No dia 28 de Julho, escreveu Daniel Oliveira:
Ainda é da natureza dos partidos viver mal com as opiniões livres e com uma verdadeira diversidade política que não se fique pelas meras contas de cabeças de cada capelinha. Nuns casos, oferecem lugares em troca da desistência, noutros, esperam sinais de fidelidade acritica, a que chamam cultura de partido, para finalmente aceitarem como seus os que sempre o foram. Seja como for, trata-se de um suicídio. Um partido sem homens e mulheres livres é um partido sem futuro. Porque o compromisso da militância só o é a sério quando tem raízes firmes em convicções pessoais.
Sobre a minha viagem, que continua, escreverei mais tarde.
Depois disso, quase uma semana depois, nada. Para além de um inócuo post com um documentário sobre a Palestina, Daniel Oliveira não voltou a escrever. Estará de férias não anunciadas? Estará a negociar o silêncio, como afirma que se faz no seu (ex?) partido? Quem estará a calar Daniel Oliveira?
Carlos: O que DO diz neste excerto é absolutamente verdade. Hoje é uma raridade verem-se homens e mulheres livres, com vozes autónomas, pensamento próprio, nos partidos políticos.
São, pois, uma raridade preciosa. E um verdadeiro trunfo, valiosíssimo, para o grande grupo partidário. Porque, de facto, são as veias em que corre algum sangue vivo.
E um partido sem essa vida acaba por cair na decadência, na uniformidade, no mimetismo sem qualquer criatividade.
Agora, como a minha área é a psicologia, não posso deixar de ver aqui um tom de “projecção ao contrário”. Pessoalmente, a sua voz não me soa a “livre”, mas a “militante”. Aqui o grande grupo sobrepõe-se a cada indivíduo. É a “fidelidade a uma doutrina”, a um ideal.
Ora, a verdadeira liberdade criativa é individual. E é dessa que os partidos precisam.
Comentário por Ana Silva Fernandes — Agosto 3, 2009 @ 20:49
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