O Insurgente

Junho 13, 2009

Propaganda anti-britânica em Portugal

Filed under: Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 13:29

Anti-British propaganda in Portugal – June 13, 1939

It was suggested to a group of Portuguese journalists, who were being shown the most impressive sights of the Reich a few weeks ago, that the historic role of Portugal, should be that of “the fulcrum of the lever by which the British Empire would be over-turned.”

The “Pax Britannica”, it was either implied or directly stated, was destined to be succeeded, sooner or later, by the “Pax Germanica”.

(…)

The British Government is not ignoring these open and disguised efforts to undermine Portuguese faith in the future of Britain.

The British Council is energetically at work in Lisbon and Oporto, giving English lessons, explaining British cultural achievements to all inquirers, and distributing prizes for English in the Portuguese schools. An Old Vic Company visited Lisbon recently.

Next month the British Press Attache, Mr Marcus Cheke, is bringing a party of Portuguese journalists toEngland.

In a speech before the National Assembly on May 22 Dr Salazar, the Prime Minister, reaffirmed his country’s faith in the Anglo-Portuguese Alliance.

Uma das cinco novas cidades portuguesas

Filed under: Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 10:17


As outras são Samora Correia (12.826 habitantes) , São Pedro do Sul (19.215), Borba (4.600) e Senhora da Hora (26.543). O país fica assim com 146 cidades. Excluindo as 15 mais populosas, cada uma destas cidades tem uma média de 15.000 habitantes. Mêda (2.094 habitantes), Miranda do Douro (2.100), Foz Côa (3.300) e agora Valença (3.500) ocupam os últimos lugares da lista de cidades em termos de número de habitantes.
Festa rija nos grupos recreativos locais este fim-de-semana.

Irão os eleitores mudar o Irão?

Filed under: Internacional,Médio Oriente,Política — jtcb @ 00:54

Vale a pena ficar atento às contagens de votos que ainda decorrem.

A hipótese do senhor Mir-Hussein Mousavi suceder ao presidente em exercício, Ahmadinejad, e assim recuperar a esperança reformista que se esfumou no mandato de Khatami, parece ser real.  Isto se, segundo se diz, os resultados das eleições não passarem de mera ficção.

Se for esse o caso, e se, porventura, os eleitores iranianos conseguissem eleger um presidente moderado, capaz de reatar o diálogo internacional, e se esse retomar da via reformista não fosse travado pelo Conselho da Guarda Revolucionária, então talvez o Irão pudesse afirmar-se como uma democracia decente. E o que é talvez ainda mais importante: talvez o Irão pudesse constituir-se num verdadeiro farol de democracia para o Médio Oriente.

Junho 12, 2009

Francisco Louçã e a defesa semi-explícita do totalitarismo

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:24

Francisco Trotskã. Por Paulo Pinto Mascarenhas.

O que deve preocupar é que um partido como o Bloco de Esquerda consegue ser hoje o terceiro partido português no Parlamento Europeu. O linguajar marxista de Louçã – ao contrário da conversa delicodoce social-democrata de Miguel Portas – mostra o que seria o BE no poder: o regresso às nacionalizações, à miséria e ao empobrecimento crescente do país. Pena que muitos dos “jovens” que votam no BE não se lembrem do que foi o PREC. Com o BE a governar seria o regresso do PREC a Portugal em pleno séc.XXI.

Leitura complementar: O elevadíssimo peso da extrema-esquerda em Portugal; A esquerda perdeu as eleições europeias; Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda.

Não ganha porque eu não deixo!

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:55

Da entrevista de Francisco Louçã ao jornal i

O PSD não pode ganhar as eleições. Não tem condições nenhumas para ganhar as eleições. Nós estamos é perante uma situação de perda da maioria absoluta.

…e se, afrontando o nosso Robspierre, os eleitores resolveram “dar” a vitória ao PSD? Será que nem assim Louçã o “deixa” ganhar?

De certeza que não foi o Bush?!

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 15:36

US cuts aid to Nicaragua

The United States on Wednesday canceled more than $60 million in assistance to Nicaragua, citing concerns about democracy, rule of law and a free market economy in the Latin American nation now led by a former Marxist guerrilla leader.(…)

Secretary of State Hillary Rodham Clinton, who chairs the MCC board and participated in the Nicaragua decision, said U.S. assistance had to be “as effective and transparent as it is generous.”

