Junho 8, 2009
Notícias de um país tecnologicamente avançado
Segundo me contaram algumas pessoas, quem ontem fosse votar apenas munido do Cartão do Cidadão (o tal que vai substituir todos os outros cartões) tinha de levar consigo o antigo cartão de eleitor ou outro comprovativo em que constasse o respectivo número. As secções de voto não possuiam terminais para ler os chips.
Mais (menos) um
Gordon Brown perde mais um Ministro. É a oitava deserção em menos de uma semana.
Só umas notas
1. Quem viu ontem as performances respectivas de Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite na sequência da vitória percebeu qual é o grande problema do PSD daqui até às legislativas. Enquanto Rangel agarrou logo a vitória com uma agressividade completamente apropriada à ocasião, dando ainda mais ar ao balão, Manuela Ferreira Leite desinchou-o logo a seguir. Quem quer ver o PSD ganhar as legislativas (o que não inclui muitas daquelas facções internas que estão sobretudo preocupadas em ganhar às outras facções dentro do PSD, mesmo que isso signifique perder fora) certamente pensou: que pena Paulo Rangel não ser o líder do PSD. Mal Manuela começou a falar, viu-se logo a continuidade das vitórias comprometida. Já tinha falado sobre isto aqui.
2. Não foi apenas Rangel a comprovar a importância dos aspectos individuais dos candidatos. Vital Moreira (meu Deus) também o fez, embora pela negativa. Viu-se ontem, com o evidente decoroçoamento no momento da derrota, que só então percebeu o desastre que vinha sendo construído desde o início da campanha. Ontem, caiu-lhe tudo aos pés. Depois de anos e anos no papel discreto de ex-comunista (nunca muito arrependido), no papel ainda mais discreto de académico “reputado” e, mais recentmente, de assistente submisso de José Sócrates, puseram-lhe enfim nas mãos a máquina do PS, o dinheiro e as agências de comunicação. Vital andou, de forma parola, visivelmente deslumbrado com a coisa. Ontem não sei o que terá percebido, mas certamente percebeu que não bastou para ganhar. Resta-lhe o belo ordenado de Bruxelas, que apesar de tudo compensa muita coisa.
3. A derrota do PS é muito maior do que se esperaria. Parece-me que bem podem dizer adeus à maioria absoluta, embora não necessariamente a uma vitória nas legislativas.
4. Ligado com isto, parece-me que começou ontem o esvaziamento da votação do BE. O PS e o BE funcionam em vasos comunicantes, do lado esquerdo do PS e do direito do BE. Com o reforço do PSD, muita gente no BE regressará à velha casa do PS na altura das legislativas. Afinal, estas foram mesmo eleições de protesto. Parece-me aliás que as votações relativas do PS e do BE nas legislativas vão depender da capacidade do PSD para se recompor. Não digo que o BE não se tenha afirmado mais consistentemente no panorama eleitoral, mas parece-me que não vale 11%. Terá talvez ganho de forma consistente alguns descontentes que fazem parte da tradicional clientela do PS – alguns professores e respectivas famílias, por exemplo, cujo destino natural fora do PS é o BE. Mas não sei se terá sido em número suficiente. Enfim, veremos.
5. A grande arma do PS vai continuar a ser o PSD. Melhor, as facções dentro do PSD. Muita gente diz que agora o partido vai ficar disciplinado atrás de Manuela. Não sei. O PS vai tentar tudo para alimentar algumas facções (como há tempos fazia com Pedro Passos Coelho) e elas provavelmente não se vão importar. Tudo depende de como avaliarem as reais possibilidades de o PSD ganhar aslegislativas. Se acharem que são altas, provavelmente não seguirão o canto da sereia. Se acharem que são baixas, vão continuar no seu frenesim. E convém não esquecer: Santana arrisca-se a ganhar Lisboa, o que lhe dará um grande palco para tentar a sua sorte.
6.Em suma: fun times ahead!
O “dia de reflexão” e o eleitorado esclarecido
Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)
Em democracias pouco desenvolvidas, género EUA, as manifestações políticas prolongam-se até ao momento e, às vezes, até ao local do voto. Trata-se, evidentemente, de gente rude, incapaz de alcançar as exigências de uma escolha consciente. O português alcança, logo reflecte.
Todos sabemos que o português médio aproveita o sagrado período de reflexão para reler os programas partidários e a rever os discursos dos candidatos que gravou em dvd. Fechado na biblioteca particular, a salvo de interferências ilícitas, analisa medidas, sublinha propostas, pondera promessas, compara currículos e, se tiver tempo, decide. Inclusive, é possível que os portugueses mais reflexivos não tenham tempo e estiquem a reflexão pelas “pontes” e feriados da próxima semana, o que, se os impede de votar, faculta-lhes uma iluminação cívica sem paralelo.
