
Manuela Ferreira Leite anunciou que, ao invés do que dissera há alguns dias, afinal não pretende “rasgar” nenhuma política social do actual governo, com as quais, aliás, concorda, apenas lamentando que elas não tenham ido mais longe, isto é, que não tenham tido “execução prática” na maior parte dos casos. Por outras palavras, a líder do PSD confirmou o que só um cego ainda não tinha visto: que ela é uma acérrima defensora do Estado Social, que quer manter e aprofundar, gerindo-o, se possível, melhor do que o Partido Socialista. Desenganem-se, pois, os que mantiveram a ilusão de que dali poderia resultar um programa de governo liberalizador ou uma visão da sociedade portuguesa diferente da que tem o Partido Socialista. Aliás, estas declarações resultam, em boa medida, da necessidade que Manuela Ferreira Leite terá sentido de se desmarcar dessas “tendências liberais”, alegadas estrategicamente pelo marketing do PS para a diminuir eleitoralmente. Manuela foi atrás do marketing socialista e confessou ao país o que lhe vai na alma. Depois disto, por mim, pode bem deixar na gaveta o programa eleitoral do PSD.
Mas é a única alternativa que temos neste momento para tirar os socialistas do poder, por isso vou votar PPD/PSD. E sejamos honestos, um programa liberal não venceria as eleições neste momento em Portugal. As mudanças terão de ser graduais e pausadas no tempo…
Comentário por Luís — Julho 9, 2009 @ 15:45
Caro Rui A.,
Pese embora vote no PSD e em Ferreira Leite, já reconheci muitas vezes que a senhora é um desastre comunicacional. Há uns dias falou em “rasgar”, a imprensa e o PS aproveitaram a “gaffe” e a senhora vem agora corrigir o tiro com a sua habitual ineficácia.
É por isso que defendo que o PSD tem de apresentar uma equipa. Tem de contrapor a um governo de um homem só – o do PS – um governo colegial, como prevê a constituição. E, aí sim, confirmar-se-á, penso eu, que os ministros terão mais autonomia para fazer política do que neste governo. O que tem as suas consequências a nível programático, desde logo, porque há pessoas no PSD que têm uma visão política diferente da de Ferreira Leite.
Há alguns bons sinais sobre o que tem sido ventilado acerca do programa do PSD. Desde logo, a liberalização da contratação a termo, medida que terá um impacto positivo a médio prazo nos níveis de desemprego e na competitividade das empresas. Mas também o aumento das taxas moderadoras e das custas judiciais parece-me um bom sinal, porque descongestiona os sistemas da saúde e da justiça e acaba com o mito dos serviços universais e tendencialmente gratuitos, mantendo-se apenas os regimes de isenção existentes para os mais desfavorecidos. Se acreditarmos em Paulo Portas – o que é difícil, como se sabe – e se se verificar a hipótese de um governo de coligação, então até podemos esperar mais reformas estruturais na educação, visto que Portas tem defendido publicamente o cheque-ensino.
Como se não sabe mais nada do programa, é difícil ter opinião, mas não creio que um governo de Ferreira Leite seja mais do mesmo. Até porque boa parte das reformas que são necessárias passam por desmontar o que este governo fez: desde logo, acabar com os projectos PIN, com os ajustes directos para obras até aos 5 milhões de Euros, o programa faraónico das obras públicas, só para dar alguns exemplos. Concluindo, um governo do PSD ou em coligação não estará a altura dos anseios liberais, mas dará alguns passos positivos no sentido da diminuição do peso do Estado. No actual contexto, é suficiente para mim.
Comentário por José Barros — Julho 9, 2009 @ 16:11
O PSD já há muito demonstrou qual a sua natureza. Não sei porque se espera coisa diferente. Se isto é assim agora, quando estiver no Governo vai ser muito pior.
“Mas também o aumento das taxas moderadoras e das custas judiciais parece-me um bom sinal, porque descongestiona os sistemas da saúde e da justiça e acaba com o mito dos serviços universais e tendencialmente gratuitos, mantendo-se apenas os regimes de isenção existentes para os mais desfavorecidos.”
E baixará os impostos como consequência? claro que não. Logo é pior.
Comentário por lucklucky — Julho 9, 2009 @ 16:26
Rui,
desculpe, mas pelo que tenho lido dos seus textos não posso acreditar que pensa que devido ao facto de Manuela Ferreira Leite ser defensora do Estado Social, não possui uma visão diferente da sociedade portuguesa da que tem o partido socialista…
Sabe que há vida para além do Estado Social…
Por exemplo, um Estado Social não é incompatível com a liberdade de mercado, a iniciativa privada, o respeito pelas liberdades individuais, a saída do Estado das empresas, o não controlo da comunicação social por parte do Estado,etc.
