O Insurgente

Julho 20, 2009

A imagem de um partido que parece querer perder as autárquicas

Filed under: Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 05:47
Mulher às direitas

Mulher às direitas

Casos como o do Porto e Sintra parecem demasiado evidentes para que sejam apenas erros estratégicos.
A questão é: porquê? Porque quererá o PS perder as eleições? Qual o motivo desta estratégia deliberada para perder as eleições em algumas cidades-chave?

[música]

Filed under: Videos — Miguel Noronha @ 00:00

SMASHING PUMPKINS – Bodies
(imagens do filme “Carrie” de Brian de Palma)

Julho 19, 2009

silêncio, por favor

Filed under: Diversos — rui a. @ 07:08

Até ao dia 27 de Setembro próximo, a direita portuguesa é intocável. Não se pode criticar, não se pode censurar. Não se pode sequer perguntar o que nos pretende ela fazer, após essa data, com o nosso voto, caso e se vier a conquistar o poder. Expulsar o eng.º do governo é uma missão patriótica e quem se lhe “opuser” comete crime de lesa-pátria. Até 27 de Setembro, despojar o eng.º do poder é o verdadeiro programa do PSD. Depois daí, se o partido ganhar as eleições e formar governo, com ou sem o CDS a tiracolo, logo se verá. Faça-se silêncio pois, e não se perturbem as eminências que, na S. Caetano à Lapa e um pouco por esse país rural fora, têm sobre os seus ombros tão pesada e transcendente responsabilidade.

[música]

Filed under: Videos — Miguel Noronha @ 00:00

SMASHING PUMPKINS – Disarm

Julho 18, 2009

Comunismo

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:15

Haverá uma nítida diferença moral entre os caminhos de ferro e chaminés da Polónia, por um lado, e por outro o imenso e desumano silêncio que se instalou nas aldeias da Ucrânia em 1933?

Martin Amis, Koba


Desde os primeiros dias do novo Estado soviético, (…) as pessoas deviam ser condenadas não pelo que tinham feito mas pelo que eram.
Infelizmente, nunca ninguém forneceu uma descrição clara de como era suposto um “inimigo de classe” parecer exactamente. Assim, detenções de toda a ordem aumentaram dramaticamente na sequência do golpe bolchevique. Desde Novembro de 1917, tribunais revolucionários, compostos por “apoiantes” da revolução tirados à sorte, começaram a condenar “inimigos” da revolução igualmente tirados à sorte. Penas de prisão, penas de trabalhos forçados, e até penas em dinheiro eram arbitrariamente atribuídas a banqueiros, a mulheres de comerciantes, a “especuladores” – significando isto que qualquer pessoa envolvida numa actividade económica independente – a guardas prisionais da era czarista e a qualquer outra pessoa que parecesse suspeita.

Anne Applebaum, Gulag – Uma História

em busca da verdade

Filed under: Diversos — rui a. @ 13:19

JosePedroAguiarBranco

José Pedro Aguiar Branco, o 5º deputado mais faltoso da actual legislatura, será o cabeça de lista do PSD, pelo Porto, às próximas legislativas. O PSD em busca da verdade.

[música]

Filed under: Diversos — Miguel Noronha @ 00:00

SMASHING PUMPKINS. Cherub Rock

Julho 17, 2009

Que chatice!

Filed under: Media,Política — Miguel Noronha @ 19:08

Vice President Joe Biden told people attending an AARP town hall meeting that unless the Democrat-supported health care plan becomes law the nation will go bankrupt and that the only way to avoid that fate is for the government to spend more money.

Se tivesse sido o ex-presidente Bush a sair-se com uma pérola destas havia material para duas dúzias de artigos. Como foi o (actual) vice-presidente Joe Biden… É muito azar-

A Constituição e o comunismo

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 16:20

nazi-comAlberto João Jardim ateou fogo ao debate político quando sugeriu extinguir o comunismo na próxima revisão constitucional. Jardim erra porque as ideologias não se extinguem por decreto, nem se proíbem no papel. As ideologias morrem, e desaparecem naturalmente, quando caem em descrédito.

