O Insurgente

Junho 18, 2009

Sócrates está a tentar transformar-se em Guterres

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 12:35

só faltou mesmo ter deixado crescer uma melena de cabelo e, de cinco em cinco minutos, colocá-la no sítio com a sua mão.

A entrevista de ontem de Sócrates foi um produto deveras curioso. A entrevistadora não tinha ideia do que ali fazia, deixou Sócrates afirmar as maiores mentiras sobre o país e a sua governação com ar impávido, sem qualquer contraposição e até chegou a perguntar, com evidente preocupação, quanto tempo poderia o governo “manter estes níveis de assistência” às famílias e às empresas. A sorte vem de dois lados. Primeiro, Sócrates fica ainda mais postiço quando se disfarça de Guterres. Não tem jeito para este ar do “parte-se-me o coração”, do “fere a minha sensibilidade e os meus valores mais profundos”, do perceber muito bem toda a gente que contesta, enfim, do homem de coração aberto a todo o sofrimento do mundo.  Pareceu os pinguins do filme Madagáscar, cujos lemas para esconderem as reais intenções são “sorrir e acenar” e “queridos e fofos”. Não cola e chega mesmo a inspirar gargalhadas. Segundo, com o registo ausente de Ana Lourenço, Sócrates ficou uma hora inteira, em registo meloso, a reafirmar todas as boas reformas que o seu governo fez e mais ninguém encontra mesmo quando procura afincadamente, todas as boas decisões por oposição aos pequeninos erros cometidos (sendo que Sócrates se diz “muito satisfeito comigo” mas fala sempre em nós quando refere algum aspecto menos bom do seu imaculado governo), todas as boas ideias que tem para contrariar a crise e que ninguém pode duvidar que são verdades universais (até elogiou Salazar e, implicitamente, as autoestradas de Cavaco Silva que na entrevista anterior haviam sido feitas sem análise custo-benefício). Em suma, Sócrates continuou a reafirmar o seu país irreal, a sua ilusão sobre os seus efeitos e que estão cada vez mais desligados da realidade.

Bancos

Filed under: Diversos — Luciano @ 12:30

Vem hoje no Diário Económico que o Governo e o Banco de Portugal não só esperam como esperam promover fusões bancárias. Eu julguei que grande parte do problema da corrente crise tivesse sido o facto de as maiores instituições bancárias serem “demasiado grandes para falir”, o que muito simplesmente significa que a elas não se aplicam as regras de mercado. Não em termos legais, mas efectivos, já que à menor ameaça sistémica segue-se uma intervenção pública salvadora. Bancos ainda maiores não me parecem solução para nada, a não ser (mais uma vez) para os salvar no imediato. O Carlos Novais anda há anos (quase sozinho em Portugal) a falar das discussões “austríacas” em torno da “banca livre” e das reservas de 100%. Tenho sérias dúvidas de que fosse praticável mudar radicalmente a lógica da banca nos últimos dois séculos (não só porque não seria facilmente entendido como porque poderia ter efeitos muito fortes de contracção da economia – uma espécie de cold turkey financeiro), mas não tenho dúvidas de que o único caminho para as nossas economias não permanecerem reféns da irresponsabilidade da banca (central e comercial) é apontar para esse tipo de soluções.  Pelo menos, pelo menos (para não lhes pedir que adoptassem o “programa austríaco”), o Governo e o Banco de Portugal não deveriam preocupar-se com fusões, mas antes em aumentar legalmente os rácios de capital para níveis de segurança mais efectivos. E deveriam também pensar em proibir certo tipo de transacções financeiras promotoras de “alavancagens” insustentáveis: elas não correspondem senão à criação de moeda por outros meios.

O astrólogo-mor

Filed under: Política,Portugal,Religião — Miguel Noronha @ 11:59

astrologo

“José Sócrates diz que criou 133.000 postos de trabalho. E Ana Lourenço não ripostou. A isto chegou a socialização do regime: eles acreditam mesmo que o Governo cria postos de trabalho e que sabe exactamente quantos são.”

