O Insurgente

Julho 7, 2009

Esclarecimento

Filed under: Insurgentologia,Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 20:18

“Podia ter financiado o projecto recorrendo às suas poupanças pessoais, receitas de vendas de discos e concertos, a doações voluntárias de todos aqueles que consideram o projecto meritório, organizando rifas, prostituindo-se ou mendigando. Acabou por optar pela forma menos digna,(..)”

Este esclarecimento não surge pelas reacções do Daniel Oliveira, do Luis Rainha ou daquele outro senhor que tem por hábito poluir as caixas de comentários dos outros blogs. Destes espero sempre um certo nível de reserva mental a tudo o que se escreva neste blog. Esses senhores podem parar de ler aqui.
Este esclarecimento destina-se àqueles comentadores e leitores que não tendo essa reserva mental e estando de boa-fé, como o Vítor Jesus e outros, interpretaram o trecho da mesma forma. O objectivo da frase não foi sugerir à senhora qualquer forma de financiamento, até porque jamais faço este tipo de recomendações gratuitamente. Muito menos terá sido propor à senhora que se prostitua ou sugerir que ela estivesse disponível para tal. A minha educação, não a da escola pública mas a mais valiosa de todas, a que obtive em casa, não me permitiria fazê-lo. O objectivo da frase foi apenas de listar um conjunto de formas de financiamento moralmente mais dignas do que o assalto ao bolso dos contribuintes e, ao fazê-lo, posicionar a acção de Maria João Pires na minha escala moral. A inclusão das opções “prostituir-se” e “mendigar” visou tão somente colocar em perspectiva a imoralidade do acto da Maria João Pires. Espero que com isto esclareça, quem merece e tem a capacidade de ser esclarecido.
A classificação de parasita obviamente mantém-se. Porque sejam eles artistas, banqueiros, empresários, advogados ou consultores, todos aqueles que procuram financiar projectos pessoais à custa dos contribuintes não merecem classificação diferente. Tão certo como alguém que se prostitui ser prostituto.

26 Comentários »

  1. Esquecendo essas questões periféricas, explique-me algo: também são “parasitas” todas as escolas privadas que recebem dinheiro do ministério da Educação? Ou tais casos já são diversos, talvez porque os seus gestores não pertencem à pestífera classe dos artistas?

    Comentário por LR — Julho 7, 2009 @ 21:06

  2. ” também são “parasitas” todas as escolas privadas que recebem dinheiro do ministério da Educação?”

    Sim.

    Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Julho 7, 2009 @ 21:12

  3. F***-*e que são burros!

    Carlos, que isto é um país de iletrados julgo não te surpreende mas descansa, que a thought police não há-de aprender. Nunca.

    Comentário por Helder — Julho 7, 2009 @ 21:14

  4. Certo. Mas a questão continua-se a poder equiparar-se a situações como a frequência da escola pública( e não pretendo aqui particularizar o seu caso ou de outro qualquer).
    A verdade é que a MJP, suponho, também paga impostos tal como o Carlos. Se não os pagasse o argumento do parasita faria todo o sentido. A questão é que o estado também lhe subtraiu rendimentos com o propósito de, entre outras coisas, financiar projectos culturais. Deste ponto de vista, o parasitismo de MJP é o mesmo de quem recorre a escola pública pelo facto do estado não lhe permitir ter os rendimentos disponiveis para prosseguir livre e individualmente os seus projectos escolares. MJP também foi coagida e obrigado a financiar o estado através de impostos não consignados, para este fazer os desvarioas que bem intende.NOmeadamente na área da cultura. Tal como o Carlos se viu subtraido em rendimentos e pagou a escola pública e, por isso, viu-se “obrigado” a ela recorrer, MJP também se viu roubadada pelos imspostos e financiou a política cultural do estado, pelo que podemos ver o seu apelo ao subsidio como uma forma de se querer ver compensada pelas contribuições que fez.

    Comentário por terrivel — Julho 7, 2009 @ 21:17

  5. terrivel, há uma profunda diferença entre o ensino público e o caso de Belgais. O ensino público está aberto a todos e com condições de entrada bem objectivas. Aqui pode-se discutir se deve ou não existir, mas não criticar quem recorre a ele, pelo simples facto de que está aberto de forma igual a todos. Pelo contrário, o que MJP procurou no caso de Belgais foi um tratamento de excepção, uma forma de subsidiação que depende apenas de critérios de avaliação subjectivos. Ela quis que um seu projecto pessoal fosse a título excepcional subvencionado pelos contribuintes.

    Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Julho 7, 2009 @ 21:30

  6. Não ponho em causa. Mas parece-me que se trata de uma questão meramente processual, até porque é possivel imaginar a concessão de subsidios à cultura de forma aberta e com critérios objectivos e, parece-me, a questão colocar-se-ia na mesma. Não vejo que isso traga grandes diferenças para qualificar uma situação de parasitária e a outra não.
    A questão é saber se é legitimo a um qualquer cidadão, tendo pagos os seus impostos, querer reaver o máximo do que pagou elegitimamente. Eu julgo que sim, apesar de, políticamente,podermos estar a dar o sinal de que se está a aderir ao modelo social existente. O problema aqui, mais que moral, será mais de acção política e saber qual o método com que devemos combater o estado social.
    A posição do Ron paul em relação aos earmarks é elucidativa nesta matéria. De forma consistente, ron paul procura a todo o custo angariar o máximo de earmarks para o seu distrito, partindo da ideia de que se os seus constituintes financiaram o estado federal, a sua obrigação como seu representante é recuperar o máximo desse dinheiro entregue em impostos ilegítimos. Julgo que o mesmo se poderia aplicar ao caso belgais, independentemente das ideias de MJP tenha acerca do estado social.E nesta hipotese, MJP não seria nenhuma parasita.

    Comentário por terrivel — Julho 7, 2009 @ 21:49

  7. ” também são “parasitas” todas as escolas privadas que recebem dinheiro do ministério da Educação?”

    Já agora que escolas são essas e em que condições é que recebem dinheiro do Ministério?
    Vamos lá dar o nome aos bois.
    .

    Comentário por Mentat — Julho 7, 2009 @ 21:51

  8. Caro Carlos

    Você não tem que esclarecer nem arrepender-se de coisa nenhuma.
    Não foi você que pôs um preço na sua Nacionalidade.
    Quem o pôs é que ofendeu os outros.
    .

    Comentário por Mentat — Julho 7, 2009 @ 21:59

  9. “Já agora que escolas são essas e em que condições é que recebem dinheiro do Ministério?
    Vamos lá dar o nome aos bois.”

    LOL

    O Mentat caiu agora do céu

    http://www.aeep.pt/folder/noticia/ficheiro/81_DN-09-05-2009.pdf

    Comentário por Pedro — Julho 7, 2009 @ 22:17

  10. “O Mentat caiu agora do céu.”

    Se calhar caí, mas você não me respondeu.
    Quem recebe o quê e em que condições?
    .

    Comentário por Mentat — Julho 7, 2009 @ 22:41

  11. “Já agora que escolas são essas”

    Todas

    “e em que condições é que recebem dinheiro do Ministério”

    Siga o link; pergunte à AEEP; consulte o DR, sei lá… ó mentat, você julgava que isso era segredo de estado? Não, afinal ainda não caiu do céu…

    Comentário por Pedro — Julho 7, 2009 @ 22:48

  12. “Siga o link; pergunte à AEEP; consulte o DR, sei lá… ó mentat,…”

    Claro que não sabe.
    O que você sabe é atirar barro à parede para ver se cola.
    Os contratos de associação de algumas escolas privadas com o Ministério, destinam-se a suprir carências locais do ensino público e os correspondentes subsídios na melhor das hipóteses cobrem menos de 1/12 do que paga cada aluno.
    .

    Comentário por Mentat — Julho 7, 2009 @ 23:43

  13. «Os contratos de associação de algumas escolas privadas com o Ministério, destinam-se a suprir carências locais do ensino público e os correspondentes subsídios na melhor das hipóteses cobrem menos de 1/12 do que paga cada aluno.»

    Não sei a que escolas se referem mas conheço uma em que o financiamento vem do ME, é dado por aluno e paga a totalidade das despesas. Refiro-me ao Instituto D. João V, em Louriçal, concelho de Pombal.

    Comentário por Jorge — Julho 8, 2009 @ 00:48

  14. Carlos:

    para esclarecer, bastava dizer que roubar é moralmente mais baixo que protituir-se ou mendigar.

    Menos uma parasita, menos um ladrão.

    Só guardo uma reserva (é mesmo apenas uma) enquanto á afirmação “todos aqueles que procuram financiar projectos pessoais à custa dos contribuintes não merecem classificação diferente”. Há um caso, muito raro e extremo, mas em que tal não se aplica.

    De resto é como o Helder disse e bem… f*ck them.

    Comentário por MC — Julho 8, 2009 @ 00:55

  15. mentat, directamente (através de contratos de associação), quer indirectamente (através de subsídios às familias mais carenciadas) praticamente todo o ensino privado é financiado, em maior ou menor grau, pelo Estado. E até acontece que os privados querem mais.

    Comentário por Pedro — Julho 8, 2009 @ 01:02

  16. Não há apenas contratos de associação.
    Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo: «O Estado celebrará contratos com escolas particulares que, integrando-se nos objectivos do sistema educativo, se localizem em áreas carecidas de escolas públicas.
    2 – O Estado também celebrará contratos com estabelecimentos de ensino que, obedecendo ao requisito da primeira parte do número anterior, se localizem noutras áreas.»
    Ou seja, a situação dos 4 km (dos contratos “de associação” que refere) não é a única (e haverá assim tanta oferta estatal em Belgais e arredores?). Ainda existem os “contratos simples” e os “de patrocínio”, como reza o citado estatuto.