Mal estejam disponíveis, repare-se nos números da abstenção: ao contrário do que se faz constar, são, também, os números do esclarecimento, embora não só pelo motivo citado.
Mudar de vez
Os resultados de ontem não devem dar descanso à direita. É certo que o PS perdeu e Sócrates vai ter um Verão complicado. A partir de agora os socialistas podem perder as legislativas. Sucede que isto não chega. Desta vez, caso o PSD volte ao poder, os erros do passado não se podem repetir. Se Manuela Ferreira leite quiser governar vai ter de o fazer bem, o que significa que terá de enfrentar os grandes problemas que afectam o país: Uma despesa pública descontrolada, uma lei laboral desactualizada, uma Justiça lenta, uma lei do arrendamento que impede a mobilidade dos cidadãos e por aí fora. Um governo de direita, que pode muito bem surgir em Outubro, não se pode limitar a ser um governo de mera gestão dos instrumentos estatais. Um governo que ora dá ‘x’a uma classe, ora retira ‘y’ a outra. O maquiavelismo político-partidário terá de acabar. Não se poderão voltar a ‘mastigar’ reformas que não conduzem a nada, mas cansam e irritam e ferem as pessoas. A partir de Outubro, com a vitória do PSD, o governo terá de pensar no país no seu todo. Nas tais reformas que há 10 anos não se fizeram porque iriam ser dolorosas e que agora vão magoar ainda mais. O próximo governo, a ser do PSD, terá de ser de coragem. Caso contrário, vai pelo caminho dos anteriores.
As voltas que a vida dá
No Domingo às 16h56 isto era verdade. Às 23h28 já não. As voltas que os astrólogos dão…
o grande vencedor

O grande vencedor não anunciado destas eleições foi Aníbal Cavaco Silva. Ganhou o seu partido, ganhou a líder em quem ele confia e que ele gerou politicamente, e José Sócrates, que o tentou sistematicamente humilhar ao longo da legislatura, saiu pesadamente derrotado. Mas mais do que isso. Se estas tendências se mantiverem nas legislativas, o próximo governo dependerá absolutamente do Presidente da República, isto é, de Aníbal Cavaco Silva. Ao contrário do André, que antevê um cenário de ingovernabilidade, eu diria que resultados semelhantes em legislativas reforçarão a componente presidencial do sistema, muito atenuada nas últimas décadas em função de sucessivas maiorias parlamentares, curiosamente inauguradas pelo mesmo Aníbal Cavaco Silva, e pelo exercício de um presidente frouxo e complacente que foi Jorge Sampaio. Mas há que não esquecer que a nossa Constituição continua a ser semipresidencialista, e que se os partidos e o parlamento falharem ela abre um amplo espaço de intervenção ao presidente. Assim ele queira e seja capaz.
Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda
Está de facto de parabéns Paulo Rangel (assim como Manuela Ferreira Leite pela escolha) e o PS pode responsabilizar a deplorável prestação de Vital Moreira, que lá foi cumprindo com o afinco possível a pouco edificante função que lhe foi destinada pelo aparelho socialista, pelo colapso eleitoral. Mas, como vários insurgentes já assinalaram, o facto mais grave e preocupante desta noite eleitoral é o peso desmesurado que a extrema-esquerda assume em Portugal, com mais de 20%.
Está particularmente de parabéns o Bloco de Esquerda (e os seus apoiantes, promotores e mecenas) por saber retirar frutos da fortíssima (e desproporcional) presença e influência nos media e no sistema educativo de que tem usufruído em Portugal.
Já no que diz respeito ao país, o crescente peso da extrema-esquerda, para além de ser um pesado factor de atraso, configura cenários de ingovernabilidade a curto prazo ou – e não sei o que seria pior – a possibilidade de um governo de coligação entre o PS e a extrema-esquerda. Não acredito que haja soluções fáceis mas realço – mais uma vez – que quem na área do PSD (e adjacentes) continua a ver com bons olhos o facto de a subida do Bloco de Esquerda “roubar” votos ao PS (como notoriamente aconteceu hoje) está a cometer um erro estrutural e com consequências potencialmente muito perigosas.
A ameaça da extrema-esquerda em Portugal é significativa, crescente e deve ser levada a sério. Antes que seja tarde demais.