Que o comunismo é igual ao fascismo e ao nazismo, que é igual ser da extrema-esquerda ou da extrema-direita devia ser óbvio e aceite por todos. Os factos provam à exaustão como as ideologias totalitárias do século XX têm as mesmas fontes, os mesmos vícios e partilham dos mesmos pecados. Infelizmente, há ainda muitos políticos e ditos líderes de opinião que se deixaram em tempo seduzir pelas ilusões dos amanhãs que cantam e que sentem, talvez por vergonha, dificuldades em acertar contas com o seu passado político.

Depois da queda do Muro de Berlim, Vaclav Havel dizia com orgulho nunca ter sido comunista. Admiremos, pois, homens assim. Sem passados ideologicamente tenebrosos.

Liberalismo: ideologia ou tradição de pensamento?

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 15:22

Recorrentemente, vemos o liberalismo apresentado como uma ideologia. Tenho dificuldade em subscrever tal visão. Enquanto escatologia politica aberta, verei mais o liberalismo como uma corrente de pensamento que acomoda várias tendências e abordagens, com uma tradição plurisecular e multicultural, projecção das reflexões de vários pensadores, expresso numa conceptualização ampla e até difusa. Liberalismo será assim antes uma tradição de pensamento, sem que se possa atribuir-lhe uma paternidade isolada. Também simpatizo com a forma como o Rui de Albuquerque por vezes o apresenta, o liberalismo enquanto atitude. O que não me faz sentido é empurrar, como o faz o João Cardoso Rosas, o liberalismo para algo que será património histórico da esquerda, expressão das ideias de um conjunto fechado de pensadores.

Hoje às 18 horas, Vasco Campilho e Adolfo Mesquita Nunes

Filed under: Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 14:36

jazzamemuito1

Os convidados desta semana para conversa comigo e a Antonieta Lopes da Costa são o Adolfo Mesquita Nunes e o Vasco Campilho.

Juntos analisamos alguns dos principais temas da actualidade:

- Lisboa ao rubro - António Costa e Santana Lopes apresentaram as suas candidaturas à autarquia lisboeta. Numa autêntica guerra de titãs, quem tem mais possibilidades de sair vencedor?

- ASAE inconstitucional? – O Tribunal da Relação de Lisboa considerou que a ASAE tem funcionado contra a lei, por as suas competências terem sido atribuídos de forma inconstitucional. Segue-se o Tribunal Constitucional e de imediato o fim desta polícia de segurança alimentar?

- Obama em África – Contrariamente ao que fez no Cairo, Obama apelou no Gana para que os africanos exigissem bons governos. Se no mundo árabe invocou a cooperação, na África negra defendeu os direitos humanos. Há razões para esta diferença de atitude?

- Caridade e verdade – Numa Encíclica de extrema actualidade, o Papa Bento XVI aponta os valores sociais que devem nortear a vida dos cristãos. Estamos perante a indicação de um novo rumo?

O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Sem controlo

Filed under: Economia,Política — Miguel Noronha @ 12:58

Vejam a deprimente prestação da inspectora-geral da Reserva Federal no Congresso. Sem comentários.
Bem, nós também não podemos rir muito

As Autárquicas em Lisboa

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 12:26

Anda aí gente iludida (a mesma, ou os seus primos de província, que na eleição que colocou em disputa Santana Lopes e Soares júnior pensou ser uma boa estratégia de vitória evocar o 25 de Abril, evidenciar a falta de luta anti-fascista do candidato PSL e colocar o inimitável Vasco Lourenço a fazer campanha) pensando que o que vai salvar a esquerda nas próximas eleições é a já mítica “convergência de esquerda”. Lamento muito desiludir (na realidade: não lamento nada), mas não, a “convergência de esquerda” não é uma boa aposta. No caso que interessa para este post, não é uma boa aposta para a Câmara de Lisboa.

Helena Roseta é uma senhora, séria, credível, com a infelicidade de ter as ideias todas trocadas. Foi votada naquelas eleições esquisitas, em que quase toda a gente estava fora de Lisboa (eu, por exemplo, preferi ir de fim-de-semana festejar o meu sétimo aniversário de casamento), por quem apreciou o desafio aos partidos tradicionais e por uns tantos (e também não se iludam: são poucos) indefectíveis de Manuel Alegre. Agora que Alegre e Roseta voltaram ao seio do PS, o allure esfumou-se. Roseta não acrescenta nada mais do que acrescentaria se fosse uma regular presença socialista na lista de António Costa à CML. Ninguém vota, nas autárquicas, no número dois nem no número três.