Adolfo Mesquita Nunes

ficamos-lhe gratos

Filed under: Diversos — rui a. @ 04:59

Ao Prof. Rosas, por sugerir que a esquerda deixe de usar o qualificativo de liberal: “O liberalismo da esquerda afirma a primazia das liberdades individuais e do princípio da não discriminação, mas não sacraliza o mercado e releva especialmente a igualdade de oportunidades e a distribuição da riqueza num sentido igualitário. Aliás, para evitar confusões com a direita, mais vale ao PS usar a palavra “liberdade” em vez de “liberalismo” – o que, de resto, já costuma fazer”. E talvez a “liberdade” não seja muito compatível com “um socialismo amigo do mercado e das liberdades, mas com fortes preocupações igualitárias ao nível da fiscalidade, do sistema de saúde, da segurança social”. Mas deixemos isso para outro dia. Há que agradecer ao Prof. Rosas os progressos já alcançados e pedir a Deus que ele não se fique por aqui.

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 01:12

A Bia da Mouraria, da bela Carminho.

Boas peles

Filed under: Ambiente,Comentário,Internacional — ruicarmo @ 00:57

Petra Ecclestone. Nos dias que correm, é interessante o mero rumar contra o politicamente correcto.

Junho 17, 2009

E a cultura dos tomates? E a dos bróculos?

Filed under: Comentário,Cultura,Política,Portugal — ruicarmo @ 19:01

Depois de uma moção de censura sem qualquer surpresa quanto aos resultados, Sócrates decide falar aos jornalistas sobre o que não quis falar no Parlamento- os erros da governação. No caso, decidiu lembrar-se de um único, a falta de apoio estatal dado ao sector da cultura e prometeu mais ajuda para a cultura para a próxima legislatura.

Não haverá cultura sem apoios do Estado? Não há nada que tenha um pouco mais de urgência para o país, para as criaturas que nos governam do que a cultura subsidiada por todos nós?

luta de classes

Filed under: Diversos — rui a. @ 17:31

capitalismo

A ordenação político-constitucional portuguesa continua a ser estruturalmente marxista, ainda que as sucessivas revisões do texto da lei fundamental tenham expurgado algumas das expressões e vocábulos mais vincadamente marcados por aquela ideologia. Essas alterações não mexeram no essencial: na visão marxista do mundo que enferma todo o texto constitucional, bem visível, por exemplo, na ordenação das chamadas Constituição Económica e Constituição do Trabalho.

Em ambos os casos é a lógica da exploração capitalista e da luta de classes que prevalece. Desde logo, na própria definição da classe dos trabalhadores em contraposição à dos empresários e detentores dos meios de produção, a quem é reconhecido um conjunto de direitos, privilégios e garantias que os diferencia dos demais cidadãos. Seguindo a teoria marxista do século XIX, a Constituição portuguesa vigente pressupõe a luta de classes e a posição de fragilidade dos trabalhadores assalariados perante o domínio dos patrões exploradores. Seria fastidioso reproduzir todo o articulado normativo que integra essa visão dialética e classista do mundo e da sociedade, mas ela é bem visível na Parte I (Direitos e deveres fundamentais), Título II (Direitos, liberdades e garantias pessoais), Capítulo III (Direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores), bem como ao longo de toda a Parte II (Organização econômica).

Nesse articulado, a Constituição portuguesa incorpora a luta de classes e a divisão da sociedade em classes dominante e dominada como fundamento das suas disposições normativas e como orientação para as suas opções estruturantes fundamentais. Daí os privilégios atribuídos aos trabalhadores (direito à greve, à segurança no emprego, à intervenção na vida da empresa, à liberdade sindical, a fixação de limites à duração do trabalho, à renovação de contratos a termo, às condições em que este pode ser celebrado, o salário mínimo garantido, o direito ao repouso, ao lazer, etc.), por contraposição de quaisquer direitos reconhecidos aos empresários, quando não mesmo a proibição do que deveriam ser direitos homólogos aos dos trabalhadores (a proibição do lock-out, por exemplo, constante do artigo 57º, nº 4). A tutela desta conflitualidade social e da luta de classes é feita por um órgão constitucionalmente criado para esse fim, o Conselho Económico e Social (art. 92º), onde têm assento os representantes das classes sociais, à sombra do governo e do estado interventores e omnipresentes.