Eleitores europeus penalizam partidos de esquerda
Felizmente – e mesmo tendo em conta as muitas insuficiências da maioria dos principais partidos à direita na Europa – a opinião pública demonstra estar menos contaminada pelo estatismo do que a opinião publicada: European voters punish the left
Centre-right parties have done well in elections to the European Parliament at the expense of the left, according to exit polls and initial results.
The parliament’s 736 seats are up for grabs. Preliminary figures suggest the lowest-ever turnout, at 43.55%.
BNP elege pela primeira vez um deputado no Parlamento Europeu
Curiosamente (mas não surpreendentemente), o BNP acaba por beneficiar da descida dos trabalhistas: EU elections: BNP wins first ever seat on European parliament
Brons took a seat that was previously Labour’s second in Yorkshire, as the expenses debacle and internecine warfare in Labour turned traditional supporters away in droves. The Labour vote crashed from 45% to 25% in Barnsley, where the BNP share climbed from 8% to 17%.
Adenda: Nick Griffin também conseguiu ser eleito. Era bom que os fervorosos (e por vezes até violentos) activistas anti-BNP reflectissem sobre o que têm andado a fazer…
e o cds?
Apesar de ter resistido às sondagens, de ter mantido os dois deputados e de ter conseguido 8,37% dos votos, o CDS passou a quinto partido, atrás da CDU e do Bloco de Esquerda. Pior do que isso, se estes fossem os resultados das legislativas, o resultado do partido não chegaria para formar maioria parlamentar à direita com o PSD. Ao contrário do que se possa pensar, esta prova de “resistência” do CDS e de Portas não são uma boa notícia para a direita: é curta, é equívoca e não serve para nada.
O desmesurado peso da extrema-esquerda em Portugal
V, de vitória, V, de Verdade. Por Rodrigo Adão da Fonseca.
A partir de amanhã, porém, há muito trabalho a fazer, porque, a contraciclo com a Europa, Portugal dá uma importância desmesurada à extrema-esquerda radical, que poderá, em Outubro, tornar o nosso país ingovernável.
Não há vitórias totais quando o Bloco e o PCP ultrapassam os 20% dos votos.
hope and change

Paulo Rangel é o indiscutível vencedor da noite. E, em nome da verdade, também o é Manuela Ferreira Leite, não tanto pela sua capacidade pessoal para atrair o eleitorado, mas por ter sabido escolher um bom candidato e tê-lo imposto ao baronato do laranjal.
Contra um candidato do PS com um comportamento político ordinaríssimo (não basta ser um “doutor de Coimbra” para saber respeitar as regras do combate político leal e sério), o PSD apresentou um candidato que corporizou o valor mais forte da política: a mudança. Rangel é uma figura relativamente nova na política nacional, não pertence ao status quo do regime nem sequer do PSD histórico, teve um discurso positivo e forte que não se deixou enredar na lama dos dias mais recentes (e como teria sido fácil fazê-lo), e, por isso, representou aos olhos do eleitorado uma esperança de renovação e de mudança.
Se quiser ganhar as próximas legislativas, o pior que o PSD poderá fazer é não perceber que este resultado pertence, quase por inteiro, a Paulo Rangel e ao que ele representou, e não tanto ao partido, que verdadeiramente não o merece. Os portugueses, como qualquer eleitorado do mundo, quando estão descontentes com um governo querem mudar de política e de políticos. Não basta, por isso, oferecer-lhes palavras. Há que oferecer protagonistas novos e credíveis. Foi assim que o PSD ganhou com Cavaco há vinte anos, que ganhou agora com Paulo Rangel, e que terá que continuar a fazer para ganhar as próximas eleições legislativas.
Então e o carrasco Gouveia?
A diana não-sei-das-quantas vai escrever 32 posts de 10 paragrafos sobre as flutuações económicas do mercado de acções no Burundi e como isso devia servir de lição aos torturadores insurgentes e ao PSD.
“The king stay the king” (2)
Vital Moreira, subserviente e politicamente inábil até ao fim, fez apesar de tudo o suficiente para merecer a sua recompensa de peão: Pior do que o resultado…. Por PMF
.…só mesmo o discurso final de Vital Moreira, sem chama, sem nexo (parecendo querer fazer aquilo que – sobretudo nestes momentos! – nunca um político deverá fazer: negar razão ao voto dos eleitores), sem pose …ou melhor, com uma pose nervosa e excessivamente subserviente relativamente a Sócrates.
