Começo pelo fim então. A dimensão do mercado português não impede empresas portuguesas de produzir o que quer que seja. Hoje não temos mais mercados estanques, e nem a questão da língua serve como desculpa. Artes como a pintura, arquitectura, fotografia, dança não têm o seu sucesso dependente da língua materna dos artistas. Noutras artes, como a música, o exotismo da língua até pode jogar a favor dos artistas. O sucesso de Mariza, Dulce Pontes ou Madredeus fora do país deve-se parcialmente ao facto de cantarem, muito bem, em português.
A extinção dos subsídios levaria ao fim da produção cultural em Portugal? Sim, mas apenas a produção cultural que não interessa. Saramago continuaria a escrever; Mariza, Dulce Pontes, Madredeus, Moonspell e Tony Carreira continuariam a cantar; Paula Rego continuaria a pintar, La Feria a produzir, e sim, Maria João Pires continuaria a tocar. A boa produção artística não precisa de ser subsidiada e, sendo, até corre o risco de deixar de ser boa. Vale a pena pensar no maior exemplo de arte subsidiada: o cinema. Após dezenas de anos de subsídios, o cinema português continua sem produzir obras de destaque e os poucos sucesso que vai tendo de vez em quando devem-se mais à disposição de algumas actrizes para se despirem do que aos méritos dos realizadores. O cinema português não é resultado do génio artístico de niguém, não é pensado para o público, é produzido à medida do burocrata que decide quem subsidiar. É o burocrata que decide o teor da produção cinematográfica em Portugal. Alguém acredita que assim algum dia se produzirá cinema de qualidade? Alguém acredita que um Woddy Allen ou Quentin Tarantino português em princípio de carreira alguma vez passaria o teste do burocrata?
E, sim, também a questão económica, uma questão que vai para além da dicotomia liberalismo/socialismo. Mesmo aceitando como um facto adquirido que o é o estado quem decide como alocar 50% do rendimento dos portuguesas, não se consegue fugir ao facto de que os recursos ao dispor do estado são limitados, e o estado, como qualquer um de nós, tem que fazer escolhas. Subsidiar a cultura significa não subsidiar a saúde, a educação, a justiça e a segurança. Enquanto os portugueses não tiverem acesso a uma saúde, educação, justiça e segurança ao nível dos impostos que pagam, é imoral que se continue a subsidiar produção cultural ou projectos educativos de teor cultural, e é profundamente imoral que artistas fracos ou bons artistas que são terríveis empresários continuem a beneficiar de subsídios para os seus projectos pessoais. Pior ainda quando obtêm ajudas através de cunhas, chantagens e troca de apoios políticos. Aqui nada os diferencia da corja de consultores, empreiteiros, conselheiros, pequenos e grandes empresários e juristas que parasitam o contribuinte português graças à influência que foram ganhando junto dos políticos portugueses.
Julho 11, 2009
Uma cultura de subsídios
Acredito
António Costa em entrevista ao i: “O José Sá Fernandes foi muito útil”
(via ABC do PPM)
Falsas oportunidades
Só por piada se pode equiparar o “Novas Oportunidades” a um programa de formação. Só por ingenuidade ou estupidez se pode esperar que este tenha um efeito positivo nas competências dos “formandos” e logo das suas perspectivas profissionais. Existem reais necessidades de formação em Portugal mas convém não criar falsas expectativas através de um programa mal amanhado que apenas serve para maquilhar as estatisticas nacionais.
Julho 10, 2009
Uma boa razão para apoiar Santana Lopes
Saramago anuncia apoio à candidatura de António Costa
(o subtítulo da notícia explica muita coisa acerca deste apoio…)
Obama com popularidade negativa no Ohio
Obama’s Popularity Plummets in Ohio as Residents Express Impatience
Patience may be wearing thin for President Obama’s economic initiatives to produce results — at least in Ohio — as a new poll shows the president’s popularity plunging in that critical swing state.
The president’s approval ratings from Ohio voters dropped from 62 percent in May to 49 percent this month in a new Quinnipiac University poll, making it the first state in which Obama’s job approval has dipped below 50 percent.
Hoje às 18 horas, Miguel Morgado e Luís Naves

Esta semana vou estar com Antonieta Lopes da Costa em debate com Miguel Morgado e Luís Naves.
Juntos analisamos alguns dos principais temas da actualidade:
- Obama em Moscovo – Barack Obama foi a Moscovo e conseguiu um acordo para redução dos arsenais nucleares. Acabou a segunda Guerra Fria, ou era esta a divergência mais fácil de resolver entre os dois países?
- Desemprego em alta – Com o acentuar da crise, muitos postos de trabalho foram extintos no decorrer de 2009. O que poderemos esperar para os próximos meses e qual a melhor forma de colmatar este drama social?