Não ocorre ao legislador constitucional que o mundo em que vivemos não é já o do século XIX, se é que alguma vez a análise marxista o reproduziu com fidelidade. A posição privilegiada dos trabalhadores dependentes fez das empresas, sobretudo as pequenas e médias, suas reféns, impedindo a liberdade contratual e a determinação do conteúdo desses contratos em plano de igualdade entre contratadores e contratados, dificultando a adequação operacional das empresas às exigências, cada vez mais velozes, dos mercados, tendo produzido imobilismo e estagnação empresarial. Nos dias de hoje, a responsabilidade assumida por um empresário é de alto risco, quer por empenhar os seus capitais em projectos que verdadeiramente não controla em absoluto, quer pelas responsabilidades assumidas perante a banca, os credores, o estado, quer pela rigidez e morosidade das normas jurídicas que regulam o mundo do trabalho e dos tribunais que as aplicam.

Esta ordenação constitucional da sociedade portuguesa, que os sucessivos governos têm, mais uns do que outros, proclamado e conservado, gerou nos cidadãos uma desconfiança epidérmica em relação a tudo o que é economia privada e à sociedade capitalista. Em bom rigor, não há outra economia que não seja a que resulta da livre empresa, isto é, da iniciativa privada. O resto, as intervenções “empresariais” do estado, são meros exercícios de finanças públicas, de limitação das regras da concorrência em seu favor, quando não feitas a expensas de transferências ilegítimas da propriedade privada paro o sector público. Só que os portugueses, na sua generalidade, continuam penosamente convencidos que o estado tem capacidade para gerar riqueza e que os cidadãos não a têm ou apenas a procuram em obediência a perversos interesses privados e lucrativos, como se o lucro continuasse a figurar no índex dos pecados veniais.

Numa sociedade liberal a Constituição não deve diferenciar os indivíduos, menos ainda privilegiar uns em detrimento de outros em função da sua posição no processo produtivo. O princípio da igualdade que deveria enfermar todo o Estado de Direito é, assim, posto em causa por uma Constituição marxista e desajustada ao mundo real. Seria esse princípio melhor preservado se a Constituição remetesse as relações económicas e laborais para a livre contratação, e para as regras gerais e abstractas de um Direito Constitucional que não classificasse os cidadãos.

Vamos lá ver se percebi bem

Filed under: Economia,Justiça,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 16:02
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Não só o governo possibilitou um negócio que provocou uma alteração estrutural num mercado concorrencial, como fê-lo com uma empresa que à altura do negócio já estava publicamente acusada de fraude fiscal?

O desprezo no seu ponto máximo

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 15:42

As buscas judiciais na empresa que fabrica o computador Magalhães, por suspeita de fraude fiscal são mais um sinal do estado a que o Estado chegou. Algo inerte, explorado por alguns, assacado por todos. Que ninguém respeita, cada vez menos prezam. Com a crise económica, a redução demográfica, a insolubilidade da Segurança Social, os contínuos défices das contas públicas que implicam mais impostos e deviam obrigar a menos despesa, a que acrescem as tentativas desesperadas (como a da distribuição de computadores e a criação directa de emprego através de investimento público massivo), corremos o risco de assistirmos, mais que à falência do Estado social, à ineficácia do próprio Estado.

Diz-se que quem tudo quer, tudo perde. O socialismo (como o socialismo deste governo), querendo chegar a todo o lado, impondo-se a todas as decisões, criando monopólios fictícios, conduz-nos a um momento crítico de esvaziamento do poder. Ainda vamos ter de ver liberais a defender a autoridade do estado, naturalmente mais pequeno e consciente das suas limitações, dando espaço e lugar a quem sabe o que e como se deve fazer pela vida.

Excelente conselho!

Filed under: Economia,Internacional — Miguel Noronha @ 15:25

Artigo de Paul Krugman no NYT a 02/08/2002 no rescaldo da crise dot-com

To fight this recession the Fed needs (…) [a] soaring household spending to offset moribund business investment. And to do that, as Paul McCulley of Pimco put it, Alan Greenspan needs to create a housing bubble to replace the Nasdaq bubble.

Primeiro foi a Comissão Europeia a embirrar com o negócio

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 14:25

Agora é a PJ a coscuvilhar. Ninguém deixa Sócrates trabalhar.

