“O próximo Governo vai enfrentar uma situação muito séria: PIB a cair 3,5% a 4%, taxa de desemprego próxima dos 10%, endividamento externo equivalente a 110% do PIB, défice externo de 8% a 9% e um défice estrutural do sector público da ordem dos 5%, de acordo com os cálculos da Comissão Europeia. É uma situação bastante séria. Não há paralelo na economia portuguesa”, afirmou Abel Mateus em entrevista concedida ao Negócios.(…)
Abel Mateus refere, ainda, que não encontra “nenhuma folga para grandes investimentos, nem hoje nem nos próximos dez anos”. “Fiz uma pequena estimativa do que isso implicaria, somando a dinâmica externa que existe actualmente com os grandes projectos de investimento: isso resultaria num endividamento externo de 240% do PIB em 2020″, acrescenta.
Abel Mateus acredita que há o risco de Portugal ficar sem dinheiro, tal como aconteceu com a Islândia. “Há, sim, com níveis de endividamento externo de 200% do PIB, com certeza haverá muitos problemas. Pode ser o “default” do Estado ou pode ser uma grave crise financeira do sistema bancário. Mesmo que o Estado não gaste o dinheiro mas crie uma empresa que depois vai buscar o dinheiro ao banco, também está a utilizar recursos do País. Não se reflecte nas contas do Estado, reflecte-se nas contas do banco”, explica.
Julho 23, 2009
Avançar Portugal (4)
14 Comentários »
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Isto dá que pensar muito. Quem irá tomar da governação do país? Os que estão agora parece que fizeram menos asneiras do que os anteriores que utilizaram a «fuga para a frente» como sua solução predilecta, as «mega-obras de fachada» e as promessas de «oásis» como realizações fáceis, além dos «endividamentos encapotados» para esconder as mazelas.
Mas as dúvidas e os «rabos» de gato escondido ensombram a actualidade.
Quem nos vai «iluminar»? Ainda existe gente séria, sem ser de Salazar, que se queira sacrificar para tomar conta deste país?
http//compincha.wordpress.com/
Comentário por compincha — Julho 23, 2009 @ 10:31
Exatamente, reflete-se nas contas do banco.
E é precisamente esse o problema: o país tem um deficit externo de 8% a 9% do PIB, o qual se reflete nas contas dos bancos portugueses.
Por exemplo, para termos energia elétrica em nossas casas, a EDP continuamente pede emprestado dinheiro aos bancos para poder comprar o carvão e o gás natural que queima nas suas centrais. Quando o estrangeiro decidir deixar de financiar, a EDP não terá dinheiro para pagar esses combustíveis e os computadores não terão eletricidade para funcionar.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 23, 2009 @ 10:43
“Ainda existe gente séria, sem ser de Salazar, que se queira sacrificar para tomar conta deste país?”
É essa lógica que nos lixa. Alguém para tomar conta de nós. Ora bolas é isso que inexorávelmente tem acontecido, cada vez mais poder está no Estado e cada vez os resultados são piores. Tenho uma ideia inovadora que talvez valesse a pena tentar: Portugueses não precisam de quem tome conta deles.
Comentário por lucklucky — Julho 23, 2009 @ 11:45
“Por exemplo, para termos energia elétrica em nossas casas, a EDP continuamente pede emprestado dinheiro aos bancos para poder comprar o carvão e o gás natural que queima nas suas centrais. Quando o estrangeiro decidir deixar de financiar, a EDP não terá dinheiro para pagar esses combustíveis e os computadores não terão eletricidade para funcionar.”
Pergunta sincera: isso quer dizer que afinal a EDP não dá lucros?
Comentário por Sérgio — Julho 23, 2009 @ 12:05
Os comentários do Lavoura são insondáveis.
O problema só se coloca se a EDP vender sistematicamente abaixo do custo de produção e deixar de conseguir honrar os seus compromissos.
