O Insurgente

Julho 9, 2009

Ainda as obras públicas

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:24

“A ciência económica e os investimentos públicos” de Avelino de Jesus (Jornal de Negócios)

Assistimos, nos últimos 20 anos, a um formidável programa de infra-estruturas que mudou a face física do País, colocando-nos, nalguns casos, no topo dos países com melhores equipamentos, como é bom exemplo o sector das auto-estradas, conforme eu próprio evidenciei, com indicadores irrefutáveis, há um ano nesta coluna. Porém, o crescimento económico da última década foi insensível à execução daquele programa. O crescimento da primeira metade daquelas duas décadas não resultou – como muitos se iludiram, e por isso agora outros tantos querem copiar – do betão então abundantemente espalhado pelo País mas da abertura ao comércio e ao investimento internacionais que a entrada na Comunidade Europeia trouxe consigo. Esgotado aquele impulso, o crescimento caiu.

A nossa experiência poderia ser suficiente para intuir as limitações do investimento público em infra-estruturas como política de estímulo ao crescimento. Mas o nosso não é um caso raro e inexplicável. Os estudos recentes, com as técnicas econométricas mais apuradas, enquadradas pela reflexão económica mais abrangente, permitem entender a nossa situação como uma daquelas em que os investimentos públicos em infra-estruturas não são agora geradores de crescimento. Provavelmente, nunca o foram no passado.

Se quisermos evitar o desbaratar de recursos que nos vão ser necessários noutras áreas de promoção da competitividade geradora de crescimento, não podemos ignorar as contribuições mais rigorosas e actuais da ciência económica sobre a relação entre o crescimento e o investimento público em infra-estruturas.

1 Comentário »

  1. Ainda no mesmo artigo :

    “A substância do problema consiste no impacto de longo prazo dos investimentos em infra-estruturas sobre o crescimento da economia portuguesa … [ao contrario do que pretende] um certo keynesianismo primário ainda muito presente, para o qual o longo prazo não existe e a política económica vai pouco além de mandar abrir e tapar buracos.”

    Comentário por Fernando S — Julho 10, 2009 @ 00:11


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