- Honduras – Com o derrube do presidente Manuel Zelaya, por ordem do Supremo Tribunal, as Honduras encontram-se em plena convulsão política. Golpe de Estado ou restabelecimento do Estado de Direito?
- Programas de governo – Com a aproximação das eleições, os partidos políticos ultimam e apresentam os respectivos programas de governo. Que alternativas poderemos encontrar? E estarão elas ajustadas aos reais problemas do país?
O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
Elisa Ferreira deveria retirar a candidatura
Porto Ferreira. Por Gabriel Silva.
Rui Rio: 55,2%. Elisa Ferreira: 23,5%. Rui Sá: 9,2%. Teixeira Lopes: 8,1%. Dados da sondagem publicada no GRANDE PORTO de hoje.
(…)
A novela que se tem vindo a desenrolar no interior do PS/Porto por estes dias, que levam mesmo à intervenção directa do secretário-geral socialista, é indigna da cidade e de um partido que pretenda apresentar-se seriamente aos portuenses. Elisa Ferreira não era inicialmente má candidata, pelo contrário. Mas desde o princípio não foi bem vista pela pequena e bafienta elite socialista local. E cometeu o erro pessoal de pretender assegurar o seu ganha-pão em duas frentes simultâneas. O que foi mortal à sua candidatura. Não que seja agora fácil recuar, mas Elisa já devia ter percebido que não tem hipóteses, mesmo a nível interno do partido que supostamente a apoia, e deveria tentar retirar-se com alguma dignidade, não aceitando sujeitar-se ao enxovalho que os caciques socialistas locais lhe tem vindo a fazer nestes dias.
Why Europe and the UN are mistaken concerning Honduras
Um artigo de Christian Lüth, Project Director da Friedrich Naumann Foundation em Tegucigalpa (Honduras) publicado originalmente no Die Welt a 4 de Julho
From afar this must seem like a violent coup by rightwing militaries in Honduras. Why look more closely, why ask more questions? The toppled president has to be returned and reinstated right away, democracy has to be reestablished. It is a scandal that such a thing could happen in this day and age anyway!
What a pity that next to nobody did care to ask more questions on June 28th and on the following days. If they had, they would have noticed that this “military coup” was ordered by and the Supreme Court – with a parliamentary majority of 124 to four votes – crossing all party lines. Another piece not fitting the puzzle of a military coup is an arrest warrant for the ousted president which was a result of a number of pending court cases. How does this all fit together?
Era eu mas tinha um chapéu diferente
No dia seguinte à demissão de Pinho, depois de ter aplaudido a sua saída do Governo, [o Bloco de Esquerda] teve um elemento da sua direcção a brindar ao demissionário no seu jantar de despedida.
António Chora, membro da Comissão Política do Bloco – o politburo do partido – explica: «Fui como membro da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, como membro da comissão política do BE não teria ido».
A direcção do BE, embaraçada, reagiu com prudência, demarcando-se de Chora, mas evitando criticá-lo. O SOL tentou obter comentários de vários dirigentes, mas as respostas variaram de «não comento esse assunto» (João Semedo) e «não falo sobre isso» (Miguel Portas) a «essa é uma questão pessoal» (Pedro Soares).
Em memória da “Diana Mantra” e de todos os seus heterónimos
ENA PÁ 2000 – És Cruel
(agradeço a sugestão musical ao Comandante Miguel Noronha)
Julho 9, 2009
Quer escrever uma nova Constitição?
O lançamento do Constituição 2.0 será num debate a 11 de Julho, no Museu das Comunicações, a partir das 10H. Se quiser participar, tem mais informações aqui.
Quem mentiu: Paulo Alves Guerra ou Maria João Pires?
Alguém sabe se Paulo Alves Guerra já se voltou a pronunciar publicamente sobre o (suposto) anúncio da renúncia à nacionalidade portuguesa por parte de Maria João Pires depois de ter sido categoricamente desmentido pelo advogado da pianista?
É que face ao teor e detalhes da notícia inicial, parece muito pouco provável tratar-se apenas de um mero mal entendido:
“Não quero ter mais nada a ver com Portugal. Não devo nada ao país, nem Portugal me deve a mim.” Foi desta forma, que a pianista Maria João Pires contou ao jornalista da Antena 2, Paulo Alves Guerra, que ia renunciar à nacionalidade portuguesa. A declaração, revelada ontem, foi feita nos corredores do Centro Comercial Amoreiras, em Lisboa. “Cruzei-me com a Maria João Pires, que estava às compras e começámos a conversar. Ao fim de cinco minutos, contou-me que ia renunciar à nacionalidade portuguesa porque está farta dos coices e pontapés que tem recebido de Portugal”, diz ao i o jornalista.
