
A reacção mais do que excitada de muita da esquerda bem pensante da blogosfera ao artigo do Carlos foi extremamente curiosa. Essencialmente por duas razões.
A primeira foi o lancinante e desenfreado ataque ao facto de o Carlos ter concluído a sua licenciatura numa Universidade Pública, assim explorando em seu benefício os impostos dos contribuintes que defendia estarem a ser roubados no caso da pianista Maria João Pires. Como se ele tivesse alguma vez tido alguma escolha.
Pergunto-me o que estariam à espera: que lhe fossem roubadas na forma de impostos (a ele e aos seus pais) as receitas para o financiamento desse mesmo ensino superior, e que depois viesse o Carlos, alimentado com certeza de um espírito de mártir, renegar (tendo a possibilidade de dele usufruir) um serviço que já pagou adiantado?
E, no final de tudo isto, suprema ironia: ainda ser acusado pelos apoiantes e promotores do processo, para o qual não foi tido nem achado excepto no momento de pagar a conta, de que é um oportunista. Isto é pura lata e falta de vergonha, meus senhores.
A segunda, é igualmente irónica. A brigada da Igualdade, da não-descriminação, do Progressismo, da abertura de espírito, do “género”, aquela que tantas vezes anda com o Parque Eduardo VII na boca (para os alvos certos, naturalmente), uniu-se num dos mais ferozes ataques que me foi permitido acompanhar nos últimos tempos contra a prostituição. Queiram eles um dia destes ocupar-se em acabar com mais um daqueles vazios legais que lhes faz tanta confusão, e já podemos imaginar o que provavelmente viria daqueles lados.
Aliás, eu quase que poderia apostar que assistimos a uma inesperada descoberta de algo ainda mais ignóbil à sua imagem do que ser banqueiro nos tempos que correm.
Pergunto-me o que é que têm contra a actividade que ocupa de forma livre pessoas dos mais diversos enquadramentos sociais, e que não têm a mínima vontade e desejo dela abdicar. Vítimas afinal da recriminação protagonizada por algumas mentes tacanhas que não concebam a possibilidade de as mulheres disporem em liberdade do seu corpo para ganhar a sua vida, de uma forma que nos merece tanto respeito como qualquer outra profissão. Esses juízes cheios de moralidade que não concebem que alguém prefira, por exemplo, prostituir-se, em alternativa a outro trabalho que esses bastiões da dignidade humana considerariam “muito digno” (mas que nunca conceberiam em nenhuma circunstância para si próprios) que custaria a quem tem que verdadeiramente fazer a escolha um sacrifício que não estão dispostos a fazer.
Eu sei que o problema de ganhar a vida não é algo que conquiste muita empatia da legião dos bem-pensantes. Afinal, estão bem habituados a ter um estado que lhes providencia nos momentos mais ou menos difíceis e da abundância conquistada por serviços bem prestados nos diversos ramos das forças armadas de esquerda. É somente natural que venham portanto defender o direito de alguém a ter o seu capricho sustentado, quando conhecemos que são tantos os caprichos que gostam de sustentar à custa dos outros, independentemente da sua opinião. Mas convém lembrar: todos aqueles que alienam o seu tempo, a sua força física, o seu intelecto (mais ou menos afectado pelo amianto) ou a sua proficiência física em prol da necessidade de garantir os meios para a sua subsistência, quando prefeririam com certeza estar a fazer outra coisa se lhes fosse dada essa oportunidade e os respectivos recursos, estão afinal a fazer todos algo de parecido. Uns prostituem de si algo que encaixa no padrão moral e na complacência da elite e que estes chamam “trabalho digno”, “sacrifício pessoal” ou “voluntarismo”. Outros, “prostituem-se”.
Mas muitas vezes, afinal, enquanto os segundos transitam com sinceridade de cama para cama, alguns dos primeiros – dos tais iluminados – acabam a transitar de caixa de comentários em caixa de comentários oferecendo, os seus orifícios intelectuais aveludados ao preço de tabela da fama.
Se calhar, afinal é tudo somente uma questão de que uns precisam de bidé e outros não.
