O Insurgente

Junho 22, 2009

Em destaque

Filed under: Blogosfera,Médio Oriente,Media — Miguel Noronha @ 10:13

Esta semana, em destaque o MEMRI Iranian Media Blog.

Em defesa de quê?…

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — jtcb @ 01:03

Em defesa de quê?… da liberdade? que é isso?

Há muito tempo que já nos despedimos desse conceito (para não dizer que nos despimos desse preconceito) que é a liberdade individual.

A notícia que o Rui Carmo publicou no seu post em defesa da liberdade, e as reacções ao dito, são disso bom exemplo. A ideia de que o controlo não atenta contra a liberdade porque é para o nosso bem revela uma aceitação pueril de um paternalismo que não fica bem a pessoas adultas.

O argumento da segurança é extraordinário. Sobretudo quando é esgrimido por uma certa esquerda que costuma acusar a direita de ser securitária.

Mas o pior dos argumentos, aquele que desce ao grau zero da discussão, é aquela velha ameaça velada: quem não deve não teme…

Qual é, afinal o objecto da liberdade? Stuart Mill já o esclareceu há precisamente 150 anos: “a natureza e os limites do poder que pode ser legitimamente exercido pela sociedade sobre o indivíduo”.

Obviamente, poderemos sempre discutir qual é essa natureza e quais são esses limites. Essa seria, aliás, “a questão vital do futuro”. O que não podemos é fazer crer que nem a natureza, nem os limites são relevantes se a liberdade for suprimida para o nosso próprio bem. A não ser que aceitemos que alguém sabe, melhor que nós próprios, o que é o nosso bem. Mas, nesse caso, não passamos de criancinhas.

Será possível convencer Pirro?

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 00:14

O Rui de Albuquerque, companheiro de longas jornadas blogosféricas, aqui no Insurgente, e noutros cantinhos virtuais, apresenta-me neste post como estando eu particularmente “entusiasmado” com o “programa excelentíssimo” que o PSD irá apresentar para o ciclo eleitoral que se avizinha. Desde logo, o Rui, que me conhece bastante bem, não quer mais do que me provocar, com a sua ironia irrebatível, pois sabe perfeitamente que eu me deixei de entusiasmos programáticos faz muito (era ele, já certamente “desentusiasmado”, uma figura de proa no CDS-PP), pese embora ainda não esteja na fase derradeira do “cepticismo espistemológico” que se tornou o seu cartão de visita.

*****

Caro Rui, só falei en passant do programa do PSD algures numa caixa de comentários perdida aí para baixo, para evitar que penses que é estratégia de MFL viver no vazio deixado por Sócrates: os laranjas vão querer, obviamente, apresentar um programa eleitoral. Que, tenho a certeza, não te vai convencer. O contrário, sim, seria uma notícia explêndida, extraordinária, algo excelentíssimo, que me  deixaria deveras entusiasmado. Mas não quero abusar da sorte; ficarei satisfeito se vir que há um ou outro ponto merecedor da tua exigente aprovação.

Junho 21, 2009

O holograma

Filed under: Colunas,Comentário,Media,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 22:15

Fora de casa e sem grande acesso a informação por uns dias, passou-me despercebida a grande dicussão da semana, esse tema de premente importância que é a suposta “transformação” do senhor Primeiro-Ministro de um “animal feroz” para um “português suave” (como alguém disse). Hoje, pondo-me em dia com o que se passou, não pude deixar de ficar surpreendido com o interesse que a questão suscitou. Acima de tudo, fiquei surpreendido com a quantidade de gente que levou a sério a manobra.

De facto, custa a crer como pode haver quem tenha pensado que Sócrates tenha, mesmo que por meras razões eleitoralistas, “mudado”. Sócrates não mudou. E não apenas por, como foi notado, por exemplo, por Pacheco Pereira, ele não conseguir deixar de ser o homem malcriado e arrogante que tem desfilado perante o país nos últimos anos. Mesmo que Sócrates consiga não ser um “animal feroz”, ele será o mesmo, não mudará. Pela simples razão de que Sócrates é, como também muito bem disse Pacheco Pereira há vários anos, um “holograma”. É um gigantesco vazio de personalidade que, por isso mesmo, pode ser tudo e o seu contrário. Não passa de um fato Armani que serve a qualquer um, capaz de fabricar toda e qualquer personalidade (até a de “engenheiro”). “Animal feroz” ou “português suave”, Sócrates é sempre uma e mesma coisa: um anúncio publicitário, uma “imagem” destinada, pura e simplesmente, a agradar.

Dir-me-á o leitor que não, que, no início, Sócrates foi “corajoso”, que enfrentou interesses. Não foi, e não enfrentou. Berrou contra alguns desses interesses, para agradar ao eleitorado apreciador da “autoridade”. Longe de uma “corajosa” postura de não se importar de perder votos para mudar o que era preciso, Sócrates fingiu mudar, cobardementemente deixando tudo na mesma, para conquistar os votos que fingia não se importar de perder. Como bom invertebrado que é, adoptou a postura que melhor lhe convinha. E quando a postura contrária se tornou mais conveniente, também não hesitou em “mudar”.