A pianista, que tem dupla nacionalidade, vai passar a ser apenas brasileira. “A razão que me deu é que no Brasil, para onde foi em 2006, foi muito bem recebida. Está encantada e vai desenvolver um projecto hoteleiro, chamado Toca do Toco, em Salvador.”
Paulo Alves Guerra fez questão de frisar que estava a falar com um jornalista, mas Maria João Pires respondeu que ele podia utilizar a informação como entendesse, só não permitia que gravasse a conversa. É que a artista se recusa a dar entrevistas à imprensa portuguesa.
A pianista já tinha ameaçado renunciar à nacionalidade, mas ao que parece desta vez é a sério. “Parecia uma atitude muito pensada”, diz o jornalista. Dentro de duas semanas tudo estará tratado, mas antes o seu advogado emitirá uma declaração.
Como até agora a única declaração do advogado de Maria João Pires foi um desmentido categórico, é a credibilidade do jornalista da Antena 2 Paulo Alves Guerra que está directamente posta em causa. Espero por isso que já tenha havido – ou não deixe de vir a haver – um esclarecimento público por parte de Paulo Alves Guerra sobre este lamentável episódio no qual a Antena 2 foi utilizada como instrumento de divulgação de uma (aparente?) falsidade.
Ryanair pondera ter passageiros a viajar de pé nos aviões
Ryanair asks passengers to vote on ‘standing’ flights
Ryanair, the World’s favourite airline, today (9th July) launched an online poll to ask if passengers would ‘stand’ on short flights if it meant they could travel for FREE, or pay 50% less than seated passengers. Ryanair is gauging passenger demand for its ‘vertical seating’ which will allow passengers to travel – for free – in a secure upright position on short flights of approximately one hour.
The poll, which is available on ryanair.com until midnight Monday 13th July, asks passengers:
1. If it meant your fare was free would you stand on a one hour flight?
2. If it meant your fare was half that of a seated passenger would you stand on a one hour flight?
3. Do you think passengers should have a choice of standing on short flights as they currently do on trains, buses and underground transport?
não mais do que isto

Ninguém tem a ilusão ou ingenuidade de conceber um Partido Social Democrata liberal. Tão pouco imaginar que é possível, em Portugal, um governo verdadeiramente liberalizador da sociedade, da economia e da política em geral. O liberalismo, como reiteradamente tem sido dito e escrito, não é um programa de governo e não serve de ideário partidário. É mais uma pedagogia social do que política. Serve mais para tornar os cidadãos conscientes dos seus direitos perante a política e o estado do que para operar o milagre do estado e do governo lhos reconhecerem unilateralmente.
Posto isto, entre o socialismo e a economia de mercado existe um espaço muito razoável. Aquilo em que temos vivido é, de há trinta anos para cá, socialismo mais ou menos soft, mais ou menos hard, conforme quem governa e as circunstâncias da época. O que se esperaria, neste momento, do PSD não era a sua transformação num partido defensor de um estado mínimo, tão pouco um feroz inimigo do estado. Mas também não era de esperar que viesse dizer que o estado actual é para manter, com diferenças de pura metodologia governativa.
Mesmo para um partido social-democrata é possível reduzir os impostos, aumentar a participação da sociedade na vida civil, devolver a esta funções que abusivamente o estado lhe foi retirando ou impondo, como a educação e a segurança social, privatizar mostrengos e prostíbulos do regime como a CGD ou a RTP, limitar os abusos do poder, tornar clara e eficaz a justiça, simplificar as leis, impor responsabilidade ao estado e aos seus agentes na relação com os cidadãos, diminuir a capacidade de ingerência dos poderes públicos na vida privada, revogar leis iníquas, fazer findar os métodos medievais de obter “justiça”, como as listas de “criminosos”, etc.
Estranhamente, sobre tudo isto o PSD não se tem pronunciado. E não é necessário produzir um tratado político de governação para dizer a um país o que se pretende fazer destas coisas. Reagan reformou e relançou a América e foi sempre um homem de ideias simples e lineares. E muito claras, acima de tudo. Até ao momento, sabemos duas coisas do PSD de Manuela Ferreira Leite: que se identifica com o Estado Social descrito (mas não cumprido) pelo governo socialista; que não descerá os impostos, porque não lhe será possível fazê-lo. Estamos, assim, em regime de puro rotativismo do bloco central, onde tudo se conserva, nada se transforma e onde as coisas devem permanecer como são, por não haver espaço para outras. O PSD poderá servir para desalojar Sócrates e os seus do governo. Para criar o tradicional estado de graça e a ilusão de que tudo será melhor, por um ano ou dois. Mas não mais do que isto.