Se calhar também desrespeitaram as “normas ético-legais”

Filed under: Internacional,Media,Política — Miguel Noronha @ 15:26

No Washington Post

President Hugo Chavez threatened to close down an opposition-sided news network, saying the defiant Globovision channel’s days on the airwaves will be numbered if its directors don’t stand down.(…)

Chavez recently called for sanctions against Globovision, and within a week Venezuela’s tax agency slapped the network with a $2.3 million fine, prosecutors charged its president in a probe into alleged fraud and lawmakers began investigating the channel for purportedly joining an anti-government conspiracy.

Broadcast regulators also are investigating Globovision for inciting “panic and anxiety” during its coverage of a minor earthquake last month, when station director Alberto Federico Ravell criticized state television for failing to quickly inform its viewers about the severity of the quake.

Solução socialista para a crise

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:16

Aumentar os impostos. Pobre Espanha…

Contas

Filed under: Diversos — Luciano @ 13:57

André, limitei-me a fazer umas contas nas costas do envelope a partir dos dados que tinha à frente apresentados pelo Público. Tudo depende bastante de como classificar os não-inscritos. Mas também não é muito importante. Eu não pretendia fazer sociologia eleitoral elevada, até porque não tinha os dados nem tenho capacidade suficiente para isso. Uma coisa: eu não tenho dúvidas de que os partidos de direita foram os mais votados. Não houve, no entanto, um movimento maciço (ou até muito significativo) de transferência de votos para a direita. Por outro lado, como a direita europeia é muito diversificada, é difícil fazer uma interpretação dos votos na “direita”, que pode significar coisas diferentes.

Nada disto nem do que dizes parece alterar o que julgo ser o significado mais profundo das eleições: a terra de ninguém em que a dita “esquerda moderada” (digamos, para facilitar, os vários PSs por essa Europa fora) está colocada. Se a “direita” é mais difícil de classificar, já esta esquerda é mais ou menos a mesma pelo mundo fora. É aquela que tenta, e muitas vezes consegue, fazer a quadratura do círculo: dar a acreditar a parte do eleitorado de direita de que é capaz de governar, sem alienar a esquerda mais à esquerda. A crise teve o condão de fazer muita gente voltar às suas origens: à direita e à esquerda. O artigo que citas do João Rosas é precisamente o símbolo dessa confusão (apardalamento talvez até fosse a palvara mais adequada): ao mesmo tempo que condena a falta de imaginação da “direita” ou do “neoliberalismo” (não se percebe muito bem) revela a mais extraordinária falta de imaginação na análise da conjuntura. De imaginação e de pontaria: atira para todo o lado sem acertar em ninguém. É muito significativo do estado de confusão em que a esquerda moderada se encontra. Eles não querem perder a iniciativa para a esquerda mais radical mas mantêm aquela repugnância em serem classificados de direita.

Hoje às 18 horas, Descubra as Diferenças com Pedro Picoito e Nuno Gouveia

Filed under: Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 13:49

jazzamemuito1

Esta semana estarei com Antonieta Lopes da Costa em debate com Pedro Picoito e Nuno Gouveia.

Juntos analisamos alguns dos principais temas da actualidade:

- Eleições europeias – No meio de uma elevada abstenção, realizaram-se as eleições europeias com uma derrota estrondosa do PS e do primeiro-ministro. Por que motivo não há adesão na eleições para o Parlamento Europeu e quais as consequências políticas da vitória do PSD?

- Brown Down – Os trabalhistas ficaram-se pelo terceiro lugar nas europeias realizadas no Reino Unido. Consequência dos escândalos que marcaram a política britânica nas últimas semanas, ou também há desgaste natural de 12 anos no poder?

- Esquerda 20% – Com o crescimento eleitoral do Bloco de Esquerda, mais os 10% do PCP, a esquerda tantas vezes denominada de extrema atingiu valores típicos de há 30 anos. Estamos perante resultados sólidos, ou algo bastante volátil?

O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Cuidado conosco!

Filed under: Insurgentologia — Miguel Noronha @ 10:49

evil-inside

Manuela Ferreira Leite sugere a suspensão da democracia, o O Insurgente segue a mesma linha política e usa o “lápis-azul blogosférico”. A democracia e a liberdade de expressão estão em risco. Há que pensar nisto até Outubro.