Já agora, existe algum país minimamente desenvolvido que não tenha o chamado “Estado Social”? é que Estado Social é uma coisa e “estado socialista” outra bem diferente (aliás, não duvido que os saiba definir bastante melhor do que eu).
Quanto às declarações de Ferreira Leite, não foram felizes principalmente as primeiras onde não deveria ter deixado tanta margem para o PS as atacar. é a vida.
Comentário por João Neto — Julho 9, 2009 @ 16:26
José Barros,
“acabar com os projectos PIN, com os ajustes directos para obras até aos 5 milhões de Euros, o programa faraónico das obras públicas”
Não conte com nada disso.
(1) Os projetos PIN sempre existiram, com esse ou outro nome. O Estado sempre guardou para si o privilégio de poder ultrapassar os constrangimentos legais (de conservação da natureza, de ordenamento do território, etc) para poder dar “luz verde” a certos projetos especiais. E continuará a fazê-lo. O PSD sempre teve projetos PIN, embora com nomes diferentes.
(2) Os ajustes diretos são uma coisa porreira, em especial para os autarcas PSD. Não pense que o PSD abandonará uma ideia tão apropriada.
(3) As grandes obras públicas são de regime e têm belas empresas de construção civil com chorudos cheque para os partidos por detrás. O PSD fá-las-á, tal como o PS.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 9, 2009 @ 16:26
“Pese embora vote no PSD e em Ferreira Leite, já reconheci muitas vezes que a senhora é um desastre comunicacional.”
Caro José Barros
Eu, que até vou votar PSD, apenas pela lógica do mal menor, até nem acho que a Senhora seja um tal “desastre comunicacional”.
Pelo contrário, o seu suposto “mau jeito” até me parece que está a dar resultado.
O Povo definitivamente parece farto dos “bens falantes”.
Por alguma razão o Paulo Portas tem aquele cartaz “Não basta ter razão, é preciso ter votos”.
O Homem fala bem mas não convence.
Agora, num País deprimido como está, e com a dependência do Estado em que uma boa maioria se encontra, alguém ganharia uma eleição, dizendo que iria deitar para o lixo as políticas de apoio social?
E mesmo que o dissesse, isso alguma vez era concretizável?
A paz social também é um valor a ter em conta.
É preferível sustentar alguns calões à boa vida do que muitos infelizes na cadeia.
Eu não me importo que os meus impostos sustentem algumas grávidas solteiras, e uns velhotes.
Chateia-me mais que sustentem pianistas arrogantes e cineastas de filmes que ninguém vê.
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Comentário por Mentat — Julho 9, 2009 @ 16:37
José Barros, o que está em causa não é se é ou não desastre comunicacional, é que o PSD nem sequer é a outra face do PS, é uma e a mesma coisa. Não adianta.
Os que cá ficarmos empobreceremos, já não alegremente, mas maldispostos, chateados, carrancudos e pessimistas até ao estoiro mestre. Os que conseguirem fugir daqui (espero que o meu filho ainda vá a tempo) ainda terão uma hipótese.
Comentário por Helder — Julho 9, 2009 @ 16:44
“…pode bem deixar na gaveta o programa eleitoral do PSD…”
Caro Rui
Pelo contrário agora é que se torna mais imperioso conhecer o programa eleitoral do PSD.
É que tem de ser uma espécie de quadratura do círculo.
Manter politicas sociais, aumentar os funcionários públicos se possível, não aumentar impostos, baixar a despesa publica, …
Vai ser uma “receita” e tantos…
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Comentário por Mentat — Julho 9, 2009 @ 16:45
“…já não alegremente, mas maldispostos, chateados, carrancudos e pessimistas até ao estoiro mestre…”
Caro Helder
Isso já estou agora, por isso não posso ficar pior.
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Comentário por Mentat — Julho 9, 2009 @ 16:47
Isso já estou agora, por isso não posso ficar pior.
Pois…o processo está em andamento, é uma questão de tempo. Pouco.
Comentário por Helder — Julho 9, 2009 @ 16:48
“…PSD nem sequer é a outra face do PS, é uma e a mesma coisa…”
Hélder
O PSD popular que eu conheço, garanto-lhe que não tem qualquer semelhança com o PS.
