Pacheco Pereira inventou uma nova teoria conspirativa: quem pretende conhecer o programa eleitoral do PSD é situacionista, logo, beneficia tacticamamente o PS (com ou sem dolo, não esclarece, mas presume-se que dolosamente, como é próprio de uma conspiração decente). A demonstração, segundo o autor do Abrupto, é elementar: eles, os “situacionistas” não querem saber qual é o programa do PS.
Por mim, quanto ao programa socialista, estou mais do que esclarecido: bastaram-me os últimos quatro anos de governo e a intenção já declarada do primeiro-ministro de que o “rumo” é para manter. É preciso dizer ou pedir mais alguma coisa?
Junho 24, 2009
o abcesso
11 Comentários »
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Essa do abcesso é uma excelente ideia.
Comentário por Range-o-Dente — Junho 24, 2009 @ 17:29
Sem querer meter a foice em seara alheia, nem fazer de advogado do diabo, e parando desde já com os chavões do costume, que já se percebeu a ideia, penso que JPP tem alguma razão no que diz. Duvido que o texto seja dirigido aos indivíduos com curiosidade, mas a questão essencial é que de um momento para o outro, sem se perceber muito bem porquê, começou a fazer-se uma busca tremenda pelo programa quando ainda nenhum partido apresentou o seu, tirando o Bloco que o colocou em discussão pública não tendo por isso nada de oficial.
Por outro lado, também é verdade que propostas concretas vindas do PSD temos ouvido poucas, mas que a fixação é estranha e de desconfiar, lá isso, é.
Ou é isso ou então a conspirativite do Pacheco é contagiosa…
Comentário por Tiago Moreira Ramalho — Junho 24, 2009 @ 17:54
“(…) mas a questão essencial é que de um momento para o outro, sem se perceber muito bem porquê, começou a fazer-se uma busca tremenda pelo programa quando ainda nenhum partido apresentou o seu, tirando o Bloco que o colocou em discussão pública não tendo por isso nada de oficial.”
não foi de um momento para o outro, o momento da-se quando o coordenador do programa eleitoral do PS, Xuxa Antonio Vitorino “exige” conhecer o programa eleitoral do PSD, depois foi ver os xuxas passistas a fazerem o seu papel…
Comentário por tric — Junho 24, 2009 @ 19:03
Iria mais pela segunda hipótese, caro Tiago,
Comentário por ruialbuquerque — Junho 24, 2009 @ 21:36
Caro Rui A.,
Faz-lhe alguma diferença conhecer o programa eleitoral agora ou em finais de Julho, data em que o PSD o tenciona apresentar? Acha que faz alguma diferença ao país?
Ou o propósito do post é apenas fazer coro com o António Vitorino?:)
Comentário por José Barros — Junho 24, 2009 @ 23:03
O PS está de gatas, procura agora arrastar a oposição. MFL é uma sra de respeito, por ai seria um risco seria um risco. Resta foçar por todo o lado à procura…
Comentário por Miguel — Junho 24, 2009 @ 23:30
Caro José Barros,
É-me indiferente. Agora ou em Julho é praticamente o mesmo. Nem são os prazos que me interessam, mas o que eventualmente a Dr.ª Manuela Ferreira Leite venha a anunciar como sendo as orientações estruturantes do seu futuro governo. Você, por acaso, conhece-as? Pois eu não, como julgo que a maioria das pessoas não sabe o que a Dr.ª Ferreira Leite pretende para o país. É altura, agora ou em Julho, de o sabermos.
Quanto ao Dr. Vitorino ignoro o que ele tenha dito a este respeito e, tenha dito o que quer que seja, é-me completamente indiferente. O Dr. Vitorino não faz parte das minhas influências.
E, já agora, você também pensa, como o Dr. Pacheco Pereira, que os eleitores que querem conhecer os planos de governo do PSD são “situacionistas” e socialistas encapotados?
Comentário por rui a. — Junho 25, 2009 @ 00:35
rui a., eu compreendo o seu post, mas isso não invalida a existência das manobras da formidável máquina que o Rato tem montado nas redacções, máquina essa que para desespero dos seus estrategas, tem cada vez menos efeito nestes tempos em que a informação escorre por fora da imprensa “controlada” e amiga.