O (novo) inimigo do povo

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:35

APP1999091629950

O abstencionista é apenas um elemento anti-social, um oportunista que quer os benefícios da vida em sociedade e da democracia mas não estar disposto a mexer um dedo para dar a sua contribuição. O abstencionista não só cospe na cidadania como ainda por cima se orgulha disso.

Abster-se é tão mau como estacionar em segunda fila, como deitar cascas de laranja pela janela, como passar à frente na bicha do cinema, como meter cunhas na repartição, como violar a faixa bus, como desrespeitar o semáforo vermelho, como copiar nos exames, como urinar na piscina.

Terá o abstencionista razões para se chocar se alguém lhe chamar parasita?

Twitter estagnado, Facebook em crescimento

Filed under: Blogosfera,Media — André Azevedo Alves @ 01:39

Tráfego do Twitter estagna em Maio. Surpresa?

Segundo dados da Compete, a curva de crescimento do Twitter parou em Maio. Em Abril último quase que quintuplicou os números de Novembro de 2008. No último mês, a utilização da rede de micro-blogging subiu 1.47% completando 19.728.619 visitantes únicos.

Depois do louco mês de Abril, onde a corrida pelas contas superiores a 1 milhão de seguidores disparou o número de visitantes únicos, o Twitter atinge a estagnação. Cenário real, a fazer crer no estudo da Harvard Business School que refere que apenas 10% das contas geram mais de 90% dos conteúdos do Twitter.

De acordo com a Compete, o Facebook continua em toada de crescimento. Atingiu a barreira dos 113 milhões de visitantes únicos em Maio, mais 8.54% do que em Abril.

Twitpocalypse now?

Filed under: Media — André Azevedo Alves @ 01:11

Twitpocalypse is not yet upon us.

Sócrates vs. Sócrates

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 01:00

Dos «abusos». Por Gabriel Silva.

6 anos

Filed under: Blogosfera — André Azevedo Alves @ 00:56

O Portugal dos Pequeninos celebra o sexto aniversário. Está de parabéns o João Gonçalves.

A pobreza intelectual da “cassete” anti-neoliberal (2)

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:42

Uma das vantagens de ser pouco rigoroso na utilização dos conceitos em teoria política é a de permitir a instrumentalização para fins puramente ideológicos desses conceitos: Rosas, o outro. Por Henrique Raposo.

Ao dizer que o PSD é “neoliberal”, Rosas está a inventar um boneco de palha absurdo; e este absurdo, depois, serve para Rosas justiticar os seus preconceitos: “a direita”, diz, “não merece a confiança dos portugueses”. Pois, quem, de facto, merece confiança são aqueles que substituem o pensamento por clichés-que-tudo-explicam-e-justiticam como o tal “neoliberal”.

A pobreza intelectual da “cassete” anti-neoliberal

Filed under: Media,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:30

Miguel Morgado sobre mais um (a vários títulos) infeliz artigo de João Cardoso Rosas no i: A ironia também é neoliberal?

Hoje, para espanto de todos, incluindo, suponho eu, dos próprios visados, João Cardoso Rosas descobriu que a direita “neoliberal” portuguesa é o PSD. Isso poderia não fazer problema. Afinal de contas, etiquetas são etiquetas, umas mais arbitrárias do que outras. Assim, as razões que fundamentam (?!) esta descrição/acusação ao PSD – que tem como corolário que “no seu deserto de ideias, a direita não merece a confiança dos portugueses para assumir a governação” -, coisas como “reduzir o acesso dos portugueses à saúde, sobrevalorizar o mercado face à protecção da família, sacrificar o ambiente e o património ao crescimento económico”, correspondem a uma “pobreza de pensamento” e à reprodução de uma “«cassete» neoliberal”.

A lição de todo este absurdo? O aviso de João Cardoso Rosas era para valer: as lentes ideológicas estão a sobrepor-se ao mundo; mais, devem sobrepor-se ao mundo. Pouco importam as circunstâncias concretas do nosso País e os imperativos que daí decorrem. Pela janela segue também o julgamento prudencial insusceptível de se submeter a regras “ideológicas”. A ideologia manda e tanto pior para o “mundo”. Feitas as contas, João Cardoso Rosas faz exactamente aquilo que censura na direita. Irónico, não? Posso perguntar se a ironia também é neoliberal?