A aquisição de Sá Fernandes por Costa, então, é dramática como estratégia eleitoral. Por todos os motivos. Porque antes de ser adquirido, Sá Fernandes foi o vereador do Bloco. E, again, não se iludam, ter um ex-bloquista, mesmo que independente, nas listas do PS, e um tão histriónico, contribui para alienar aquela parte do eleitorado sensata que até poderia votar no PS mas nunca na vida associaria o seu voto a alguém que apoiou e foi apoiado por um partido revolucionário, radical e anti-democrático como o BE. O BE assusta muita gente, e bem. E numas autárquicas pode-se deixar de votar por causa de um número dois ou de um número três. Além de que os 9 assessores de Sá Fernandes, enquanto vereador sem pelouro (pré-aquisição) não deixam de estar na memória, nem (pós-aquisição) os lisboetas se esqueceram como o aroma do poder foi tão forte que o vociferador justicialista Sá Fernandes se tornou um cordeirinho para o PS, que até o negócio dos contentores em Alcântara lhe mereceu elogios (talvez com o parecer do TC fosse conveniente pedir-lhe algumas palavras a justificar o apoio) e nem se recusou a alugar jardins e praças lisboetas para eventos publicitários de algumas empresas.

Que vá buscar Roseta, não subtrai nem acrescenta. Mas que Costa se sinta obrigado a anexar Sá Fernandes, só revela uma de duas coisas: ou é muito mau estratega (e, dados os resultados das últimas eleições, não se recomenda confiança nas luminárias estratégicas socialistas) ou está tão aflito que tenta tudo porque sabe que nada tem a perder.

When to Let a Bank Fail

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 12:03

No New York Times a opinião de James D. Hamilton (U.C. San Diego), Russell Roberts (George Mason University) e Mark A. Calabria (Cato Institute). Resumidamente, concordo com os dois últimos. Quanto a James Hamilton, perante a introdução que este faz estranho que tire aquelas conclusões. Para além do problema do Moral Hazzard (referido pelos 3) queria apenas destacar um ponto importante referido por Russel Roberts

It is deeply disturbing that Lehman Brothers was a long-time competitor of Secretary Paulson’s former firm, Goldman Sachs. It is equally disturbing that the chief executive of CIT, Jeffrey Peek, has been a contributor to Republicans rather than Democrats. This could be mere coincidence. But the current and ad hoc bailout strategy inevitably creates suspicion and destroys faith in our economic and political system.

Ron Paul on a Fed transparency bill

Filed under: Economia,Política,Teoria — Miguel Noronha @ 11:19

Uma entrevista (audio) da revista The Economist.

A well-known Republican congressman on a return to the gold standard, and the students who shout “Austrian economics”

(também disponível no You Tube: parte 1 e parte 2)

O que ficou por dizer

Filed under: Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:53

No Público

A Falta de verificação dos trabalhos a mais nas empreitadas. Ausência de verificação dos termos em que os contratos públicos são celebrados. Falta de controlo sobre conflitos de interesses e favoritismos. Ausência de sensibilização dos funcionários públicos para a intolerância face a casos de corrupção. São algumas das falhas detectadas pelo Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) na actuação dos organismos públicos. E representam “riscos elevados de corrupção”.

O que fica por dizer, neste relatório do CPC, é que o potêncial de corrupção é directamente proporcional à discricionaridade e amplitude da área de intervenção do estado. Se querem realmente diminuir a corrupção estatal diminuam a dimensão do estado. Porque nenhum curso de “ética republicana” irá transformar os homens em anjos convém restringir as possibilidades dos agentes do estado cairem em tentação.

Avançar a Liscont

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:06

«Foi um negócio ruinoso para o Estado», que «só serviu os interesses do promotor», confirmou uma fonte do Tribunal de Contas, sobre as conclusões desta auditoria.

Como referi na altura, a contratação de Jorge Coelho justificou-se plenamente.