Problemas sem solução
(também publicado aqui)
No Público de ontem, Teresa de Sousa escrevia acerca da reunião do G8, perguntando se “chegou o momento de o G20 substituir o G8″. Esta dúvida é reflexo de uma outra ideia, muito comum na “inteligência”, e evidente, por exemplo, na ideia de reformar (ou seja, alargar) o Conselho de Segurança. Como costuma acontecer nestas coisas, a ideia é tão comum como errada (e tanto mais errada quanto mais comum). Teresa de Sousa e aqueles que concordam com ela tendem a pensar que os problemas internacionais não têm tido solução porque falta uma “arquitectura institucional” internacional capaz de lhes dar resposta, e que, uma vez concebida essa “arquitectura”, a “governança global” (desculpem o insuportável jargão) será então possível e eficaz. O facto de termos já uma “arquitectura institucional global” que não resolve os tais problemas internacionais não desmoraliza esta gente. Para eles, isso é apenas sinal de que as instituições internacionais do pós-guerra estão desactualizadas. Daí as propostas de “alargamentos” do G8 a G20 (para acolher as “novas potências”, que não são tão “potentes” assim, diga-se de passagem) e do Conselho de Segurança da ONU (para reconhecer o novo “equilíbrio de poder”). Ao trazer os tais “novos actores mundiais” (mais uma vez, peço desculpa pela linguagem) para a mesa, esperam Teresa de Sousa e os que com ela concordam, será possível “coordenar” políticas “globais” que respondam aos “problemas globais” que hoje enfrentamos. Não lhes ocorre que não existam “respostas globais” a esses problemas, por não haverem respostas globais. Não lhes ocorre que todas essas “potências”, “emergentes” ou não (“potentes” ou não), têm interesses diferentes, que fazem com que cada uma delas dê respostas diferentes que impedem uma tal solução “global”. Alargar o “G” ou o Conselho de Segurança não fará com que estas instituições dêem respostas mais correctas. Apenas alargará o número de “actores” a discordarem uns com outros. Teresa de Sousa pergunta se “chegou o momento de o G20 substituir o G8″. Porque não? O resultado não seria muito diferente.
Ann Coulter on Sarah Palin
Aqui.
Sarah Palin has deeply disappointed her enemies. People who hate her guts feel she’s really let them down by resigning.
The truth is liberals are furious they won’t have Sarah Palin to kick around anymore — at least not with Palin’s hands tied behind her back by her public office.
What now, Obama?
Thirty-nine percent (39%) now give the President good or excellent marks for handling the economy while 43% say he is doing a poor job.Thirty-four percent (34%) of voters nationwide say the U.S. is heading in the right direction, the lowest level of optimism since mid-March. The Rasmussen Index shows consumer and investor confidence are down again today reaching the lowest level in three months.
A Rasmussen video report notes that 46% want the government to stay out of the housing market.
Razões para não votar neste CDS
“PRUDÊNCIA E CAUTELA”. Por João Gonçalves.
Quanto à “prudência e cautela”, a única conclusão possível é que o dr. Portas espera para ver quem chega à frente em Setembro. Depois, com os referidos atributos, logo se vê.
Adenda: Também ficou claro que o dr. Portas pretende “negociar” com quem quer que chegue em primeiro lugar, no dia 27 de Setembro, o MAI. Para ele, evidentemente. E, com o devido respeito, propor a “Tegui” (nom de plume de Teresa Caeiro) para vice-presidente da A.R. deixa qualquer um no limiar da sobrevivência.
Sobre manifestos, parasitismos culturais e obras públicas (2)
Bastiat vai um pouco mais longe. Se tanto as consequências positivas como as consequências negativas de uma acção recaíssem sobre o seu actor, a nossa aprendizagem seria rápida. Porém, acontece frequentemente que as consequências positivas de uma acção beneficiam apenas o seu autor, pelo facto de serem visíveis, enquanto as consequências negativas, sendo invisíveis, se aplicam a terceiros, o que representa um custo líquido para a sociedade. Pense nas medidas de protecção do emprego: podem identificar-se aqueles cujos empregos são protegidos e que recebem os subsequentes benefícios sociais. Não se vê o efeito sobre aqueles que não conseguem encontrar emprego em virtude dessas medidas, já que a sua introdução irá limitar a abertura de novas vagas para emprego. Em alguns casos, como com os doentes de cancro que podem sofrer com o Katrina, as consequências positivas de uma acção beneficiam imediatamente os políticos e os falsos filantropos, ao passo que as consequências negativas demoram muito tempo a aparecer – podendo nunca chegar a tornar-se visíveis. Podemos mesmo responsabilizar a empresa por direccionar as contribuições para fins de caridade para aqueles que talvez menos precisem delas.