Quanto ao PSD elitista que ocupa o Poder é capaz de ter razão.
Mas chegará um dia em que o primeiro tratará da saúde ao segundo.
Espero que seja agora.
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Comentário por Mentat — Julho 9, 2009 @ 16:53
Helder, mas fugir para onde? A internacional socialista chama-se internacional por algum motivo! E o PSD? Mas só notaram agora que o partido se chama SOCIAL democrata? Só porque ela disse uma vez que o estado gastava muito dinheiro em subsidios achavam que a moça ia fazer campanha contra os eleitores?
Estamos no ponto de não retorno. Quanto 50% do país vive à conta dos outros 50% é impossível o poder votar contra si próprio. A unica salvação que existe é mesmo uma greve dos 50% que andam a pagar esta brincadeira toda. Quanto mais depressa bater no fundo mais rapidamente começamos a pensar em pormo-nos de pé.
Comentário por Nuno Branco — Julho 9, 2009 @ 17:23
“Isso já estou agora, por isso não posso ficar pior.”
Isso é o que vamos ver…
Comentário por MC — Julho 9, 2009 @ 17:38
eu só não percebo é como é que ainda há quem acredite no pai natal… e coloque esperanças numa das piores prestações de sempre nas pastas das finanças… a mfl não presta e o que augura é tão mau como a alternativa rosa…
Comentário por caodeguarda — Julho 9, 2009 @ 17:50
José Barros, o que está em causa não é se é ou não desastre comunicacional, é que o PSD nem sequer é a outra face do PS, é uma e a mesma coisa. Não adianta – Helder
Não creio que sejam a mesma coisa. Dou-lhe alguns exemplos:
1) Arrendamento: a proposta de Santana Lopes preparada para aprovação na AR quando Sampaio dissolveu o parlamento era significativamente mais liberal do que a reforma socialista conhecida por NRAU. Nomeadamente, a proposta do PSD previa que se pudessem celebrar arrendamentos para habitação livremente denunciáveis, ao passo que na lei socialista os arrendamentos só podem ser denunciados ao fim de 5 anos. Espero que a antiga proposta do Santana seja recuperada, visto que foi a única coisa boa que fez (quase, pelo menos).
2) Actualmente um empregador só pode contratar a termo se apresentar um motivo justificado, daqueles que se encontram restritivamente tipificados na lei. Não se verificando tal situação especialmente prevista na lei, o contrato que as partes quiseram que fosse a prazo é considerado sem prazo. Mais: mesmo quando se cumpra a lei na matéria, o partido socialista, para agradar à sua esquerda, impôe uma penalização fiscal aos empregadores que pretendam contratar a prazo. Ora, o PSD, tanto quanto vem noticiado nos jornais, pretende liberalizar a contratação a termo. Uma solução que eu defendo há muito e que me parece ter boas implicações em matéria de desemprego e de competitividade das empresas.
3) O PSD promete a enésima revisão dos códigos penal e processual penal. É mau que as leis estejam sempre a mudar. Mas neste caso é necessário, porque se alguma vez se quiser que a investigação criminal seja eficaz em Portugal, tal depende necessariamente de não se sacrificar a procura da verdade em detrimento do hiper-garantismo do arguido que rodeia o processo penal. Pode acabar-se com a fase de instrução no processo penal, acabar-se também com a regra de que as declarações prestadas em interrogatórios judiciais não valem em julgamento. Enfim, com o que verdadeiramente impede que haja justiça criminal em Portugal e, ao mesmo tempo, prolonga os processos criminais por anos a fio. Também é bom que se penalize os grandes utilizadores do sistema de justiça, por forma a que os custos de utilização do sistema sejam uma variável a considerar no recurso aos tribunais por parte das seguradoras, bancos, empresas de telecomunicações, enfim, os responsáveis por 60 ou 70% da litigância em Portugal e pela morosidade da justiça, na medida em que litigam, independentemente de terem ou não razão.
Importa falar de coisas concretas. Estar a dizer que não há diferenças entre os partidos, se sempre foi errado, hoje é-o especialmente, se confrontarmos as ideias que ambos os partidos têm apresentado. Uma receita que passe por pagar de imediato as dívidas do Estado, extinguir o pagamento por conta, permitir a compensação de dívidas às empresas, será sempre mais liberal e mais eficaz do que um receita que passe por um programa megalómano de obras públicas.
Comentário por José Barros — Julho 9, 2009 @ 18:43
e coloque esperanças numa das piores prestações de sempre nas pastas das finanças – cão de guarda
Estou em perfeito desacordo com isso, nem nunca vejo alguém substanciar essa afirmação.