Junho 11, 2009

James von Brunn, o assassino de extrema esquerda direita

Filed under: Diversos,Internacional,Media,Política — Elizabete Dias @ 22:00

Até agora o que se sabe de James Von Brunn:

Registered Democrat (needs confirmation)
Christian hater
Jew Hater
FOX News’ O’Reilly hater
Weekly Standard hater
Bush hater
Neo-con hater
9-11 was an inside job nut
artist
Stated that “SOCIALISM, represents the future of the West”
Stated that the Apostle Paul destroyed Rome by undermining its pagan virility.
Hated corporations

Via Gateway Pundit

Ler também: The Holocaust Museum shooter has absolutely nothing to do with the labels he’s been given.

Mas o Público já tem a certeza: Von Brunn é de extrema direita.

Ao que chega

Filed under: Médio Oriente,Religião — ruicarmo @ 20:21

Matar um filho de 15 anos, por colaborar com Israel.

Um post com assinatura

Filed under: Blogosfera,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:00

Não é preciso ser-se um grande fisionomista para concluir que este post classificando Paulo Rangel como um “homem sem carácter” podia ter sido assinado pelo bem conhecido Abrantes.

Um governo melhor

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 19:04

No editorial do i de segunda-feira, Martim Avillez Figueiredo escrevia que “a derrota de Sócrates” nas europeias de domingo tinha “uma virtude”, a de que “quanto mais quem está no poder sentir que pode deixar de estar, melhor governará”. É um bonito sentimento, que só fica bem ao seu autor. Mas duvido que ele venha a ter qualquer tradução na realidade. Quanto mais não seja pela simples razão de que, mesmo que Sócrates percebesse que as suas políticas têm sido fundamentalmente erradas, não é em três meses que o Governo vai deixar de ser a desgraça que tem sido para passar a “governar melhor”. Até porque “governar melhor” implicaria forçosamente ser impopular, o que não é o caminho mais usual de melhorar as perspectivas eleitorais em tão pouco tempo. Se a derrota de domingo fizer Sócrates “mudar de rumo”, essa mudança será para pior e não para melhor: Sócrates e o Governo irão esbanjar ainda mais dinheiro, empenhando ainda mais o futuro do país, para poder fingir que está a resolver os problemas. Um Governo melhor, só mesmo quando este se for embora.

Se o PSD ganhar as legislativas, como poderá governar? (2)

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 10:00

Comentário do leitor lucklucky ao post Se o PSD ganhar as legislativas, como poderá governar?:

O PSD só teve 31% dos votos numa altura em que o Governo Socialista está mais ou menos desgraçado.

O PSD não terá chances de Governar nem que ganhe as eleições com maioria absoluta sozinho. Durão Barroso desistiu ao primeiro embate com a RTP. Os media não só com o BE mas também com o PS a fabricar a narrativa que estará em vigor não deixam hipótese alguma ao PSD a não ser que este esteja disposto a uma Guerra a todos o níveis isto se for mesmo para mudar alguma coisa e não for um Sócrates II e mais do mesmo como suspeito. Quem quiser mudar alguma coisa tem de estar disposto a partir para a Guerra se for necessário e como o Caso Berlusconi demonstra e Sá Carneiro também do outro lado valerá tudo.

Hold on

Filed under: Videos — André Azevedo Alves @ 02:51


Tom WaitsHold On

Tudo é possível

Filed under: Comentário,Cultura — ruicarmo @ 00:31

Para os utilizadores do facebook… ora, espreitem.

Respeitinho é muito bonito

“Ninguém tem o direito de insultar o Presidente como eles têm feito. Isso é crime. Quem insulta o Presidente deve ser punido e a punição é a prisão”, declarou, perante o aplauso dos apoioantes.

Ahmadinejad foi mais longe ao argumentar que “as acusações feitas contra o Governo são um regresso aos métodos de Hitler: repetir mentiras e acusações até que todos acreditem nessas mentiras”.

Público.

Este chefe de estado é um exemplo.

Junho 10, 2009

Se o PSD ganhar as legislativas, como poderá governar?