Toda a gente falha menos eu

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 14:21

Constâncio diz que os auditores “têm falhado muito” em Portugal, depois de ter feito queixinhas do Ministério Público.

O choque do futuro

Filed under: Economia,Internacional,Médio Oriente,Política — Miguel Noronha @ 10:00

“Quatro Arábias” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Aqui e acolá, analistas vêem sinais de recuperação económica, garantem que o preço do petróleo não voltará a ter três dígitos no futuro previsível e, apesar do endividamento acumulado no último ano, o custo da dívida pública das principais economias permanece inferior ao suportado antes da crise financeira. A interacção destes três elementos -crescimento económico, preço da energia e serviço da dívida- determinará em grande parte a qualidade de vida nas economias ocidentais para as próximas décadas. Infelizmente os ditos analistas são apenas versões desinteressantes e empobrecidas de Leibniz ou da sua caricatura ficcional, o incorrigível optimista Dr. Pangloss

Hoje no i

Filed under: Brasil,Insurgentes nos media,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:05

O insurgente Bruno Garschagen estreia-se com a crónica “Brasil e Portugal: o desinteresse que nos une; a indiferença que nos afasta”

E não me dá uma oportunidade para eu o rejeitar?

Filed under: Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 08:52

Bruxelas dá nova oportunidade à Irlanda para aprovação do Tratado de Lisboa

Pois

Filed under: Médio Oriente,Política — Miguel Noronha @ 08:44

“Case-study” de Luciano Amaral (Gato do Chesire)

[C]omove[-me] imenso a comoção de tanta gente com a democratização de um regime que (recorde-se) já era democrático. Nunca vi semelhante coisa a propósito de outras democracias nascentes ou em estabilização no Médio Oriente ou até da única democracia conslidada do Médio Oriente: Israel. Pois. Tira um bocadinho de credibilidade à emoção que agora corre a rodos por aí.

Convergência nominal

Filed under: Educação,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:33

Diário de Notícias

Os professores de Português dizem que a facilidade da prova de ontem vai fazer subir as notas dos alunos, aproximando os resultados escolares nacionais dos da União Europeia. Uma estratégia para tentar melhorar as estatísticas, consideram, que tem sido seguida pelo Ministério da Educação

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 08:16

Song to the siren, This Mortal Coil.

As legislativas serão uma eleição sobre “carácter”

Filed under: Colunas,Comentário,Economia,Media,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 00:25

Ontem, o PS reuniu-se, para debater a estratégia eleitoral para as legislativas e ainda sem ter percebido muito bem o que lhe aconteceu nas europeias. Como seria de esperar, e no meio de muita conversa vaga acerca de “pedir maioria” e da necessidade de “estabilidade”, Sócrates e os seus aguadeiros lá vierem falar do “rumo” que, obviamente, é para “manter”. Pode assim o bom povo socialista ficar descansado: pelo menos até Outubro, vão continuar a haver “jobs” para os “boys”, o dinheiro da propaganda vai continuar a jorrar para cima dos “consultores” de “imagem” (e, em período eleitoral, vai jorrar ainda mais), e, não vá o diabo tecê-las e o PS perder o poder em Outubro, muitas benesses vão ser distribuídas à pressa para aproveitar o que poderão ser os últimos meses de acesso à mesa (cada vez mais vazia) do sempre magro (e mesmo assim excessivamente pesado) Orçamento da Nação. O rumo, de facto, é para manter, apenas não levará ninguém a bom porto, nem mesmo o Primeiro-Ministro.

Escusado será dizer que, na cabecinha do Primeiro-Ministro, a parte mais importante do tal “rumo” é precisamente a propaganda. E não é vão. Afinal, e como ele muito sabe, foi a propaganda que o fez, como foi a propaganda que durante muito tempo e apesar da realidade, o foi mantendo nas boas graças dos portugueses. Sócrates não sabe agir senão através das encenações diárias que lhe vão montando, e nas quais ele mostra os seus fatos Armani e proclama estarmos perante um “momento histórico”, mesmo que o dito momento consista de uma instalação de uma retrete na Escola Primária de Alguidares de Baixo, ou, como é bastante mais comum, do anúncio de uma futura instalação de uma retrete na Escola Primária de Alguidares de Baixo. Mas, para mal do Primeiro-Ministro, tenho dúvidas que o método socrático (o outro que me perdoe) funcione por muito mais tempo.

