O Insurgente

Julho 3, 2009

José Miguel Bettencourt, Barroso e as criancinhas de Brezhnev

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:15

José Miguel Bettencourt
(clique para aumentar)

This event is indeed worthy of note. Such an outbreak of spontaneous youthful enthusiasm for a political leader has probably not been seen since children feted the then Soviet President Leonid Brezhnev on his birthday.

Youth for Europe is the brainchild of José Miguel Bettencourt who organised an online petition calling for Barroso’s reappointment and contacted universities in all EU member states in serach of like-minded souls. Bettencourt is Portuguese – and clearly in need of a job.

No actual contexto da União Europeia, a provável (mas não assegurada) recondução de Durão Barroso será provavelmente uma boa notícia quando comparada com as principais alternativas, mas a campanha para a recondução tem tido alguns episódios francamente infelizes.

Numa passagem recente por Bruxelas, pude constatar ainda os ecos de uma dessas iniciativas pouco recomendáveis, de que dá conta precisamente o artigo no jornal European Voice reproduzido acima.

O populismo deste tipo de apoios “espontâneos” não resulta em todo o lado nem em todos os contextos e algumas iniciativas – como a descrita ironicamente no artigo – podem até ser contra-produtivas por denotarem amadorismo na gestão da imagem política e exporem Barroso e a sua equipa ao ridículo.

Um dos pontos fortes da liderança de Barroso é o seu low profile e a sobriedade com que tem exercido o cargo. Iniciativas como esta não ajudam nada.

11 Comentários »

  1. Mas isto foi retirado da secção de humor?

    Comentário por Nuno Branco — Julho 3, 2009 @ 21:30

  2. Atenção às constatações demasiado rápidas : num grande número de vezes, qualquer iniciativa tomada pelo Barroso, o seu staff, foi sujeita à ironia por parte dos meios de comunicação social (cà em França, foi uma aberração ver tanta noticia mal interpretada).
    Realmente, logo a partida do seu mandato, Barroso foi alvo de uma campanha de imprensa inconcebível de violência e ridículo. Este estado de facto e o que se passa agora em redor da sua continuidade, não é um bom sinal para o futuro de uma Europa livre do dirigismo franco-alemão.

    Comentário por Jose-Henrique — Julho 3, 2009 @ 23:25

  3. “Mas isto foi retirado da secção de humor?”

    Não. A iniciativa de facto adequa-se ao tratamento irónico que recebeu mas isto não veio da secção de humor…

    Comentário por André Azevedo Alves — Julho 3, 2009 @ 23:42

  4. “Atenção às constatações demasiado rápidas : num grande número de vezes, qualquer iniciativa tomada pelo Barroso, o seu staff, foi sujeita à ironia por parte dos meios de comunicação social”

    Não é uma constatação demasiado rápida: é uma constatação lógica. A ironia do artigo (assim como as apreciações similares exprimidas pessoalmente por pessoas na esfera do EPP) é plenamente justificada face ao carácter ridículo da iniciativa.

    O facto de Barroso enfrentar frequentemente a hostilidade dos media torna ainda mais importante não cair em erros amadores como este desgastando a imagem e expondo-se ao ridículo.

    Comentário por André Azevedo Alves — Julho 4, 2009 @ 00:31

  5. O acontecimento é banal. No fim de contas, não é assim tão anormal como isso um candidato declarado receber um grupo de pessoas que tomou iniciativas para o apoiar.

    Até pode ser que ter dado publicidade a um momento tão insignificante não tenha sido propriamente o mais feliz e eficaz para a imagem e os objectivos de Barroso.

    Mas colocar, mesmo ironicamente, um eventual erro ou deslize de comunicação no contexto de uma sociedade aberta e democratica, no mesmo plano de uma manifestação de propaganda e de culto da personalidade da época soviética … é claramente desproporcionado … e é, de algum modo, uma banalização do que foi aquele regime totalitario !

    Comentário por Fernando S — Julho 4, 2009 @ 14:00

  6. “Mas colocar, mesmo ironicamente, um eventual erro ou deslize de comunicação no contexto de uma sociedade aberta e democratica, no mesmo plano de uma manifestação de propaganda e de culto da personalidade da época soviética … é claramente desproporcionado … e é, de algum modo, uma banalização do que foi aquele regime totalitario !”

