia,Internacional,Justiça,Nanny State Watch,Política — ruicarmo @ 23:00

Política de substituição de importações e de incremento da economia macional.

3,4 é óptimo

Filed under: Agenda,Política,Portugal — ruicarmo @ 22:47

Quem espera por uma cirurgia, espera apenas 3,4 meses. Imagino o contentamento simplex dos doentes.

Muita lóco: morangos com muito açúcar no sangue

Filed under: Justiça,Portugal — ruicarmo @ 22:32

Um sistema que me dá confiança.

Adenda:  O Adolfo, precisa certamente de apoio psicológico, de compreensão e até algum carinho politico/institucional.

A “avaliação global” da ERC

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 21:55

Parece que Azeredo Lopes, essa entidade vagamente tenebrosa que costuma dar a cara pela instituição não menos tenebrosa que é a ERC, veio dizer, a propósito do artigo de Sócrates no JN, que ele seria tido em conta na “avaliação global” que a ERC fará da “imparcialidade” dos media nesta campanha eleitoral. ou seja, Azeredo Lopes anuncia que vai seguir o “método Hans Blix” tão bem explicado no Team America: World Police. A ERC vai ficar muito zangada, e escrever um relatório a dizer o quão zangada ficou. Ficamos assim a saber que, mais do que tenebrosa e censória, a ERC é pura e simplesmente ridícula.

Agosto 11, 2009

O artigo de Sócrates

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 22:17

(publicado também aqui)

Não deixa de ser curioso que tenha sido o único jornal a dizer que aceitou cumprir a famosa “directiva” da ERC a publicar um artigo de propaganda do senhor Primeiro-Ministro. Mostra um pouco mais claramente aquilo que já era de suspeitar: a “imparcialidade” desejada pela ERC é, na realidade, uma vergonha sujeição ao poder. Quanto ao artigo de Sócrates propriamente dito, não há nada a dizer. o artigo também não diz nada.

Perspectivas sobre a mesma informação

Filed under: Media — Miguel Botelho Moniz @ 13:54

Visto no Diário Económico:
Portugueses pagam o triplo dos dinamarqueses pelas chamadas móveis
Mais abaixo, na secção “Notícias Relacionadas”:
Chamadas de telemóvel são mais baratas em Portugal

Sugestão de outros títulos:

  • Portugueses pagam pouco mais de metade que espanhóis pelas chamadas móveis
  • Telemóveis cinco vezes mais caros em Espanha que na Dinamarca; Portugal ligeiramente abaixo da média europeia

Revisitando os espectros do fásssismo e de Castela

Filed under: Blogosfera,Media — Miguel Botelho Moniz @ 11:45

No DN:

«Já Ricardo Alves, presidente da Associação República e Laicidade, frisou que não compreende “o que significa este tipo de acção”. Ao DN, diz que”não se percebe se em causa está restaurar a monarquia que caiu a 5 de Outubro, se restaurar o Estado Novo ou defender uma ligação com Espanha que é quem neste momento na Península Ibérica é uma monarquia”.»

No estranho mundo da extrema esquerda

Filed under: Blogosfera,Portugal,Religião — Carlos Guimarães Pinto @ 08:15

Nós já sabíamos que, para o Daniel Oliveira, CDS e PNR são a mesma coisa. Também já sabíamos que Hugo Chavez e Bush são duas faces da mesma moeda. Agora ficamos a saber que utilizar um escadote de 3 metros para trocar uma bandeira num espaço público sem causar qualquer dano material ou pessoal é o mesmo que pontapear um agricultor, depois de lhe invadir e destruir a propriedade.

Recordar o passado recente

Filed under: Blogosfera,Media,Política,Portugal,Teoria — ruicarmo @ 00:12

Do Professor Anacleto, actual coordenador do dinâmico bloco de esquerda e antigo proprietário e director de um pasquim. Mais um excelente post de josé.

Agosto 10, 2009

Uma delícia

Filed under: Cultura,Media — ruicarmo @ 23:41

On Tour with Frank Zappa.

4 mais 2

Filed under: Blogosfera — ruicarmo @ 22:05

Parabéns, Isabel. Obrigado pela companhia nestes seis anos e boas férias.

A minha costela golpista ficou sensibilizada…

Filed under: Blogosfera,Videos — Miguel Botelho Moniz @ 19:41



… apesar de eu não ser nada monárquico.

Agosto 9, 2009

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 21:41

Esta semana, em destaque o blog Novo Rumo.

E agora vou de férias. Fiquem bem.

Ala randiana do Insurgente patrocina reforço

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 01:24
A menina Eva ponderando se deve ou não aparecer na próxima AGI

A menina Eva ponderando se deve ou não aparecer na próxima AGI

A Ala Randiana d’O Insurgente reuniu-se algures na alfacinha cidade de Lisboa e, entre outras reflexões de grande relevância para a vida de cada um de nós, decidiu-se por unanimidade convidar a menina Eva para participar na próxima AGI alargada da Grande Conspiração Reptiliana. O Helder, embora fisicamente ausente, votou por telefone, demonstrando que a Ala Randiana está unida no momento das grandes decisões.

O jantar provou ainda que o individualismo atomista já não é o que era, desde logo, porque todos se desfizeram em simpatias, procurando que o companheiro do lado tivesse antes de si o devido néctar e respectivos talheres, e ninguém começou a comer até que os restantes fossem devidamente servidos. Conseguimos até partilhar pão, queijos e enchidos sem qualquer litígio e, no final, em vez de discriminar a conta, dividimos tudo por quatro.

Pairou a dúvida: seremos socialistas, e não sabemos?

PS (leia-se, post scriptum): Obviamente, não pedimos factura.

Agosto 8, 2009

Comédia portuguesa de luto

Filed under: Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 15:59
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