O problema de Sócrates foi que a sua propaganda funcionou bem demais: apesar de tudo ter ficado na mesma, ou seja, bem pior, Sócrates quis levar as pessoas a crer que tudo tinha passado por uma autêntica revolução. E as pessoas acreditaram, e por isso, os tais “interesses” manifestaram um descontentamento manifestamente injustificado contra alguém que, na prática, mais não fez do que os preservar. E então, o fato Armani mudou de cor: quando até fingir que mudava deixou de ser popular, Sócrates passou a fingir que “dialogava”. A “inteligência”, nos jornais, nas televisões, na rádio, delirou (não há nada que provoque mais admiração na “inteligência” portuguesa do que os esforços de alguém para a manipular), e chamou os especialistas em “marcas” (que devem de facto saber do que falam, pois promovem-se muito bem) para discorrer sobre o assunto. Obviamente, nenhum notou a única coisa que havia notar: finja Sócrates uma coisa, ou finja outra ou aqueloutra, estará sempre, apenas e só, a fingir. Isso não muda, nem vai mudar.

pensar um pouco

Filed under: Diversos — rui a. @ 16:38

Paulo_Macedo_Impostos_DGCI_Fisco_2_m

Se olharmos para a democracia de forma meramente negativa, como um exercício de voto ciclíco que nos permite castigar e substituir quem está no exercício do poder, então, é possível aderir entusiasticamente ao PSD de Manuela Ferreira Leite, sem mais: votamos na Senhora e nos seus (que, por sinal, praticamente ignoramos quem sejam), mandamos Sócrates e os seus para casa, o mesmo é dizer para a oposição, castigando-os pelas malandrices que nos fizeram nestes quatro últimos anos, e ficamos à espera que o novo governo faça melhor.

Este exercício é legítimo, só que costuma acarretar desgostos políticos e insatisfação: passado algum tempo, está o país novamente aos berros contra o governo, como aconteceu recentemente com o de Durão Barroso e o de José Sócrates, ambos eleitos com generosas maiorias. E tem outro inconveniente: se se trata apenas de substituir o pessoal político, votando contra quem está no poder, qualquer partido da oposião serve, desde que exerça eficazmente o seu papel oposicionista e contribua para desapiar quem está no governo. Foi este mesmo raciocínio que levou muita gente a votar nas últimas eleições no Bloco de Esquerda.

Se quisermos perceber em quem estamos a votar, então é igualmente legítimo elevar um pouco a fasquia da exigência. No caso do PSD e de Manuela Ferreira Leite, devemos fazê-lo por várias ordens de razões: porque a passagem recente desse partido e dela pela governação não os tornam particularmente recomendáveis; porque esse partido tem dado e continua a dar lamentáveis espectáculos de lutas internas ao país, que nem sequer o cheiro a poder parece agora acalmar (vejam-se os últimos artigos de Pacheco Pereira ou as entrevistas de Luís Filipe Meneses); porque não existem compromissos programáticos e pessoais claros sobre o que pretende esse partido fazer se chegar ao governo.

Para aqueles que censuram o governo de Sócrates – o que, para mim, é uma desnecessidade evidente, por não ser socialista nem acreditar, um segundo que seja, no Estado Social que os socialistas defendem, mantêm e querem desenvolver – convém recordar que os tiques de autoritarismo que fundamentadamente lhe criticam, nomeadamente por ter transformado Portugal num estado fiscal sem respeito pelo cidadão, se iniciaram no governo do PSD e têm um rosto que é precisamente o de Manuela Ferreira Leite. Foi ela, aliás, que contratou e deu corda solta ao então todo poderoso Dr. Paulo Macedo, que o governo do Partido Socialista manteria em funções e deixaria placidamente continuar o seu trabalho.

Do ponto de vista de um cidadão que quer saber como vai ser governado nos próximos anos, penso que seria importante que o PSD e Manuela Ferreira Leite nos esclarecessem como querem pôr o estado e o governo a relacionar-se com os cidadãos em diversas matérias, entre elas as de natureza fiscal. Vão continuar as listas negras? Vão manter a lei da quebra de sigilo bancário sem controlo judicial? Acham saudável a relação actual existente entre o estado e os cidadãos nesta matéria, inequivocamente iniciada no Ministério das Finanças de que foi titular a actual presidente do partido?

São este género de questões comezinhas sobre as quais me pareceria importante escutar o PSD. Já não peço que produzam teorias ciclópicas sobre o estado, sobre a natureza do governo, ou sobre a relação metafísica deste com a sociedade e os indivíduos. Apenas que nos digam o que pretendem fazer a estes últimos, entre os quais, já agora, me incluo. E, aproveitando a circunstância, que o que dissessem fosse dito com seriedade, para cumprir quando chegarem ao governo, e não para meterem na gaveta, tal e qual fizeram na última vez que por lá passaram.

Iniciativa vermelha popular

Filed under: Blogosfera,Desporto — ruicarmo @ 14:07

Movimento Fica Vieira.

Para as boas almas

Filed under: Cultura,Internacional,Justiça,Política,Teoria — ruicarmo @ 13:50

A extrema esquerda não é violenta.

