O Insurgente

Agosto 20, 2009

Conceitos distorcidos

Filed under: Blogosfera,Economia,Política — Miguel Botelho Moniz @ 18:52

O André Abrantes Amaral escreveu: «Qualquer ajuda do Estado a uma empresa, pressupõe o prejuízo de outra empresa e dos cidadãos. Quer através de impostos, quer criando e incentivando concorrentes que só se podem apelidar de desleais.»

Em resposta, o Hugo Mendes afirmou: «Gostava de perceber porque é, para aqueles que dizem que a justiça social entre indivíduos é uma “miragem”, são os primeiros a invocar a princípio de justiça quando se trata de concorrência entre empresas.»

Esta dúvida é muito fácil de explicar. A incompreensão parte da confusão sobre dois conceitos incompatíveis que o Hugo parece entender como um único conceito. Justiça social não é justiça. Se fosse, não precisava de ser qualificada com o adjectivo “social”. Justiça social é uma ideia derivada do igualitarismo defendido por socialistas (entre outros). Por conseguinte, é essa ideia de igualdade que é uma “miragem”. As pessoas não são iguais; e a única forma de as tornar iguais é pela força. Força que necessariamente viola o princípio de justiça.

Assim, o princípio liberal invocado pelo André relativo à concorrência desleal por parte de empresas ajudadas pelo estado é rigorosamente o mesmo princípio, de justiça, que defende que os cidadãos não devem ser instrumentalizados por forma a financiarem fins igualitários (dessa “justiça social” que não é justiça).

3 Comentários »

  1. A propósito desta temática, vou referir uma situação curiosa.

    Na Baixa de Faro há poucos anos atrás abriu um Centro Comercial, o Atrium Faro. A larga maioria do espaços comerciais nunca foi ocupado, e recentemente fechou portas. Sucede que quem fez o investimento devia à partida saber o seguinte: no inicío da presente década, aquando da abertura do Fórum Algarve, em Faro, o vizinho Faro Shopping não conseguiu suportar a concorrência e faliu. Posteriormente, soube-se que algumas lojas do Fórum Algarve tinham dificuldades. Portanto, à partida, investir num espaço comercial na cidade seria sempre um risco elevado, tendo ainda em conta que na altura já estavam previstos dois centros comerciais em Tavira e Olhão, que iriam retirar uma parte considerável dos clientes do comércio da capital algarvia.

    No entanto, o Atrium Faro avançou, e o resultado foi aquele que previ.

    Entretanto, José Apolinário, actual presidente da autarquia pelo benemérito PS, decidiu «salvar» o espaço comercial injectando 7 milhões de euros (segundo um jornal local) e fornecendo alguns espaços comerciais a associações locais. Num país civilizado, o espaço comercial após a falência seria vendido a investidores que lhe dariam outro uso. Em Portugal, gasta-se o dinheiro dos contribuintes para tapar os erros de gestão e de investimento de alguns. E a populaça, nada reclama, e permanece impávida enquanto as asneiras se sucedem.

    Sabe-se que não há mais espaço na região para grandes espaços comerciais. Por isso, quem decidir investir nesta área deve tomar a total responsabilidade do risco desse investimento e não devem ser entidades públicas que devem vir posteriormente corrigir estes erros absurdos.

    Mais um pequena nota off-topic. O mesmo José Apolinário defendeu num debate na TVI24 a aprovação de mais duas grandes superfícies comerciais para resolver o problema do emprego na cidade. Duas notas. É lamentável o aproveitamento político da aprovação de projectos resultantes da iniciativa privada para fazer campanha eleitoral. Não é assim que se conseguirá moralizar o Estado e separar o poder político do poder econonómico. E é demagógico que se considera a abertura de mais superfícies comerciais a panaceia para o problema do desemprego na capital algarvia. O desemprego teria solução se Faro tivesse um porto de mercadorias a sério, uma zona industrial onde fossem produzidos bens para exportação, se fosse recuperada a agricultura intensiva da campina, se tivesse uma melhor e mais variada oferta hoteleira, enfim, se tivesse uma iniciativa privada mais dinâmica e diversificada. Mas infelizmente, há quem creia que os portugueses vão comprar casa eternamente e que temos milhões de consumidores abastados e o discurso centrado na construção civil e no comércio como o remédio para a nossa economia continua bem vivo nas hostes do PS.

    Comentário por Luís — Agosto 21, 2009 @ 05:22

  2. Luís,

    julgo que foi o Atrium Faro que recusou uma proposta para abertura da FNAC…

    Comentário por Helder — Agosto 21, 2009 @ 09:59

  3. Mais um exemplo dessa confusão neste post do João Galamba:

    http://5dias.net/2008/04/30/minudencias/

    Comentário por Luís Oliveira — Agosto 21, 2009 @ 10:08


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