A espaços
Fui prestando atenção aos resultados das eleições como pude. Pelo meio parti uma garrafa de azeite na cozinha e com a neura fui comer fora. Durante o dia fiz 37 pontos stableford e fiquei em 23º gross (60 competidores) e 7º net, o que para um nabo como eu é um resultado extraordinário. Destas eleições interessa-me o seguinte:
1 20% dos vossos representantes são adeptos dos regimes mais assassinos do Séc XX, sendo que metade desses vossos representantes, se mantêm indefectíveis do que resta desses regimes v.g. Bernardino Soares e a “democracia” Norte-Coreana. É neste regime em que parte dos meus amigos gostaria de viver. Já outros preferem Cuba, Venezuela e “coisas” (no sentido Saramaguista) assim.Bom proveito;
2 Quem falou há tempos dos tiques estalinistas do avô cantigas estava certo, eleições só quando se ganham. Deve ser o primeiro caso que não contacta o principal adaversário para reconhecer a derrota e felicitá-lo. A arrogância do PM atingiu um novo patamar com a história do “vou continuar”;
3 Mais uma vez, as empresas de sondagens saem mal, muito mal na fotografia. Hão-de haver justificações e não sou competente para julgá-las. Vou ler o Pedro Magalhães e o Luis Aguiar-Conraria a ver se percebo;
4 Os governos que mais “progressistas”, que mais se demarcaram do mercado livre, que mais se mostraram intervencionistas, levaram um aviamento histórico. Os mais “neo-liberais” (pelo menos de acordo com a intelectualidade indígena) foram os que se aguentaram melhor. Deve ser isto o fim anunciado do capitalismo-fásssista-neo-liberal;
E pronto, há mais coisas que me incomodam nisto, nenhuma que me agrade por aí além e hoje choveu e esteve frio.
Nopta: a moção de censura do CDS é uma falta de juízo.
A Europa dos pequeninos
O Fofó rescindiu com o sobrinho da tia Lola. Como adepto do Sporting, lamento.
Perdedores
1. O PS, Sócrates e Vital e as candidatas-fantasma . E que gozo que isso dá! (Não se esqueçam, eu faço parte do infame grupo que, com “amplos recursos” segundo os senhores do PS, tudo faziam, e nenhum objectivo tinham além desse, para atacar o PS e O grande líder Sócrates, enquanto, presume-se, espumávamos pela boca de tanto ódio visceral). Sócrares merece perder porque falhou em tudo como PM: nas reformas anunciadas e não concretizadas, na roubalheira legal que efectivamente foi a suposta ‘consolidação orçamental’ (mais impostos, para mais receita, para mais despesa pública), na incompetência que manteve no governo, na falta de educação com que sempre tratou a oposição no parlamento e fora dele, na tentativa pouco discreta de controlar a comunicação social, na política carroceira que promoveu, nos casos peculiares em que o seu passado esteve envolvido, na sua obsessão por obras públicas faraónicas e ruinosas para compensar falta de ideias alternativas, enfim, fico-me por aqui para não ser muito fastidiosa, que as falhas de Sócrates são incontáveis. Vital, um candidato lastimável durante a campanha e que nem teve o savoir-faire de cumprimentar pessoalmente o vencedor, que tentou a rasteira e abjecta associação de possíveis crimes num banco (nacionalizado à pressa pelo PS) a todo um partido político. Sobretudo, mereceu perder porque não teve nível como candidato de um partido como o PS (se bem que, sintomaticamente, o PS não se tenha revelado incomodado). Já o par maravilha das candidatas fantasma, respirem de alívio, já garantiram lugar e ordenado, que, não duvidem, são os que vão auferir e ocupar durante anos.
2. A facção do PSD que apostava na derrota do PSD para culpar Manuela Ferreira Leite, a começar por Pedro Passos Coelho, que lá teve que dar ar da sua (falta de) graça durante a campanha. O que, de resto, teve piada, tendo em conta como PPC se resguardou de qualquer acto eleitoral – não fosse perder – mas não deixou de exigir vitória a outros. (Vasco e Afonso, têm que meter algum juízo na cabeça de PPC, que há outros conselheiros que estão a ver a figura algo desfocada há algum tempo e a induzir o candidato em erro.)
Junho 7, 2009
Amanhã
Convinha que José Sócrates esclarecesse o eleitorado acerca das possibilidades de uma aliança pós-eleitoral entre o PS e a extrema-esquerda.
Desfeita a dúvida
Parece que o 22º eurodeputado vai para o Bloco que consegue o 3ºlugar mas a curtissima distância da CDU.
Vencedores
1. O PSD, pelas razões óbvias (lamenta-se que o BE não entenda que um partido que teve o triplo dos votos que ‘a esquerda multicolor’ seja mais vencedor que o BE, mas também não se espera lógica nem capacidade para encarar factos de cabecinhas bloquistas), Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite. Mais virá sobre isto.