A razão é simples, e se o Primeiro-Ministro soubesse ler, bastaria dar uma olhadela a este artigo de Jackie Ashley no Guardian para a perceber (sendo assim, peço aos aguadeiros para lhe fazerem um resumozinho). Discutindo a recente polémica acerca da necessidade de “cortes” no Orçamento britânico, Ashley diz que o Labour, ao se catalogar como o “partido do investimento” (contra os tories partidários dos abomináveis “cortes”) se está apenas a condenar à irrelevância: segundo Ashley, já toda a gente percebeu que, devido aos níveis colossais da dívida pública contraída por Gordon Brown, os tais “cortes” na despesa pública serão inevitáveis, seja qual for o governo; ao negar a evidência, o Labour transforma uma discussão que poderia ser acerca de escolhas (o que cortar, quais as prioridades da despesa pública, etc.) numa questão de carácter (o partido que fala a verdade, o partido que nega a realidade).

Não é difícil de perceber, até para um aguadeiro socrático, como isto é um aviso ao nosso Primeiro-Ministro. Durante meses, vários inquéritos mostravam como uma larga maioria de pessoas duvidava do carácter de Sócrates. Ao mesmo tempo, o PS continuava a liderar as sondagens. Isto, que chocava algumas almas (incluindo a minha), não deveria ser surpresa (e aqui me penitencio pela ingenuidade): enquanto Sócrates parecia “estar a fazer”, o bom povo não se preocupava com a “engenharia” a que Sócrates recorreu para obter o grau, nem com as confusões do “Freeport”; Sócrates estava a “fazer” (ou pelo menos assim as pessoas pareciam ir acreditando), e mais valia um “espertalhão” que “pusesse as coisas a mexer” do que uns virtuosos sem “genica”.

Até que apareceu a crise. Sócrates, numa daquelas frases de político sem cérebro em que ele se especializou como poucos em Portugal, disse à saída do sarau de ontem que o Governo estava a enfrentar o natural “desgaste” de quem está no poder numa conjuntura destas (Marcelo Rebelo de Sousa, outro especialista neste tipo de raciocínios, deve ter ficado orgulhoso). Não lhe ocorre que, numa conjuntura destas, são os Governos que mais beneficiam, pois só os Governos podem beneficiar: só eles têm o poder, só eles podem demonstrar liderança (mesmo que ilusória), que é o que as pessoas procuram nestas ocasiões de incerteza. Se o Governo socialista não beneficiou deste efeito, foi porque algo mais aconteceu por causa da crise. E o que aconteceu foi precisamente o que aconteceu em Inglaterra: o peso da dívida, e o irrealismo de continuar a gastar dinheiro do orçamento como se não houvesse amanhã, começaram a tornar-se evidentes para as pessoas.

Até aqui, o “carácter” duvidoso de Sócrates interessou pouco ao eleitor comum. Este via Manuela Moura Guedes atirar-se ao pescoço do “engenheiro”, e certamente apreciava o espectáculo. Mas não estava disposto a votar pela virtude contra a carteira. Agora, talvez tenha começado a perceber que a carteira começa a ser esvaziada. Enquanto isso, Sócrates insiste no TGV, no Aeroporto, e no “investimento” em geral. Para aqueles que começam a ver a carteira a esvaziar, e que começam a perceber que a política de Sócrates siginfica que ela ficará ainda mais vazia no futuro, insistir no investimento público como caminho para o paraíso parece uma simples e vergonhosa deturpação da realidade. E aí, como Jackie Ashley diz, a questão passará a ser a do “carácter” dos líderes partidários. Até aqui, a propaganda puxava o debate político português para o campo que mais favorecia o Primeiro-Ministro, o da ilusão e das promessas vazias mas sedutoras. A partir do momento em que a realidade se tornar evidente (e torna-se cada vez mais), a propaganda, por ser irrealista, puxá-lo-á para o que mais o prejudica, o do “carácter”.