Filed under: Colunas,Comentário,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 23:54

(também publicado aqui)

A vitória do PSD nas europeias do passado domingo fez com que muito boa gente, que antes achava que Manuela Ferreira Leite nem uma gripe conseguiria apanhar, começasse a achar que há uma possibilidade de o governo mudar de mãos nas legislativas que se avizinham. No entanto, a “discussão” continua a girar em torno de saber se Ferreira Leite será ou não capaz de vencer as eleições. Esse tem sido o grande “debate” acerca da liderança do PSD: saber se a senhora tem “jeito” ou se comete demasiadas “gaffes”; se é “capaz de mobilizar” ou se não será “demasiado cinzenta”; se “passa bem” em televisão ou se é “demasiado velha”. Ora, muito mais importante do que essa questão de saber se a vitória do PSD é ou não possível, é a de saber o que vai o PSD fazer se chegar ao poder. E talvez mais importante ainda (e ainda mais ignorada) é uma outra questão, a de saber como a forma de chegar ao poder irá condicionar o seu exercício.

Se o PSD chegar ao Governo, e independentemente de ter maioria absoluta ou não, enfrentará enormes dificuldades: chegará ao poder com um défice público monstruoso, com um país profundamente endividado, e em plena crise, numa altura em que esta se fará sentir de forma muito mais acentuada; chegará ao poder com o desemprego a subir, com os rendimentos das pessoas a baixarem, numa conjuntura em que o Estado, para resolver os problemas do défice público, terá de aumentar os impostos ou diminuir a despesa (ou promover uma letal combinação das duas). Com maioria absoluta ou sem ela, em coligação ou governando sozinho, o PSD está condenado a provocar descontentamento junto do eleitorado. Com maioria absoluta ou sem ela, em coligação ou sozinho, o PSD terá muito pouca margem de manobra para fazer aquilo que será necessário fazer. A forma como o PSD chegar ao poder, ou seja, a forma como acabará por conduzir a sua campanha nas legislativas, será decisiva para o PSD conseguir conquistar alguma, mesmo que escassa, dessa margem de manobra necessária para levar a cabo políticas que serão inevitavelmente impopulares.

Os responsáveis do PSD terão de colocar a si próprios uma questão: “como é que podemos pedir aos eleitores um mandato para promover políticas de austeridade numa conjuntura em que elas serão particularmente penosas para esse eleitorado”? Infelizmente para os responsáveis políticos do PSD, eles terão apenas dois caminhos possíveis, nenhum deles particularmente seguro. Poderão, numa primeira hipótese, pedir um autêntico “cheque em branco” ao eleitorado. Ou, em alternativa, poderão pedir um mandato concreto para determinadas políticas. Como já disse, não me parece que qualquer um deles (e estes são mesmo os únicos possíveis) ofereça grandes garantias de sucesso.

Comecemos pela segunda hipótese, a procura de um mandato concreto para a aplicação de uma série de medidas, apresentadas de forma específica e detalhada, antes das eleições. Teria, obviamente, uma grande vantagem, a de deixar claro a todos quais as dificuldades que iriam ser enfrentadas, diminuindo assim o efeito de “choque” que a introdução dessas medidas forçosamente teria. Explicando antecipadamente aos eleitores que um corte de tantos por cento na àrea tal, que a subida deste imposto ou daquele, durante um determinado período, teriam esta e aquela consequência, e eles antecipadamente sufragassem essa política, a revolta contra essa série de medidas seria certamente menor.

O problema desta estratégia de campanha começa precisamente na possibilidade de os eleitores não sufragarem essas políticas. Afinal, aquilo que irá forçosamente complicar a sua introdução uma vez no poder é precisamente a sua impopularidade, e há o risco de a manifesta necessidade de as aplicar não ser suficiente para convencer as pessoas a estarem dispostas a sofrer as consequências: há anos e anos que vivemos com as consequências de um défice excessivo, e mesmo assim há por aí muita cabecinha que prefere viver na ilusão de que nada precisa de mudar.

O leitor poderá argumentar que a vitória do PSD nas europeias mostra como as pessoas já estão dispostas a aceitar a realidade, e que a tentação da ilusão da vida acima das nossas possibilidades é cada vez menos sedutora, precisamente por iludir cada vez menos. Admito (e espero) que tenha razão. Mas mesmo que o eleitorado corra a votar em quem lhe prometa nada mais que sangue, suor e lágrimas, esta estratégia tem um outro problema. Como não será difícil de perceber, a procura de um mandato concreto implica a realização de compromissos concretos. Ora, o problema da crise actual é precisamente a sua imprevisibilidade: não sabemos quanto tempo ela vai durar, que consequências terá, e muito menos quando terá quais consequências. Todo e qualquer compromisso que o PSD assuma para com o eleitorado nas semanas anteriores à votação poderá, pura e simplesmente, perder a validade um ou dois meses depois. Ou seja, a vantagem que a estratégia eleitoral de procura de um mandato concreto para a realização de políticas concretas (a de o eleitorado saber previamente o que esperar, para que o PSD não tivesse de o desagradar ainda mais) rapidamente desapareceria quando a receita apresentada já não respondesse aos novos males entretanto surgidos. Nessa ocasião, o Governo do PSD perderia credibilidade, e a dra. Ferreira Leite teria ainda mais dificuldades para apresentar as políticas que essas novas condições ainda mais difíceis exigiriam.