De facto, dá que pensar…
Comentário por André Azevedo Alves — Julho 7, 2009 @ 00:34
Do bordel, ao bidet, passando pelo parque eduardo VII. Como eu compreendo a Maria João Pires. Prafraseando um poema do carlos Drumond de Andrade : Eu também quero ser brasileiro.
Comentário por miguel dias — Julho 7, 2009 @ 00:51
Se o post fosse sobre prostituição, dava-te razão; como não é, continuo a achar que foi desnecessário associar a mulher a prostituição. Chama-se respeito e por muitos posts que escrevas a explicar, contrapôr, renegar, defender e desconstruir irás sempre embarrar numa coisa chamada “personalidade colectiva”, “cultura”, “arquétipos portugueses”, “luso-ADN”, “educação dos avós”, “não se põe cotovelos na mesa e janta-se às 8h”. É irracional e não há argumentário nem retórica que lhe dê luta.
Confesso que qdo li o post do Carlos parei ness palavra: durante dois segundos senti um certo desagrado no âmago. Acho igualmente que não tem o assunto que está a ter, mas, insisto, nao é com retóricas que se contrap~ºoe um efeito mais emocional do que racional.
Como dizia o outro, “não habia nexexidade”. Eu acrescentaria que “respeitinho fica sempre bem”, a não ser que seja intencional. Coisa que não me parece ter sido.
Comentário por vítor jesus — Julho 7, 2009 @ 01:18
Vitor,
Julguei que pelo menos tu conseguisses ler o post para além das aparências. Eu não associei ninguém }à prostituição, apenas coloquei a hipótese de prostituição para demonstrar onde a atitude da MJP se coloca na minha escala de valores. Eu não a associei à prostituição, disse que a forma que ela encontrou de se financiar é mais imoral (na minha escala de valores) do que se prostituir ou mendigar.
Espero que de uma vez por todas, isto fique claro.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Julho 7, 2009 @ 07:48
coloquei a hipótese de prostituição para demonstrar onde a atitude da MJP se coloca na minha escala de valores
Sim a senhora tinha alternativas como esmifrar-se a dar concertos e a gravar discos para pagar a sua utopiazinha. Ou tantas outras ocupações honestas. Incluindo a prostituição, que ao menos é um acto consensual entre dois adultos, uma actividade económica que não implica terceiros que não queiram participar – o mesmo não se pode dizer de estar de boca aberta no receiving end da máquina estatal de subsídios à ‘Cultura’ e esbulho forçado da população.
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 7, 2009 @ 09:01
A questão de ter pago os impostos e isso ter servido para pagar adiantadamente a sua educação é um comentário estúpido. Que estudasse na Católica, que também recebe dinheiro estatal e é, por obra e graça do Santo Hayek, privada, peloq eu é certamente, obra e graça do Santo Smith, melhor. Portanto, que CGP mendigasse, se prostituísse ou pedisse emprestado, era melhor para ele, ou não?
Por outro lado, esse conceito de pagar adiantado os estudos através dos impostos exige a pergunta: significa que estão contra as propinas? Se já se paga adiantadamente, então não há razão para cobrar um cêntimo que seja extra. E nesse caso mais vale as universidades darem acção social escolar a toda a gente.
O conceito é estúpido por mais uma razão: ninguém paga a educação de forma adiantada, antes se protela esse pagamento. Os estudos existentes dizem que quem tem uma educação superior tem melhores salários e melhor nível de vida. Uma vez que essas pessoas pagam mais impostos, estão portanto a pagar os seus estudos efectivamente APÓS os terminar.
Por fim há a questão do benefício à sociedade. Vocês vêem o mercado como uma situação onde só dois beneficiam, sendo que a sociedade só beneficiará devido a um conjunto de mecanismos muito mais complexos e que levarão a um benefício geral (algo do género, embora eu tenha anoção que estou a super-ultra-hiper-simplificar). Só que há um outro lado: a sociedade beneficia com o aumento do conhecimento. Se não existir uma sociedade (com impostos e protecção social de algum tipo) a fornecer o efeito catalisador, a ascensão social só sucederá lentamente e dependerá muito da sorte. Há ainda a questão do benefício geral de ter mais médicos ou engenheiros, o que é mais facilmente conseguido com um ensino estatal e público que com um ensino privado.