O bezerro dourado

Filed under: Comentário,Media — ruicarmo @ 13:28

(…) Modéstia, afinal, não houve nenhuma. Salvo pormenores “formais” (a “burocracia” na avaliação dos professores, por exemplo), o eng. Sócrates reconheceu um único “erro”: o parco apoio à “cultura”, na presunção convicta ou simulada de que um punhado de filmes e peças por subsidiar é fonte de angústia colectiva. De resto, desfiou a propaganda do costume: reformas (?), progresso científico (?), redenção do ensino (?), crescimento económico (?), criação de emprego (?), controlo das contas públicas (toldado pela malvada “crise internacional”, a maior dos últimos cem, mil ou dez mil anos, não me lembro), benefícios do investimento estatal, energias “renováveis”, Magalhães, etc.

No final, confessou-se assaz contente consigo e com a sua “mundividência”. Para o futuro, conta com o “país moderno”, que “quer andar para a frente” e que “não se deixa abater”. Não conta, presume-se, com a chusma de pessimistas retrógrados que não apreciam as maravilhas que o Governo faz por eles.

Embora embrulhada no tom intimista dos programas nocturnos de rádio, trata-se da lengalenga de sempre e do eng. Sócrates de sempre, um homem curiosamente obcecado com ele mesmo e curiosamente convencido da própria importância. Convém moderar as comparações com Guterres. O assustadiço Guterres fugiu ao perceber que percebêramos o buraco em que nos meteu. O eng. Sócrates nunca abdicaria voluntariamente do poder. No máximo, abdica da imagem com que o desempenhou durante quatro anos, trocando a velha arrogância (ou “firmeza”) pela dissimulação (ou “humildade”). (…)

O menino de ouro da Sic, por Alberto Gonçalves.

E agora, Câncio?

Filed under: Blogosfera,Justiça,Media,Política,Portugal — ruicarmo @ 13:21

Será isto um trabalho jornalístico?

Em defesa da liberdade

Filed under: Agenda,Comentário,Cultura,Justiça,Política,Portugal — ruicarmo @ 13:16

(…) Os órgãos de polícia criminal (GNR, PSP, PJ ou SEF), sem prévia autorização de um juiz, vão poder interceptar qualquer sistema informático, acedendo directamente aos dados de tráfego e aos conteúdos das comunicações suspeitas. Além disso, os fornecedores de serviços vão ser obrigados a guardar e a ceder às autoridades os dados em investigação, devendo ainda facilitar o acesso ao sistema informático onde eles estejam armazenados.

Esta intrusão policial nos computadores, através de dispositivos electromagnéticos, acústicos, mecânicos, ou outros, será feita com a mediação dos fornecedores de serviços, os quais vão ser obrigados a colaborar. Além de fornecer os dados solicitados, deverão também revelar a identidade, a morada e o número de telefone do assinante sob suspeita. E, se necessário, terão de permitir o acesso dos polícias ao sistema informático onde os dados em investigação estejam armazenados.

DN.

Está tudo bem, certo?

E agora, Ana Gomes?

Filed under: Internacional,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 07:52

No jornal i (via ABC do PPM)

“Estava na brincadeira e inventei uma história para os amigos. Nunca pensei que chegasse tão longe”, confessa o estilista Orlando Cosmelli. O português naturalizado canadiano foi citado no início do processo dos “voos da CIA” relacionados com a base das Lages nos Açores como tendo sido raptado em Torremolinos, levado para interrogatório em Ceuta, sujeito a maus tratos, interrogado, e posteriormente libertado na rua de São Marçal, em Lisboa, onde morava.

No processo, a que o i teve acesso, a Polícia Judiciária contactou telefonicamente o estilista, nascido em Angola há 51 anos, com nacionalidade portuguesa e naturalizado canadiano, que revelou que tinha estado, de facto, em Torremolinos em 2004, mas que o rapto por agentes da CIA nunca existiu.

O caso arquivado pela Procuradoria Geral da República revela também outros enganos. O jornalista da Lusa, Aranda da Silva – que teria afirmado à eurodeputada do PS Ana Gomes, ao denunciante do processo, o jornalista Rui Costa Pinto, e a um jornalista do “Expresso”, que tinha visto seis prisioneiros acorrentados, em fila indiana, a sair de um avião nas Lages – declara agora no processo que tanto os jornalistas como a eurodeputada Ana Gomes deturparam as suas declarações.

Confissões antes da meia-idade

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 00:21

A propósito deste texto do Times.