Julho 16, 2009

Guilhotinando o futuro

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 23:49

José Sócrates está contente com as estatísticas da desigualdade e risco de pobreza em Portugal. Segundo ele, isso será mérito da acção governativa; é o atingir do objectivo do estado. Como bom “humanitário”, Sócrates perpetua o erro que sempre esteve por trás do socialismo: A promoção da igualdade à custa da produção, descuidando que sem a última não há “transferências” que sejam possíveis.

O lado escondido do estudo do INE é que a redução de desigualdades e de risco de pobreza incide apenas nos sectores sociais directamente dependentes do estado para a sua subsistência e que por definição não são sectores produtivos: Reformados, idosos carenciados e indivíduos socialmente excluídos. Já noutros sectores sociais essas desigualdades e risco de pobreza aumentaram. Entre população activa desempregada e crianças (que por sua vez estão dependentes de pessoas na população activa), os números pioraram, ultrapassando já as estatísticas  dos idosos. Isto é: Foi dado apoio social à custa do empobrecimento dos sectores produtivos, pondo em causa estes últimos e a própria capacidade futura de conceder apoios sociais.

O mais preocupante é que os dados do INE são relativos a 2007. Não incluem, portanto, os resultados do agravamento da crise, nomeadamente o vertiginoso aumento do desemprego. Mas enfim. Deixê-mo-lo ficar satisfeito consigo próprio.

Será que a Diana Mantra sabe?

Filed under: Insurgentologia — Miguel Noronha @ 22:13

Já conheciam a loja do Carlos Santos? Com uma especialização bem mais digna que a do outro e, até ver, muito menos mentiroso.

(via ABC do PPM)

o liberalismo é de esquerda?

Filed under: Diversos — rui a. @ 20:07

Gladstone%20&%20Disraeli

A Inglaterra política do século XIX é inteiramente dominada por duas figuras ímpares: William Ewart Gladstone e Benjamin Disraeli. Ambos nascidos para a política no seio do Partido Conservador, os tories, haveriam de romper politicamente em 1855, quando Gladstone abandonou aquele partido para ingressar no Partido Liberal, os whigs, do qual se tornaria líder, mais tarde. A razão da desavença foi pessoal e de princípios. Gladstone não suportava Disraeli e este retribuía-lhe igual estima chamando-lhe frequentemente “Tartufo”. Numa carta endereçada a Lord Derby, Disraeli escreveu:”A posteridade fará justiça a Mr. Gladstone, esse maníaco sem princípios, a essa extraordinária mistura de inveja, vingança, hipocrisia e superstição”. Nos princípios, Gladstone era liberal, enquanto Disraeli era conservador e proteccionista.

William Gladstone foi primeiro-ministro por quatro vezes, entre 1868 e 1894. Disraeli foi-o também, mas apenas por duas vezes, entre 1868 e 1880. Um e outro exerceram os mais elevados cargos políticos do seu tempo, o primeiro como torie e, mais tarde, enquanto whig, e o segundo mantendo-se como membro do Partido Conservador, que conquistou a pulso e graças a inúmeras dissensões e rupturas internas.

Enquanto Ministro das Finanças, cargo que exerceu por quatro vezes, e Primeiro-Ministro, Gladstone aboliu mais de mil tarifas existentes no Reino Unido, que representavam cerca de 95% da totalidade desses encargos. Reduziu os impostos sobre a renda a uma quota única de 1,25%, sendo que tinha por objectivo eliminá-lo completamente. Liberalizou o comércio, reduziu as tarifas alfandegárias, liberalizou as relações comerciais com a França, o velho inimigo, e também com a Áustria, a Bélgica e os estados alemães. Extinguiu ou reduziu toda a espécie de impostos e tarifas que conseguiu (imposto de renda, como já referido, as taxas sobre o papel, o lúpulo, a madeira, a pimenta, o açúcar, o vinho, entre muitos outros). Em política internacional, Gladstone era um pacifista nato, tendo advogado a arbitragem internacional para a resolução de conflitos, no que foi absolutamente inovador e também muito contestado internamente, no seu país. Em matéria de costumes e de religião, Gladstone era um crente profundo, achava-se predestinado pelo Altíssimo (“O Todo-Poderoso parece estar a poupar-me e a apoiar-me em vista de algum grande propósito, por mais que eu me julgue indigno. Glória a seu nome”, escreveu ele, um dia, no seu diário, a propósito das suas intenções pacificadoras da Irlanda). A quem o queria ouvir costumava afirmar: “Ah! A noção do pecado, eis a grande carência da vida moderna”.