Na educação, MFL teve o mérito de introduzir exames nacionais e é pela contestação – não pelo acerto da medida – que se é julgada uma má ministra.
Nas finanças, impediu as sanções que a comissão europeia, num contexto totalmente diferente do plano de estabilidade, iria aplicar ao Estado Português. Aliás, se houve ministra das finanças que conseguiu alguma contenção de despesa nos últimos 20 anos foi Ferreira Leite.
Comentário por José Barros — Julho 9, 2009 @ 18:49
Pelo contrário, o seu suposto “mau jeito” até me parece que está a dar resultado. – Mentat
Dá resultado quando ela não fala.:)
Dito isto, concordo consigo que a comunicação é o que menos preocupa os portugueses, neste momento. Mas esse défice comunicacional terá importância quando Ferreira Leite for primeira-ministra, se isso vier a acontecer.
Comentário por José Barros — Julho 9, 2009 @ 18:52
[...] «Pode deixar na gaveta», por Rui Albuquerque [...]
Pingback por Leituras: « BLASFÉMIAS — Julho 9, 2009 @ 18:58
Deixe-me ver..aumentou os impostos quando o Governo de que fazia parte prometeu o contrário, iniciando a caminhada aos infernos da resolução da crise pelo aumento de impostos e da colecta. Chulou, é a palavra, as empresas principalmente as pequenas. Na Educação não fez nada, foi uma gestora no pior sentido da palavra. Resumindo uma apparatchik do Regime. Porque isto não vai lá sem outra Constituição onde haja limites ao que o Estado possa tirar aos Cidadãos -que é aliás a única solução para o Ocidente. Já era bem menos mau que o limite fosse 30%(incluindo dívida e todas as taxas) do rendimento de cada pessoa e dessem o dinheiro todo á Maria João Pires para ela fazer o que quiser…
Comentário por lucklucky — Julho 9, 2009 @ 19:02
Acabei de ouvir na TSF as declarações de 25 de Junho de MFL a dizer que iria rasgar e romper com as politicas económicas e sociais deste governo. Portanto as declarações de hoje são fantásticas não só porque conseguio, de forma muito eficaz, alienar qualquer eleitorado liberal, como também todo o eleitorado do centro que teria alguma ideia de que eventualmente MFL seria uma pessoa séria.
Depois do ex-ministro da economia o harakiri politico virou moda!
Comentário por Nuno Branco — Julho 9, 2009 @ 19:17
Há uns dias falou em “rasgar”, a imprensa e o PS aproveitaram a “gaffe” e a senhora vem agora corrigir o tiro com a sua habitual ineficácia.
Comentário por oraporra — Julho 9, 2009 @ 19:21
#2
“Há uns dias falou em “rasgar”, a imprensa e o PS aproveitaram a “gaffe” e a senhora vem agora corrigir o tiro com a sua habitual ineficácia.”
O PS aproveitou-se desta gafe da mesma forma que o PSD se aproveitou das gafes do ministo dos corninhos.
PS e PSD estão muito bem um para o outro. Parecem irmãos gémeos…
Comentário por oraporra — Julho 9, 2009 @ 19:24
nem mais, lucklucky, nem mais…
Comentário por caodeguarda — Julho 9, 2009 @ 22:22
Esta senhora não dá uma para a caixa. Anda a apregoar a política de verdade e é cada semana cada mentira.
No dia 25 de Junho, durante um jantar com o grupo parlamentar do PSD, Manuela Ferreira Leite disse:
“Nós vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país.
NÓS VAMOS RASGAR e romper com TODAS as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política ECONÓMICA E SOCIAL.”
Hoje, 9 de Julho, ela disse:
“Rasgar? ninguém vai rasgar nada!”
E quanto à questão sobre as políticas sociais…
“Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. (!!) Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais. (!!) Não há nenhuma medida a que o PSD se tenha oposto ou que tenha criticado sequer.” (!!)
COMO É QUE É?? REPITA LÁ OUTRA VEZ!
Meus amigos, deixemo-nos de tangas e de brincadeiras, se fosse Sócrates a dizer isto com esta lata, este desplante, esta irresponsabilidade e deriva, nunca mais o largavam.
O país, a atravessar uma crise mundial das mais graves de sempre, precisa de tudo menos de uma líder de faz-de-conta, uma líder frouxa e inábil, uma líder irresponsável e que diz as coisas levianamente e oportunisticamente por mero calculo avulso e totalmente desorientada.