Isto poderia conduzir a que se aceitasse que a outra estratégia eleitoral possível, a de pedir um “cheque em branco” ao eleitorado, fosse mais aconselhável. E de facto, se o PSD conseguisse demonstrar aos eleitores que o descalabro governativo de Sócrates foi de tal ordem que as dificuldades a enfrentar nos próximos anos nem sequer são previsíveis, esse mesmo eleitorado estaria à partida predisposto a aceitar toda e qualquer política que visasse resolver os problemas deixados pelo socratismo. E precisamente por avisar para o sangue, o suor e as lágrimas, sem especificar as respectivas quantidades, o PSD não correria o risco de ser ultrapassado pelos acontecimentos: sem mandatos concretos, não há compromissos concretos. Desde que o descalabro socialista ficasse devidamente demonstrado, e as pessoas ficassem previamente preparadas para a hipótese de qualquer tipo de política poder ter de ser introduzida, o Governo poderia facilmente adaptar-se às necessidades do momento.

Mas também este caminho não está isento de problemas. A começar por também ele não ser garantia de vitória eleitoral. Para ser bem sucedida, a estratégia do “cheque em branco” implicaria um ataque brutal ao PS e ao Governo de Sócrates. Por muito que Sócrates não seja propriamente amado pelos portugueses, nada garante que eles apreciassem uma campanha tão violenta como esta teria de ser. Aliás, o generalizado desprezo popular a quem “está sempre a dizer mal”, em vez de “trabalhar em conjunto” para “o bem do país”, poderia significar que essa estratégia seria particularmente condenada eleitoralmente.

Mas admitamos que essa estratégia conseguiria ultrapassar esse sentimento contrário à maledicência. Mesmo que o PSD ganhasse as eleições com essa estratégia, nada garante que ela oferecesse boas condições de governação. Pois o tal ataque brutal que seria necessário para descredibilizar o PS, ao ponto de oferecer o tal “cheque em branco” ao PSD para fazer o que quer que fosse necessário, correria o risco de acabar por descredibilizar, não apenas o PS, mas toda a classe política, tendo em conta a má imagem que todos os nosso governos têm junto da opinião pública. Procurando descredibilizar o PS, o PSD correria o risco de, mesmo ganhando as eleições, se descredibilizar a si próprio. E descredibilizando-se a si próprio, deixaria de ter as condições para, no poder, fazer o que quer que fosse necessário.

Não é garantido que o PSD ganhe as eleições, tal como não é garantido que o PSD saiba o que é necessário fazer. Mas o pior é que, mesmo que ganhe as eleições, e mesmo que tenha plena consciência das políticas que necessitará de promover, o PSD, faça o que fizer para chegar ao poder, venha a ter condições para o exercer convenientemente. Não é uma perspectiva animadora. Mas seria bom que, lá para os lados da São Caetano, não estivessem iludidos acerca do que os espera, e que na medida do possível, se fossem preparando para o que aí há de vir.

O elevadíssimo peso da extrema-esquerda em Portugal

Filed under: Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 23:30

Portugal tem apenas cerca de 3% dos lugares no Parlamento Europeu mas a extrema-esquerda portuguesa representa cerca de 15% do grupo correspondente no Parlamento Europeu.

De facto, o Bloco de Esquerda e o PCP (que integram o mesmo grupo partidário a nível europeu: o GUE/NGL) contribuem – após o significativo avanço da extrema-esquerda em Portugal e o recuo da representação dos partidos correspondentes a nível europeu – com 5 dos 33 euro-deputados do grupo da extrema-esquerda anti-capitalista no Parlamento Europeu.

Apesar das grandes diferenças em população e número de deputados por país, na extrema-esquerda europeia apenas a Alemanha tem mais representantes no GUE/NGL, partilhando Portugal a segunda posição em número de representantes com a França (ver dados aqui).