Em relação à música: Maria João Pires é música e vende álbuns. Ganha dinheiro dessa forma. Se não existisse algum apoio estatal para que a sua música chegasse ao público em geral, só algumas pessoas a poderiam realmente apreciar. E a isto não se chama socialismo: chama-se elitismo, na sua versão mais monstruosa – só os ricos têm direitos. E é isso que aconteceria num mundo liberal como vocês gostariam de ter. E que já existiu em tempos. Na altura apenas se chamava de feudalismo.
Comentário por João André — Julho 7, 2009 @ 09:26
Caro João André,
Que eu saiba o Estado Português não apoia a Deustche Grammophon, e eu até tenho uma data de CDs da senhora. Aliás, uma vez arranjei a colecção completa das sonatas de Mozart tocadas pela MJP (outra editora) por uns 10€. Nada disto custou dinheiro a qualquer outro português, e ainda deu dinheiro a ganhar à senhora de forma honesta. O mesmo dinheiro seria gasto por outras pessoas no novo album da Mariah Carrey, no novo filme dos Transformers, numa noite de copos. Isso de presumir que se pode planear centralmente a cultura implica não só passar por cima dos direitos de propriedade dos individuos como também fazer escolhas por eles.
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 7, 2009 @ 09:35
“Que estudasse na Católica, que também recebe dinheiro estatal e é, por obra e graça do Santo Hayek, privada, peloq eu é certamente, obra e graça do Santo Smith, melhor.”
Anda mal informado João André. A UCP não é uma instituição privada (e, veja lá bem, também não é exactamente pública). Mas se fosse não seria seguramente por isso que seria melhor. Em Lisboa é claramente, a par da Nova, a melhor escola de Gestão. No Porto não sei, mas se a amostra bloguisticamente mais notória for representativa, temo que não…
Comentário por LT — Julho 7, 2009 @ 09:54
Só que há um outro lado: a sociedade beneficia com o aumento do conhecimento. Se não existir uma sociedade …. a fornecer o efeito catalisador, a ascensão social só sucederá lentamente e dependerá muito da sorte. Há ainda a questão do benefício geral de ter mais médicos ou engenheiros, o que é mais facilmente conseguido com um ensino estatal e público que com um ensino privado.
Sim o conhecimento é importante para a sociedade. Sim a sociedade dispõe de mecanismos que permitem a ascensão social (e queda social, acontece quando um indivíduo deixa de ser útil aos que o rodeiam pela prestação de valor económico). Agora, é absurdo confundir sociedade com Estado. E absurdo – e tirânico – pensar que o Estado sabe melhor que dez milhões de portugueses que escolhas culturais eles querem.
Quanto ao ‘benefício geral’ de ter mais gente com canudo, está por provar. Aliás o que o Estado faz é tornar o ensino superior ‘gratuito’ (ou seja, pago com dinheiro dos contribuintes, que deixa de gerar prosperidade, para pagar a burocracia do Ministério do ES, e um sistema universitário avesso a qualquer inovação). O que, pelas leis da economia, resulta que haja mais gente licenciada – e gente a mais para o que o mercado pode absorver (sobretudo com o proteccionismo corporativo que temos).
Essa gente estaria melhor, e os contribuintes estariam melhor, se tivesse enveredado por cursos mais curtos, mais práticos, com mais saída, e apostado no sistema de ensino da vida ou eventualmente em formação incremental. Mas a acção do Estado distorce e elimina as escolhas dos indivíduos, assim como a racionalidade económica. Só assim se explica que se defenda “mais educação” sem consideração de custos para a sociedade.