2. O CDS, que manteve os dois eurodeputados, depois de lhes terem vaticinado a extinção.
3. O BE, o que é muito preocupante. Um resultado destes para um partido como o BE é dramático. E o maior perigo é que, apesar da baba que os jornalistas vertem quando referem ou assistem o BE, a maioria da população entra em pânico se pensar que o Bloco pode ter qualquer pingo de influência num futuro governo. Não estou convencida que este resultado do BE não assuste muitos eleitores e os faça votarem no PS nas legislativas para nos livrarem deste real perigo bloquista.
Eleitorados “sofisticados”
No gráfico acima cada ponto azul corresponde a um distrito português. No eixo horizontal o resultado do PNR. No eixo vertical o resultado do Bloco de Esquerda no mesmo distrito.
O que andam a fazer os senhores das sondagens?
Eu não alinho em teorias de conspiração; é claro que o senhor da Eurosondagem gosta sempre de explicar como os eleitores aprovam o PS, mas os restantes são mais parcimoniosos. Também se entende que a abstenção complica a previsão de resultados. Mas estas sondagens foram todas muito estranhas, há que reconhecer. O PS ganhava, o Bloco de Esquerda chegou a ter 18%, o CDS estava moribundo. Nada disto se verificou, nem de perto. Assim, caros senhores das empresas de sondagens, ou os eleitores gozam deliberadamente com o V. trabalho ou é tempo de reverem os vossos métodos que são, como dizer sem ferir susceptibilidades?, tendenciosos.
Notas sobre o que oiço agora na SIC
1. O que lá faz Ricardo Araújo Pereira?
2. A Sic, que errou em todas as sondagens para estas eleições europeias (tal como quase todos os outros excepto o barómetro da Marktest) apresentou agora uma sondagem para as legislativas! Mais: realizada na semana passada. Como António Barreto acabou de dizer (e foi o primeiro, o que quer dizer que algo estranho deve correr no ar do estúdio da SIC) é uma sondagem desactualizada e inútil.
3. Ricardo Costa, sempre pronto para o disparate, falou das políticas de investimento público do PS que “as pessoas não compreendem”. Lamento que seja o Ricardo Costa a não entender: as pessoas compreendem perfeitamente; o que se passa é que não concordam com estes investimentos. O mesmo é dizer que não estão dispostos a pagá-los durante décadas.
Sondagem SIC legislativas
PS ganha. Com mais 6% que o PSD. CDS tem menos de 6%.
Desculpem-me os entendidos, mas tenho grandes dúvidas sobre a possibilidade de terem conseguido estimar os resultados.
Ainda assim é bom que a direcção do PSD tenha estes valores em conta. Há muito trabalho pela frente.
Também as discussões sobre alianças ante e pós eleitorais aumentarão.
Altamente credível
A SIC acaba de anunciar a sondagem sobre Legislativas. Dá 39% ao PS. Da mesma empresa que há dois dias dava 36% ao PS nestas Europeias. Pois.
Desastre é os comunistas terem mais de 20%
Francisco Louçã fala de um desastre económico. Prefero referir-me ao desastre cultural que é termos dois partidos de extrema esquerda a somar mais de 20% dos votos. Na verdade, ainda estamos a pagar muito caro o atraso que o Estado Novo nos impôs.
A vitória segundo o Anacleto
Para o juíz supremo Anacleto Louçã, para ganhar eleições, ter mais votos e eleger mais deputados não é o suficiente.
Manuela Ferreira Leite rules
A líder do PSD fala da responsabilidade da vitória, do trabalho que terá já a partir de amanhã e da vitória que é estimulante, para os actos eleitorais que aí virão.
Educação
Manuela Fereira Leite, sauda todos os deputados eleitos para o parlamento europeu.
Mistério….
Nuno Gouveia no facebook: “Hoje há muitos blogues em baixo. Parece que não conseguem entrar no backoffice para actualizá-lo.”
Falta de maneiras eleitorais
Paulo Rangel confirma que Vital Moreira não o contactou a dar-lhe os parabéns pelo resultado.
Surpreendidos?
Curiosidades
Lembra Paulo Rangel que os cidadãos da Europa castigaram nas urnas os governos socialistas que perderam as eleições em Espanha, Reino Unido e Portugal. Pelo contrário, os governos do PPE de França, Polónia, França, Holanda ganharam as disputas eleitorais.
Renhido
O “duelo” entre entre os partidos de extrema-esquerda parece não estar resolvido. Nos últimos minutos já vi várias mudanças de posição.