Tendo em conta mais este indicador, repito por isso o que escrevi na conclusão deste post: A ameaça da extrema-esquerda em Portugal é significativa, crescente e deve ser levada a sério. Antes que seja tarde demais.

Leitura complementar: A esquerda perdeu as eleições europeias; Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda.

Mission accomplished!

Filed under: Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:03

Carlos Queiroz diz que objectivo foi “cumprido”

O seleccionador português de futebol, Carlos Queiroz, classificou hoje como “objectivo cumprido” o desafio particular com a Estónia, em Talin, com mais um empate a zero, na despedia de 2008/2009.

“O grande objectivo do jogo era pôr jogadores em campo, faze-los jogar, crescer, ficar mais maduros e experimentados e isso foi cumprido”, justificou, no “flash interview” da TVI, após o desafio.

Como escrevi no Twitter, defender estoicamente um empate a zero com a poderosa Estónia é um feito que não deve ser desvalorizado…

Elena Basescu

Filed under: Internacional,Media,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:00

Elena BasescuElena Basescu

Sendo certo que ambas as candidaturas partilham bases comuns do ponto de vista dos principais trunfos eleitorais, acho que colocar a romena Elena Basescu e a portuguesa Marisa Matias ao mesmo nível, como faz o PPM, só pode ser justificado por algum nacionalismo que, embora se compreenda no 10 de Junho, acaba por não se adequar à realidade.

O discurso de Obama no Egipto (2)

Filed under: Comentário,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 19:17

Note-se que dar a conhecer e realçar as realizações históricas das sociedades muçulmanas me parece saudável e recomendável, até por contraponto a alguns dos modelos políticos e culturais que hoje em dia infelizmente aparecem associados ao Islão. Mas o facto de essa tarefa ser importante torna as imprecisões e erros do discurso de Obama ainda mais lamentáveis e não apenas mais algumas gaffes sem importância: O sermão no sopé das pirâmides – III. Por Luís Cardoso.

Por que cresce a “extrema-direita” na Europa?

Filed under: Blogosfera,Internacional,Media,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 18:54

No seguimento de um simpático convite do Tiago Moreira Ramalho, recordo um texto escrito para a Atlântico em 2006 (na altura já dirigida pelo Paulo Pinto Mascarenhas) e que, modéstia à parte, me parece ter visto razoavelmente comprovada a sua pertinência. Está tudo neste post: Por que cresce a “extrema-direita” na Europa?

United Kingdom Independence Party (UKIP)

Filed under: Internacional,Política,União Europeia,Videos — André Azevedo Alves @ 17:00

UK Independence Party (UKIP) Video Tribute – The party of Freedom, Independence and Democracy

Ana Gomes não soube perder

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:52

Derrotados (10). Por Pedro Correia.

No domingo, a lista liderada por Paulo Rangel ganhou as europeias e a lista em que Ana Gomes se integrava foi derrotada por decisão soberana dos eleitores. Esperei em vão que no seu blogue, Causa Nossa, a eurodeputada socialista endereçasse os parabéns ao seu antagonista que dias antes, durante a campanha, criticara em termos tão duros.

Esperei em vão.

Em política, pior do que perder é não saber perder. Ana Gomes não soube.

O consenso podre sobre a União Europeia e os seus perigos

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:39

O europeísmo elitista e antidemocrático. Por José Pacheco Pereira.

O mesmo cidadão que agora manda a votação às malvas, percebe com clareza meridiana que cada vez menos é chamado a decidir sobre a Europa, quando as suas decisões contam e são a doer. Votou contra a Constituição europeia na Holanda e na França, e os seus governos fizeram piruetas para que a mesma Constituição que chumbaram, agora chamada de Tratado de Lisboa, fosse aprovada sem a sua directa consulta. Não se trata de considerar que os referendos são formalmente mais legítimos do que o mandato dos deputados. Trata-se que, uma vez tomada uma decisão em referendo, só é substancialmente legítimo altera-la em referendo, sob pena de ser um ludíbrio da democracia.

O mesmo se passa quando governos, como o inglês, fazem tudo que podem para evitar levar o Tratado a votos, porque sabem que ele seria irremediavelmente chumbado pelo voto popular. E o mesmo também se passa quando os irlandeses percebem que não podem dizer não, têm sempre que dizer sim. E, mais uma vez, o mesmo se passa quando partidos incluem o referendo nas suas promessas eleitorais, mudam a Constituição para o permitir e depois com medo do voto, decidem violar as suas promessas como se passou em Portugal.