Desenganem-se, no entanto, aqueles que possam ver nesse cenário uma boa notícia para o PSD. É certo que Manuela Ferreira Leite parece gozar, junto da “opinião pública” (essa entidade mítica e tão difícil de compreender), de uma imagem de “seriedade” e “verdade”, que ela própria, aliás, não se cansa de exibir (e faz muito bem). Mas um debate centrado no “carácter” (ou falta dele) de um político acabará fatalmente por se transformar num debate sobre o “carácter” dos políticos. E aí, o maior beneficiário será obviamente o populismo do Bloco de Esquerda, não a “seriedade” de Ferreira Leite. Aliás, não me espantaria que o próprio Sócrates fosse insistindo no tema Freeport, para puxar a campanha para o mais perto possível no lamaçal onde ele gosta de chafurdar: ele sabe que, quanto mais suja for a campanha, mais “indecisos” darão o seu voto a partidos histéricos como o CDS/PP e o BE, em vez de o darem a um “partido de Governo” como o PSD. Se a propaganda continuar a ser capaz de enganar uns quantos, e a nojeira empurrar os que nela já não acreditam para os braços de Louçã ou de Portas (Paulo) e não para os do PSD, talvez Sócrates se consiga manter no poder em Outubro. É, no entanto, um destino que não lhe desejo. E não apenas por não querer que o meu país continue a ser governado por ele. Ficar refém de Louçã ou de Portas é um destino que não se deseja a ninguém.

Junho 16, 2009

Comprova-se: não perceberam que é melhor não continuarem na ‘política da pantominice’

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 12:17

«O importante é reforçar a dimensão política do nosso discurso e travar os combates que devem ser travados, nomeadamente o combate a uma direita que representa um modelo neoliberal falhado», diz o astuto Francisco Assis depois da reunião da comissão política socialista. Vários pontos: 1) Não existe em Portugal, infelizmente, nenhuma direita (neo)liberal. 2) Supondo que existia, essa tal direita teria governado 3 anos dos últimos 14 anos, pelo que dificilmente seria culpada de muita coisa no estado de desgovernação do país (estou a supor – o que, dada a proveniência das afirmações, não é líquido – que nem os socialistas tenham tamanha desonestidade intelectual para chamarem de “neoliberal” a um keynesiano confesso como Cavaco Silva). 3) Os eleitores estão-se marimbando para os rótulos que o PS tem distribuído a rodos nos últimos anos pelos opositores políticos; foi também contra esta política caceteira que votaram.  4) Regressando ao ponto 1, convém que o PS entenda que foram estes desfasamentos da verdade que os levaram a perder as europeias; aquele espetáculo penoso da última entrevista do PM na RTP e a sua lengalenga de ‘os recados do Presidente da República foram para outros, não foram para o governo’, ou a propaganda de um país que ninguém vislumbra, só fazem perder votos, já que evidentemente quem os diz está a gozar com quem o ouve.

Enfim, no PS não apenderam nada. O que, parecendo que não, é muito bom.

Entretanto na Birmânia

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 10:59

Aung San Suu kyi

Sobre o Irão

Filed under: Médio Oriente,Política — Miguel Noronha @ 10:15

“Onze questões sobre a crise no Irão” de Miguel Castelo-Branco (Combustões)
“Iran-contra” de Luciano Amaral (Gato do Chesire)
“Iran’s election process a ‘sham’” de John Bolton (Politico)
“The West fooled itself Iran would allow reform” de Amir Taheri (Times Online)

(os dois últimos links foram desavergonhadamente roubados ao Nuno Gouveia)

Alguém me explica como se interna compulsivamente um maluco num Hospital Psiquiátrico?

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 09:42

Caro Carlos Santos,

Não só mantiveste as inverdades que referi aqui, como insistes numa data de disparates; concluo que estamos perante um caso clínico de elevada gravidade.

A opção é tua.

Demita-se

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:59

Os deputados são “ignorantes” e fazem perguntas “que não têm cabimento”. A culpa é da PGR que não disse tudo o que sabia e mesmo as falhas do seu (antigo) vice-governador não o responsabilizam a si nem ao Banco de Portugal. Aliás não é ao BdP que compete descobrir as “grandes fraudes”.

Resumindo. No caso BPN, Constâncio e o BdP tiveram uma actuação exemplar e nada podiam ter feito para descobrir a fraude. Nesse caso, para que é que serve o Banco de Portugal?