Comentário por Luizi — Junho 25, 2009 @ 00:45
Caro Rui A.
Quanto ao Dr. Vitorino ignoro o que ele tenha dito a este respeito – Rui A.
Referi-me ao homem, porque só desde há cerca de uma semana, altura em que tais declarações foram proferidas, é que começou a haver nos blogues e nos media em geral uma exigência reiterada por parte de alguma opinião pública de que o PSD apresentasse o seu programa. Tão só isso.
E, já agora, você também pensa, como o Dr. Pacheco Pereira, que os eleitores que querem conhecer os planos de governo do PSD são “situacionistas” e socialistas encapotados? – Rui A.
Não penso isso sobre muitos comentadores, incluindo o Rui A..
Vejo, porém, algum sentido nas afirmações de Pacheco Pereira. Por isto: o PS começou à cerca de uma semana a acusar o PSD de não apresentar o seu programa, apesar de o PS também o não ter feito. A estratégia política é evidente: se o PSD apresentar as suas medidas agora, então o PS desvia o debate público da governação para a oposição e para as propostas do PSD numa altura em que está a ser atacado em várias frentes. Se a estratégia for bem sucedida, os restantes partidos, em particular, os de esquerda, centrarão os seus ataques no PSD e o governo poderá respirar durante umas semanas. Mas para que tudo corra bem, o PS precisa de eco. É para isso que servem muitas prestimosas vozes, à esquerda e à direita, e serão esses a quem o Pacheco Pereira se refere como situacionistas ou socialistas encapotados. Faz o seu papel que é o de ganhar tempo, fazer recair os holofotes sobre as políticas do governo e esperar que o combate eleitoral se faça num clima em que o governo esteja ainda mais fragilizado.
Quanto à sua tese de fundo, e como o Rui A. já disse que lhe era indiferente a altura em que o programa será apresentado (desde que evidentemente antes das eleições
), darei razão a esta sequência de posts se vir que as propostas do PSD são mais do mesmo, isto é, uma espécie de irmão siamês das políticas deste governo.
Comentário por José Barros — Junho 25, 2009 @ 01:19
Caro José Barros,
Obrigado pela sua resposta e pelas sua compreensão. Permita-me, todavia, que lhe diga que só depois das eleições, e na eventualidade do PSD ganhar as eleições, saberemos se esse partido continua a ser um irmão siamês do PS. Até agora tem-no sido em quase tudo, praticamente ao longo da sua história. Não bastam, por isso, boas promessas, porque delas estão o inferno e os eleitores mais do que cheios.
Quanto às nefastas influências do Dr. Vitorino, acredite: resido em São Paulo há mais de um ano e o homem não chega aqui. Agora que o PSD tem de vir a jogo, digam o Dr. Vitorino e o Dr. Pacheco (faces simétricas de uma mesma moeda, propagandistas inteligentes dos seus interesses respectivos) o que disserem, ai isso tem. E, apesar de sabermos que o partido conheceu quatro líderes em quatro anos (qual seria o programa político para o partido de cada um deles?), é tempo da que está no poder dizer mais do que protestar as suas boas intenções e a sua seriedade.
Cumprimentos cordiais,
Comentário por rui a. — Junho 25, 2009 @ 02:06
Isto de abcessos aparecem onde menos se espera e é preciso saber combatê-los
pacheco pereira e a ” relassa fraqueza”
Estou de acordo com pacheco pereira no que escreve sobre a correspondência ficcional de fradique mendes e de como Eça usou a ficção para atacar tudo o que de mau havia na sociedade portuguesa da época, não deixando esquecer que a época que fradique mendes tão cruelmente atacou e da qual tão cruelmente se riu era justamente a época da monarquia e durante os seus anos de maior decadência.
http://apombalivre.blogspot.com/2009/08/pacheco-pereira-e-relassa-fraqueza.html
Comentário por Maria — Agosto 30, 2009 @ 18:42