Benjamin Disraeli era um político profundamente distinto do seu rival. Proteccionista, aumentou impostos, atacou a legislação liberalizadora do comércio internacional, legalizou e protegeu os sindicatos, criou diversa legislação laboral, tendo fixado a duração diária do período de trabalho, regulamentado o trabalho feminino e infantil, e produziu inúmera legislação de proteccionismo social. Na política externa, era um expansionista defensor do Império Britânico, e tudo fez para o manter e aumentar a sua área de influência, sobretudo em África e na Ásia. Não era um homem de convicções religiosas profundas, nem lhes recorria para fundamentar as suas ideias políticas.

Gladstone e Disraeli são, assim, dois modelos paradigmáticos do liberalismo clássico, o primeiro, e do conservadorismo, o segundo. Gladstone reduziu o poder do estado e do governo, deu mais liberdade e responsabilidade individual aos ingleses, foi um cosmopolita no domínio das relações internacionais. Disraeli tinha da sociedade a noção conservadora de que tudo nasce na política, e que esta deve ser protagonizada por um estado robusto e interventor. Gladstone procurou conservar o liberalismo clássico e o estado mínimo que tinham permitido a Revolução Industrial, e Disraeli foi um profeta e o primeiro construtor do Estado Social inglês.

Nesta medida, cabe aqui perguntar, invocando as afirmações contidas no artigo de hoje, no i (O liberalismo é de esquerda), do Prof. João Cardoso Rosas, se o liberalismo clássico de Gladstone se situava, utilizando os critérios que utilizou, mais à esquerda ou à direita, colocando a mesma questão para o conservadorismo de Disraeli. Quando Cardoso Rosas escreve que Durante o século 19, antes do triunfo do socialismo, ser de esquerda ou ser liberal era a mesma coisa”, estaria a pensar nos whigs e nos tories de Gladstone e Disraeli? Parece-me bem que não.

Obama e Corzine

Filed under: Internacional,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 17:04

Interessante: Obama Comes to Corzine’s Aid, as Polls Show Him Struggling in N.J. Governor’s Race

In the middle of making a hard push for health care reform before the August recess, President Obama is taking a time out to drum up support for New Jersey Gov. Jon Corzine in his race for re-election, where the Democratic incumbent has been consistently trailing his Republican opponent.

The latest Quinnipiac University poll this week showed challenger Chris Christie pulling away, with a 53-41 percent lead over Corzine — up from a 10-point lead in last month’s survey.

While the president is devoting most of his time to keeping comprehensive health care legislation alive on Capitol Hill, Corzine’s flagging candidacy apparently could not be ignored.

(…)

Corzine recently signed a $29 billion budget that increased taxes and cut tax rebates, and New Jersey political insiders say that has many voters wanting to vote for change this fall.

Sem competição é bem mais fácil

Filed under: Economia,Política — Miguel Noronha @ 15:09

O retorno aos lucros da Goldman Sachs é um péssimo sinal:

Goldman’s traders profited in the second quarter from taking advantage of spreads left wide by the disappearance of some competitors (Lehman, Bear Stearns) and the risk aversion of others (Morgan Stanley). Meantime, Goldman’s own credit spreads over Treasurys have narrowed as the market has priced in the likelihood that the government stands behind the risks it is taking in its proprietary trading books.

Goldman will surely deny that its risk-taking is subsidized by the taxpayer — but then so did Fannie Mae and Freddie Mac, right up to the bitter end. An implicit government guarantee is only free until it’s not, and when the bill comes due it tends to be huge. So for the moment, Goldman Sachs — or should we say Goldie Mac? — enjoys the best of both worlds: outsize profits for its traders and shareholders and a taxpayer backstop should anything go wrong.