Junho 15, 2009

Ao senhor do “Valor das Ideias”

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:37

Caro senhor professor Carlos Santos,

No post “Sao mas noticias para o pais e boas para o PSD” – A frase que Sa Carneiro repudiaria define hoje o PSD, pela voz de Pedro Picoito“, V. Exa. refere, em jeito de citacao hoc sensu, que eu terei defendido ser o PSD o partido da “tecnocracia e do pragmatismo“. Nada, porem, no link associado a essa sua afirmacao, que seria minha, permite tal conclusao, pois o post que serve lhe serve de base e integralmente sobre o Partido Socialista.

O seu nivel de indigencia na avaliaçao dos textos alheios leva-o a ser altamente insultivo dos que pretende ter como interlocutores; assim, agradeco algum rigor na forma como assume as minhas conclusoes, pois nao estou na disposiçao de tolerar inverdades como esta. E bom que corrija o link do post e o respectivo comentario -  e esta sera a segunda vez, e ultima, que peco civilizadamente que se refira a minha pessoa sem mentira.

(peco desculpa pela falta de acentuacao, mas escrevo de um teclado com algumas insuficiencias)

Praticar medicina sem licença

Filed under: Internacional — BZ @ 21:36

“Teen Outsmarts Doctors In Science Class”
Self-diagnosis impresses docs who’ve missed signs of her disease for years

Olhe que já vi pior

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 16:55

Pergunta o “Miguel Abrantes” se «É esta senhora que querem para primeiro-ministro?»

Eu não sou (mesmo) nada virado para o PSD. Se estes senhores se dizem social-democratas, agem como social-democratas e até se deram ao trabalho (há muitos anos) de mudar o nome do partido para social-democrata, deve ser porque (se calhar, na volta, eventualmente) são mesmo social-democratas. Possivelmente não serão tanto quanto alguns no Partido Socialista; mas, a partir de um determinado nível de estatismo, who’s counting?

A verdade é que perante as citações referidas pelo “Miguel Abrantes”, tenho de admitir, em resposta à sua pergunta, que já vi muito pior. Bem sei que o post é um conjunto de afirmações vergonhosamente cherry-picked para tentar amolecer liberais radicais como eu. Agradeço o esforço, mas mantenho o meu cepticismo crónico.

A verdadeira função da banca comercial

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:32

money-printer“A banca foi e muito ajudada pelo Governo, e bem, mas chegou a altura do sector financeiro olhar para as pequenas e médias empresas e ajudá-las com crédito. Um crédito fundamental, concedido evidentemente com avaliação do risco, mas um crédito rápido, criterioso, sem excluir o sector da construção civil.(…) A banca comercial tem de contribuir para dinamizar a procura interna, financiando as empresas e as famílias”

Victor Baptista, deputado do PS no Diário Económico

Moral hazzard revisited (*)

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 15:02

O presidente dos EUA vai anunciar a maior reforma da regulação do sistema financeiro do país nos últimos 70 anos, destinada a impedir falências entre as grandes instituições

Mais extraordinária que factura que vai pender sobre os contribuintes só a crença que esta reforma irá impedir a “erosão das regras da concessão de crédito“.

(*) Moral Hazzard na Wikipedia.

Leituras

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 14:05

“The Media Fall for Phony ‘Jobs’ Claims” de William MCGurn (WSJ) – parece que afinal foi Obama quem contratou os assessores de Sócrates, e não o inverso.

“Iceland’s Banking Crisis: The Meltdown of an Interventionist Financial System” de Philipp Bagus and David Howden (Mises Institute) – “The moral hazard created by the diminutive Icelandic central bank has already provided us with a spectacular blowup; are we to believe that the moral hazard guaranteed by the European Central Bank will be any less malign?

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 12:15

Esta semana, em destaque o site Human Rights & Democracy for Iran.

Speed freaks

Filed under: Economia,Internacional,Videos — Miguel Noronha @ 11:35

Este video apresenta a evolução da dívida pública americana desde o início do Sec XX até às estimativas da adminsitração Obama como uma viagem de costa a costa nos EUA.