Comentário por Caty Waves — Julho 9, 2009 @ 22:40
Como sugere o Rui Albuquerque, o PSD da Senhora MFL não vai certamente tirar um programa liberal da gaveta.
Mas penso que o Luis está a ser realista e lucido quando diz que “um programa liberal não venceria as eleições neste momento em Portugal”.
De resto, o Rui Albuquerque também reconhece noutro post que não “é possível, em Portugal, um governo verdadeiramente liberalizador da sociedade, da economia e da política em geral”.
E acrescenta que (no fim de contas … digo eu !) “[] o liberalismo … não é um programa de governo e não serve de ideário partidário …[] é mais uma pedagogia social do que política …[] serve mais para tornar os cidadãos conscientes dos seus direitos perante a política e o estado do que para operar o milagre do estado e do governo lhos reconhecerem unilateralmente.”
Pela parte que me toca, há muito que não tenho duvidas e ilusões a este respeito !
Mas significa isto que os liberais se devem demitir de participar e intervir nas contendas políticas e eleitorais, que devem permanecer indiferentes ou neutros perante as alternativas partidárias de governo existentes ?
Penso que não !
Como o Luis também considero que “as mudanças [poderão] de ser graduais e pausadas no tempo…”.
Como o José Barros também penso que, apesar de muitas afinidades, o PSD não é a mesma coisa que o PS e que, por pouco que seja, “será sempre mais liberal e mais eficaz”.
Como o Mentat também considero que é preferível “votar … pela lógica do mal menor” ! (eventualmente tapando o nariz !..)
Seja qual for o programa … eu vou votar PSD !
Comentário por Fernando S — Julho 9, 2009 @ 23:46
#25
Seja qual for o programa … eu vou votar PSD !
…as “palas2 da clubite aguda.
Comentário por oraporra — Julho 10, 2009 @ 15:04
26. “…as “palas2 da clubite aguda.”
Caso para dizer … oraporra para a sua anticlubite grosseira !…
Não sei que idade é que voce tem … eu ja ca ando ha tempo mais do que suficiente para conhecer as galinhas da minha capoeira para, a poucos meses das eleições, não precisar de um “programa de governo” saido pouco antes para saber para onde é que vai o meu voto !…
O que, naturalmente, não exclui que com o tempo, e perante indicações regulares e de fundo que mostrassem mudanças significativas no posicionamento de algum ou algumas forças partidarias, eu pudesse vir a alterar o meu sentido de voto.
Ainda relativamente à “clubite aguda” … eu pensava (mas pelos vistos voce não) que era mais uma caracteristica tipica de quem não tem qualquer espirito critico relativamente ao clube (ou partido) que tem numa determinada altura a sua preferencia …
Eu disse apenas que ja sei em quem vou votar nas proximas eleições.
Não disse, e até julgo ja ter mostrado aqui o contrario em varios comentarios, incluindo o anterior, que me reconheço ou me identifico com a pratica e a orientação ideologica domintes no PSD, demasiado “social-democrata” para o meu gosto.
Comentário por Fernando S — Julho 10, 2009 @ 18:43
#27
Meu caro. A minha resposta ao seu comentário, é igual a que dei a um amigo, que dizia o seguinte: se o candidato do PSD á junta da nossa freguesia fosse o maior bêbado que lá vivia (estava bebado 24 horas por dia), era nele que votava mesmo que os candidatos da oposição fossem muito competentes.
Quanto à minha idade, já passo do meio século. já vi muita coisa.
quanto ao PSD ser demasiado social democrata, deixe-me rir antes que o Sócrates invente mais algum imposto.
Comentário por oraporra — Julho 10, 2009 @ 19:16
Caro oraporra (voce arranjou cá uma porra de um nick … mas sem duvida sugestivo … parabens !…),
Não me parece que o seu exemplo limite do candidato bebado à junta de freguesia seja verdadeiramente adequado a proposito de eu ter indicado a minha intenção de voto para eleições legislativas nacionais antes de conhecer o exacto conteudo do programa eleitoral do PSD !…
Se isso o pode tranquilizar … posso dizer-lhe que numa situação das que refere eu também não votaria pelo candidato bêbado (talvez ainda hesitasse se estivesse assim apenas … 12 horas por dia !…).
Quanto às competencias de uns e de outros … sinceramente, eu não tenho uma visão da politica que dê à suposta maior ou menor competencia dos protagonistas um papel assim tão determinante. Claro que os há mais e menos competentes. Em todos os partidos. Mas, feliz ou infelizmente (eu acho que felizmente), a politica é bem mais do que isso : são ideologias, valores, interesses, politicas, etc.