O mesmo se pode dizer da ‘cultura’. Por via dos apoios do Estado, temos demasiado gente (muitas pessoas imensamente talentosa, reconheço que sim), a fazer curso de Artes, e a ou não poder sustentar-se ou ter de viver da mama dos contribuintes. Lá que os há aos montes, é verdade. A destruição de valor que essa extravagância soviética implica – com o dinheiro que não pertence a artistas, políticos ou burocratas – nem se discute. Ora já basta.
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 7, 2009 @ 09:56
“A reacção mais do que excitada de muita da esquerda bem pensante da blogosfera”
A quem se refere, concretamente?
Comentário por Luís Lavoura — Julho 7, 2009 @ 10:22
e é, por obra e graça do Santo Hayek, privada, peloq eu é certamente, obra e graça do Santo Smith, melhor.
Francamente não sei o que há a ganhar com a desonestidade intelectual de usar homens-de-palha. Aqui no Insurgente nunca se invocou que uma organização privada é sempre melhor (obtém melhores resultados?) que uma estatal. Com certeza que será moralmente superior, em termos fiscais, mas essa é outra história.
O Estado consegue canalizar fundos infindos para as suas próprias instituições de ensino, à medida que beneficia a sua academia com um monte de privilegios especiais, e castra a iniciativa privada com hiper-regulação e propinas ridiculamente baixas. Não admira que as melhores instituições de ensino em Portugal (em termos da qualidade do Ensino ministrado) sejam estatais. Os professores reputados lá estão – aliás, uma concentração de talento que não se encontraria num mercado livre.
O mesmo podia fazer para orquestras e companhias de dança por todo o país. Ou associações de desporto. Ou indústrias. Ou “investimentos públicos”. Pão e circo. De vitória em vitória soviética até à pobreza colectiva.
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 7, 2009 @ 10:23
É sabido que a esquerda não é nada liberal em matéria de prostituição (e em matéria de jogo também). Mas olhe que a direita também não o é nada. Em matéria de prostituição, e embora talvez por motivos diferentes, esquerda e direita (tradicionais) estão unidas e são ambas bem iliberais.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 7, 2009 @ 10:24
Bidés, pedofilia e prostituição. O requinte do pensamento que trespassa por estes posts não cessa de me espantar. Eu pensava que se falava da única artista portuguesa que tocou com as grandes orquestras e maestros mundiais, a única compatriota vossa a pertencer ao catálogo exclusivo da Deutsche Grammophon. Mas não, a conversa é coisa reles, de taberna. Como bem diz a Maria Filomena Mónica: “Como fui criada na direita, continuo a pensar que a direita portuguesa é totalmente subserviente em relação ao poder político, completamente inculta, não cosmopolita, e socialmente a maior parte das pessoas da direita nunca foram para além de Elvas. O fundamental para mim é a liberdade e a direita portuguesa não preza a liberdade.”
Por estes lados também nunca se vai para além de Elvas.
Agora força, censurem este comentário à falta de melhor argumento.
Comentário por Ricardo Guerra — Julho 7, 2009 @ 11:13
“Eu pensava que se falava da única artista portuguesa que tocou com as grandes orquestras e maestros mundiais…”
E então? Isso concede-lhe o direito divino ao financiamento pelos contribuintes? A Maria João Pires pode ser genial mas isso não obriga ninguém a prestar-lhe vassalagem nem a pagar o dízimo.
Comentário por Miguel — Julho 7, 2009 @ 11:28
“Por estes lados também nunca se vai para além de Elvas.”
Felizmente contamos com espíritos iluminados como o Ricardo para decidir onde gastar o nosso dinheiro. Não vá a nossa tacanhez de espírito levar-nos a fazer escolhas culturais pouco meritórias.
Comentário por Miguel — Julho 7, 2009 @ 11:38
Caro LL, o CGP como libertário direitalho, mencionou a prostituição como podia ter mencionado a apanha da azeitona, despido de qualquer carga negativa ou peso na tal escala de valores. A esquerdalha bem pensante, tão modernaça e progressista para tantas coisas, arrancou os cabelos em fúria à menção de tal actividade.