Nassim Nicholas Taleb, O Cisne Negro – o impacto do altamente improvável, 2ª edição, D. Quixote, 2007, pp. 161-162.
O Zé faz falta…
O Zé pode estar com o passe algo desvalorizado depois das inúmeras pantominices em que se envolveu e de um mandato medíocre, mas nem por isso deixa de avisar que vai ser “intransigente” nas negociações: Sá Fernandes admite concorrer a Lisboa com António Costa
José Sá Fernandes admitiu hoje vir a integrar a lista do socialista António Costa às eleições autárquicas de Outubro. Mas o vereador avisa que será “intransigente” e que o eventual acordo, que será discutido nos próximos dias, só avançará se o actual presidente da Câmara de Lisboa aceitar incorporar no seu programa eleitoral as principais propostas da associação cívica Lisboa É Muita Gente.
Então?! A crise já não tinha acabado?
The $3.5 trillion commercial real estate market is a ticking “time bomb” that may lead to a second wave of losses at large U.S. banks, congressional Joint Economic Committee Chairwoman Carolyn Maloney said.
About $700 billion in commercial mortgages will need to be refinanced before the end of next year and “doing nothing is not an option,” Maloney, a New York Democrat, said in a statement at a committee hearing today.
This “looming crisis” in commercial real estate lending could lead to significant losses for banks, force shopping center and hotel owners into bankruptcy, push real estate prices down and impede economic recovery, she said.
Mais um ataque aos consumidores
Confirma-se: mais intervenção estatal, menor liberdade contratual, mais dificuldades na obtenção e negociação de crédito, maior repercussão indirecta de custos nos clientes do sistema bancário. Mas como a ignorância económica impera e a medida soa bem, não duvido que será aplaudida (quase) unanimemente.
Leitura complementar: Adivinhem quem sairá a perder…
pode deixar na gaveta

Manuela Ferreira Leite anunciou que, ao invés do que dissera há alguns dias, afinal não pretende “rasgar” nenhuma política social do actual governo, com as quais, aliás, concorda, apenas lamentando que elas não tenham ido mais longe, isto é, que não tenham tido “execução prática” na maior parte dos casos. Por outras palavras, a líder do PSD confirmou o que só um cego ainda não tinha visto: que ela é uma acérrima defensora do Estado Social, que quer manter e aprofundar, gerindo-o, se possível, melhor do que o Partido Socialista. Desenganem-se, pois, os que mantiveram a ilusão de que dali poderia resultar um programa de governo liberalizador ou uma visão da sociedade portuguesa diferente da que tem o Partido Socialista. Aliás, estas declarações resultam, em boa medida, da necessidade que Manuela Ferreira Leite terá sentido de se desmarcar dessas “tendências liberais”, alegadas estrategicamente pelo marketing do PS para a diminuir eleitoralmente. Manuela foi atrás do marketing socialista e confessou ao país o que lhe vai na alma. Depois disto, por mim, pode bem deixar na gaveta o programa eleitoral do PSD.
Ainda as obras públicas
“A ciência económica e os investimentos públicos” de Avelino de Jesus (Jornal de Negócios)
Assistimos, nos últimos 20 anos, a um formidável programa de infra-estruturas que mudou a face física do País, colocando-nos, nalguns casos, no topo dos países com melhores equipamentos, como é bom exemplo o sector das auto-estradas, conforme eu próprio evidenciei, com indicadores irrefutáveis, há um ano nesta coluna. Porém, o crescimento económico da última década foi insensível à execução daquele programa. O crescimento da primeira metade daquelas duas décadas não resultou – como muitos se iludiram, e por isso agora outros tantos querem copiar – do betão então abundantemente espalhado pelo País mas da abertura ao comércio e ao investimento internacionais que a entrada na Comunidade Europeia trouxe consigo. Esgotado aquele impulso, o crescimento caiu. (mais…)
Sobre manifestos, parasitismos culturais e obras públicas
Katrina, o furação devastador que assolou Nova Orleães em 2005, levou inúmeros políticos à televisão no pleno exercício da política. Estes legisladores, movidos pelas imagens da devastação e das vítimas revoltadas que perderam as suas casas, fizeram promessas de que iriam proceder à “reconstrução”. Foi um gesto de extrema nobreza da parte deles fazer algo de humanitário, erguer-se acima do nosso egoísmo abjecto.