Em eleições nacionais, com forte dimensão política e ideológica (bem mais do que as das juntas de freguesia), eu não voto em função de supostas competências técnicas dos candidatos individuais (que as mais das vezes desconhecemos), mas antes por aquilo cada força partidária no seu conjunto representa. Tanto mais que as pessoas até podem ser substituídas. E porque também sabemos que a performance de um dirigente político (um ministro, por exemplo) depende menos das suas competências técnicas do que das competências das equipas e pessoas que com ele trabalham.
Seja como for, para não fugir ao seu critério, não creio que se possa dizer que de um modo geral os candidatos do PSD são menos competentes do que os dos outros partidos.
Não leve a mal, mas eu tenho a impressão que o seu comentário tinha uma pitada de má-fé.
Porque, se reparar bem, eu até tentei explicar (posso é tê-lo feito mal) porque é que já sei que voto PSD antes mesmo de conhecer o programa (não perca de vista que o post que estamos a comentar é precisamente sobre o programa que tarda a sair …).
Pode perfeitamente não concordar com as minhas razões … mas acho que não pode é dizer que eu voto de olhos fechados e sem razões !…
Quanto à idade … tudo indica que pertencemos à mesma geração !… e estou convencido de que o meu amigo já sabia perfeitamente o que é que iria fazer com o seu voto nas próximas eleições legislativas mesmo antes de ler os programas de uns e de outros (se é que os leu) !… Errei ?!..
Desculpe, mas não percebi o seu comentario à minha afirmação de que o PSD é demasiado social-democrata …
Um abraço.
Comentário por Fernando S — Julho 10, 2009 @ 21:29
Caro Fernando, para mim o PSD, tem muito de liberal e pouco de social democrata.
O PSD é social democrata na oposição e liberal quando governa.
Comentário por oraporra — Julho 10, 2009 @ 22:08
Caro oraporra,
Para mim o PSD actual não é liberal na oposição, ainda menos quando governa.
Mesmo assim, e como afirmei anteriormente, considero a alternativa de governo ao PSD, o PS, ainda mais socializante.
Também penso que não existem hoje condições para a formação de uma maioria de governo de orientação mais liberal.
Muito menos sem o PSD.
Como liberal, desejo que uma coligação de governo à direita, hoje em dia necessariamente assente no PSD, evolua naturalmente em termos do reforço da sua componente mais liberalizante.
Esteja onde estiver, dentro ou fora do PSD.
Não acredito muito na possibilidade de “governos liberais” que fazem “revoluções liberais”. Ja lembrei algures que as chamadas “revoluções liberais” dos anos 80 foram feitas por governos … conservadores !
Mais do que um projecto ou um programa de governo realizaveis de modo politicamente autonomo e coerente, o liberalismo é para mim um movimento de valores e de medidas de politica de caracter liberalizante.
Os valores e as praticas liberais avançam (e recuam) de modo gradual e quase que por força da evolução (e bloqueios) das sociedades modernas.
Em certas condições, certas medidas de cariz liberal até podem ser realizadas (ou consolidadas) por governos de uma esquerda “moderna” (e até “social-democrata”) ou de uma direita “pragmática” (e até “social-conservadora”), de algum modo também elas revistas por alguns reflexos originalmente liberais.
Muito embora considere que o modelo liberal “clássico” de um “Estado minimo” seria o mais apropriado para tornar as nossas sociedades mais abertas e prosperas, não acredito na viabilidade politica de projectos “puramente e radicalmente” liberais.
Atenção, não digo que os liberais (onde me incluo) precisam de abandonar a defesa rigorosa dos seus principios. Digo apenas que têm de compreender e aceitar que a sua aplicação prática pode não ser imediata e perfeita.
Penso que o liberalismo tem necessariamente de coexistir e de fazer muitas vezes alianças e compromissos com outras tendencias e resistências fortes nas nossas sociedades. Que, de resto, não se resumem apenas àquelas que têm uma tradução político-partidária e ideológica.
Até porque o liberalismo, muito embora seja um pensamento global, não tem respostas para tudo e não pode de modo nenhum pretender preencher todas as dimensões da condição humana.
Enfim, digo eu …
Comentário por Fernando S — Julho 11, 2009 @ 01:42
Fernando.
Diz, e diz muito bem!
Comentário por João Neto — Julho 11, 2009 @ 09:55