    Fernando S,

    Acho que em casos como este a ironia anula o que poderia ser a banalização. Até porque infelizmente, apesar de serem realidades muito diferentes, a UE e os seus protagonistas vão apresentando vários tiques que fazem lembrar as péssimas memórias da URSS…

    Comentário por André Azevedo Alves — Julho 5, 2009 @ 13:11

  7. André Azevedo Alves,

    Compreendo a sua justificação. Longe de mim a ideia de que o AAA faça ou aceite uma qualquer banalização da URSS.
    Mas não partilho o seu ponto de vista quanto à oportunidade e ao significado da frase em questão no tal jornal !
    Penso que se teria podido criticar o acontecimento e a sua difusão ser ir mais longe, com ou sem ironia.

    Diz muito bem que são “realidades muito diferentes”.
    Eu acrescento que não há sequer comparações possiveis.
    A não ser para realçar a enorme diferença de fundo e de estilo entre elas.
    Inclusivé entre os eventuais “tiques” que refere, que são meros efeitos de comunicação numa sociedade aberta e democratica e relativos a uma personalidade politica que, por mais que se possa criticar sobre varios pontos de vista (e apesar de um conhecido “erro de juventude” !…), não tem hoje absolutamente nada a ver com ideologias e práticas totalitarias, e actos de propaganda que faziam parte da própria lógica do regime soviético.

    Esta tirada irónica sobre uma hipotética afinidade entre atitudes de José Manuel Barroso e de Leonid Brezhnev faz-me pensar na velha propensão de uma certa esquerda para encontrar afinidades entre pessoas de direita e da área liberal (e às vezes até da esquerda moderada) com o nazi-fascismo e a extrema direita.
    Não esquecendo a famigerada associação de George Bush a Adolf Hitler praticada com grande despudor por muitos adversarios da anterior administração americana ao longo de varios anos.
    E que tantas vezes o AAA e outros Insurgentes, oportunamente e com carradas de razões, aqui denunciaram e criticaram com veemencia.
    Não fiquei com a ideia de que então a “ironia” anti-bushista anulava uma diabolização da administração americana e uma banalização do nazismo.
    Do mesmo modo, considero que nenhuma ironia anula uma qualquer banalização do comunismo !

    Não é naturalmente relevante, mas devo confessar que me espanta um pouco esta sua … manifestação de humor (nos dois sentidos da palavra) sobre os tais “tiques soviéticos” do “neoliberal” Barroso !
    Desde logo porque me habituei a vê-lo aqui como alguém que sendo claramente um liberal de principios é também politicamente moderado e não sectário.
    Depois porque me pareceu que o AAA até não vê com maus olhos a recondução de José Manuel Barroso à presidência da Comissão da UE.
    Ou estou enganado ?!…

    Comentário por Fernando S — Julho 5, 2009 @ 15:23

  8. CORR : “Penso que se teria podido criticar o acontecimento e a sua difusão ser ir mais longe,…”

    Comentário por Fernando S — Julho 5, 2009 @ 15:24

  9. CORR 2 : “Penso que se teria podido criticar o acontecimento e a sua difusão sem ir mais longe,…”

    Comentário por Fernando S — Julho 5, 2009 @ 15:25

  10. Calma amigos ! Um Barroso a cabeça da comissão gera uma soma de inveja nunca vista até agora. Uma verdade e que ele se encontra fragilizado desde a partida de Mendelson e parece a chegada do Obama.

    Uma pergunta : podem dizer-me porque, em Portugal, nenhum jornalista, nenhum blog, comentam o duplo-jogo evidente de Sarkozy a respeito da re-eleição do Barroso ? Somos cegos a este ponto ?

    Comentário por Jose-Henrique — Julho 5, 2009 @ 21:47

  11. http://www.humanite.fr/2009-07-06_Politique_Cohn-Bendit-soutient-Fillon
    http://www.lexpress.fr/24henimage/sarkozy-recoit-cohn-bendit-a-l-elysee_768507.html

    Neste momento, quando Cohn Bendit fala, é Sarkozy que fala.

    Diria-se que o governo frances, especialista da conivência nacional quando o interesse externo do país é em causa, quer retomar o seu brinquedo europeu, com uso suave da força diplomatica : sera que Portugal vai ter de pagar o preço caro da funda do Lajes ?
    A saber, uma partida pouco gloriosa do Barroso substituído pelo primeiro ministro Fillon ou pela ministra da economia Lagarde ?

    Comentário por Jose-Henrique — Julho 6, 2009 @ 16:23


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