Bastiat vai um pouco mais longe. Se tanto as consequências positivas como as consequências negativas de uma acção recaíssem sobre o seu actor, a nossa aprendizagem seria rápida. Porém, acontece frequentemente que as consequências positivas de uma acção beneficiam apenas o seu autor, pelo facto de serem visíveis, enquanto as consequências negativas, sendo invisíveis, se aplicam a terceiros, o que representa um custo líquido para a sociedade. Pense nas medidas de protecção do emprego: podem identificar-se aqueles cujos empregos são protegidos e que recebem os subsequentes benefícios sociais. Não se vê o efeito sobre aqueles que não conseguem encontrar emprego em virtude dessas medidas, já que a sua introdução irá limitar a abertura de novas vagas para emprego. Em alguns casos, como com os doentes de cancro que podem sofrer com o Katrina, as consequências positivas de uma acção beneficiam imediatamente os políticos e os falsos filantropos, ao passo que as consequências negativas demoram muito tempo a aparecer – podendo nunca chegar a tornar-se visíveis. Podemos mesmo responsabilizar a empresa por direccionar as contribuições para fins de caridade para aqueles que talvez menos precisem delas.
Nassim Nicholas Taleb, O Cisne Negro – o impacto do altamente improvável, 2ª edição, D. Quixote, 2007, pp. 161-162.
Julho 9, 2009
Sobre manifestos, parasitismos culturais e obras públicas (2)
3 Comentários »
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JLP recomendas o livro, ou é daqueles que irritam a cada página?
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 10, 2009 @ 19:13
Ainda não acabei, portanto a recomendação ainda não é final. Mas, para já, mesmo com os seus pontos mais ou menos discutíveis, leva a chancela de recomendado.
Comentário por João Luís Pinto — Julho 11, 2009 @ 01:03
Vai para a minha lista “talvez”
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 11, 2009 @ 09:03