    O mestre do “barro à parede” afinal estava a leste.

    Comentário por LR — Julho 8, 2009 @ 01:24

  17. Carlos, quando te perguntei se sabias que ia dar confusão, era precisamente pela razão deste esclarecimento.

    Garantidamente isto é uma terra de iletrados, não há grande dúvida.

    Agora tu sabes tão bem quanto eu que não há melhor que a esquerdalhada progressista para pegar num pormenor muito lateral á conversa, desvirtuá-lo a matar o assunto principal.

    A isto, também se chama parasitismo. Intelectual.

    E tu não podes chamar parasita a um parasita. É como os malucos, a desparasitagem não é uma acto de sanidade, para esta gente, é um genocídio.

    Abraço

    Comentário por Cirilo Marinho — Julho 8, 2009 @ 02:21

  18. Bem dito, CGP.

    Comentário por Range-o-Dente — Julho 8, 2009 @ 08:17

  19. http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390801&idCanal=14

    É só ler como a notícia do dia de hoje anula a notícia da semana passada. Absorver tudo o que a imprensa dá sem usar os neurónios resulta em regurgitações fétidas. E quem não gosta de senhores que infectam caixas de comentários, fecha as caixas de comentários. Na minha casa só entra quem eu quero.

    Comentário por Ricardo Guerra — Julho 8, 2009 @ 10:04

  20. Onde é que a notícia anula o que aqui foi escrito sobre os subsídios. A respeito da questão da nacionaldiade já o André já publicadou esse esclareciemtno há alguns dias.

    Comentário por Miguel — Julho 8, 2009 @ 10:29

  21. “Na minha casa só entra quem eu quero.”

    É exactamente a minha opinião. É por isso que os comentários são moderados. Porém, há quem pense que pode impor a sua vontade em casa alheia.

    Comentário por Miguel — Julho 8, 2009 @ 10:31

  22. Parei de ler onde me pediu. Não gosto de o contrariar. Apenas repito: se financiou os seus estudos com o dinheiro dos contribuintes e com eles pode hoje ter um salário melhor, graças às suas qualificações, é um parasita que vive às custas dos impostos de quem recebe menos que o senhor e não teve a possibilidade de estudar. Com uma diferença em relação a Maria João Pires: ela recebia dinheiro do Estado para dar formação especializada. Ou seja, devolvia à sociedade o que o Estado lhe dava. O Carlos devolve o quê? Se trabalhar fora do país (não sei se é o caso), nem em impostos devolve. O Estado deu-lhe e não ganhou nada com isso.

    Este comentário é só para perceber como a sua adejectivação (a que mantém, a outra foi o que foi e não merecia nenhum tipo de debate) é deslocada e absurda. Sobre os apoios do Estado à cultura, podemos fazer um debate. Que acaba assim: a escolha é, tendo em conta a dimensão do mercado português, decidir que não há produção cultural em Portugal. Eu acho que deve haver.

    Comentário por Daniel Oliveira — Julho 9, 2009 @ 09:36

  23. DO:

    “se financiou os seus estudos com o dinheiro dos contribuintes e com eles pode hoje ter um salário melhor”

    Cá está. Em Cuba, não sairia do território até ter pago, com língua de palmo, o suor do laborioso operariado.

    Comentário por Range-o-Dente — Julho 9, 2009 @ 09:49

  24. “Sobre os apoios do Estado à cultura, podemos fazer um debate. Que acaba assim: a escolha é, tendo em conta a dimensão do mercado português, decidir que não há produção cultural em Portugal. Eu acho que deve haver.”

    Podemos fazer um debate que acaba assim: “a escravatura é ética?”. Eu acho que não.

    Comentário por Miguel — Julho 9, 2009 @ 10:52

  25. “Cá está. Em Cuba, não sairia do território até ter pago, com língua de palmo, o suor do laborioso operariado.”
    Em Cuba e nos países onde, para estudar, é preciso pedir um empréstimo que se passa uma parte da vida a pagar.

    Comentário por Daniel Oliveira — Julho 9, 2009 @ 15:02

  26. DO:
    “Em Cuba e nos países onde, para estudar, é preciso pedir um empréstimo que se passa uma parte da vida a pagar.”

    “Em Cuba e nos países”, o tanas, porque nos tenebrosos países capitalistas ninguém impede o estudante de saír do país quer ainda deva quer já não deva. Mesmo que compre uma casa e ainda a não tenha pago, pode saír do país. Acabará, mais tarde ou mais cedo, por perder a casa, mas pode saír do país.

    Há outra diferença. Em Cuba, como nos paraísos socialistas, quem estuda tende a fugir (como os restantes mas estes mais intensamente).

    Comentário por Range-o-Dente — Julho 9, 2009 @ 16:12


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