É complicado interpretar a verdade

Filed under: Comentário,Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:47

caritas in veritateNa Encíclica ‘Caritas in Veritate’, Bento XVI reflecte sobre o  mercado, a globalização e chama a atenção para o progresso que ocorreu nos últimos anos e em diversos países, principalmente os mais pobres. Quando lemos e analisamos documentos e outras formas de divulgação do pensamento da Igreja, esquecemos que a religião católica tem uma forte vertente individual. A mensagem de Cristo foi dirigida a cada homem. Os sacramentos da comunhão e da confissão, por exemplo, são exercidos individualmente e segundo critérios que são conhecidos e julgados na esfera privada de cada um.  A importância do cristianismo no realçar da pessoa humana como criada à imagem e semelhança de Deus e, por isso, única e insubstituível, sagrada até, foi um passo indispensável no processo de autonomização da pessoa da massa humana. O homem com alma, mais o valor inerente que é o direito divino à vida. Com só um Deus mais importante que qualquer governante, poder e governo e a mensagem de libertação individual, o cristianismo revolucionou o pensamento humano com efeitos que ainda hoje sentimos.

O liberalismo, a dita crença no mercado que tanto se critica, não pressupõe ganância, nem o roubo. Antes sim, e de uma forma bastante acentuada, o valor da vida humana. Apenas com o respeito de regras humanas rigorosas (que para alguns liberais, por serem tão rigorosas, implicam inspiração divina) a liberdade individual é possível e o dito mercado funciona. É importante não esquecer que o liberalismo inclui um equilíbrio muito frágil de interesses e que a sua manutenção exige valores sólidos e uma responsabilidade firmes. Há quem os busque no sentido secular da vida; há quem só os consiga descobrir na religião.

Não interessam, pois, determinados pontos de certas doutrinas, ideologias, o que lhes queiramos chamar. A Igreja, e penso que Bento XVI também nesta Encíclica, dá uma imensa margem de manobra para que os fins da solidariedade sejam alcançados. É neste sentido, creio, que o esforço de responsabilidade social a que Bento XVI se refere, se traduzem na soma de muitas tentativas individuais. Só assim me parece ser possível entender esta Encíclica, até porque esta é lida por cada um de nós em casa, sozinho, com as diversas interpretações que daí advêm.  Tudo junto, estamos perante um alertar das inúmeras consciências, o cerne da mensagem da Igreja a que se junta a promessa de uma vida melhor.

Efeitos do corporativismo extremo na Medicina em Portugal

Filed under: Comentário,Economia,Educação,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 11:08

Como solução de emergência face à falta de médicos, parece-me uma medida razoável, mas importaria acima de tudo enfrentar as elevadíssimas barreiras corporativas à formação de médicos que continuam a estrangular de forma inaceitável o acesso à profissão e o acesso aos cuidados de saúde por parte da população em geral: Médicos uruguaios para o Algarve e Alentejo

“Temos que trabalhar com os recurso humanos disponíveis – não há médicos nem no privado, nem público”, afirmou o seu presidente, Rui Lourenço, adiantando que, mesmo assim, foram criadas três dezenas de postos médicos, nas principais localidades, para dar um apoio directo aos veraneantes.

Para ultrapassar a lacuna, em termos clínicos, adiantou, “está em fase final um processo de recrutamento de médicos do Uruguai para o Algarve e Alentejo, prevendo-se o ingresso até final do ano”.

A extensão do Centro de Saúde de Quarteira, inaugurada em Novembro de 2001, embora situada numa zona turística, tem à porta uma placa com a seguinte informação: “Não temos serviço de urgência”. Para situações de “doença aguda, consulta ao turista”, esta unidade funciona apenas das 20h00 às 24h00. Para consulta médica, os utentes não inscritos “devem dirigir-se ao Serviço de Urgência de Loulé”. Mas ao fim-de-semana aquele serviço fica geralmente caótico, dada a afluência de doentes, oriundos da serra ou ao litoral.

Leitura complementar: As vagas de Medicina e os grupos de interesse na saúde; As notas de entrada em Medicina e o falhanço do governo; Um primeiro passo para aumentar as vagas em Medicina; O Bastonário e o monopólio.

Não contem comigo

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 10:22

João Miranda: “Portugal atravessa um período de deflação. Hoje os keynesianos não almoçaram porque sabem que amanhã o almoço será mais barato. E assim sucessivamente.”