Se é à direita portuguesa que é imputada a defesa de toda a espécie de valores tradicionais, ver a esquerda moderna tuga indignada com a prostituição, diga lá se isto não é cómico. Não é mais simples assim do que estar com esquerda/direita, liberais/iliberais?
Comentário por Bargeld — Julho 7, 2009 @ 11:40
Bargeld, conhece muito mal a esquerda. Eu não conheço ninguém de esquerda que sugira a quem quer que seja, muito menos a uma senhora de 60 anos, a prática da prostituição. Podem não condenar quem a pratica, mas não se atrevem a sugerir essa actividade. Isto é tão básico, que pensava que não era preciso explicar. Diga lá: alguma vez viu alguém de esquerda sugerir isso? Já a direita, os libertários libertalhos, seja lá o que isso for, acha isso muito natural, diz você. Está-se sempre a aprender. Devo estar a ficar velho e fora de moda.
Comentário por Pedro — Julho 7, 2009 @ 12:31
Duas notas ao comentário do ‘Pedro’
- imagino que se o Carlos tivesse sugerido que MJP fosse “para a rua roubar” aí já estaria bem, que roubar é uma forma de expressão dos explorados e oprimidos.
- atacar na rua mau, atacar nos Ministérios bom.
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Julho 7, 2009 @ 12:44
“E então? Isso concede-lhe o direito divino ao financiamento pelos contribuintes? A Maria João Pires pode ser genial mas isso não obriga ninguém a prestar-lhe vassalagem nem a pagar o dízimo.”
Você conhece todos os meandros do caso em concreto, excepto a notícia de 5 parágrafos que saiu a semana passada na imprensa? Adoro a prontidão da rapaziada blogueira nacional em opinar sobre tudo com a certeza absoluta dos iluminados.
“Não vá a nossa tacanhez de espírito levar-nos a fazer escolhas culturais pouco meritórias.”
Dê lá exemplos de escolhas virtuosas feitas por tecnocratas nacionais (sim aqueles-sejam-lá-quem-forem das suas simpatias políticas). Ou quer antes usar como exemplo aquilo que os banqueiros americanos, ingleses ou alemães fazem em termos de mecenato? Sabia que os espanhóis não quiseram apenas “comprar” o Ronaldo, mas também a MJP? Eles lá devem ter algum gosto pervertido por sanguessugas…
Comentário por Ricardo Guerra — Julho 7, 2009 @ 12:44
Não sei porque cita os meus comentários uma vez que prefere comentar coisas que não escrevi.
Comentário por Miguel — Julho 7, 2009 @ 12:52
Dado que demonstra alguma dificuldade na comprêensão dos meus comentários deixe que os resuma para si.
1. Nada confere o direito de obrigarmos os outros a trabalhar para nós. Nem o génio artistico.
2. Nada confere o direito de obrigarmos os outros a financiar as nossas escolhas culturais. Nem uma suposta “iluminação”.
Comentário por Miguel — Julho 7, 2009 @ 12:56
Pedro, eu não conheço nem “vejo” nada. Não sou político nem quero ser. A esquerda e a direita conhecem-se pelos livros, não é pelo diz que disse. Os “libertários de direita, seja lá o que isso fôr”, vê-se por aqui que você gente de esquerda ciosa da vida sexual de hexagenárias conhece muitas, de ciência política é que conhece pouco. Podia-lhe pedir que lesse melhor o que escrevi para tentar perceber mas parece-me um exercício inútil.
Comentário por Bargeld — Julho 7, 2009 @ 13:35
“A questão de ter pago os impostos e isso ter servido para pagar adiantadamente a sua educação é um comentário estúpido.”
Pelos vistos é uma estupidez que se entretém a rebater num longo comentário.
“Se já se paga adiantadamente, então não há razão para cobrar um cêntimo que seja extra.”
O facto de já existir essa cobrança anterior não implica que a verba arrecadada seja por si só capaz de suportar todos os custos, o que é demonstrado pelo facto das universidades serem simultaneamente financiadas pelo OE e pelas propinas. Mas isso não exclui o facto de essa cobrança existir.
“O conceito é estúpido por mais uma razão: ninguém paga a educação de forma adiantada, antes se protela esse pagamento.”