Quando eu nasci (sou a mais nova de quatro irmãos e 14 anos mais nova que o irmão mais velho) a minha mãe tinha trinta e seis anos. Lembro-me perfeitamente, na primária, de ficar confusa com o facto de a minha mãe ser sempre a mãe mais velha e uns bons anos mais velha do que a generalidade das outras mães, e de lhe exigir explicações. Vinte anos mais tarde, tenho trinta e cinco anos, vou ter o segundo filho e, como é óbvio, levo a mal se no cabeleireiro me tratam por ‘senhora’ em vez de ‘menina’. Tenho a noção de que há mães dos colegas do meu filho de três anos que são mais novas do que eu, mas confesso que ou por excesso de confiança sobre a falta de rugas no meu rosto ou por distracção ou porque as idades mais tardias para a maternidade se normalizaram, não noto nada uma grande discrepância de idades entre mim e as restantes mães. Certamente não sou a mãe mais velha. E, olhando para o meu grupo de amigas, estou perfeitamente na média; apenas uma teve o primeiro filho aos 28, e uma ou outra aos trinta. De resto, houve quem começasse aos trinta e três e várias da minha idade ainda não tiveram filhos. Escrevia há uns meses a Plum Sykes numaVogue que aos 38 anos uma mulher já devia ter um marido, um filho e um bom vestido de mangas compridas. Não estou, por isto, preocupada que os meus filhos me acusem de excesso de idade durante a sua infância. E também não me choca esta maternidade mais tardia: permite-nos uns bons anos de empenho profissional antes de nos termos de dividir em quinhentos afazeres diários ou antes de fazermos opções que priviligiem o acompanhamento do crescimento dos filhos nos primeiros anos; permite fazer viagens que são impossíveis com filhos pequenos; permite gozar namoros ou casamentos mais calmamente. Não se pense, no entanto, que tudo são rosas. Além da inevitável quebra na fertilidade que pode trazer dissabores a quem quer engravidar tardiamente, há que reconhecer que os níveis de cansaço são muito diferentes aos trinta e aos quarenta do que aos vinte. Uma sucessão de noites sem dormir tem preços crescentes ao 25, aos 35 ou aos 45. As gravidezes, em especial se já há outros filhos, podem revelar-se (mais) extenuantes. Pela minha experência, correr de saltos altos (na fase pré-gravidez, of course, agora de flats) atrás de uma criança de 3 anos teria sido com certeza menos propiciador de momentos ofegantes nos vintes do que me sucede agora. E nesta gravidez, bem, posso garantir que tenho a energia de uma tia entradota daquele meu eu que teve uma gravidez aos 31. Reminiscente de juventude foi apenas o surto de acne virulento que me atacou (malditas hormonas) entre a 14ª e a 18ª semanas.

Junho 20, 2009

o programa excelentíssimo

Filed under: Diversos — rui a. @ 23:55

barroso

O meu amigo e companheiro de blog Rodrigo deu-me uma notícia esplêndida: o PSD está a preparar um programa eleitoral, que deve apresentar à Nação lá para os fins de Julho. Presumo que o documento seja magnífico e que venha acompanhado das melhores intenções, tal o entusiasmo com que o Rodrigo fala dele. Por mim, que não sou de leituras partido-programáticas profundas, a última vez que dediquei algum tempo a esse malfadado exercício foi exactamente com o programa do PSD, nas eleições que fizeram de Durão Barroso primeiro-ministro.

Li e não desgostei. Nessas eleições votei nesse partido, em boa medida por causa do programa apresentado. Dele retenho alguns aspectos, os que talvez me tenham levado a votar, pela primeira vez, no PSD: descida de impostos (o famoso “choque fiscal”), reforma profunda do estado, privatizações do sector público considerado desnecessário, estabilidade governativa, moralização do estado, redução da despesa pública, propondo, entre outras medidas, a extinção das inúmeras fundações criadas pelo governo anterior do PS, onde se alojavam os boys and girls rosa. Também retenho os resultados desse programa. O “choque fiscal” foi, de facto, um choque, não tanto pelas medidas anunciadas, mas por se terem posto em prática exactamente as contrárias. A tarefa de reformar o estado e a administração pública foi atribuída, por puro deleite e gozo, ao Dr. João de Deus Pinheiro, um velho amigo do então primeiro-ministro, conhecido pela sua inesgotável capacidade produtiva. Das privatizações lembro-me do novo logotipo verde da RTP 2, que passou a ser ternurentamente apelidada pela 2. Das fundações rosa, matéria em que não me considero especialista, constou-me que tinha sido extinta uma. Provavelmente por falta de jotas que se encarregassem dela. Jotas que, por sinal, abrilhantaram o novo governo e as instituições públicas com a sagesse, a inteligência e a capacidade de verdadeiros homens de estado que ninguém lhes pode negar. Sobre a estabilidade governativa, viu-se ao fim de dois anos e meio. E quanto à moralização do estado, julgo que foi para isso que a Dr.ª Ferreira Leite contratou o Dr. Paulo Macedo, com os belíssimos resultados que o governo seguinte do PS não deixou de aproveitar (os resultados e o Dr. Macedo, claro).

O resultado deste conjunto de brincadeiras, está aí à vista: o PS, depois de quatro anos de governo impopular e com um primeiro-ministro diariamente massacrado na comunicação social, continua a resistir eleitoralmente; e a extrema-esquerda com mais de 20% dos votos, facto nunca antes visto, nem mesmo nos malfadados tempos do PREC. Por outras palavras: o eleitorado continua a desconfiar da direita, para quem parece não tencionar transferir de ânimo leve o seu voto, preferindo a oposição à esquerda, nomeadamente a do Bloco.

Na altura, quando a coisa acabou, o Dr. António Pires de Lima disse, muito sensatamente, que a direita fora para o governo sem qualquer preparação, e que pagou por isso. Falou-se, também, na necessidade de a refundar, não tanto com novos e surpreendentes protagonistas, nem com ideias geniais (ninguém é ingénuo a esse ponto), mas, pelo menos, vendo-a fazer um esforço sério para entender o que lhe tinha sucedido e emendar a mão, na medida do possível, apresentando-se aos portugueses com a credibilidade de propostas sérias e diferentes das praticadas pelo Partido Socialista.

Ao longo destes quatro anos, não dei conta de que nada disso tenha sucedido. Provavelmente será o programa eleitoral do PSD que me vai fazer mudar de ideias, caro Rodrigo.

