Lê-se este pedacinho da notícia que dá conta da decisão de Maria João Pires renunciar à nacionalidade portuguesa e fica-se com os nervos em franja. Mas que coices recebeu MJP do Estado português? Teve inspecções indevidas da ASAE (ou sua antecessora IGAE), da IGT? Levantaram problemas com os alimentos fornecidos numa eventual cantina de Belgais? Os sindicatos andaram a agitar os trabalhadores? Houve atrasos maiores em qualquer licença que a nossa burocracia exige (camarária, do ministério da Educação, whatever) que não se verificaram nos casos dos restantes meros mortais sem dons internacionalmente reconhecidos? Ou, simplesmente, o Estado não lhe forneceu todo o dinheiro dos contribuintes que MJP, por alguma razão, sentia que lhe era devido para os seus projectos? Se a razão é esta última, boa viagem para o Brasil, fique por lá, que em Portugal já há sanguessugas suficientes – e na área da ‘cultura’, ai quantas há – e menos uma sempre torna o país um bocadinho menos irrespirável.
Julho 3, 2009
10 Comentários »
RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI
Ih, sei não, mas acho que a escolha não foi muito feliz. Não tenho a menor idéia de quem seja esta senhora, porém se está a adotar a nacionalidade brasileira em razão de o estado português não lhe haver fornecido “todo o dinheiro dos contribuintes que, por alguma razão, sentia que lhe era devido para os seus projectos”, sinto em dizer, na condição de brasileiro, que a venerável senhora será muito infeliz como cidadã brasileira. É que por aqui o couro do boi já está inteiramente tomado pelos bernes, não há mais espaço para ninguém, se é que me entendem… Chego mesmo a me espantar de ver que o boi ainda vive.
Comentário por LG — Julho 3, 2009 @ 14:13
Ora bolas! Este é o único país do mundo que gosta de ver artistas a irem embora.
Mas vocês já repararam no padrão ou ainda não? Eu explico: não é uma questão de subsídio. É uma questão de ser preterido por quem tem um cartão de sócio de um determinado partido.
Saramago…. Pires….
Comentário por stingbite — Julho 3, 2009 @ 15:48
O Ministério da Cultura não deveria existir.
Comentário por lucklucky — Julho 3, 2009 @ 17:28
CITAÇÃO: “Se a razão é esta última, boa viagem para o Brasil, fique por lá, que em Portugal já há sanguessugas suficientes – e na área da ‘cultura’, ai quantas há – e menos uma sempre torna o país um bocadinho menos irrespirável”
Independetemente de ser qestionável a atitude de MJP, sobretudo quanto à forma, é ilucidativa a forma como grande parte povo português pensa acerca da cultura e dos seus agentes culturais, olhando-os de soslaio, quase com despreso, nomeadamente quando os toma por sansessugas que abundam por aí…Pobre povo que olha para a cultura deste jeito! É um povo em que continuam a predominar os três F………… Fado, Futebol e Fátima………….
Comentário por jota — Julho 3, 2009 @ 20:01
Apareceu a nomenklatura elitista como era de esperar.Aquela que acha que tem direito ao dinheiro dos outros para aquilo que pensa que é a “cultura”.
Comentário por lucklucky — Julho 3, 2009 @ 21:03
#5
O que é a cultura? Mande-me lá a página da Wikipedia.
Comentário por stingbite — Julho 3, 2009 @ 21:32
MARIA JOÃO MARQUES eu não posso estar mais de acordo consigo. Lá porque se toca bem Chopin não quer dizer que se possa exigir tudo de todos. Essa Senhora entendia que Belgais era um Shangri-la para os amigos musicos e que todos nós, parolos, que não tocamos tão bem como ela, deviamos sustentar aquilo, sem mais. Pois, que fique lá nos Brasis e vamos ver até quando esta esquerda caviar se aguenta nesse País de oportunidades perdidas. Bon voyage!
Comentário por APC — Julho 3, 2009 @ 23:34
Stingbite, não faço ideia de que partido é MJP e não me interessa nada.
Lucklucky, tem razão o ministério da Cultura é apenas um instituto para distribuição de subsídios a gente de talento questionável. Não faz falta.
Jota, mas que disparate esse de quem não tem paciência para os golpes de teatro e exigências de prima-dona dos artistas nacionais não apreciar ‘a cultura’. Eu não aprecio a cultura subsidiada, isso lhe garanto, tal como não aprecio o futebol e os clubes desportivos subsidiados. Já o fado e Fátima, como não levam dinheiro dos contribuintes, não me incomodam.
Comentário por Maria João Marques — Julho 4, 2009 @ 00:00
7#
Maria João,
O partido a que MJP esteve mais associada é de conhecimento público mas não era a isso que me referia.
Referia-me exactamente ao que respondeu ao Jota. Sou totalmente contra o ministério da cultura, subsídios à cultura (salvo muito raras excepções como, p. ex., patrocínio de exposições de interesse nacional no âmbito da história do país, participação em actividades de publicação de difusão da formal da língua, reabilitação de edifícios para reutilização cultural, actividades de interesse nacional que não são financiáveis pelo método tradicional como o arquivo nacional, etc.) e em suma, à institucionalização do que deve ser a livre actividade cultural.
Quando me referia a cartões de partidos referia-me exactamente ao que acontece hoje em dia, aos que são subsidiados e a todos que servem o interesse partidário em nome da cultura e como isso cria assimetrias com quem não alinha pela bitola do partido no poder. No fundo, a cultura é apenas um veículo para a livre expressão criativa. O Estado participar nisso é defender uma posição oficial da nação sobre o que é e o que não é cultura.
Comentário por stingbite — Julho 4, 2009 @ 00:17
Eu estaria de acordo se favores maiores do que aquele que negaram a MJP não fossem frequentemente concedidos a gente cujo único mérito “artístico” e “cultural” é pertencerem a certas máfias políticas que vivem de permanentes cambalachos e tráfico de influências com a cumplicidade deescarada do poder.
Comentário por s.andrade — Julho 4, 2009 @ 03:01