Prometeram fazê-lo com o seu próprio dinheiro? Não. Iriam usar dinheiro público. Tenha em conta que esses fundos seriam retirados de outro lado, como no provérbio: “Tira-se a Pedro para se dar a Paulo”. Esse outro lado será menos mediatizado. Poderá ser a investigação contra o cancro financiada por capitais privados ou os futuros esforços para combater a diabetes. Pouco parecem dar atenção às vítimas do cancro que padecem, sós, num estado de depressão não televisionada. Não só esses pacientes com cancro não votam (estarão mortos por altura do próximo acto eleitoral), como não se manifestam perante o nosso sistema emocional. Morrem mais doentes de cancro todos os dias do que as pessoas vítimas do furacão Katrina; são eles quem mais precisa de nós – não só da nossa ajuda financeira, mas da nossa atenção e da nossa amabilidade. E poderão ser eles a quem o dinheiro será retirado . indirectamente ou, até mesmo, directamente. O desvio de dinheiro (público ou privado) da investigação poderá ser responsável pela morte dessas pessoas – num crime que permanecerá no silêncio.
Uma ramificação desta ideia prende-se com a nossa tomada de decisões sob uma nuvem de possibilidades. Vemos as consequências óbvias e visíveis, não as menos óbvias e visíveis. Contudo, os que não vemos podem ser – não, são geralmente – mais relevantes.Nassim Nicholas Taleb, O Cisne Negro – o impacto do altamente improvável, 2ª edição, D. Quixote, 2007, pp. 160-161.
Panaceia
“Censura” de João Paulo Guerra (Diário Económico)
A média do exame nacional de Matemática do 12.º ano desceu e a taxa de reprovação mais que duplicou. Há que encontrar e denunciar culpados.
Alunos? Professores? O sistema? Nada disso, ei-los: os jornais e os jornalistas. Foi a ministra que disse e o secretário de Estado aprendeu a lição: houve “menos investimento, menos trabalho e menos estudo” por parte dos alunos, o que se deve à propagação, pelos meios de comunicação, “da ideia de que os exames eram fáceis”.(…)
O que o Ministério da Educação devia era ter a coragem de decretar a censura prévia às notícias sobre exames. Já agora o da Saúde censurava as notícias sobre listas de espera. E o da Administração Interna as notícias sobre criminalidade. E o da Justiça censurava tudo. E o das Obras Públicas cortava notícias sobre localização de aeroportos e traçados do TGV, para não ter que se desmentir a si próprio ‘jamais’, como dizem os franceses. Com censura às notícias Portugal não passava a ser o melhor dos mundos. Mas teria o melhor dos governos.
Sócrates 3.0
Mesmo com marketeiros de Obama, tenho sérias dúvidas que este novo make-up de Sócrates vá resultar junto da opinião pública. Mas veremos: Sócrates diz que o combate eleitoral vai ser uma escolha de “atitude”
É para um combate de “atitude” que José Sócrates convocou ontem os deputados e o “PS inteiro”, pedindo-lhes “ânimo, força e coragem”. O combate eleitoral, segundo o primeiro- ministro, vai ser “uma questão de atitude”, uma escolha entre “quem tem confiança no país, vontade e ambição” e quem faz da “resignação, pessimismo e negativismo” uma “linha política”.
Keynesianismo Clássico vs. Keynesianismo Popular Português
Em nome de Caines. Por João Miranda.
Nos últimos tempos emergiu em Portugal uma nova espécie de economista, o Cainesiano Tuga, que, embora aparentado, pouco tem a ver com o Keyneasiano Clássico. Seguem-se as diferenças:
1. O Keynesiano Clássico compreende que a sua teoria só faz sentido em grandes economias ou em economias fechadas. Defende até que as medidas devem ter um carácter proteccionista para o efeito não se perder para o exterior. O Cainesiano Tuga insiste em aplicar a teoria a uma pequena economia aberta que previamente já tinha um elevado défice comercial. O Cainesiano Tuga é por isso um adepto do estímulo à economia dos parceiros comerciais do seu país.
2. O Keynesiano Clássico defende medidas anti-ciclicas. Defende medidas expansionistas no pico da recessão e medidas contraccionistas no pico da expansão. Defende déficit público na contracção e superavit na expansão. O Cainesiano Tuga defende medidas expansionistas sempre. Durante os períodos expansionistas defende a despesa pública porque há dinheiro para gastar. Durante a recessão defende medidas expansionistas porque, apesar de não haver dinheiro para gastar, “é necessário combater a crise”.
(…)
6. O Keynesiano Clássico compreende a teoria e consegue discuti-la em detalhe. O Cainesiano Tuga cita Caines, Obama e Krugman (Respeito. Ganhou um prémio Nobel. Vénia, vénia).
7. O Keynesiano Clássico acredita que a economia é uma ciência objectiva sobre a qual é possível falar com rigor. O Cainesiano Tuga é um “economista de esquerda” em luta contra os “economistas neoliberais”.