Vá dizer isso aos indivíduos sem filhos, ou aos que pagam a totalidade dos custos de uma privada. Esses devem sair de lá a pagar um curso de que não usufruíram, com certeza.
Pode acrescentar os que tiram cursos com a perfeita noção de que vão ser votados ao desemprego, ou a nunca exercerem funções no âmbito do curso que tiraram.
“embora eu tenha anoção que estou a super-ultra-hiper-simplificar”
E a perder todo o nexo da argumentação pelo meio. Ou acha que numa transacção, na maioria das vezes, só há benefício para as duas partes que a fazem?
Comentário por João Luís Pinto — Julho 7, 2009 @ 14:17
Bargeld, eu disse que “não conheço ninguém de esquerda que sugira a quem quer que seja, muito menos a uma senhora de 60 anos, a prática da prostituição”. Aliás, nem de esquerda, nem de direita, isso é transversal. Foi portanto uma estreia. Mas dê-me lá então bibliografia onde se diz que a esquerda defende que se mande alguém para a prostituição.
Outra coisa diferente é a forma como vemos a prostituição e as prostitutas. E já lhe digo que tanto à esquerda como à direita, há pessoas que defendem que a profissão, para quem a escolhe livremente, deve ser equiparada, em termos legais, a qualquer outra profissão. Para quem a escolhe livremente, é claro. Não há, ao contrário do que parece julgar, uma unanimidade na esquerda acerca disso, assim como não há em relação a muitas outras coisas. Mas obviamente, é do senso comum (nem de esquerda, nem de direita) que não se sugere a prostituição a uma senhora de 60 anos (ou de qualquer idade, já agora), que nem sequer se conhece e de quem se sabe à partida que não tem essa forma de ganhar a vida como ideal. Não é, bargeld? Percebe o que estou a dizer?
E se não conhece nem vê nada, o problema não é meu.
A. Amaral,
Não, roubar também não é bom. Roubar é mau. Não se manda ninguém roubar. (eu nunca supus que tivesse de explicar isto, enfim)
Comentário por Pedro — Julho 7, 2009 @ 14:41
A MJP deixou de chular os Portugueses? Aleluia!
Eu também acho mal sugerir a prostituição a quem estava habituado a viver do proxenetismo! Não se faz!
Comentário por joão — Julho 7, 2009 @ 14:54
Carlos,
Qdo eu disse “associar” foi mesmo no sentido literal de “juntar as palavras”. Eu não acho que quiseste dizer o que se diz e muito menos insultar ou chocar gratuitamente. Mas a questão é que isto embate nos brandos costumes e não vale a pena tentar explicar isto. É genuina birra lusa.
Comentário por vítor jesus — Julho 7, 2009 @ 15:36
Julgaria que não seria preciso explicar isto, mas enganei-me. Não se atacou a prostituição; apenas a boçalidade de alguém que sugeriu a uma senhora que nos deveria merecer algum respeito (nem que seja pela sua idade) que tal seria forma mais digna de angariar dinheiro para fundar uma escola do que solicitar subsídios ao ministério da Educação. Coisa que infindas dezenas de escolas privadas fazem todos os anos.
Mas é capaz de ser inútil remar contra a falta de chá.
Comentário por Luis Rainha — Julho 7, 2009 @ 16:59
Por outro lado, o tal «lancinante e desenfreado ataque» passou pelo próprio. Ou não foi o Carlos quem escreveu «também eu vivi e tive a minha educação à custa dos contribuintes»?
Comentário por Luis Rainha — Julho 7, 2009 @ 17:04
Luis Rainha, a frase surge num contexto e o Luis sabe qual. Deixe-se dessas coisas. Já bastou ficar a salivar por ver “Maria João Pires” e “prostituir-se” na mesma frase. Você deve ser suficientemente inteligente para por esta altura ter percebido essa frase, mas continua a insistir no mesmo argumento. E se não é, sinceramente valerá muito pouco a pena discutir consigo. Passe bem.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Julho 7, 2009 @ 19:22