(música)

Filed under: Videos — Miguel Noronha @ 14:39

THE JESSICA FLETCHERS – Summer holiday & me

Ácido – Karma to Burn

Filed under: Videos — Helder Ferreira @ 01:41

Próxima segunda-feira, dia 22 às 22h no Santiago Alquimista em Lisboa. De bónus levareis com Dollar Llama e Men Eater.

CARTAZ-KARMA

Richard Mullins é o baixista do Year Long Disaster e, também nos Karma to Burn, tudo roda à volta deste baixo fantástico. Só ouvisto. Aqui abaixo: “Thirty Four”

Vão lá, vão ao iutubi e descubram.

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 00:02

Revelations, Audioslave.

Junho 19, 2009

Freepóre

Filed under: Agenda,Ambiente,Cartoons,Comentário,Justiça,Política,Portugal — ruicarmo @ 23:37

E agora Sócrates?

A dúvida é se este novo desenvolvimento vai ser abordado pelo animal feroz ou pelo rústico neo-humilde.

Uma campanha

Filed under: Internacional,Justiça,Media,Política — ruicarmo @ 19:44

Verdadeira Negra. E agora, pá?

cleaner

Notícia e fotografia do Telegraph.

Fófó & vencer lda.

Filed under: Comentário,Desporto — ruicarmo @ 19:35

Só um clube imenso poderá dar a resposta. Como se pode vencer, sem se ter um único candidato e sem ir a jogo?

Anacleto Louçã, nem sorriso de apoio à ETA?

Filed under: Agenda,Comentário,Internacional,Justiça,Política,Portugal,Teoria — ruicarmo @ 19:12

Até à hora em que escrevo, nenhuma – zero – notícia sobre o atentado terrorista acontecimento de Arrigorriaga. Nem um vídeo com um sorriso franco e aberto, nem uma palavrinha, uma linha que seja a louvar e a engradecer a brava luta da ETA contra o governo invasor espanhol.

Lá estão referências aos iranianos que pedem a anulação das eleições, uma luta campal que teve lugar na universidade de São Paulo – os estudantes sempre na pândega – a verdadeira explicação aos pequeninos porque faliu a GM, a opção das autoridades  guatemaltecas pelo software livre, a saudação fascista de uma ministra italiana, a vitória dos índios sobre o governo do Peru e a agressão racista que aconteceu na tal de Europa.

Não há um pingo de vergonha.

Há vida noutros planetas

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 18:53

Para quem tem dúvidas sobre a existência de vida noutros planetas, os artigos de opinião que têm surgido nos últimos meses, sobre a necessidade de “mais estado”, são bons indicadores de que ela existe. Parece é que está a haver bastante imigração desses planetas cá para o burgo. Este artigo de Helena Garrido no Jornal de Negócios é paradigmático.

Ficamos a saber que «todos sem excepção» andaram a defender a «primazia absoluta da liberdade individual de escolha» e que o CDS/PP «sempre quis levar até ao limite a desregulamentação financeira». Eu até gostaria que estas frases fossem verdade, mas não são. Só um alienígena pode afirmá-las. A primazia da liberdade individual de escolha é totalmente incompatível com o aumento ininterrupto da carga fiscal e da despesa do estado. E o CDS/PP, que recorrentemente aparece a exigir que se investigue cada vez que sobe o preço de um qualquer bem de primeira necessidade também não é o campeão do liberalismo que Helena Garrido sugere ele ser.

Adicionalmente, a afirmação de que o «debate não pode ser mais ou menos Estado», pois «Corrigir as imperfeições do mercado deve ser o grande objectivo do Estado», é ignorar os factos. Só na presente legislatura, o governo fixou regras sobre arredondamentos de taxas de juro, modos de cálculo de juros em periodos fraccionados e preços de comissões sobre transferências de créditos. Tudo isto com impacto retroactivo em contratos existentes e eliminando as vantagens competitivas que determinados bancos tinham relativamente a outros dadas as suas políticas nessas áreas.

A crise financeira foi causada por excesso de endividamento. Este advém das próprias regras do sistema financeiro – que são fixadas pelos estados. Dinheiro fiduciário, reservas fraccionadas, rácios de Basileia; tudo controlado, legislado, regulado. O mecanismo normal no mercado para resolver esse excesso de endividamento são juros mais altos e desvalorizações de activos. Os estados tudo estão a fazer para interferir com este mecanismo. Quando voltar a haver uma nova “falha de mercado”, de quem será a culpa?

Ingenuidade marxista

Filed under: Diversos — Miguel Botelho Moniz @ 17:23

A tensão, inerente ao marxismo, entre a visão crítica da natureza humana, por um lado, e o optimismo irreflectido sobre a possibilidade de líderes providenciais para o movimento da classe trabalhadora, por outro, tem na vida pessoal de Eleanor (filha de Karl) Marx um exemplo caricato.

Eleanor manteve uma longa relação com Edward Aveling. Nunca casaram. Instituições burguesas não seriam a cup of tea da filha mais nova do revolucionário pai do comunismo. Na verdade Edward era casado, embora separado, com uma rica herdeira. There’s communism for you. Viria contudo a enviuvar; facto que, ainda assim, não levou a que casasse com Eleanor. Neste contexto, percebe-se o choque desta no dia em que descobriu que o seu companheiro de longa data tinha casado secretamente com (ainda mais) outra mulher. O imprestável, confrontado com a sua traição, propôs a Eleanor um “pacto de suicídio”. Terá fornecido o cianeto e galantemente sugerido «ladies first». Ela matou-se; e ele saiu porta fora, indo à sua vida. Edward era um convicto ateu, mas deve ter pensado estar perante justiça divina ao morrer poucos meses mais tarde, de doença.