Avançar Portugal (3)

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 09:14

É o pior cenário traçado até agora para o mercado de trabalho em Portugal. Em 2009 serão destruídos 135 mil empregos em termos líquidos, aos quais se juntarão outros 76 mil em 2010. Ao todo são 211 mil postos de trabalhos destruídos em dois anos, o que deverá deixar a economia portuguesa com 4,99 milhões de empregos, o menor valor desde 1999.

Um contributo para a silly season

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:00

Posso estar enganado mas,prevejo que no calor da discussão acerca desta proposta de A.J.Jardim (*) ainda vamos ver alguém defender os méritos democraticos do comunismo.

(*) Que merece ser reprovada assim como a limitação do “fascismo” que já consta da CRP.

ADENDA 1: Já temos a primeira contribuição. Quando escrevi o post não estava a pensar exactamente nele. Era, no entanto, expectável que o Miguel tentasse dar a volta à questão. No sequência resposta dele, sugiro que se emende a CRP para que os partidos comunistas apenas sejam permitdos enquanto estiverem na oposição. Assim que integrarem qualquer governo serão automática e coercivamente proibidos.

ADENDA 2: Mas certamente que sim, caro Daniel. Ninguém deve ser impedido de votar no Bloco de Esquerda.

os silogismos do professor rosas

Filed under: Diversos — rui a. @ 05:48

Surpreende-nos, mais uma vez, o Prof. Cardoso Rosas. Neste artigo estabelece o seguinte silogismo: a direita portuguesa é conservadora; a direita portuguesa não é liberal; logo, o liberalismo é de esquerda. O liberalismo do Prof. Rosas fica-se por John Stuart Mill, segundo ele o “liberal” do “século 19″, John Rawls, o “liberal” do “século 20″, e esse grande doutrinador com vasta obra publicada que responde pelo nome de Barack Obama, provavelmente o maior liberal do século XXI, digo eu. Enquadramento rigoroso e exacto para um especialista em Teoria Política, como se vê.

Julho 15, 2009

Obama perto de mais uma marca histórica

Filed under: Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 23:00

Infelizmente, pelas piores razões: July equals deadliest month of Afghan war

The death toll for foreign troops in Afghanistan halfway through July equaled the highest for any month of the eight-year-old war, tallies showed on Wednesday, as a U.S. escalation has met unprecedented violence.

Authorities announced a U.S. soldier had been killed by a bomb and two Turks had died in a road accident, raising the toll of U.S. and allied foreign fatalities in the first half of July to 46, equal to full month highs set in August and June 2008.

In the two weeks since U.S. and British troops launched massive assaults, Western troops have died at an average rate of three a day, nearing the tempo of the bloodiest days in Iraq and almost 20 times the rate in Afghanistan from 2001-04.

Santana assusta a esquerda…

Filed under: Comentário,Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 20:23

O medo de que Santana Lopes imponha nova derrota à esquerda e os fracos indicadores nas sondagens de Roseta conduziram a um desfecho que choca frontalmente contra tudo o que o (supostamente independente) movimento Cidadãos por Lisboa havia proclamado, mas que ainda assim era previsível.

Resta saber se chegará para derrotar Santana…

Leitura complementar: Medo de Santana?; Absurdos; Na câmara com…; Acredita quem quiser; Santana tem mel?.

“On Trolling”, por João Miranda

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 17:02

De acordo com o sentido do termo adoptado pela Wikipédia, o troll é frequentemente um recém chegado que não compreende os usos e costumes da comunidade em que entra, insulta toda a gente, viola as regras de etiqueta, não tem sentido de humor, falta-lhe espírito e sentido da ironia, não compreende, nem tem o conhecimento e a inteligência para compreender, a comunidade em que entra. No seu autismo, o troll pode mesmo estar convencido que é mais esperto e mais sofisticado que a comunidade em que acaba de entrar, pelo que tenderá, um tanto pateticamente, a puxar dos galões e a tratar os outros como ignorantes.

Ainda os manifestos sobre as obras públicas

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:11

“Lembrem-se da Ota!” de Pedro Braz Teixeira (Jornal de Negócios)

O manifesto (…) subscrito por um conjunto de académicos e políticos de esquerda mais ou menos radical, em nenhum momento fala da nossa divergência estrutural com a UE. Como é possível passar por cima de um dos maiores (se não o maior) problemas económicos? Isto é quase como ir ao médico e este pôr-se a falar da perna partida e ignorar o cancro. (mais…)

Quantos lugares vão sobrar para o PS?