(via Inflaccionista)

Junho 14, 2009

Lista de utilizadores do Twitter no Irão

Filed under: Diversos,Internacional,Médio Oriente,Política — Elizabete Dias @ 19:42

A cobertura das eleições iranianas e dos motins que seguiram ao anúncio dos resultados podem ser seguidos nesta lista de twitters que estão no Irão:

http://twitter.com/alirezasha
http://twitter.com/Gita
http://twitter.com/iran09
http://twitter.com/iranbaan
http://twitter.com/IranRiggedElect
http://twitter.com/mahdi
http://twitter.com/mohamadreza
http://twitter.com/mousavi1388
http://twitter.com/Mynumberone1988
http://twitter.com/Shahrzadmo
http://twitter.com/smileofcrash
http://twitter.com/StopAhmadi
http://twitter.com/tehranelection
http://twitter.com/TwitPersia
http://twitter.com/Change_for_Iran
http://twitter.com/ramezanpour
http://twitter.com/Keyvan
http://twitter.com/KeyvanGheissari
http://twitter.com/y_shar
http://twitter.com/IranElection09
http://twitter.com/parhamdoustdar
A cobertura no Twitter tem sido excepcional, sobretudo se tivermos em conta  as condições adversas
em que os twitters iranianos estão a relatar e publicar factos,  acontecimentos, imagens e vídeos.
Fonte

Ainda o rescaldo das Europeias

Filed under: Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 18:54

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves.

A reacção dos nossos media aos resultados das “europeias” foi pródiga em comentários preocupados perante o crescimento dos partidos extremistas em vários países da União. Vá-se lá saber porquê, os nossos media não parecem tão preocupados com o crescimento dos partidos extremistas em Portugal, que partilham com aqueles o discurso “anti-sistema”, a aversão à globalização, ao capitalismo e ao mercado livre, a retórica proteccionista, o recurso ao medo e ao conflito social, o anti-semitismo, a repulsa tradicional face aos EUA e, aqui e ali, as tácticas de insurgência através da “rua”. Os skinheads britânicos elegeram um eurodeputado? Penteados à parte, os skinheads indígenas elegeram cinco

Filed under: Diversos,Internacional,Médio Oriente,Política,Religião — Elizabete Dias @ 02:44

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Fonte

Junho 13, 2009

Hank Williams Said It Best

Filed under: Videos — André Azevedo Alves @ 22:35


Mick HarveyHank Williams Said It Best

Peso em ouro

Filed under: Desporto,Economia,Teoria — BZ @ 18:00

“Ronaldo vale 4.278 lingotes de [um quilo em] ouro” [Público]

Alguns cálculos:

  • 1 kg equivale aproximadamente a 32,15 onças;
  • Este mês (Junho de 2009) o câmbio médio USD/EUR foi, até agora, 1,40837;
  • Este mês a cotação médio do ouro foi, até agora, 960,95 dólares;
  • Usando os dados anteriores, 94 milhões de euros (valor da transferência do Cristiano Ronaldo) equivalem a cerca de 4.285 lingotes de ouro;
  • Em Julho de 2001, Zinedine Zinade foi transferido da Juventus para o Real Madrid por 76 milhões de euros;
  • Nesse mês, o câmbio médio USD/EUR foi de 0,861489 e a cotação média do ouro foi de 267,53 dólares;
  • Nessa altura, 76 milhões de euros equivaliam a 7.612 lingotes de ouro.

Leitura complementar: “Reserva de valor?”

Sem surpresas

Filed under: Economia,Internacional,Ludwig von Mises,Teoria,Videos — BZ @ 16:45

76 minutos bem investidos: “Why the Meltdown should have surprised no one”, [transcrição do video publicado abaixo]

Série de culto (2)

Filed under: Internacional,Media,Política,Videos — BZ @ 15:34

Ou campanha anti-Obama???

“The world is in bad shape father, who wouldn’t welcome a savior right now?”

“We’re all so quick to jump on the bandwagon, but before we get on let’s at least exame it”

“But that’s the danger, gratitute can morph into worship”

“[reporter] If you could speak to the protesters what would you say?”
“[Visitor] That embrancing change is never easy, but the reward for doing so can be far greater than anything you can imagine”

“They’re arming themselves with the most powerful weapon out there…(…) devotion.”

Via Reason.tv:

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