Esta é uma das notícias mais lidas do dia no site da BBC: MP’s cuckold sign shocks Portugal
Portugal’s Economy Minister Manuel Pinho has resigned after making a rude cuckold gesture at an opposition MP.
Mr Pinho placed his index fingers on his head, imitating horns.
A principal crítica política de fundo que se pode fazer ao desempenho de Manuel Pinho no Ministério da Economia é a ter tido a pretenção de saber melhor e poder fazer melhor do que os próprios empresários e investidores.
No fim de contas é grosso modo o mesmo erro que fizeram e fazem todos os ministros mais ou menos de esquerda ao intervirem na economia.
Manuel Pinho nem foi dos piores.
Pelo menos ele quiz apostar nas empresas privadas, não procurou nacionalizar ou intervir na gestão contra a vontade dos gestores e accionistas, de um modo geral não procurou criar alternativas públicas às empresas privadas mas antes ajuda-las a fazer negócio.
Não é por acaso que Manuel Pinho até tem uma boa imagem junto de muitos empresários e dirigentes patronais.
O problema é que neste papel, de “super homem” das empresas, Manuel Pinho usou dinheiros públicos ajudando algumas e deixando a grande maioria de fora, como não poderia deixar de ser.
Quer dizer, em vez de criar condições institucionais (e não de política económica) para a melhoria da competetividade das empresas e da economia portuguesa, Manuel Pinho manteve e reforçou o papel negativo do Estado na afectação de recursos (recursos desviados primeiro da economia por via do imposto e reintroduzidos depois de modo inefeciente por via do subsídio e do despesismo).
Mas esta não foi nem é uma característica exclusiva do Ministério da Economia no actual governo PS.
Nem sequer deste governo.
Certamente uma tara inseparável de uma política socialista (e/ou social-democrata).
O gesto dos “corninhos” de Manuel Pinho é um mero epifenómeno.
É muita coisa menos uma questão verdadeiramente política.
Talvez de estilo, de atitude, de educação, etc…
Certamente condenável de um ponto de vista … digamos, civico.
Mas a verdade é que se veem todos os dias atitudes e gestos tão ou até mais “feios” no confronto político e até no Parlamento.
Por exemplo, no próprio dia, a frequência com que os diferentes intervenientes insultaram, interromperam, apuparam, insinuaram ou acusaram explícitamente os adversários de serem mentirosos e deshonestos, e por aí fora.
Mas a opinião parece aceitar e considerar isto como normal.
O gesto dos “corninhos” … não !!
Foi o suficiente para fazer cair um ministro.
O que mostra até que ponto a vida política é também regida por critérios … muito pouco ou nada políticos !
Comment por Fernando S — Julho 4, 2009 @ 13:26