O fim da F1?

Filed under: Desporto — André Abrantes Amaral @ 15:14

mclaren3

Só para os que ainda não perceberam que aquela competição acabou no dia 1 de Maio de 1994.

Leituras complementares: 1 e 2

Os maluquinhos do costume

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 15:11

Sabiam que é a CIA que está a mandar os SMS no Irão?

os nossos

Filed under: Diversos — rui a. @ 15:00

cristiano-ronaldo-entertainer

Não há provavelmente atitude política mais avessa ao espírito liberal do que separar os políticos entre os “nossos” e os “deles”, e apoiar entusiástica e acriticamente os primeiros. Trata-se de reduzir a política ao mundo do desporto, onde os “nossos” têm de ser aplaudidos quando entram em campo, apenas por usarem o equipamento do nosso clube e estarem a defrontar-se contra um clube diferente.

O critério liberal face à política deve ser o de separar os políticos dos cidadãos, as estruturas políticas da sociedade civil e das suas instituições, o poder soberano do poder civil, e preocupar-se, obviamente, com a defesa dos segundos face aos primeiros. Por princípio e por método, os liberais desconfiam dos políticos e da política, razão pela qual pugnam por poderes soberanos reduzidos e um estado mínimo. Ainda por cima, em Portugal, os políticos – à esquerda e à direita – não têm sido merecedores da confiança dos cidadãos. Basta olhar para o estado em que o país (de há muito) se encontra, para compreender as razões dessa desconfiança.

Acresce que os “nossos”, isto é, os partidos à direita do socialismo, não são partidos em quem se possa confiar cegamente. Bem pelo contrário. Os momentos em que passaram recentemente pelo governo, não os recomendam. Basta recordar o governo de Durão Barroso, o prometido “choque fiscal”, a “reforma” da administração pública, a relação que estabeleceu entre o estado e os cidadãos (lembram-se do “já cá canta” da Dr.ª Ferreira Leite?), a completa ausência de espírito reformista, o “tachismo” aparelhista que o marcou. Por não se terem comportado com seriedade perante o país e os cidadãos, os partidos da direita perderam a confiança dos eleitores, que, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, estão a migrar da esquerda para a extrema-esquerda, em vez de regressarem ao centro e à direita.

Do que se trata agora é de saber se esta direita, corporizada no PSD de Manuela Ferreira Leite e no CDS de Paulo Portas, está preparada para governar e como o pretende fazer. Em boa verdade, até agora, o mutismo tem sido a tónica dos dois partidos. Nem um nem outro esclareceram, por enquanto, o que pretendem fazer, quando e se chegarem ao governo, sobre as funções do estado, sobre os sectores da governação que o governo “privatizará” ou não, sobre a política fiscal, a política de saúde, a política para o ensino superior, para a justiça, para a administração pública, para a reforma do estado, para as grandes obras públicas prometidas pelo governo PS, etc., etc., etc.. Até agora, que se tenha ouvido, não disseram nada, nem coisa nenhuma.

Eu atrever-me-ia, então, a sugerir que a primeira obrigação desta direita será a de credibilizar a política e a de restituir a dignidade e a honorabilidade às instituições públicas e governativas, e, se possível (eu sei que é pedir muito) aos seus próprios partidos: honrar a palavra dada aos eleitores, cumprir o prometido em campanha, respeitar os mandatos, separar o governo das máfias dos aparelhos partidários, não fazer negociatas à sombra do estado, tratar os cidadãos por igual, não ser prepotente, respeitar as regras do Estado de Direito. Para isso, é obrigatório dizer-se alguma coisa ao país, anunciar ao que se vem, assumir solenemente responsabilidades programáticas, e não começar a violar compromissos eleitorais, na primeira oportunidade. Menos do que isto significa, a meu ver, que é indiferente o país ter um governo de direita, ou manter o actual.

Infelizmente, a “táctica” parece ser a do minimalismo, isto é, a de dizer o mínimo possível aos eleitores antes das eleições, para se estar livre de fazer o que se entender depois. Preparem-se, pois, os entusiastas dos “nossos”, para grandes desilusões.

E quando vem a lagrimita?

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 12:27

Depois de ontem ouvir no rádio do carro as declarações de Manuel Pinho, com voz de quem contava as agruras da sua vida ao melhor amigo, dando conta do seu coração torturado pelo impasse na Autoeuropa e das noites que não dormiu para conseguir acordos para a dita com a administração alemã, depois de no dia anterior, na entrevista de José Sócrates, só ter faltado o PM esteder a mão para Ana Lourenço lhe fazer umas festinhas para minorar a tristeza da crise que não deixou que o positivo das iluminadas reformas do governo fosse percebido pelos eleitores, ficou-me a ideia que antes das legislativas ainda seremos capazes de ver algum dos nossos governantes exibir umas lagrimitas de tristeza e de mágoa pela incompreensão.