Leitura complementar: A Lei de Say e o erro central do keynesianismo.
E agora, Obama?
Será que ainda há forma de culpar George W. Bush?
Iraque: atentados no Norte e na capital do país causam mais de 40 mortos
Pelo menos 34 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas em dois atentados suicidas quase em simultâneo na cidade de Tal Afar, perto de Mosul, no Norte do Iraque, num balanço de vítimas confirmado esta manhã por fontes hospitalares e pelo chefe da polícia local às agências de notícias. É o mais mortal ataque no Iraque desde o início da retirada das tropas de combate norte-americanas na semana passada.
Afeganistão: 25 pessoas morrem numa explosão junto a escolas a sul da capital
Uma violenta explosão no exterior de uma escola a sul da capital do Afeganistão causou a morte de pelo menos 25 pessoas, incluindo 12 estudantes, no mais recente sinal de uma escalda de violência no país desde que as tropas norte-americanas lançaram uma nova ofensiva, há uma semana, na região de Helmand, bastião dos taliban.
Avançar Portugal
A previsão de crescimento de Portugal para 2009 que está subjacente à análise do FMI deverá ser mais negativa do que a contracção de 4,1% estimada no relatório de Abril, já que os principais mercados das exportações portuguesas sofreram revisões em baixa.
Governo faz tudo para tentar reduzir a concessão de crédito
A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor vai levar a Conselho de Ministros um diploma para criar novas regras no crédito à habitação. O diploma limita, entre outros aspectos, a possibilidade de os bancos alterarem os spreads – a margem cobrada pelo banco, que é acrescida à taxa de juro, formando a taxa final.
A intervenção do secretário de Estado, Fernando Serrasqueiro, surge numa altura em que alguns bancos têm tentado compensar a descida das taxas de juro com uma subida de spreads. A sustentação baseia-se no facto de os clientes não estarem a cumprir algumas das cláusulas contratadas, como pagamentos de serviços ou subscrição de produtos financeiros. Para evitar essa situação, irá ser estabelecido o período um ano para a prescrição das condições inerentes à negociação.
O diploma inclui outra medida. Tal como tinha decidido para as amortizações dos empréstimos principais, a comissão de resgate total ou parcial dos empréstimos paralelos, associados ao crédito à habitação, é reduzida para 0,5 por cento para os empréstimos indexados à Euribor e dois por cento para a taxa fixa.
Julho 8, 2009
A Lei de Say e o erro central do keynesianismo
Lord Keynes e a Lei de Say. Por Ludwig von Mises.
A principal contribuição de Lord Keynes não esteve no desenvolvimento de novas ideias, mas, sim, “em fugir das antigas”, como ele mesmo declarou no fim do prefácio de sua Teoria geral. Os keynesianos dizem-nos que seu feito imortal consiste na refutação cabal do que veio a ser conhecido como Lei dos Mercados ou Lei de Say. A negação dessa lei, afirmam, é a essência de todas as lições de Keynes; todas as outras proposições de sua doutrina derivam, por necessidade lógica, desse insight fundamental e têm de ruir se o fracasso desse ataque na Lei de Say puder ser demonstrado.
É importante compreender agora que aquilo que é chamado de Lei de Say foi, num primeiro momento, proposto como refutação de doutrinas popularmente aceitas nos tempos anteriores ao desenvolvimento da economia como um ramo do conhecimento humano. Ela não era uma parte integrante da nova ciência econômica conforme ensinada pelos economistas clássicos; era, antes, um preâmbulo — a revelação e a eliminação de ideias deturpadas e insustentáveis que turvavam a mente das pessoas e eram um sério obstáculo à analise racional das circunstâncias.
(…)
Bens, diz Say, são pagos, em última análise, não com dinheiro, mas com outros bens. O dinheiro é simplesmente o meio de troca mais comumente utilizado; ele desempenha apenas um papel intermediário. O que o vendedor quer receber em troca pelos bens vendidos são, em última análise, outros bens. Cada bem produzido é, por conseguinte, um preço, digamos assim, por outro bem produzido. Qualquer aumento na produção de um bem melhora a situação do produtor de qualquer outro bem. O que pode prejudicar os interesses do produtor de um bem determinado é não antecipar corretamente o estado do mercado. Ele superestimou a demanda dos consumidores por seu bem e subestimou sua demanda por outros bens.
(…)
Os embates entre os defensores da moeda estável e os inflacionistas perpetuaram-se por muitas décadas. Mas não eram mais considerados uma controvérsia entre várias escolas econômicas. Eram vistos como um conflito entre economistas e anti-economistas, entre homens racionais e fanáticos ignorantes.