(Por acaso até é mais ou menos verdade mas é por causa do preço ao público administrativamente pelo pelo governo. Mas esta diferença fica a crédito para a EDP. Um dia terá de ser paga. A própria fixação do preço também tem muito que se diga)
Comentário por Miguel — Julho 23, 2009 @ 12:20
“Por exemplo, para termos energia elétrica em nossas casas, a EDP continuamente pede emprestado dinheiro aos bancos para poder comprar o carvão e o gás natural que queima nas suas centrais. Quando o estrangeiro decidir deixar de financiar, a EDP não terá dinheiro para pagar esses combustíveis e os computadores não terão eletricidade para funcionar.”
Tenho o máximo interesse em conhecer os dados que fundamentam a afirmação.
Comentário por Nuno Nasoni — Julho 23, 2009 @ 13:01
O preço da enegia está artificialmente baixo por causa do preço determinado pelo Governo. Quem paga as contas no fim são os contribuintes e não os maiores consumidores. Mais um lindo exemplo da deturpação económica neste País.
Comentário por lucklucky — Julho 23, 2009 @ 13:53
“O preço da enegia está artificialmente baixo por causa do preço determinado pelo Governo.”
Pergunto ao Lucky desta vez: mas a EDP não tem reportado lucros recorde? E em Portugal não se paga a electricidade acima da média europeia? (pelo menos mais cara que aqui é)
Comentário por Sérgio — Julho 23, 2009 @ 14:43
Eu respondo
“mas a EDP não tem reportado lucros recorde”
A diferença entre a tarifa real (chamemos-lhe assim) e a que é administrativamente é reportada na sobre a forma de dívida nas contas da EDP. E, é claro, afecta positivamente os lucros. O défice tarifário terá de ser saldado mais cedo ou mais tarde.
“E em Portugal não se paga a electricidade acima da média europeia? ”
Não sei mas convém recordar os custos são diferentes para diferentes países. Em Espanha em é mais barata mas o défice tarifário é bastante superior.
Comentário por Miguel — Julho 23, 2009 @ 15:22
Obrigado. Mas o que é isso ao certo do défice tarifário? É possível explicar como se a electricidade fosse maçãs e a EDP uma mercearia? É que assim de repente parece que o que me está a dizer é que as contas são cozinhadas para apresentar lucros e quem vier depois que feche a porta…
Comentário por Sérgio — Julho 23, 2009 @ 16:25
Vejamos.
O preço da maçã é 10.
O governo acha que 10 é muito e diz que as pessoas não devem pagar mais que 9 nesse ano.
Durante esse ano por cada maçã a mercearia da EDP contabiliza a venda de maçãs a 10. Só que recebe 9 em euros ficando 1 euro em divida que será paga posteriormente. Imaginando que a EDP vendeu 100 maçãs, nesse ano ele contabiliza 1000 euros de facturação (10×100). Destes recebeu 900 (9×100) e faltam pagar 100 (1×100)
A ideia seria amenizar as variações. Imaginemos que no 2º ano as maçãs desciam para 8. O governo dizia que a EDP podia continuar a vender as maçãs a 9. Imaginado que vendia as mesmas 100 maçãs o défice ficaria anulado. O problema é se no 2º ano o preço sobe para 11. Para eliminar o défice seria preciso que o governo autorizasse que a EDP vendesse as maças a 12 euros [(11*100+100)/100]. Mas isso torna-o impopular e apenas deixa subir o preço para 10.
O défice aumento mais 100 euros nesse ano. Somando ao do ano anterior já são 200.
Comentário por Miguel — Julho 23, 2009 @ 16:39
Ok, nesse caso o ideal seria as maçãs serem vendidas pelo seu preço real porque onde há divida há juros. No entanto não me parece que o mercado ficasse assim tão distorcido se se garantisse que as franjas mais desprotegidas da população continuassem a poder ter luz eléctrica em casa.
Comentário por Sérgio — Julho 23, 2009 @ 20:50
E muito obrigado pela explicação.
Comentário por Sérgio — Julho 23, 2009 @ 20:51
Por acaso cometi um erro de palmatória com as contas mas já corrigi no comentário original. Os valores são exactamente diferentes mas agora estão certos (espero…) e não altera a lógica.
Comentário por Miguel — Julho 23, 2009 @ 21:36