Hoje às 18 horas, Francisco Proença de Carvalho e João Villalobos

Filed under: Insurgentes nos media,Internacional,Médio Oriente,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:01

jazzamemuito1

Esta semana estarei com Antonieta Lopes da Costa em debate com João Villalobos e Francisco Proença de Carvalho.

Juntos analisamos alguns dos principais temas da actualidade:

Irão – Após os resultados inesperados de Mahmoud Ahmadinejad, a população saiu à rua em Teerão e exige a demissão do ainda presidente iraniano. Sorte grande para Obama, ou os últimos acontecimentos são mero fogo de vista?

E agora? – Depois da derrota do PS nas europeias, o que fazer com os investimentos públicos, com o TGV e o aeroporto de Alcochete? Quais as alternativas que o PSD pode apresentar nas legislativas?

Bancos em causa – Com os casos BPN e BPP em cima da mesa, o governador do Banco de Portugal tem sido fortemente questionado pelos partidos políticos. Vítor Constâncio fala de uma tentativa de ‘linchamento’ público desta instituição de supervisão bancária. Entre a complacência e a exigência do Banco de Portugal, em que ficamos?

Sócrates censurado –Apontando o que entende serem os erros do governo, o CDS apresentou no Parlamento uma moção de censura ao governo socialista. É oportuna esta iniciativa? E em quatro anos, onde falhou este governo?

O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Ralf Dahrendorf (1929-2009)

Filed under: Diversos — André Abrantes Amaral @ 10:21

O obituário de Lord Dahrendorf no Guardian.

Subsidiar o excesso de capacidade

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:48

Segundo o Financial Times os contribuintes as ajudas dos governos europeus estão a impedir uma necessária restruturação da industrial automóvel.

All told, automakers have benefited from well in excess of $100bn of direct bail-out funds or indirect state aid, such as scrappage schemes, since global sales collapsed last October – in nominal terms, the biggest ever short-term intervention in manufacturing.

All this money has preserved jobs in carmaking, still the linchpin of many industrial economies. But the money has also prevented a necessary shake-out in an industry that has long had too many producers. Consultants at PwC estimate the industry has the capacity to build 86m units this year, almost a record – and 31m more than the 55m vehicles it will sell.

“What appeared to be a unique opportunity to address the industry’s biggest issue – excess capacity – has been missed,” says Michael Tyndall, an analyst with Nomura.

Em resumo, estamos a pagar para manter uma industria sobredimensionada.

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 07:52

Five get over excited, The Housemartins.

Junho 18, 2009

Shopaholic

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 23:45

shopaholic

O argumento de que é necessário fazer o TGV, por apenas este projecto dar acesso a determinados fundos comunitários, é o equivalente elefantónico de achar que se faz uma grande poupança ao comprar uns sapatos Prada com list price de 600 euros por “apenas” 450 euros nos saldos.

Quem é Joaquim Nabuco? Não sabe?

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 21:05

No OrdemLivre.org:

Joaquim Nabuco e a transição no Brasil

por Bruno Garschagen

O Brasil vive um período de transição bastante interessante. Se na década de 1990 surgiram no cenário público algumas vozes dissonantes da cartilha marxista e suas derivações, a partir do ano 2000 despontou uma nova geração livre dos grilhões ideológicos turbinados durante o governo militar (1964-1985).

A ditadura maculou três gerações nas esferas política e cultural: a que estava no auge na época do golpe, a que tentava abrir espaço e a que nascia sob os coturnos. Essas gerações foram atacadas de dois lados: por um regime ditatorial e pela dominação cultural e educacional da esquerda de vários matizes. Nas universidades, no meio artístico, no jornalismo etc. o sujeito que não fosse de esquerda (o que não quer dizer que fosse de direita) era mal visto e rechaçado. Era preciso se posicionar. Do lado deles.

E já que vivemos num período de transição é fundamental que determinadas idéias sejam apresentadas e estudadas. E aqui vai minha dica: Joaquim Nabuco e seu livro Minha formação(1900).

CONTINUA…

A socialização da Liberdade

Filed under: Comentário — jtcb @ 18:44

Escreve o Professor João Cardoso Rosas que

“A esquerda começou por ser liberal, durante o século 19, para passar depois, especialmente no século 20, a ser socialista. Esta é, em termos esquemáticos, a história da esquerda na Europa.”

Esta é, afinal, a história que Hayek muito bem contou em “The Road to Serfdom”.  E é uma história extraordinariamente interessante e instrutiva. É essa história que faz daquele pequeno livro uma obra enorme: a história da socialização da liberdade — que é, para o efeito, sinónimo da socialização do indivíduo.

Abnegação

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 18:36

Na sua entrevista à SIC, Sócrates fez o possível para convencer o eleitorado do centro que optou por se abster nas últimas europeias. Até olhinhos de carneiro mal morto ele deitou. Sócrates não é Guterres, nem está a fazer de Guterres (como o Henrique escreve aqui). Sócrates, ao contrário de Guterres, apesar de cândido e brando, diz que ouve todos, o que não significa que concorde e que, sendo eleito, lhe cabe escolher o caminho a seguir.

O nosso problema com o primeiro-ministro é que ele mostrou, nesta sua nova atitude, o quanto está apegado ao poder. Ora, o país não precisa de um carreirista na política. Necessita de alguém que apresente um programa, diga que está disposto a levá-lo adiante e que, caso não o aceitem, que passem bem que a vida tem muito para oferecer. Chama-se abnegação.

