Referi aqui que a progressividade galopante do IRS é normalmente justificada com a desigualdade de rendimentos. Já vimos que essa desigualdade dificilmente justifica o peso punitivo que incide sobre os 15% de pagantes que carregam 85% do fardo do IRS. É, contudo, interessante levar esta análise mais longe e comparar as distribuições de rendimentos e respectivos impostos directos de Portugal com outros países. Arranjei dados sobre a Dinamarca (um país reconhecidamente igualitário), a França (supostamente igualitária, ou pelo menos grande defensora do “modelo social”) e o Reino Unido (perverso antro neoliberal que segue o temível “modelo anglo-saxónico”). Segundo a Wikipedia, Portugal tem o pior coeficiente gini dos quatro (38), tendo o Reino Unido 34, a França 28 e a Dinamarca 24.

Podemos confirmar que a distribuição do IRS em Portugal é mais concentrada nos segmentos mais elevados do que em qualquer dos restantes países. Curiosamente, os dois com menores coeficientes de gini têm distribuições fiscais radicalmente diferentes, com a França mais próxima da progressividade galopante portuguesa (com a feature original de ter um imposto negativo para a população com menores rendimentos), enquanto a Dinamarca tem o seu imposto sobre o rendimento mais amplamente distribuido.
Até aqui tudo mais ou menos com seria de esperar. No entanto, olhando para a distribuição dos rendimentos é que se percebe que a correspondência com a carga de IRS já não bate certo. Como visto anteriormente, o problema principal português é a quase inexistência de uma classe média. É esta a causa do elevado coeficiente de gini do país. Os ricos não são mais ricos (em termos relativos) que os ricos de outros países (ver quadro abaixo); e os mais pobres até têm mais rendimento (em termos relativos) que os mais pobres dinamarqueses. O problema está no nível absoluto do rendimento. Somos claramente o parente pobre da UE-15 (e se não temos cuidado, qualquer dia da UE-27 também). Mas este nível não agrava o coeficiente de gini, que é relativo à distância do meio da curva relativamente à recta de 45 graus.

A conclusão é que Portugal tem um estado com preço de país rico, sendo pobre (tal como acaba por ser o nível de serviço do mesmo). Como é pobre, tem de cobrar muito mais impostos aos poucos que ganham mais para compensar os que não consegue cobrar à grande maioria da população. Este peso fiscal tem dois grandes inconvenientes e um risco: A carga sobre quem ganha mais diminui a acumulação de capital privado, deprimindo a capacidade de investir; a progressividade galopante reduz o incentivo natural para “subir na vida”; o risco é que como os que ganham mais são poucos, não é difícil irem embora (ver este post do Vitor Jesus sobre o assunto).
E boa parte desse constante aumento de impostos sobre uns poucos serve para combater a desigualdade com o “mundo” importado e rapidamente nacionalizado.500000 desempregados, cerca de 400000 RSI´s, 500000 imigrantes legais,um nº desconhecido de imigrantes ilegais(basta irem ás escolas ver quantos andam por lá matriculados),45000 nacionalizados por ano.É demais para os “ricos Portugueses” e absolutamente traidor para os pobres indígenas muitas das vezes tratados abaixo de africano.
Comentário por Lusitânea — Agosto 21, 2009 @ 15:23
E tudo feito pelos descolonizadores.Que agora nos colonizam sem vergonha nenhuma…
Comentário por Lusitânea — Agosto 21, 2009 @ 15:24
Falta uma coisa nesse estudo: comparar o peso do “Imposto sobre o rendimento” nos orçamentos dos diversos países.
P.ex., em Portugal as receitas do IRS são cerca de 2/3 das do IVA:
http://www.dgo.pt/OE/2009/Aprovado/Lei/Lei_MapasLei.pdf (pag. 75)
Já no Reino Unido, a receita do IRS é o dobro da do IVA:
http://www.hm-treasury.gov.uk/d/bud08_chapter1.pdf (página 18)
Como é IVA é menos progressivo que o IRS, a maior progressividade do “nosso” IRS é contrabalançada por o Estado português “alimentar-se” mais do IVA do que o britânico.
Comentário por Miguel Madeira — Agosto 21, 2009 @ 15:31
«Falta uma coisa nesse estudo: comparar o peso do “Imposto sobre o rendimento” nos orçamentos dos diversos países.»
É verdade. O IRS contribui menos para o orçamento de estado do que os seus correspondentes nos restantes países aqui usados para comparação. No entanto esse facto pouco conforto traz a quem vê um quinto, um quarto ou um terço (ou mais) do seu recibo de vencimento “comido” à cabeça.
Comentário por Migas — Agosto 21, 2009 @ 16:02
Primeiro eles vieram atrás daqueles com 1 Milhão e eu não disse nada.
Depois eles vieram atrás daqueles com 100000 e eu não disse nada.
Depois eles vieram atrás daqueles com 10000 e eu não disse nada.
Depois vieram vieram atrás daqules como eu com 1000 e não houve ninguém para falar por mim.
Comentário por lucklucky — Agosto 21, 2009 @ 17:43
Como é pobre, tem de cobrar muito mais impostos aos poucos que ganham mais para compensar os que não consegue cobrar à grande maioria da população
death spiral…
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Agosto 22, 2009 @ 00:00
É sempre a tentar extorquir mais impostos a que trabalha e cria riqueza.
Comentário por Frederico Mendonça — Agosto 22, 2009 @ 01:54
*quem
Comentário por Frederico Mendonça — Agosto 22, 2009 @ 01:55
o Carlos Santos não respondeu a isto?
Comentário por manuel rezende — Agosto 22, 2009 @ 18:56
está a passear os pés nus pelos verdes relvados de Oxford
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Agosto 23, 2009 @ 10:24
Eu tenho proposto uma Taxa Única de Impostos para o IRS, IRC e IVA com o argumento da simplificação das escolhas de diferentes opções fiscais, podendo ser o ponto de partida uns 20%.
Para equilibrar o argumento da descida da taxa marginal ou média imposto do IRS ainda poderia ser conjugado com forte aumento no nível de isenção no IRS.
Comentário por CN — Agosto 23, 2009 @ 18:50
Lusitânea…totalmente de acordo consigo…é mandar esse meio milhão de imigrantes embora e trazer de volta os 6 milhões de emigrantes portugueses espalhados por esse mundo.
Comentário por Pedro — Agosto 27, 2009 @ 12:20
[...] Taxe-se. É tão fácil ignorar como o actual sistema fiscal já é enormemente progressivo; esquecer os efeitos depressivos que impostos altíssimos tiveram nas economias que os adoptaram no [...]
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