José Sócrates tentou a proeza de uma legislatura sem remodelações ministeriais. Freitas do Amaral saiu por causa das costas, Campos e Cunha saiu ‘por razões pessoais’, António Costa saiu para ‘ir salvar Lisboa’. Verdadeiramente corridos foram apenas Isabel Pires de Lima e Correia de Campos.
O objectivo de Sócrates era o de demonstrar as suas inigualáveis capacidades de liderança e de manutenção de uma equipa governamental coesa e estável por uma legislatura. O objectivo foi ajudado pela teimosia socrática, que teimou em manter ministros de qualidade indigente e/ou desgastados por inúmeras gaffes por razões de lealdade pessoal. Está visto que também esta táctica de Sócrates correu mal. Manuel Pinho – ao lado de Lurdes Rodrigues, Jaime Silva, o ministro da Cultura de cujo nome não me recordo de momento, Mário Lino, Rui Pereira (que nem sequer deveria ter sido convidado para o governo, estando no Tribunal Constitucional), Alberto Costa – devia ter sido remodelado há muito. Não foi e agora o PM vê-se na contingência de entregar a pasta da Economia a um mau ministro das finanças, provavelmente porque depois das europeias e da incerteza das legislativas não há cordeiros sacrificiais minimamente credíveis no PS a correrem para a cadeira de ministro.
Tendo em conta o aumento da carga fiscal e da deterioração de índices financeiros vários durante o ministério de Teixeira dos Santos, o que sucederá se o senhor novo ministro da Economia também passar a dormir mal? Aguarda-se o pior.