Isso, eu já gostava de ver.

Regulação

Filed under: Comentário,Diversos — Carlos M. Fernandes @ 18:18

Quando Sacha Baron Cohen chega a algum lado, quase nada acontece. Ele é um comediante que, fora da personagem, é um homem discreto. Mas quando “Borat” chegou, todo o mundo ouviu o restolhar de incómodo dos americanos, dos judeus, dos cazaques. Agora, chega “Bruno” e à medida que o filme vai tendo ante-estreias pelo mundo, o desconforto é audível. O humorista britânico parece não conhecer outro valor cómico que não o choque e o confronto realidade/surrealismo da actuação e agora preocupa a comunidade gay e os defensores dos pantanosos “bons costumes”.

(…)

“A bem intencionada tentativa de Sacha Baron Cohen de sátira é problemática em muitos aspectos e francamente ofensiva noutros”, comentou Rashad Robinson, da Gay and Lesbian Alliance Against Defamation. Do lado da Human Rights Campaign, o maior lobby nos EUA, defende-se que os responsáveis pelo filme deviam avisar que o filme deve ser entendido como sátira à homofobia e que para isso é preciso um aviso nas salas de cinema.

Resumo: Se chatear os homófobos, está tudo bem; se, ao mesmo tempo, caricaturar tiques e manias de uma “comunidade” que está sob a estrita protecção das brigadas “politicamente correctas”, então vamos ter problemas.

A tolerância desta gente é inversamente proporcional à (falsa) imagem de abertura e transigência que tentam fazer passar, e, por isso, esperam-se novos episódios. Isto vai ser divertido.

Pressupostos errados

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 17:08

Arnold Kling faz uma analise bastante critica da proposta para reforma da regulação financeira de Obama.

Overall, the white paper offers a highly skewed narrative of the financial crisis. All of the misbehavior took place in the private sector. No mention is made of government policies that contributed. Instead, the story is one of government that needed a better regulatory structure and more powers.

Intellectually, this is a very disappointing piece of work. But given political considerations, I cannot say that I am surprised.

a liberdade e as “liberdades”

Filed under: Diversos — rui a. @ 16:35

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Interessante, esta distinção que o Prof. Rosas estabelece aqui entre a liberdade e as “liberdades”. Ela existe, de facto, e separa visceralmente o liberalismo do socialismo democrático.

Para os liberais a liberdade é um pressuposto da natureza humana, uma categoria inerente à própria personalidade do indivíduo. A liberdade consiste na possibilidade de um indivíduo decidir, sem coacção ilegítima, sobre aquilo que é seu, e de poder acordar e dispor de si mesmo em relação com os outros, enquadrado por regras sociais e jurídicas gerais e abstractas.

Já para os socialistas a liberdade é uma adição de liberdades concretas, todas elas com relevância e prévia aceitação política: a liberdade de expressão, a liberdade política, a liberdade económica, a liberdade de certos costumes sociais, etc. Estas “liberdades” não fazem parte da natureza humana, antes são uma concessão política da soberania. Como, aliás, se tem visto, o entendimento dos socialistas é o de que não existe liberdade absoluta, e que toda a liberdade, para o ser, carece de fiscalização e de tutela política, Se necessário, de redução, para salvaguardar, note-se bem, não apenas as liberdades alheias, mas essa invenção estatista que é o “interesse público”.

Parafraseando Lénine, a liberdade é uma coisa tão preciosa que deve ser racionada. Não por acaso, o Prof. Rosas utiliza no seu artigo a velha pergunta bolchevique – “que fazer” – para tentar encontrar um novo rumo para o Partido Socialista.

Andam todos a descobrir os seus corações

Filed under: Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 14:13

Sócrates sobre BPP: «Parte-se-me o coração»

Manuel Pinho espera “do fundo do coração” que trabalhadores da Autoeuropa reconsiderem

erro grave

Filed under: Diversos — rui a. @ 14:00

paulo-rangelO de Paulo Rangel, ao admitir abandonar o Parlamento Europeu, para o qual foi eleito há dias, caso o PSD vença as próximas legislativas. Fartos de salta-pocinhas na política, que trocam os lugares para os quais os portugueses os elegeram por outros politicamente mais convenientes, estamos nós todos. A lista do PS ao Parlamento Europeu tinha, aliás, alguns exemplos dessa poligamia política, dos quais visivelmente os eleitores não gostaram. Rangel foi eleito para um cargo importante, chefiou a lista do seu partido, e não foi para o ver ministro de qualquer coisa que os portugueses votaram nele. Os políticos devem habiturar-se que a renúncia a um lugar para o qual foram eleitos só pode justificar-se por razões de força maior. No caso de Paulo Rangel, só vejo uma: disputar as próximas legislativas ao Partido Socialista, no lugar que hoje pertence a Manuela Ferreira Leite.

Alegres sem Manel

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:43

Público

Chama-se Nova Esquerda. Vai organizar-se e funcionar como movimento, mas legalmente ficará inscrito como partido no Tribunal Constitucional. É apresentado quarta-feira em Lisboa. Junta os alegristas que ficaram descontentes com a decisão de Manuel Alegre de não sair do PS.

Não deve dar em nada mas, antes de implodir, ainda é capaz de nos proprocionar uns momentos de diversão.

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