(…)

Barroso, Sócrates, o PS, o PSD, e o PP, uma comunicação social acrítica, cheia de programas pagos por Bruxelas a favor de uma concepção burocrática da Europa e o “consenso” gigantesco a favor de um europeísmo sem conteúdo, fora dos jogos de poder de Bruxelas, e sem democracia, são os directos responsáveis pela abstenção.

Esse foi o aspecto em que todos perderam nessa noite.

Comemorações do 10 de Junho: uma crónica “deletéria” do Comendador

Filed under: Ambiente,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:25

Razões diversas para uma crónica que contém um ambiente deletério

Mas o ambiente não é apenas o que nos rodeia, é sobretudo um modo de vida. Por exemplo, na RTP, logo de manhã, há uma coisa chamada ‘Minuto Verde’, produzida pela Quercus, onde se aprende imenso. Uma senhora explica que se estendermos a roupa ao Sol em vez de a secarmos na máquina de secar, poupamos energia! Fantástico, penso eu! Não sei como os fabricantes de máquinas de secar não se lembraram que o Sol era mais barato. Quero crer que o ‘Minuto Verde’ ainda fará um programa a explicar que, se lavarmos a roupa no rio também poupamos muito mais energia do que se a lavarmos na máquina de lavar roupa. Em contrapartida podemos ter de gastar mais em roupa ou em medicamentos, porque os rios não são como a Quercus gosta deles – límpidos e transparentes como eram na Idade da Pedra.

Mas o ambiente é, ainda, uma espécie de religião, segundo a qual acreditamos que o mundo acaba se não traficarmos CO2 com outras nações. Em contrapartida, se acharmos que o mundo acaba no Armagedão bíblico, somos supersticiosos e reaccionários. A diferença entre estas duas posições é a que separa a ciência da religião. A religião estipula, por exemplo, que Deus apareceu numa sarça ardente e falou de um modo pouco inteligível a um homem. A ciência diz uma série de coisas que também ninguém percebe (incluindo equações integrais e diferenciais), cuja conclusão parece fazer sentido. Deus de Abraão, Isaac, Jacob e Moisés mandou cortar o prepúcio, não cobiçar a mulher do próximo e não comer carne de porco, ao passo que a Ciência nos manda pagar o CO2 a mais que gastamos e usar mais electricidade e menos combustível fóssil. E acabam aqui as diferenças!

Depois, há o ambiente político. O ambiente político é, como sabeis, deletério.

As duas faces do PCP

Filed under: Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:11

Amizades. Por Helena Matos.

Portugal tem dois PCP, um para consumo interno que mantém uma impressionante capacidade de mobilização sindical e que no meio de muito slogan contra o capitalismo está integrado na vida democrática e capitalista. O outro PCP, o das relações internacionais, é algo que mais que explicado vale a pena ler.

Democracia à moda da extrema-esquerda

Filed under: Política,União Europeia — Rui Oliveira @ 15:07

Quando se fala do perigo pelos resultados da extrema-direita nas eleições europeias, talvez fosse de notar que grande parte da violência urbana que acontece actualmente na Europa é obra de grupos extremistas de esquerda, da Itália à Suécia.

Por isso, não admira que estes “antifascistas” suecos tenham andado em nome do combate ao fascismo a agredir pessoas e assaltar sedes de outros partidos, conforme informa o jornal The Local.

“We noted around twenty incidents of violence against people or property. The Sweden Democrats were not the only ones affected; the Liberal and Moderate parties were also hit,” said Johan Olsson, chief analyst for Säpo’s constitutional protection division. [...]
“It’s part of what they call their anti-fascist agenda. They don’t believe that parties they consider critical of immigrants or opposed to workers’ rights should be permitted to operate undisturbed,” Olsson told news agency TT.

É comovente a tolerância que estes “antifascistas” têm para com as opiniões dos outros. E já se sabe o que acontece quando este tipo de “anti-fascistas” sobem ao poder: crescem os gulags.

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 11:58

Sete Mares, Sétima Legião.

Ontem foi um dia importante

Filed under: Blogosfera — ruicarmo @ 11:02

Tem um aninho e um dia, O Afilhado de Tiago Moreira Ramalho. Só posso agradecer.

« Página anteriorPágina Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 342 other followers