(…)
Tudo foi diferente com a “nova economia” de Lord Keynes. As políticas que ele defendia eram exatamente aquelas que quase todos os governos, inclusive o inglês, já haviam adotado muitos anos antes de sua Teoria geral ser publicada. Keynes não foi um inovador e defensor de novos métodos de gerir assuntos econômicos. Sua contribuição consistiu, na verdade, em oferecer uma justificação visível às políticas que eram populares entre aqueles no poder apesar do fato de todos os economistas verem-nas como desastrosas. Seu feito foi racionalizar as políticas já praticadas. Ele não foi um “revolucionário”, como alguns de seus adeptos chamavam-no. A “revolução keynesiana” ocorreu antes de Keynes aprová-la e fabricar uma justificação pseudo-científica para ela. O que ele de fato fez foi escrever uma defesa das políticas prevalentes dos governos.
Regeneração social e integração democrática
ÓSCAR E OS AMIGOS. Por BOS.
Não sei se os média irão relevar o facto. O gangue do Multibanco, desmantelado esta semana pela GNR, integrava o famoso Óscar Silva, ex-terrorista das FP-25 de Abril indultado por Mário Soares. O antigo membro da organização de Otelo ensinou os novos companheiros de luta a nunca ligarem telemóveis no local do crime, a usar capuzes e a empregar a violência necessária em cada assalto. O grupo actuava com recurso a carjacking e sequestros. As lições renderam três milhões de euros em dois anos, mas parece que ninguém morreu.
Ora, pela inexistência de mortos, pode aferir-se a reformação moral de Óscar. Não foi por sancadilha que tal sucedeu. Nota-se uma regeneração do indivíduo, um lenta mas constante reintegração social. Nos anos 80, a organização de Óscar matou 18 pessoas, em atentados a tiro e à bomba, para além dos habituais assaltos a bancos. Após duas décadas de integração democrática, Óscar apenas rouba e sequestra.
Os patos-bravos e a cultura
Pela minha parte, não hesito em desculpar o Pedro Picoito por – como ele próprio admite – descer o nível neste post, mas francamente gostaria de o ver apontar exemplos de posts publicados n’O Insurgente que tenham defendido “fundações de comendadores e patos-bravos que batem igualmente à porta do Estado” (tendo em conta que se dirigiu a um texto publicado no blogue, parece-me razoável admitir que são em primeiro lugar os insurgentes que o Pedro tem em mente quando se refere a liberais).
Sócrates, escuta…
Um acontecimento tristemente simbólico do estado a que chegou a (des)ordem pública no Portugal socialista: Estivadores fazem manifestação com petardos e insultos graves a Sócrates
Cerca de duas centenas de estivadores estão hoje a fazer uma manifestação em frente à Assembleia da República, com parte deles a gritar insultos graves dirigidos ao primeiro-ministro, José Sócrates, e a rebentar petardos.
De acordo com um dos agentes da PSP que faziam a segurança da manifestação e a protecção da entrada da Assembleia da República, foram já identificados alguns dos estivadores autores de insultos ao primeiro-ministro e responsáveis pela utilização de petardos.
A instabilidade interna da China (2)
As demonstrações maciças de força por parte das autoridades chinesas têm provavelmente mais a ver com o receio de que o exemplo de Urumqi alastre para alguns dos outros pontos quentes na China do que com necessidades imediatas de controlo da situação no terreno. Apesar de estar compreensivelmente longe do nível de interesse mediático suscitado pela chegada do CR9 ao Real Madrid ou pelo funeral de Michael Jackson, esta é ainda assim uma situação que talvez importe acompanhar com alguma atenção: China: milhares de militares em Urumqi para pôr fim aos conflitos inter-étnicos
Milhares de forças de segurança chinesas foram mobilizadas para a cidade de Urumqi, província de Xinjiang, no Nororeste do país, para pôr fim ao que as autoridades de Pequim designam como conflitos interétnicos entre uigures e chineses da etina han, que irromperam na sequência de protestos violentos dos muçulmanos maioritários na região. Pelo menos 156 pessoas morreram embora representantes da minoria muçulmana falem no número muito superior de 400.
O governo local impôs o recolher obrigatório depois de milhares de chineses han terem ontem tomado de assalto as ruas de Urumqi, exigindo serem ressarcidos pela violência e motins causados pelos uigures na véspera.
Sobre os conflitos na China
“Uyghurs, Chinese Muslims, etc.” de Razib Khan (Gene Expression). Muito útil para perceber a história da região e as origens do conflito. Embora, como diz o Miguel Madeira, o autor tenha falhado a previsão sobre o local onde estes iriam iniciar.