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:14

Parece confirmar-se a a aliança entre o António Costa e Helena Roseta.

Ora vamos a contas. Um lugarito para o Zé. Dois para a Lenocas. Em que lugar vai aparecer o nº2 do PS?

Reforma do Estado e da Administração Pública – PS e PSD

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:42

O Estado Observador. Por Paulo Marcelo.

É urgente uma definição política (e depois jurídica sob a forma de lei) das funções essenciais do Estado, para que este se possa concentrar com eficácia naquelas que são as suas competências de soberania, como a Justiça, Segurança, Solidariedade Social, etc. Só depois será possível reorganizar o “monstro”, eliminando os organismos inúteis ou com competências sobrepostas. Escusado será dizer que este Governo não fez nada disto na sua pseudo-reforma da Administração Pública. Eles observam, observam, mas não enxergam nada.

Paulo Marcelo tem inteira razão no que escreve, mas importa notar que não foi só o PS que falhou neste aspecto. Também o PSD se tem revelado incapaz de levar a tarefa descrita a cabo, ainda que nos últimos anos o grosso da responsabilidade caiba ao PS por ter estado muito mais anos no poder.

Gostaria de acreditar que numa eventual próxima passagem do PSD pelo Governo o filme não tornará a repetir-se – mudando apenas os protagonistas – mas, face às frequentes inconsistências do discurso e à generalizada falta de preparação e falta de orientação estratégica temo bem que tal possa acontecer. Oxalá me engane…

Avançar Portugal (2)

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:21

Portugal continua a destruir riqueza em 2010 e cai 0,6%

Mais um trunfo para Santana Lopes

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:19

Para além da demonstração de fraqueza associada à busca mais ou menos desesperada de apoios junto da extrema-esquerda por parte de António Costa, o apoio em massa desta intelligentsia lisboeta ao candidato socialista deverá constituir mais um trunfo para Santana Lopes.

Leitura complementar: A “Intelligentsia” da CLAC.

Seufert e a JP Maia

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:02

Uma excelente entrevista ao Michael Seufert, aqui.

Vale a pena também ler o editorial do Tiago Loureiro, assim como os artigos de opinião.

Sendo público e notório que não tenho grandes simpatias pelo actual CDS, confesso-me agradavelmente surpreendido pelo aparente dinamismo da Juventude Popular da Maia

Alianças

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:31

Paulo Tunhas no i

[Manuel] Alegre – que repete uma ideia esquisita muito na moda segundo a qual Manuela Ferreira Leite é uma ferrenha “neoliberal” – lamenta que, não tendo o PSD “pruridos” em se aliar ao CDS para conquistar o poder, o PS os tenha no que diz respeito ao PC e ao Bloco.

É curioso que Manuel Alegre se esqueça que, enquanto que o CDS é um partido democrático, muitas pessoas não destituídas de juízo têm legitimíssimas dúvidas se o mesmo se poderia dizer sobre o PC e o Bloco no poder. Parecendo que não, é importante.

Deve sair já amanhã…

Filed under: Media,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 11:29

.. mas, por via das dúvidas, o melhor será esperar sentado pela tal segunda parte do artigo: Extremismo seleccionado. Por Gabriel Silva.

No Público de hoje, saiu um artigo sobre extremismo no Parlamento Europeu, por Maria José Guimarães.
Estou certo que se trata apenas da primeira parte, uma vez que ali não são referenciados, quiçá por falta de espaço, toda uma série de partidos e deputados igualmente extremistas, mas da dita «esquerda». Se calhar sai amanhã…

Especuladores vs oportunistas (2)

Filed under: Economia,Política — Miguel Noronha @ 10:59

“Don’t Shoot the Speculators” de L.Gordon Cravitz (WSJ)

Speculators don’t get much respect. Short sellers last year were blamed for their trades warning about the credit crisis, and commodities traders are now accused of causing higher oil prices. Even when traders are later proven right — maybe especially when they’re proven right — we blame them for delivering the bad news.

Maybe it’s human nature to reject Shakespeare’s warning and shoot the messenger.

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